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terça-feira, 9 de junho de 2026

Portugal e o desafio da maturidade industrial na Defesa
(Fernando Figueiredo, Coronel, Consultor de Defesa, SAPO, 20MAI2026)
(sublinhados  da minha responsabilidade)

O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. E Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.

Portugal gasta em Defesa. Não tanto quanto deveria, e a meta NATO dos 2% do PIB não é totalmente uma realidade consolidada, mas de facto gasta. O problema não é quanto se gasta. O problema é em quê: a esmagadora maioria do investimento em equipamento militar sai do país, financia a indústria de terceiros e não deixa capacidade produtiva instalada em território nacional.

Esta não é, contudo, uma originalidade portuguesa. É a condição crónica de países europeus que compram sistemas acabados em vez de construírem a capacidade de os produzir.

Por mais “defense & innovation, hackathons, summits” ou nomes em inglês que inventem, a verdade é simples: depois das fotografias, dos painéis e dos momentos B2B, se não existir um investidor com capacidade financeira e vontade real de assumir risco, estes encontros acabam muitas vezes por servir apenas para aumentar listas de contactos, alimentar expectativas e produzir mais apresentações do que capacidade real, mas por mais paradoxal que pareça, a diferença entre os programas de Defesa que têm sucesso e os que falham não está exclusivamente nos recursos financeiros. Está na articulação sistemática entre maturidade tecnológica e maturidade produtiva, entre os Technology Readiness Levels (TRL) e os Manufacturing Readiness Levels (MRL) ou em português Níveis de Prontidão Tecnológica e Níveis de Prontidão de Manufatura.

Os TRL medem se uma tecnologia funciona. Vão de TRL 1, observação de princípios básicos em laboratório, até TRL 9, sistema plenamente demonstrado em combate. Os MRL medem algo fundamentalmente diferente: se essa tecnologia pode ser fabricada de forma fiável, económica e em escala. Vão de MRL 1 até MRL 10, sendo que MRL 9 corresponde à capacidade de produção inicial a baixo ritmo e MRL 10 à produção plena com práticas de lean manufacturing (sistema de gestão que visa aumentar a eficiência e a produtividade reduzindo erros e redundâncias na produção industrial).

Um exemplo concreto: imagine uma empresa portuguesa que desenvolve um sistema eletrónico de comunicações táticas de última geração. Os engenheiros constroem um protótipo que funciona de forma excelente, TRL elevado, mas o protótipo exigiu seis meses de trabalho manual, componentes importados de um único fornecedor alemão e três técnicos que são os únicos a saber montá-lo. Se as Forças Armadas pedirem 200 unidades em 18 meses, a empresa não consegue responder. Tecnologia madura, capacidade industrial inexistente. MRL baixo.

A assimetria entre TRL e MRL cria o que a comunidade de aquisições de Defesa chama de Valley of Death, o cemitério de tecnologias que funcionam em laboratório, mas nunca chegam ao campo.

O F-35, por exemplo, é o caso de estudo negativo mais documentado: mais de 990 aeronaves fabricadas antes de concluída a avaliação operacional inicial. Custo total do ciclo de vida estimado em mais de 2 biliões de dólares. O responsável máximo pelas aquisições do Pentágono classificou a decisão de apressar a produção como acquisition malpractice. Outro exemplo, o destroyer Zumwalt começou com um objetivo de 32 navios a 700 milhões cada, construíram-se três, a 7,5 mil milhões cada, o primeiro entregue com 320 deficiências significativas. E quem não se lembra do caso português na participação do NH90? Muito anúncio, muita ambição estratégica, muita fotografia institucional… e no fim ficaram os custos, os recuos, a indeminização e a sensação recorrente de que, na Defesa como em tantas áreas, o entusiasmo político costuma chegar muito antes da sustentabilidade técnica e financeira.

No lado oposto, o Iron Dome israelita foi aprovado em fevereiro de 2007, testado em março de 2009 e ficou operacional em março de 2011. Quatro anos do conceito ao campo. A chave foi o design for manufacturing desde o primeiro dia: o interceptor Tamir custa 40 a 50 mil dólares em produção, ordens de magnitude abaixo dos equivalentes ocidentais. A filosofia da agência central de investigação e desenvolvimento de tecnologia de Defesa de Israel (MAFAT) resume-se à fórmula Capacidade × Disponibilidade = Eficácia, ou seja, uma arma razoavelmente boa, disponível 80% do tempo, é mais eficaz do que uma arma perfeita, disponível 10% do tempo. Isto não é um axioma tecnológico. É um axioma industrial: a eficácia depende da capacidade de produção em massa a baixo custo, ou seja, de MRL elevados.

A Coreia do Sul aplica o princípio do design for mass production desde a fase de conceção. A entrega de carros de combate K2 Black Panther à Polónia concluiu-se em três meses após contrato, prazo impensável sem maturidade industrial MRL 9-10 pré-existente. A Turquia, partindo de 25% de produção nacional em 2000, atingiu 80% e 7,15 mil milhões de dólares em exportações de Defesa em 2024, seguindo precisamente a lógica TRL-MRL: primeiro produção licenciada, depois coprodução, finalmente conceção e fabrico integralmente nacionais.

A União Europeia criou um pipeline implícito TRL→MRL através do Fundo Europeu de Defesa (EDF) e do Programa Europeu de Indústria de Defesa (EDIP). O EDF financia investigação e desenvolvimento até TRL 8; o EDIP, aprovado em dezembro de 2025 com 1,5 mil milhões de euros, financia industrialização, escalonamento de produção e aquisições conjuntas. O programa SAFE disponibiliza empréstimos até 150 mil milhões de euros para aquisições de defesa com pelo menos 65% de componentes europeus.

Mas há um problema estrutural: a Europa não adotou um quadro formal de avaliação MRL. Nos Estados Unidos, desde 2011, a lei impõe a avaliação paralela de TRL e MRL em cada marco de qualquer grande programa de aquisição de Defesa. Na Europa, o termo MRL aparece nos documentos de trabalho do EDF de 2026 exclusivamente como abreviatura de… Multiple Rocket Launcher. A Estratégia Industrial de Defesa Europeia de 2024 reconhece explicitamente um "défice de comercialização" entre investigação e produção, mas não propõe nenhum instrumento de medição.

Isto cria uma assimetria competitiva: uma empresa que conclui um projeto EDF em TRL 6 não tem forma padronizada de demonstrar maturidade industrial para financiamento EDIP. A primeira nação europeia que institucionalizar a acoplagem TRL-MRL adquirirá vantagem estrutural dentro da Base Tecnológica e Industrial de Defesa Europeia (EDTIB).

Portugal tem a sua indústria de Defesa Nacional muito fragmentada, muito dependente de PME, mas apesar de todos os problemas conhecidos nos grandes programas de defesa internacionais, a realidade é que Portugal conseguiu, nos últimos anos, uma integração relevante em consórcios europeus e NATO ligados à defesa, espaço, drones, sistemas autónomos, software crítico e inteligência artificial.

Só entre EDF, PESCO e NATO Innovation Fund, empresas e entidades portuguesas como TEKEVER, Critical Software, GMVIS Skysoft, Visionspace, INESC TEC, INEGI, N3O ou OptimalSatellite participam em dezenas de projetos avaliados em mais de mil milhões de euros. Portugal está hoje presente em 17 projetos EDF selecionados em 2025, participa em 17 projetos PESCO, liderando três, e tornou-se um dos principais beneficiários do NATO Innovation Fund, incluindo o investimento na TEKEVER e no fundo da Faber Venture Capital.

Portugal tem ainda vantagens estruturais difíceis de replicar: posição geoestratégica atlântica, as Lajes, a ligação ao espaço lusófono e competências reais em manutenção aeronáutica, sistemas eletrónicos, comunicações, naval e CBRN (Química, Biológica, Radiológica e Nuclear).

O problema português não é a ausência de talento, investigação ou participação internacional. O verdadeiro problema é Valley of Death: existe capacidade científica e algum desenvolvimento tecnológico, mas raramente se transforma isso em capacidade industrial sustentada e autónoma. Na prática, muitos destes programas acabam por colocar Portugal nas margens da cadeia de valor: montagem final, subcomponentes ou integração limitada, o chamado screwdriver assembly. E o mesmo aconteceu com os offsets das grandes aquisições militares: recebemos trabalho temporário, mas não transferência duradoura de capacidade produtiva. A diferença é fundamental: o trabalho termina quando o contrato acaba; a capacidade fica, gera indústria, exportações e soberania tecnológica.

O roteiro proposto para o que Portugal deveria fazer é o seguinte:

O primeiro passo é conceptual: Portugal precisa de adotar internamente a lógica da dupla avaliação TRL-MRL em todos os contratos de I&D de defesa. Não é necessária legislação nova, basta alterar os cadernos de encargos. Cada contrato de desenvolvimento deveria definir não apenas um TRL exit mas um MRL exit simultâneo: se o objetivo é um protótipo em TRL 6, o contrato deve exigir simultaneamente MRL 5, ou seja, cadeia de fornecimento preliminar identificada, estimativa de custo de produção em escala, pessoal técnico formado.

O segundo passo é institucional: o Ministério da Defesa Nacional através da DGAPDN (Direção-Geral de Armamento e Património da Defesa Nacional) e o Estado-Maior General das Forças Armadas deveriam incorporar avaliações MRL nos processos de aprovação de programas de aquisição, à semelhança do que o Pentágono faz por imposição legal desde 2011. Portugal participará em programas EDIP e utilizará financiamento SAFE, mas sem capacidade de demonstrar maturidade industrial MRL 7+, o risco é acabar como "simples financiador": pagar por sistemas sem participação industrial substantiva, exatamente como aconteceu em tantos offsets anteriores.

O terceiro passo é estratégico: Portugal não pode nem deve ambicionar autossuficiência industrial em Defesa. A geografia, a dimensão da economia e a estrutura das Forças Armadas não o permitem, mas pode, e deve, identificar os seus nichos de excelência e tornarem-se nó especializado e insubstituível dentro da EDTIB. Manutenção e modificação de aeronaves? Sistemas de vigilância marítima? Comunicações táticas? Veículos não tripulados de superfície? A escolha estratégica dos nichos, documentada e fundamentada por avaliações MRL rigorosas, é o que transforma intenção política em capacidade industrial.

O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.

É precisamente neste momento que a ausência de uma política industrial de Defesa coerente, ancorada na acoplagem TRL-MRL, se torna mais dispendiosa. Não apenas em termos económicos: em termos de soberania estratégica, de credibilidade junto dos aliados, e de capacidade real de contribuir para a segurança coletiva com algo mais do que as Lajes e a boa vontade.

O que falta a Portugal não é dinheiro, não é talento, não é motivação geopolítica. É o tecido conjuntivo — a articulação mensurável, institucionalizada e rigorosamente documentada entre o que se investiga e o que se fabrica, entre o laboratório e o campo de batalha, entre a excelência académica e a capacidade industrial.

Como escreveu o General Platias sobre a Grécia no Roteiro para a Indústria de Defesa Grega, Revista Aérea Helénica, abril de 2026, palavras que se aplicam com igual precisão a Portugal: "O custo da inércia não se limita à ineficiência económica. Exprime-se como prolongamento da dependência estratégica, numa época histórica em que essa dependência evolui rapidamente de fraqueza para ameaça existencial."

A janela está aberta. Por quanto tempo, ninguém sabe!
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Respeito, SEMRE, a opinião de outrem. 
Depois, concordo, discordo, argumento/ comento se me apetecer.

Considero interessante este artigo.
A propósito do tema, a propósito do momento internacional, a propósito do inarrável Nuno Melo, escreverei umas linhas.

Bom dia, boa 3ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Já que nesta paz pós-45 há pancadaria por todo o lado, recordar algum passado.

Uma Cronologia de Acontecimentos na Área do Armamento


1242 - Inglaterra, Francis Bacon, primeira referência escrita à composição da pólvora
1313 - Alemanha, B.Scheartz, invento da arma de fogo portátil
1348 - Castela, Afonso XI, faz uso de morteiros num cerco
1453 - Moamed II, no cerco a Constantinopla, faz uso de morteiros
1492 - Suíça, aparecimento do arcabuz
1498 - Áustria, Gaspar Zellner, fabrica armas de fogo com cano estriado


1521 - Espanha, aparecimento do mosquete
1537 - Itália, Verona, Nicolo Tartaglia apresenta um primeiro tratado sobre balística e em que demonstra que as trajectórias são curvas
1540 - Itália, invenção da pistola
1573 - Alemanha, Zimmermann, invenção da primeira granada de artilharia
1600 - Aparecimento da baioneta como verdadeiro acessório de uma espingarda
1788 - França, Berthollet, descoberta do fulminato de prata


1799 - Inglaterra, Eduard Howard, descoberta do fulminato de mercúrio
1804 - EUA, início da produção das pistolas Harpers Ferry
1815 - França, Lenormand, invenção de pistola com cinco canos rotativos
1825 - E. Davy, descoberta do fulminato de platina
1832 - EUA, Samuel Colt, regista a patente do seu primeiro revólver
1834 - Descoberta do nitrobenzeno


183? - Auguste Flobert, apresentação da primeira munição de carga unida com invólucro metálico
1838 - França, T.J.Pelonze, revela a preparação da nitrocelulose
1845 - EUA, Ethan Allen, patente da pistola Pepper Box
1846 - Itália, Ascanio Sobrero, descoberta da nitroglicerina
1847 - Sconbein, descoberta do algodão-pólvora
1848 - EUA, Christian Sharps, patente da espingarda Sharps


1853 - França, aparecimento do revólver Lefaucheux, o primeiro de carregamento anterior
185? - EUA, Rollin White, patente do primeiro revólver Smith&Wesson
1860-61- Patentes das espingardas, Spencer, Henry, Ballard, Peabody
1864 - Alemanha, Schultz, descoberta da primeira pólvora química
1865 - EUA, aparecimento da espingarda de repetição Winchester
1866 - Suécia, Alfred Nobel, invenção da dinamite


1867 - EUA, aparecimento da espingarda Remington Rolling Block
1868 - Prússia, patente da primeira espingarda de repetição Mauser
1873 - EUA, aparecimento do revólver Colt Peacemaker
1875 - Suécia, Alfred Nobel, invenção da geletina explosiva
1877 - Descoberta do Tetril
1880 - Áustria, apresentação da espingarda Mannlicher


1884 - França, Paul Vieille, invenção da primeira pólvora química própria para munições de espingardas de guerra
1885 - EUA, aparecimento da primeira metralhadora Browning
1898 - Alemanha, início da produção da pistola Luger
1901 - Aparecimento do primeiro lança-chamas
1907 - Alemanha, patente da metralhadora Dreyse
1910 - Alemanha, descoberta das cargas focais


1915 - Itália, aparecimento da primeira pistola Beretta
1916 - Rússia, aparecimento da espingarda Federov
1921 - EUA, início da comercialização da pistola metralhadora Thompson
1933 - URSS, aparecimento da pistola Tula-Tokarev
1940 - Alemanha, nova peça de artilharia anti-carro de 50m/m de calibre
1941 - URSS, aparecimento da psitola metralhadora PPsh
1951 - Israel, início da produção da pistola metralhadora Uzi

(de um livro técnico de um bom amigo, há muito falecido)

Junte-se a "gula" de (certos) países, a exploração de outrem, as lutas no âmbito da "Fé", o desenfreado desenvolvimento tecnológico, e temos o "cocktail" cada vez mais brilhante do "mundo em paz" depois de 1945!

AC

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

ARMAMENTO
O negócio do armamento é (há décadas que o é) um importante sector para a economia de certos países.
Creio não haver discordâncias ao dizer, como muitos, que os Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha e a China são quem controla claramente o mercado mundial de armamento.  
Falo, obviamente, de armamento mais sofisticado, mais brutal, mais destruidor, mísseis, aviões, cavalaria mecanizada, sistemas de defesa aérea, navios de guerra, etc. Donos da maioria do nuclear.

Para onde vendem mais? Médio e Extremo Oriente, África e Ásia.
Ou estou enganado?

Há rivalidades, obviamente, nomeadamente entre os produtores Ocidentais. E casos há em que a cedência/venda de certos equipamentos fica muitas vezes condicionada até para países aliados. 

A Índia e o Paquistão, entre outros, também dominam alguma coisa no plano do nuclear. E a Turquia parece ser relevante a determinado nível de produção de armamento, como se vê na crise/ guerra na Ucrânia.

Nesta área das relações comerciais internacionais temos depois alguns países que têm alguma produção de armamento e munições a uma escala substancialmente mais reduzida, muito reduzida. Até Portugal em tempos (no presente não sei como estão as coisas) exportou umas coisitas.

Como acontece em muitos sectores de actividades (moda, calçado, viaturas, electrónica, agricultura, etc.) também nas indústrias de armamento há por esse mundo fora feiras, muitas feiras!

E estou a lembrar-me disto a propósito de uma série de capangas que de há anos/décadas montaram aquilo a que pomposamente uns políticos do PSD e PS designaram por indústrias de defesa (ID), que é das coisas mais caricatas que eu conheci.
Começou há décadas e foram alterando as designações da ID, as dependências, o que englobavam, e quem por lá se foi passeando.
Amigalhaços, sempre.

E estou a lembrar-me disto porque na actualidade tudo se vem confirmando. Verdadeira agência de viagens!
Há até quem desconfie que certos trutas coloridos no meio da sua pedantice, e além de gostarem muito de viajar, têm por fora uns negócios no dito armamento e até em empresas imobiliárias.

Quanto ao imobiliário percebe-se, claramente, ainda não desbarataram tudo o que existia no Estado.
É como estamos.
AC

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

MATERIAL  de  GUERRA

Agora que tanto se fala e grita por causa do contrato feito entre Austrália, Estados Unidos e Reino Unido para dotar a Austrália de submarinos novos, lembrei-me deste jocoso video.

AC

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

TANCOS
Dizem para aí que talvez esta semana ou na próxima mas antes de 6 de Outubro, se saiba alguma coisa de concreto sobre a telenovela Tancos. Não sei se deva rir, chorar, ou mandá-los aquela parte.
Muito gostam de gozar com os cidadãos. 
Verdade se diga, a esmagadora maioria outra coisa não merece, tal o grau de bovinidade anestesiante em que alegremente vegetam.
AC

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

INVENTÁRIO dos PAIÓIS........
Será por ter visto estes inventários no Verão de 2017 que Marcelo disse ontem, - sei lá o que vão apurar?
AC

terça-feira, 2 de outubro de 2018

TANCOS
Desde que se iniciou esta lamentável telenovela tem havido de tudo. Uma das suas melhores fases está resumida numa frase “extraordinária”, de qualquer perspectiva  que se encare - "Não especulemos mais com acontecimentos que todos vemos terem sido inventados!”. Que se descubra quem montou a farsa."Sejamos honestos"! 
Que conclusão tirar disto? Bem, a conclusão foi logo na altura tirada: "andam a gritar contra o descalabro do Exército, das Forças Armadas, do Governo, da Geringonça!”. "Mas, não vale tudo, não pode valer tudo”! Ora aí está.

E dentro da “moda” de tratar assuntos de Estado através de redes sociais, tivemos de assistir à desfaçatez - "o Governo fez o que lhe cabia e era seu dever, respondeu de forma célere e competente ao furto de Tancos….. quando, para se tentar ir “fazendo” oposição, se atacam ferozmente as Forças Armadas e, como no caso, o Exército, não se hesitando em tentar a todo o custo a sua partidarização…….Depois, fazer chacota com as Forças Armadas ….Na política, como noutras esferas da vida, não devia valer tudo".
De facto é lamentável que ande a valer tudo, a começar neste governo. 
Quando se afirma “andam a gritar contra o descalabro do Exército” é impressão minha ou na frase está explícita a existência de um descalabro do Exército? Adiante.

O que temos nisto tudo, para lá de tolas afirmações de uns quantos cidadãos em lugares proeminentes?
Em 29 de Junho de 2017 o Exército veio a público confessar o que se passara, melhor, o que terão detectado na véspera!!!.
Pode dizer-se que até ao presente tudo evoluiu numa forma que nem de surrealista se poderá catalogar? Creio bem que sim.
Infelizmente, é também provável que, paralelamente, exista quem procure denegrir a instituição Forças Armadas o que é deplorável, intolerável, inaceitável. 
Jornalistas fazendo trabalho honesto, certamente, mas também muita gente que quer atingir propósitos outros.
E, claramente, políticos mas sobretudo os actuais governantes, e outros titulares de soberania, a terem um comportamento lastimável.

O que vemos na actualidade?
Como os próprios não desmentiram ainda, estou a inclinar-me para o que vem nos OCS deste últimos dias corresponder, de facto, ao que dois oficiais da PJM terão já confessado, que montaram uma farsa (cá esta a farsa, mas falta saber do roubo) para, no maior interesse nacional (!!!!), o material que havia sido roubado ser colocado numa mata na zona da Chamusca, utilizando para o efeito, suponho eu, meios materiais e humanos da GNR, da PJM e, digo eu ainda, com a colaboração louvável do homem que aparentemente praticou o roubo em Junho de 2017. O tal facto que, no limite, NÃO EXISTIU! LEMBRAM-SE ??
Mas pouco se pode afirmar com segurança.
O que se passou ao certo teoricamente está a ser investigado e saber-se-á. Na realidade, porque estamos em Portugal, alguma coisa pelo menos ficará por ser contada, ficará escondida. 

Nos jornais noticiam-se coisas como - Entre os elementos da PJM havia a noção de que o assunto ia aquecer. No relato a Brazão, Vieira diz ter recordado ao vice-CEME que os louros pela descoberta dos caixotes de Tancos seria da sua instituição e que, depois disso, todos teriam de ter nervos de aço para aguentar os acontecimentos seguintes. 
Noticiam que - o diretor da PJ Militar está indiciado por não só “permitir” como “incentivar” os seus inspetores a dificultar o trabalho da PJ civil. Luís Augusto Vieira terá dado orientações para a sua equipa “não cooperar” com quem quem titulava a investigação, “nem fornecer qualquer informação útil” - e que - oresponsável máximo da PJM também terá chegado a “acordo” com quem tinha na sua posse o material de Tancos, permitindo-lhes devolver as caixas “sem que as suas identidades fossem reveladas” e ficando “imunes a qualquer responsabilização criminal”.
Ah, mas todos estão de consciência tranquila!!!!!

Para lá de "sintomáticas" declarações no facebook, de que "só cumprem ordens (mas ordens de quem?) e estão de consciência tranquila", prevejo que os homens da PJM ficarão daqui para a frente o mais calados possível não agravando o inacreditável de tudo isto. 
As referências que aparecem quando às chefias máximas do Exército nunca serão esclarecidas. Se me parece recomendável que um chefe militar não se coloque numa posição complexa começando a fazer desmentidos sobre coisas que aparecem nos OCS, também me assiste o direito da suspeita de que o ficarem calados e não desmentirem os oficiais da PJM será a contrapartida de não deixar cair esses homens que são oficiais do Exército, e que não aceitarão ser imolados isoladamente, quando as suas acções podem ter assente em convencimentos adquiridos em conversas informais. 
A experiência de vida diz-me - conversas informais e vontades de superiores políticos e militares que nunca são passadas a escrito ou telefonadas, acontecem muito !!!!!

Se aquilo a que se vem assistindo é inaceitável, inacreditável, ontem tivemos uma sessão televisiva (1OUT) onde surgiram mais elementos curiosos. Alguns de fazer estarrecer o comum cidadão.
Salvo melhor opinião, o Major-General que foi director da PJM prestou um péssimo serviço à instituição militar. Contradisse-se, e entendeu dizer alto e bom som por mais de uma vez, que o Chefe do Estado-Maior do Exército e o Vice-Chefe nada tiveram a ver com o que o ex-director da PJM terá confessado acerca de conversas informais. 
Mas falou com eles, e trouxe recado? 
É que isto faz-me lembrar aqueles que batem no peito violentamente gritando muitas vezes SOU HONESTO. 
Vai-se a ver depois.............

Quanto ao outro militar, que tenho por pessoa ponderada e conhecedora, e com experiência internacional, também me pareceu que não esteve muito bem. 
Falar-se de certos detalhes ao mesmo tempo que se enfatiza desconhecer o processo não ajuda nada ao assunto. 
E não conhecendo o processo, designadamente acerca das declarações dos que estão em prisão preventiva, como pode dizer-se o que quer que seja sobre medidas estabelecidas pelo juiz? 
Foi um mau momento, e teve que ouvir uma polida rabecada de jurista.
Por outro lado, esgrimir a questão de armas ou não nos paióis, ou serem artefactos apenas quando, numa tristíssima conferência de imprensa televisiva do passado em que se confessaram murros no estômago, foi afirmado que as armas estavam obsoletas. Portanto a questão também podia ter sido evitada. Adiante.
De estarrecer ainda as declarações do ex-director da PJM acerca dos locais onde comprar armas e munições. 
Imagino como se terá sentido o actual CEMGFA.

Para mim, o que ontem foi importante esclarecer, e que eu conhecia, mas a maioria não saberá, foi a explicação clara das responsabilidades do Ministério Público e das diferentes instituições de investigação criminal, de que a PJM é uma. E claro ficou o que a lei confere ao MP mas que, adivinho, muitos em certas instituições não aceitam no terreno. No fim do texto deixo uma pequena indicação legislativa.
Conhecendo bem o que se passa em certos círculos militares, obviamente que algumas coisas no terreno “casam” completamente com o que vem aparecendo/ sugerido nos OCS.
Uma coisa que é lastimável é querer manter a teoria de que a questão de fundo é uma guerra entre instituições de investigação criminal, a PJ e a PJM. Que certamente existe, de há muito, e  alimentada ao longo dos anos por  jornalistas, políticos, militares e agentes.
Como lastimável é o desplante de afirmar que o que importava era ter recuperado o material e que as munições não devolvidas, ah isso não interessa nada. Lamentável, mas explica muita coisa.

Os sucessivos governantes e outros titulares de orgãos de soberania, sempre decidiram deixar apodrecer as várias situações ao nível do Estado. Permanece se é que não aumenta uma confrangedora ausência de autoridade do Estado, a todos os níveis, em que os sucessivos governantes são dos principais culpados. 
Gradualmente querem "o respeitinho" de antigamente, como se tudo vindo dos governantes, deputados, juízes ou presidente da República é tudo automaticamente verídico e transparente. Cada vez mais temos casos que demonstram o contrário. 

No meio desta trapalhada confrangedora várias coisas podem assaltar o cidadão comum; o que é verdadeiramente e absolutamente essencial, como gosta de constantemente dizer António Costa?

O que é absolutamente essencial dizer, creio eu:
> O ministro Azeredo Lopes foi sabendo de certas coisas? Tem mentido?
> E tem mantido a par o PM ou, como é sugerido sobre os militares, tem sido tudo conversa fiada informal, e portanto, o PM nunca foi informado de nada?
> E quanto ao Presidente Marcelo e ao seu irmão gémeo, de nome Comandante Supremo das Forças Armadas?
> Nunca se irá saber com rigor absoluto o que aconteceu, em Tancos em Junho de 2017, na farsa da recuperação de parte do material, das decisões da PJM quase de certeza à margem da lei, das combinações por baixo da mesa, das "perseguições" de uns a outro e vice-versa, do que o PR, o MDN, o PM e a chefia do Exército foram sabendo de facto.
> Certamente que todos estão desejosos de prestar declarações perante o juiz e esclarecer os equívocos o mais rápido possível, nunca tendo havido a prática de nenhuns ilícitos da parte dos detidos, havendo eventualmente desfasamentos entre instituições, mas nenhuma atividade criminosa. COISA POUCA, acrescento eu.
> Em síntese, terá sido feito tudo, mas mesmo tudo, terá sido apurado tudo mas tudo, em dias e não meses e no fim, o respeito pelas instituições ficará incólume, irão todos para casa felizes e contentes, e o Comandante Supremo das Forças Armadas muito satisfeito ficará. Ouvi dizer que andam vários soldados e furriéis fugidos para não pagarem as favas desta telenovela.

Nesta desgraçada telenovela claro que se invocam, desinformação, manipulação, desinvestimento nas FA, desrespeito e fragilização da Instituição Militar. Haverá de tudo um pouco. 
E é intolerável a lama que por causa de uns senhores está a ser atirada para cima das Forças Armadas.
Mas é bem capaz de haver práticas contrárias à legislação em vigor. É ler o que vem a seguir. 
Quanto ao interesse nacional, tudo começa na CRP, mas pelos vistos existem umas pessoas que se julgam detentoras desse poder. Lastimável.
António Cabral

PGR
Artigo 10.º
Competência
Compete à Procuradoria-Geral da República:
a) ..........
h) Fiscalizar superiormente a actividade processual dos órgãos de polícia criminal;
................
Procurador-Geral da República
Artigo 12.º
Competência
1 - Compete ao ...........
e) Fiscalizar superiormente a actividade processual dos órgãos de polícia criminal;
..............

MDN
Artigo 4.º
Administração direta do Estado
1 - As Forças Armadas integram-se na administração direta do Estado, através do MDN,................
2 - Integram ainda a administração direta do Estado, no âmbito do MDN, os seguintes serviços centrais:
.........................................................
f) A Polícia Judiciária Militar.
..........................................................
Artigo 16.º
Polícia Judiciária Militar
1 - A Polícia Judiciária Militar, abreviadamente designada por PJM, é um corpo superior de polícia criminal auxiliar da administração da justiça que tem por missão coadjuvar as autoridades judiciárias na investigação criminal, desenvolver e promover as ações de prevenção e investigação criminal da sua competência ou que lhe sejam cometidas pelas autoridades judiciárias competentes.
2 - A PJM está organizada hierarquicamente na dependência do Ministro da Defesa Nacional ........................

PJM
Natureza, missão e atribuições
Artigo 3.º
Missão e atribuições
1 - A PJM tem por missão coadjuvar as autoridades judiciárias na investigação criminal, desenvolver e promover as acções de prevenção e investigação criminal da sua competência ou que lhe sejam cometidas pelas autoridades judiciárias competentes.
2 - A PJM prossegue as seguintes atribuições:
a) Coadjuvar as autoridades judiciárias em processos relativos a crimes cuja investigação lhe incumba realizar ou ...........
b) Efectuar a detecção e dissuasão de situações propícias à prática de crimes estritamente militares, em ligação com outros órgãos de polícia criminal e com as autoridades militares, bem como dos crimes comuns ocorridos no interior de unidades, estabelecimentos e órgãos militares;
c) Realizar a investigação dos crimes estritamente militares e de crimes cometidos no interior de unidades, estabelecimentos e órgãos militares, nos termos previstos no Código de Justiça Militar (CJM).
3 - Para efeitos do disposto na alínea a) do número anterior, a PJM actua no processo sob a direcção das autoridades judiciárias e na sua dependência funcional, sem prejuízo da respectiva organização hierárquica e autonomia técnica e táctica.
.......................
Artigo 4.º
Competência em matéria de investigação criminal
1 - É da competência específica da PJM a investigação dos crimes estritamente militares.
2 - A PJM tem ainda competência reservada para a investigação de crimes cometidos no interior de unidades, estabelecimentos e órgãos militares, sem prejuízo da possibilidade de se aplicar ao caso o procedimento previsto no n.º 3 do artigo 8.º da Lei n.º 49/2008, de 27 de Agosto.
3 - Os demais órgãos de polícia criminal devem comunicar de imediato à PJM os factos de que tenham conhecimento, relativos à preparação e execução de crimes da competência da PJM, apenas podendo praticar até à sua intervenção, os actos cautelares e urgentes para obstar à sua consumação e assegurar os meios de prova.
......................

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

TANCOS, o PR,  o PM, o MDN, o CEME,.......
E a pouca vergonha?
Num passado muito recente publiquei considerações sobre este lamentável assunto. Vem isto a propósito de mais uns artigos recentes para que me chamaram a atenção, incluindo aquelas "famosas" caixas em jornais com setas para cima e para baixo, ou com bonecada depreciativa, onde o actual CEME é colocado nas ruas da amargura. Pessoalmente também penso que o general que continua à frente do Exército se tem colocado muito a jeito, e evidenciado entre outras coisas, uma inabilidade assustadora.
Mas vem tudo isto a propósito sobretudo pelos desenvolvimentos dos últimos dois dias, envolvendo designadamente a Polícia Judiciária Militar. E com estes eventos creio que tudo se modifica outra vez, e para cada vez pior.

Na revista Visão de 19 de Julho, Ricardo Araújo Pereira gozava com a telenovela Tancos. A dada altura do texto dizia ele que o caso Tancos teve o grande mérito de introduzir na discussão pública a bonita palavra paiol, no plural: paióis.  As rondas aos paióis, o assalto aos paióis, a visita do presidente aos paióis.
Depois recomendava o lançamento de um movimento estético, chamado "paiolismo". Em gozo pleno, o texto prossegue enumerando a sequência de declarações lamentáveis protagonizadas por ainda mais lamentáveis criaturas. 
Com as detenções e suspeitas dos últimos dois dias, o que pensar agora?
Sinteticamente, que nenhuma bota bate com a perdigota e que desde o Presidente da República ao PM e ao MDN, nenhum deles pode ser levado a sério, em nenhum se pode confiar.

1º - parece-me evidente que o silêncio ensurdecedor sobre o assunto, o que aconteceu realmente, responsabilidades, consequências, é inaceitável. Mesmo tendo em conta que o tempo da justiça é mais lento. Uma coisa desta gravidade, não deveria persistir no "limbo", e ainda por cima qualquer cidadão comum tem agora ainda mais o direito de desconfiar desta gentinha toda;
2º - por outro lado, é inacreditável o papel do Presidente da República; não poderia algum dos seus assessores dar-lhe um papel escrito com a sucessão de factos e notícias, e as sucessivas e patéticas declarações do MDN, do anterior CEMGFA, do PM e, sobretudo, dele próprio, Presidente, para observar as incoerências e os sacos de vento em que se transformaram todos? Ou foram sabendo coisas e foram-se atrapalhando?
3º - Como costuma dizer Marcelo Rebelo de Sousa - isto é a democracia? 
4º - Dá agora a sensação de que o roubo de Tancos não foi como em tempos quase sugerido, uma obra de um gangue do crime organizado com ligações à Máfia, nem de uma qualquer rede de terrorismo internacional;
5º - Querem agora fazer crer, por outro lado, que foi um indivíduo o autor do roubo e não houve colaborações nem no roubo nem nas patéticas devoluções com prenda grátis?

Esta deplorável e inqualificável telenovela pode ter uns ligeiros méritos, méritos por poder ajudar à reflexão sobre o caso a que qualquer cidadão tem direito, e ocorre-me assim o seguinte:

> Que real significado tem a designação Comandante Supremo das Forças Armadas (Artº 120º, CRP) ?
> Que significa para muita gentinha a expressão - dignidade intelectual, e honestidade política?
> Que funcionamento das instituições?
> Que garante do funcionamento das instituições?
> Responsabilidades? O caso está nas mãos da justiça mas, e as responsabilidades pelo acompanhamento e gestão políticas do caso? Sendo real que todos os antecessores de Azeredo Lopes e de António Costa têm imensas culpas em tudo o que respeita o lamentável estado a que conduziram as Forças Armadas, isso é desculpa para 3 anos de governação? Isso é desculpa para a telenovela Tancos?

Oremos pois, aguardemos, suspiremos, tenhamos muita fé mas muita fé, lembremo-nos que somos os melhores dos melhores, que está a ser feito tudo mas mesmo tudo, e ainda só passou um ano e.......(um ano não, semanas...), o tempo da justiça é outro, e os estatutos dos militares das Forças Armadas valem o que valem como se tem visto, e tenhamos portanto muita mas mesmo muita pachorra para aturar tudo isto.
Desgraçado País.
AC

terça-feira, 25 de setembro de 2018

A TELENOVELA TANCOS
Pelo que se vai vendo, continuamos de prestígio em prestígio.
Ouvi há pouco o jurista Rui Pereira, homem ligado ao PS e ex-ministro socialista, a dizer, preto no branco - não há perigo para a segurança quando é roubado material de guerra?
Na CM TV arrasou completamente os sacos de vento políticos, civis e outros, que tiveram /têm o atrevimento de mentir sempre e ocultar.
Ah, e devemos estar perante a tal farsa anunciada com veemência meses atrás.
Banditismo, desvio real de armamento, gangues organizados com gente de várias proveniências..............É TUDO FARSA, INVENTONAS
AC

sábado, 21 de julho de 2018

AINDA SOBRE TANCOS
Uma inefável e conhecida criatura continua a afirmar que em substância se trata de FARSA. 
Estou a voltar a este mais que lamentável assunto depois de ler isto:
....."O ministro da Defesa afirmou não saber que parte do material roubado em Tancos ainda não foi recuperado. Revelada em todos os momentos do processo, a coerência do homem impressiona. Começou por não saber a dimensão do roubo, prosseguiu a não saber se existira roubo e agora não sabe se o produto do roubo apareceu ou não. De caminho, é provável que também não saiba o que é Tancos, a função que ele próprio desempenha no governo e o nome de baptismo. O facto de o dr. Azeredo regressar a casa todos os dias sem se perder é, no mínimo, um milagre". Alberto Gonçalves, Observador)
e ler mais isto:
Tancos ou «Onde Está Wally?»
jornal Abril Abril
19 DE JULHO DE 2018 (bold da minha responsabilidade)
O ministro da Defesa, ao não confirmar nem desmentir o anúncio da recuperação do material roubado em Tancos, permite concluir que apenas um cabo, um sargento e um capitão serão responsabilizados.
Deu uma nova «brisa à vela» do caso de Tancos. Não é a primeira vez e talvez não seja a última. Tudo o que importa já foi escrito: 
> do não se saber exactamente o que tinha sido surripiado até ao aparecimento de uma lista; 
> do estado das instalações até à mudança de instalações; 
> da suspensão de comandantes (figura estranha) até à sua reconfirmação e recente nomeação para o curso para oficial general; 
> do conhecimento há muitos anos do estado das instalações a que anteriores responsáveis políticos e militares não passaram cartão; 
> da falta de efectivos para cuidar das guardas e da existência de efectivos para irem frequentar formação para combater incêndios; > do gravoso desaparecimento (com informação aos aliados e tudo) até à conclusão de que afinal não era assim tão grave porque era material com defeito; 
> do milagroso telefonema a dar conta do achado, com prémio, e o natural regozijo – sim, porque ninguém quer que material daquela natureza, mesmo com defeito, ande por aí ; 
> do incompreensível resgate do material por parte das Forças Armadas sem «passar cavaco» ao Ministério Público, que tinha aberto processo e constituído equipa para investigar o crime; 
> da dificuldade deste mesmo Ministério Público e da Policia Judiciária em acederem ao referido material localizado, até às noticias recentes que dizem que, afinal, parece haver material em falta; 
> das declarações que, perante tal questão, dizem que compete ao Ministério Público esclarecer já que o processo está em segredo de justiça.
> Por fim, o décimo apelo do Presidente da República para que tudo seja esclarecido e mais uns soundbites do PSD e do CDS-PP que, quando no Governo, nada fizeram para cuidar do estado de degradação das instalações, já para não falar (não vem aqui ao caso) do seu contributo para a degradação mais geral das Forças Armadas, em vários planos.
Como se verifica, sem sermos exaustivos, de tudo já se escreveu e disse. A única coisa que falta referenciar é quem levou o material do paiol de Tancos, havendo, contudo, quem desde o início tenha dito, com convicção, que tudo não passaria de um problema de inventário.
O apuramento do que ocorreu e de quem praticou o crime em nada bule com o apuramento dos responsáveis que, ocupando determinado tipo de cargos ao longo dos anos e tendo conhecimento das debilidades nada fizeram, potenciando o que veio a ocorrer. Teria sido pedagógico. 
Mas esta é, porventura, uma opinião estranha nos tempos que correm. Instalou-se a política de uma mão lava à outra. A frontalidade deu lugar à frugalidade. Os valores propiciadores da coesão passaram a ser de geometria variável.
Daí que, a partir das afirmações do ministro da Defesa Nacional na Comissão parlamentar de Defesa, não confirmando nem desmentido, antes pelo contrário, as afirmações feitas pelo chefe do Estado-Maior do Exército na conferência de imprensa em que anunciou a recuperação do material roubado, e refugiando-se na investigação do Ministério Público, possamos concluir que todas responsabilidades ficarão nos ombros dos militares já castigados: um cabo, um sargento e um capitão!
O assunto é sério mas a época da silly season não ajuda. Até lá o melhor é redescobrir os livros de «Onde está Wally?».

AC


sexta-feira, 20 de julho de 2018

QUE BONITO, ASSIM SIM..........
Lê-se por aí que hoje houve uma cerimónia de baptismo de mais um patrulhão para a Marinha de Guerra Nacional, a Marinha.
A mulher do PM foi madrinha, e o PM fez um discurso e anunciou muitos navios. 
Aguiar hífen Branco e anteriores fizeram discursos equivalentes..........e viu-se o que tem sido produzido.
Aliás, curioso que o DN tem um título chamando à atenção que ao navio agora baptizado faltam .............canhões........e o texto refere outras carências e dificuldades. 
Naturalmente que não é invulgar, cá e no estrangeiro, este tipo de coisas acontecerem. A única coisa é que em Portugal é habitual.
Mas enfim, para "épater les bourgeois" a cantilena deste manhoso habilidoso é capaz de convencer. Como vem convencendo!!!
Até diz que a Marinha vai ter um navio polivalente.
Só espero estar vivo daqui a dez anos para observar os resultados concretos. 
10 navios, mais polivalente, e "Cada euro investido passará a valer por três porque reforçaremos a Defesa Nacional, o sistema científico e o tecido industrial". "Ganda homem"
Enfim, mais um candidato a prémio - "que grande lata". 
Claro que lendo as coisas com atenção se verifica que tudo poderá acontecer daqui a 7,......ou.....8........anos, ou.............. mais.
Mas vai haver muito político, muito concidadão e sobretudo muita chefia militar e particularmente ao nível das fardas brancas, como foi acontecendo no passado, que vão dizer repetidamente - não, não, o PM garantiu que..........!!!!
Coitados, nesta fase da vida ainda não perceberam, 
- que os bebés não chegam de Paris em bico de cegonha,
- o que fazer depois ao bico da cegonha,
- que continuam rodeados de malandros!
AC
Ps: Não tenho em boa conta Aguiar hífen Branco. Mas o autarca de VCastelo também é uma rica prenda. Um exemplo de coerência.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

28 JUNHO 2017 - TANCOS
Sabe-se que houve algo, desaparecido. Soube-se que mais tarde apareceu numa mata, com brindes extra.
Já não me lembro se, também a propósito disto, o PR declarou que foi feito tudo mas tudo, mas recordo-me de insistências da sua parte em querer saber o que aconteceu, e quem foi responsável.
Recordo-me que o Chefe do Exército, que continua no cargo, teve decisões imediatas sobre oficiais que até hoje parece que ainda ninguém descobriu suporte jurídico/ estatutário para elas.
Mas não veio mal nenhum ao mundo, creio que da parte dos visados não terá havido revolta extrema, recordo que dois generais bateram com a porta, o inefável ministro Azeredo mais o Presidente da República e o Parlamento continuam satisfeitos e contentes.
E recordo que para o PM e apesar de ter havido uns murros no estômago, ficou tudo dito e de forma sagrada.
Aparentemente, descobri agora, se calhar afinal o PR começa a estar irritado. 
Será que já percebeu que, tirando uns soldados, a culpa morreu solteira e para variar, coloca-se a culpa no MP por nada estar aclarado? Os militares nada tiveram com o caso, a começar pelo topo da hierarquia. E decisões sem base estatutária também não é problema, como se tem visto. Não é problema para ninguém.
Será que já percebeu que o seu papel de Comandante Supremo das Forças Armadas é uma coisa muito "poucachinhaaaaaaaa"?
Será por tudo isto e, a fazer fé nos OCS, e por ver que alguns dos suspensos o ano passado vão ver melhores dias na carreira, será por tudo isso que saiu esta nota?
Nota da Presidência da República
No dia 4 de julho de 2017, foi divulgada uma Nota Informativa da Procuradoria-Geral da República, que expressamente referia:
«Face a notícias relativas ao desaparecimento de material de guerra ocorrido em Tancos foram, desde logo, nos termos legais, iniciadas investigações.
Na sequência de análise aprofundada dos elementos recolhidos, o Ministério Público apurou que tais factos, se integram numa realidade mais vasta.
Estão em causa, entre outras, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.
Atenta a natureza e gravidade destes crimes e os diferente bens jurídicos protegidos pelas respetivas normas incriminadoras, o Ministério Público decidiu que a investigação relativa aos factos cometidos em Tancos deveria prosseguir no âmbito de um inquérito com objeto mais vasto a ser investigado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)».
Volvido um ano sobre a data da ocorrência (28 de junho de 2017), que motivou a aludida nota, o Presidente da República reafirma, uma vez mais, a sua posição de querer ver apurados integralmente os factos e os seus eventuais efeitos jurídicos e criminais, para os quais é essencial o papel do Ministério Público.
Palácio de Belém, 28 de junho de 2018.
Oremos, aguardemos, suspiremos, tenhamos muita fé, lembremo-nos que somos os melhores dos melhores, que está a ser feito tudo mas tudo e ainda só passou um ano, o tempo da justiça é outro, e os estatutos valem o que valem, e tenhamos muita mas mesmo muita pachorra.
AC

quarta-feira, 7 de março de 2018

TANCOS, a POUCA VERGONHA, MARCELO, AZEREDO, DEPUTADOS e MURRINHOS no ESTÔMAGO


...."tem que se apurar tudo, doa a quem doer".......(Presidente desta cada vez mais violentada República)
....falta aquilo a que me comprometi......(Azeredo Lopes), POIS...

e nesta miserável telenovela tipo mexicana, onde abundam os farsolas, gentinha sem coluna vertebral, não faltará mais qualquer coisa?........ talvez...........vergonha na cara?
Lê-se por aí que na documentação que o ministro pretenderia (???)  fazer chegar aos deputados irão estar as medidas tomadas após a BRONCA, tal como informações sem qualquer classificação isto é que o cidadão comum pode ler. 
Ah, mas também coisas muito importantes, delicadas, muito sensíveis. Só para rir.

Agora, explicar direitinho a bagunça que grassa por vários níveis e sectores da sociedade portuguesa, incluindo em certas áreas militares (onde não deveria existir) isso é que não fazem. Nem Azeredo, nem alguns responsáveis militares. Talvez ainda a recuperar dos murrinhos no estômago!
Porque, como é evidente, qualquer cidadão comum, civil ou militar,  não só gostaria de saber com rigor a realidade, como tem o direito a que lhe seja explicado o que de facto aconteceu e quem é responsável, para lá do desgraçado "Tarata"!
E o que aconteceu foi em Junho de 2017, repito, JUNHO 2017, e em Outubro apareceu misteriosamente na Chamusca após (parece)  informação anónima para a GNR de Loulé (que é logo ali ao lado de Tancos) tudo o que aparentemente teria voado de Tancos mas mais umas caixinhas suplementares, como bónus!

Azeredo parece que terá afirmado - “Falta aquilo a que me comprometi: um dossier em que, de forma sistemática, se descreva o que já se sabe quanto ao que aconteceu. Repito, sem nunca interferir na investigação criminal quanto à autoria, cumplicidade e comparticipação, sabendo que esse elemento é absolutamente decisivo para conseguir compreender o que aconteceu”.

Pelo que parece, há muitos meses que Marcelo Rebelo de Sousa deixou de falar explicitamente sobre Tancos, em público. Receio das dores???

Desconheço se no "tête a tête" das 5ª Feiras fala na coisa, insiste, já impaciente.
Claro que o intrujão-mor se está borrifando para que Azeredo falhe aos deputados ou a outras pessoas, incluindo ao Comandante Supremo das FA. Minudências para o grande habilidoso da política, que se está borrifando para todas as falhas, dele e dos outros capangas.
O que é real, ouvi depois de ver o video no sítio da Presidência, o Presidente da República aproveitou a tomada de posse do novo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) para voltar, disfarçadamente, ao assunto, não se coibindo de o dizer com aquele sorriso venenoso no fácies de Azeredo. 
Que, como se sabe, nem deve ter dormido por causa disso!!

Portanto, ficamos com os murrinhos no estômago, mais a certeza de que terão sido identificadas omissões, insuficiências ou erros estruturais, e que terão sido definidos novos procedimentos sobre a matéria. E que granadas e etc terão sido distribuídos por aí, por outros paióis.
Ficamos também com a certeza, sem surpresa, do comportamento habitual destes políticos todos e, quanto a algumas chefias militares, infeliz e provavelmente, não poderemos andar muito descansados. 
Dos elogiosos apontamentos de Marcelo para o novo CEMGFA, pode deduzir-se que o PR espera que o novo chefe militar faça andar a coisa? Duvido e muito.
O novo chefe militar tem fama e proveito de ser muito hábil.
Sabe que pode lá estar 5 anos e, portanto, creio, vai ser muito prudente, e habilidoso.

O Presidente parece, repito, parece, querer ir mais longe, não, melhor dito, que se vá mais longe.
Não quererá, evidentemente, interferir nas investigações. 
Tal como Azeredo, tal como António Costa!!!
Investigações, ainda em curso? 
Ninguém sabe, ninguém informa. 
Se fosse a trampa sobre o futebol estava tudo por aí.
Agora: quem atuou, e como agiu, o que aconteceu?
Como dizia o Sócrates tuga - isso não interessa nada. 
As instituições estão todas a funcionar, NÉ?
Desgraçado País.
AC


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

TANCOS, o SISTEMA, o PR, o Cte SUPREMO das FA
Retirado da TSF online, há pouco:
"O chefe de Estado avisa que o caso de roubo das armas em Tancos não foi esquecido pelo Presidente da República. Já ontem o Presidente tinha sublinhado quer nesse caso como no da legionela há que apurar responsabilidades. Marcelo não comenta a demora no caso da base militar, mas garante que vai continuar atento".

Lê-se, e parece que:
1ª- alto e bom som, não se esqueceu?
2ª- já passou tempo demais em averiguações? 
3ª- vai continuar atento?

É razoável interpretar desta forma?:
> Marcelo está cada vez mais irritado
> Marcelo já percebeu que nada vai conseguir obter dos militares
> Marcelo já percebeu que tudo se embrulhou ainda mais ao entrarem "na coisa" o MP e a PJ
> Marcelo já percebeu que os ódios entre MP, PJ, PJM e militares é antigo
> Marcelo já percebeu que não haverá conclusão alguma concreta
> Marcelo já percebeu que sendo as Forças Armadas uma instituição respeitável e a respeitar, no seu seio não impera já o espírito de coesão de alguns anos atrás
> Marcelo já percebeu que a situação genérica atrás aduzida resulta em grande parte do comportamento desprezível a que sucessivos governos e sucessivos Comandantes Supremos / Presidentes da República votaram a instituição militar, continuando ainda hoje a não estar definido que FA Portugal deve ter, e que lugar na sociedade devem os militares ter.

Portanto, Marcelo vai continuar a estar atento, mas tudo vai continuar na mesma.

Recomendação: pastilhas Rennie!
AC

sábado, 14 de novembro de 2015

A MORTE
A única verdade irrefutável, a única certeza à superfície terrestre, a morte. Um dia chega, a todos.
Doença súbita ou prolongada, acidente trágico, queda nas escadas ou na rua, sono sossegado que 
de tão velhinho já não se acorda na manhã seguinte, ferimento na guerra.
É uma coisa desagradável de se falar, mas faz parte da vida, de militares e civis.
É aquela coisa que não acontece só aos outros.

Pela minha parte, tenho dois "ficheiros" sobre ela: um civil, outro militar.
A morte, a que presenciei, não é como nos contam nos livros policiais ou em romances, ou nos filmes.
Do "meu ficheiro civil":
> adormeceu, sofrido, mais frágil que um cristal fininho do século XIX, não acordou, o rosto 
continuava de manhã fechado, os lábios entreabertos.
> prostrado, cuidados intensivos, cabeça entrapada, o horrível som entre o rouco e soprado que 
saía dos lábios, estado para lá do vegetal horrível de testemunhar, resistiu pouco mais que 48 horas.
> escanzelado, metendo-lhe para dentro líquidos verde escuro e soros, durou 8 meses e 8 dias.
Guardo bem na memória o que vi.

Do "meu ficheiro militar":
> 2340h, 19 Maio, 1973, rio Cacheu, chegou repentino, por bombordo, vindo da margem, de 
dentro do "tarrafo", causou um pandemónio a bordo, alguns feridos, um ferido muito grave que 
veio a falecer; podiam ter morrido vários homens, eu, o meu amigo e estimado comandante, e 
mais alguns dos que estavam no exterior do navio. Aqui, a morte chegou a um, rondou vários, as 
coisas ficaram assim, porque tinha de ser assim. Neste caso, o morto, um comando africano 
que estava no exterior, gravemente ferido em todo o corpo porque a explosão aconteceu quase 
em cima dele. Faleceu horas depois do sucedido e socorrido pelo enfermeiro, que o deixou 
quase como uma múmia e bem anestesiado, por razões óbvias. Não faleceu como nos filmes.
> 1980, salvo erro, a Sul do Algarve, desembarcámos um sargento falecido subitamente a bordo. 
Um cenário que não se esquece, designadamente a passagem dos restos mortais para fora do navio.
Guardo bem na memória o que vi.

Porque me lembrei disto tudo, da morte de familiares e de militares?

Porque hoje, outra vez, um massacre em Paris.
A confirmação só daqui a várias horas mas, aparentemente, dezenas de mortos, dezenas de 
feridos. Agora não houve provocações cartoonistas.
A realidade é que foram assassinadas dezenas de pessoas.
Para quando, a nível geral, colocar os pés na terra?

António Cabral