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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Estou a encher-me de pachorra e recomecei a ler discursos, e comunicados. Fica este para começar.

O COMANDANTE SUPREMO das FA (CSFA)

(do sítio em Belém)
Presidente da República visita o Exército no Campo Militar de Santa Margarida
30 de abril de 2026


O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas visitou o Exército Português, no Campo Militar de Santa Margarida, estando presente o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e a estrutura superior do Exército.

Após ter recebido as honras regulamentares, o Presidente da República foi brifado pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão, no Quartel-General da Brigada Mecanizada. Daqui avançou para uma exposição do Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército, seguindo-se uma exposição de meios e capacidades de Apoio Militar de Emergência Civil, que incluiu a demonstração de projeção de forças e material via aérea.

A visita terminou com uma demonstração tática realizada por um efetivo de 120 militares da Força que está em aprontamento, para rendição da 4.ª Força Nacional Destacada, pertencente à Brigada Multinacional da NATO, na Eslováquia.

De certeza que não só o CSFA perguntou muita coisa como lhe explicaram as dificuldades sentidas e nomeadamente a ausência de carros de combate etc.

Tenho quase a certeza é que não analisaram o que devia ser o Exército tendo em conta o que vai por esse mundo fora e nomeadamente a completa reviravolta de conceitos e tácticas e planeamento que a guerra na Ucrânia tem demonstrado, e tem deitado para o lixo a ideia de grandes exércitos e muitos carros de combate e etc.

AC

sábado, 31 de janeiro de 2026

BOM  DIA 
Aqui onde estou, e neste momento, está Sol. Será, infelizmente, de pouca duração, pois para o fim do dia ou de madrugada deve regressar a chuvada.

O que não pára de nos chegar é a ORDINARICE de vários políticos, alguns governantes, alguns deputados, e candidatos a Presidente da República.

Como se isto não bastasse temos a vergonhosa participação de certas chefias militares em palhaçadas, demonstrando uma completa ausência de quase tudo. Coluna vertebral de certeza.

Digo isto depois de me terem telefonado - "vai ver a pouca vergonha"

E usei a tecnologia e fui ver.

E o que vi?

Vi uma criatura, o formalmente ministro da chamada defesa nacional (como digo há décadas, não é, nem ele nem todos os antecessores, é apenas ministro da tropa), arrogante como é seu timbre, talvez perto de uma vintena de militares formados, uma espécie de tenda ou palanque, e dois sorridentes generais do Exército, um que "mora" do edifício junto ao estádio do Belenenses e a quem chamam Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, e o outro que é o Chefe do Estado-Maior do Exército.

Prestaram-se esses dois chefes militares a uma encenação grotesca que, depois de tudo filmado, se foram embora. Presume-se que para sinalizar o apoio das Forças Armadas à catástrofe que uma boa parte dos portugueses está a sofrer na sequência da passagem da depressão Kristin.

Que adjectivos se podem invocar?
Ordinarice? Desfaçatez? Descarada ausência de vergonha na cara?

Isto é o reflexo de várias coisas, a saber:
- ausência de noção das responsabilidades,
- ausência de noção do que é servir,
- ausência de sentido de Estado,
- ausência de dignidade no desempenho de cargos públicos e militares.

DEPLORÁVEL!

Tenham um bom Sábado.
Saúde e boa sorte e muita paciência para aturar tanto vigarista existente em todos os quadrantes sem excepção.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Este vai a caminho!
Não, não é um dos "Caesar" auto-propulsionado que o Macron veio cá vender para o Exército.
Esta fotografia foi tirada há tempo na Madeira!

Tenham uma boa 6ª Feira, saúde e boa sorte.

AC

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

CARICATO ??
O PM Britânico já mandou ter os aviões de transporte com os motores ligados e as rampas de embarque abertas para entrada de soldadesca e viaturas de transporte de pessoal pois daqui a minutos os Britânicos  querem lançar-se como força de interposição algures no Leste da Ucrânia.

Trump, agora reunido com ele deve ter aconselhado - slow down my dear friend, slow down . . . I don't know if my friend Vladimir aproves your effort . . . .

Por cá também frenéticos.

O famoso CSFA (Conhecedor  Superficial das Forças Armadas perdão, Comandante Supremo das Forças Armadas) e se percebi bem, declarou com aquele ar pesaroso e de estadista que ainda não é tempo de discutir se enviamos ou não soldadesca.

Este senhor continua a fingir que não sabe que, Constitucionalmente, a política de defesa nacional e quanto concretamente ao emprego de forças militares isso é tudo da exclusiva competência e responsabilidade dos governos.

Quando um governo entende que devemos ter soldadesca lá fora então, por lei, reune-se o famoso Conselho Superior de Defesa Nacional presidido pelo PR. Só aí, reservadamente, Marcelo pode e deve dar as suas opiniões ao governo, tal como ouvir as opiniões dos restantes membros do CSDN.

Enfim. Caricato!

Caricato o PR, caricato o PM UK, como me parece caricato a esta distância (de meses, provavelmente) estar a dizer-se por cá e em bicos de pés - estamos prontos a ir para a Ucrânia.

Terão sido impulsionados pelo telefonema de Montenegro para Kiev?

É que as disponibilidades, para quando, e por quanto tempo, cabe ao governo definir.

Porra, que não se sai destas cenas patéticas! Pindéricas!

Leiam a CRP, as competências Constitucionais do PR, do PM, do Governo, do CSDN. CHIÇA!

AC

OLHA os CÉSARES
Não, não me refiro aos da antiga Roma, nem a prémios nas artes.
Refiro-me aos Caesar de Monsieur Macron.

"France Accelerates Production of CAESAR Howitzers to Strengthen Ukrainian Artillery Capabilities"

"Un accord parmi « une dizaine » d’autres, dans des domaines allant des sciences au cinéma, en passant par l’armement, afin notamment de confirmer l’engagement du Portugal à acquérir jusqu’à 36 canons Caesar d’ici à 2034." (assim se embrulha a compra ou intenção de compra com anúncios do politicamente correcto)

Portanto, Macron vem cá para vender ou assegurar que lhe compraremos uns quantos canhões modernos. Não imediatamente, mas a pouco e pouco. . . . . até 2034. . . . ou seja, basicamente daqui a 10 anos talvez tenhamos todos os canhões.
É para virem novos?
Ou já nessa altura a precisar de remendos? Enfim . . . .

Falando mais seriamente, antes comprar material Europeu que ao "alaranjado" americano.

Tenho perfeita consciência da minha ignorância nestas coisas.

Isto dito, fica-me a sensação de que no plano do pilar militar da defesa nacional, se continua a fazer tudo por impulsos, sem uma visão de futuro, a longo prazo, sem equacionar globalmente, seriamente, o estado das Forças Armadas. 
O que fazer, em vez de (parece-me) andar um bocado às voltas do mesmo "Status Quo" de sempre.

Ou não é necessário ponderar tudo de novo, face ao que se pode já concluir do conflito na Ucrânia e desenvolvimento de novos procedimentos, tácticas e tecnologia?

Isto independentemente de, porventura, a artilharia no Exército ser uma gargalhada. É capaz é de não ser só a artilharia.

Mas, como sempre, admito poder estar completamente enganado.

Tenham um bom dia. Saúde e boa sorte.

AC

segunda-feira, 1 de abril de 2024

😠😡 😠😡 😠😡  👎👎👎👎
Um militar de 55 anos foi detido, este domingo, pela PSP, depois de ter ameaçado com uma arma um funcionário de uma bomba de gasolina, em Lisboa. 
O Exército já anunciou a instauração de processo disciplinar.
 O capitão foi libertado e notificado para se apresentar amanhã em tribunal.

A Relação de Évora proibiu um coronel, apanhado a conduzir com uma taxa de alcoolemia de 1,3 gramas de álcool por litro de sangue (em 2023), de frequentar os cafés e os bares da sua freguesia, Mouriscas, no concelho de Abrantes. Uma juíza do coletivo votou contra, classificando a proibição como “draconiana”.

AC

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024


O  COSTUME.
DEFESA NACIONAL. FORÇAS ARMADAS.




O GREI (carta de 15 Janeiro, em baixo reproduzida) entendeu alertar, mais uma vez, para problemas sentidos nas Forças Armadas (FA) nacionais, concretamente, desta vez com especial enfoque nos recursos humanos. Na crescente escassez de recursos humanos. 

A INSUSTENTÁVEL SITUAÇÃO DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS
(sublinhados da minha responsabilidade)
I
O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI), oficialmente constituído em 2015, tem procurado ao longo da sua curta, mas preenchida existência, ser uma voz ativa nos temas da Defesa e da Segurança Nacionais e das Forças Armadas.

Constituído por Oficiais-generais da Marinha, do Exército e da Força Aérea, na situação de reserva e de reforma, que no decurso da sua extensa carreira desempenharam os mais variados cargos nacionais e internacionais, nas Forças Armadas, nas Forças de Segurança, nos serviços de Proteção Civil, bem como na Direção Superior da Administração Pública, considera-se um interlocutor privilegiado para, com a experiência vivida e o distanciamento temporal e funcional que a sua situação profissional permite, ser um parceiro credível nos domínios da Segurança e Defesa do País.

Neste contexto e, sempre, com uma postura de cidadania ativa, temos realizado reuniões de reflexão, almoços-debate, conferências, palestras, seminários e, sobretudo, elaborado textos e publicações sobre as temáticas indicadas e, em particular, as Forças Armadas (FFAA).

Estamos abertos ao meio militar, naturalmente, mas também à sociedade civil em geral, privilegiando o meio académico, científico, tecnológico, político, organizacional e comunicacional.

Os nossos interlocutores vêm das mais diversas áreas do conhecimento, instituições, tendências, e orientações políticas, sendo nesta diversidade que julgamos residir muito do capital de isenção granjeado.

A nível político temos propiciado contactos com os líderes partidários, as Comissões de Defesa e os Grupos Parlamentares da Assembleia da República, sempre que oportuno.

Não será despiciendo referir que no último seminário realizado, em abril passado, tivemos a presença dos mais elevados dignitários do País, como o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, e uma representação alargada de membros do Governo.

Pois bem, num momento em que o Mundo, a Europa e Portugal, em particular, vive uma situação complexa aos mais diversos níveis, com uma instabilidade política, social, económica e de segurança, e em que se vão realizar eleições nacionais a breve trecho, entendemos por oportuno fazer chegar aos Partidos Políticos, um conjunto de preocupações que pela sua pertinência e relevância devem, também elas, ser objeto de reflexão, debate e comprometimento político.

Os signatários não desconhecem os complexos problemas nacionais, a nível de educação, saúde, emprego, habitação, justiça, fiscalidade, administração pública, transportes, energia, e a importância que ocupam nas prioridades políticas de quem ambiciona ser governo.

Exatamente porque conhecem bem esses problemas, sentem-se obrigados a alertar os Partidos e a Classe Política para outros não menos importantes para o País e para a Soberania Nacional, mas que raramente ocupam a agenda política e, muito menos, a sua estrutura de pontos críticos.

Referimo-nos obviamente às FFAA e à situação grave, e que não é nova, em que se encontram e para a qual vimos alertando publicamente, pelo menos, desde 2020.

Assim sendo, por uma questão de prioridade e de economia de tempo e espaço, não iremos abordar, nesta fase, os Orçamentos da Defesa e das FFAA, a Lei da Programação Militar, as questões do Armamento, dos Equipamentos, das Infraestruturas, da Investigação Científica Militar, das Indústrias de Defesa, do Ensino Militar e outros.

Não iremos, igualmente, lembrar a necessidade de o País possuir umas FFAA bem preparadas, equipadas e motivadas, que respondam com eficiência e eficácia às necessidades nacionais, e às responsabilidades de Portugal no quadro internacional, e no âmbito das alianças de que faz parte.

Vamos, isso sim, focar o nosso alerta, primordialmente, no fator humano, melhor dizendo, nos Recursos Humanos (RH) das FFAA, o elemento por excelência do seu funcionamento e prontidão. Na realidade, são as pessoas (e é bom não esquecer) que, a todo o tempo, “convertem” a estrutura política e militar da defesa nacional em desempenho operacional eficiente e eficaz. E é aqui, no domínio do “Pessoal”, e ao nível da seleção, do recrutamento e da retenção que as dificuldades que se sentem são maiores e mais gravosas.

Os dados falam por si. Atente-se o número de militares em serviço, em 31 de dezembro último - 21 080 (cerca de 68 %), relativamente aos 30 840 autorizados pelo D.L. 6/2022, de 07 de janeiro, quantitativos esses bastante reduzidos, se se considerar o valor superior do intervalo (30 000 – 32 000) previstos na Reforma “Defesa 2020”, de 2013, e cujo estudo e racional que os sustentaram são desconhecidos.

Por outro lado, uma mais completa e pretendida profissionalização das FFAA, ao fazer substituir a conscrição e o Serviço Militar Obrigatório pelo regime de voluntariado e contrato, modificou, por completo, a matriz da relação individuo – Instituição, uma vez que esta passou a ser uma matriz de relação contratualizada e de interesse e não mais uma relação de dever e cidadania, e isso, não sendo aspeto despiciendo, tem vindo a ser esquecido.

É, sem dúvida - a falta de pessoal – o maior dos problemas. Um problema da mais alta importância e a que os portugueses em geral, os cidadãos, os partidos e os políticos, em particular, não se podem alhear.

Os efetivos (ou falta deles), a sua capacitação profissional, as questões do estatuto e da condição militar (CM), da carreira, da motivação, do regime de saúde e do apoio complementar, do reconhecimento e da integração social, moral e material, constituem as matérias com as quais pretendemos sensibilizar os partidos e o poder político que, num futuro breve, irá assumir responsabilidades de direção efetivas, seja na Assembleia da República, seja no Governo.

II

É inegável que tem vindo a crescer no seio das FFAA um clima geral de mal-estar e desmotivação, de insatisfação, de saturação e de injustiça relativa que tem levado um número crescente de militares dos Quadros Permanentes (QP) e dos Regimes de Voluntariado (RV) e de Contrato (RC) a abandonar precocemente as fileiras.

Não é apenas uma questão de quantidade é também, e principalmente, um problema de qualidade, agravada, inclusive, com o abate aos QP (e o que isso representa de negativo para o próprio militar) de muitos técnicos e quadros altamente qualificados; situação gravosa que a não ser encarada, decisivamente, tornará a sua reposição difícil, ou até mesmo irreversível, comprometendo de forma assaz significativa o funcionamento das FFAA, a sua prontidão e, até, o cumprimento da missão.

Mas nenhuma análise sobre o presente e o futuro das FFAA, sobre, inclusive, a sua motivação, pode ser devidamente enquadrado sem uma visão holística, mesmo que não aprofundada, sobre a CM e o que ela representa: o seu racional, significado, implicações e reflexos na vida daqueles que nas FFAA servem Portugal e os portugueses.

A CM é no fundo uma situação jurídica inerente aos militares das FFAA, que deriva da Constituição (CRP) e da Lei, encontrando-se plasmada na Lei no 11/89, de 01 de junho - Bases Gerais do Estatuto da CM (BGECM) -, consubstanciando-se em restrições aos direitos fundamentais, por parte dos militares, e numa imposição de especiais deveres e, em contrapartida, na atribuição de alguns direitos que o próprio Estatuto dos Militares das FFAA (EMFAR), a jusante, vem a regular.

O documento constituía, à época, (e já lá vão quase 35 anos), um compromisso equilibrado e aceitável entre deveres e direitos aplicados aos militares. Hoje em dia é mesmo o próprio conceito que vem sendo adulterado na sua aplicabilidade pela perda de coerência, ponderação e adesão à realidade.

Atualmente, os direitos foram sendo progressivamente eliminados, e/ou deturpados pelos sucessivos governos, uns por ação, ao terem aprovado as medidas restritivas aos direitos dos militares, outros por omissão, ao não terem a sensibilidade necessária para os corrigir e reverter, como seria justo e conforme ao espírito e letra da própria lei.

Os dois deveres que caracterizam a CM (e que constam da Lei) consistem na renúncia a direitos, liberdades e garantias que a CRP atribui a todos os cidadãos, e a obrigação de dar a vida pela Pátria, na defesa de Portugal e dos portugueses.

São deveres exclusivos dos militares e não podem ser impostos a qualquer outro cidadão ou categoria profissional. Constituem mesmo um ónus muito pesado, assumido livre e conscientemente, em acto público, e na forma de Juramento de Bandeira e Compromisso de Honra.

Para além deste dever-limite, acrescem um sem número de outros tantos deveres, restrições, e condicionantes, de onde sobressaem, em particular:

A total e permanente disponibilidade para o serviço;

O desempenho de missões operacionais, quer em ambiente real, quer em treino e

exercícios, com elevado risco;

A exigência de uma profunda capacidade técnica, física e psicológica.

A este conjunto de critérios, somam-se sacrifícios de natureza diversa, como sejam o prolongado afastamento da família, em situações de perigosidade e de incerteza, do círculo social, dos amigos, e da designada zona de conforto, os quais, têm um elevado peso na difícil e, em certas circunstâncias, penosa, vida dos militares.

Alguns destes deveres também são imputados a elementos de outras categorias da Administração Pública (AP), pelos quais, como compensação, auferem subsídios, complementos, suplementos, situação que, na maioria dos casos, não é acompanhada na justa medida pelos militares.

Olhemos, então, um pouco mais, na especialidade, a toda esta problemática.

III

A CM agrupa os direitos dos militares em três áreas fundamentais e diferenciadas. A saber:

Carreiras profissionais;

Assistência médica;

Sistema remuneratório.

Em complemento registe-se, a título ilustrativo, e em breve súmula, a forma como o poder legislativo e o poder executivo têm, ao longo dos anos, gerido esta problemática.

• Carreiras Profissionais -
o Foi aumentado o número mínimo de anos de serviço em cada posto;

o Foram criados novos postos no início das carreiras, correspondendo a menor posição hierárquica e a menor vencimento;

o Foram retardadas as promoções muitos meses após a data devida e no menosprezo do disposto e regulado na Lei.

Destas medidas resultam dificuldades na progressão de carreira, no preenchimento de certos cargos e conteúdos funcionais, retardando a ascensão e o acesso aos postos cimeiros, num sentido inverso ao que ocorre na sociedade em geral, e com consequências que não se registam em outras profissões, e se traduzem numa redução salarial expressiva, o que é incompreensível.

• Assistência Médica -

Neste particular tudo tem sido, a nosso ver, degradado, com medidas avulsas que mais não fizeram do que perverter de certo modo o espírito e a letra das próprias BGECM, tratando de forma igual o que é genética e estruturalmente diferente. Assim:

o Os militares e seus familiares em vez de terem uma saúde gratuita, como acontecia até 2005, passaram a realizar desconto em igualdade de circunstâncias com a AP, cujo valor se cifra em 3,5 % da remuneração do militar ao longo de 14 meses ao ano.

o O subsistema de saúde - Assistência na Doença aos Militares (ADM) -, foi integrado no Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA), misturando âmbito e objeto, saúde com proteção social complementar, numa política de grande confusão, que teve e tem, a nosso ver, efeitos altamente lesivos para os militares, nestes dois pilares fundamentais que são a saúde e a ação social.

o Paralelamente, a junção dos diferentes hospitais dos três ramos das FFAA, medida que no plano conceptual e organizacional traria economia de escalas e valor acrescentado, resultou inadequada, face às expectativas acalentadas.

o As instalações, os equipamentos e as tecnologias em uso estão longe da modernidade e funcionalidades que se exige a um Hospital Central (HFAR), o que é incompreensível e não era expectável, face às verbas obtidas com a alienação do Hospital Militar Principal, da Casa de Saúde da Família Militar e do Hospital da Marinha.

o A agravar o cenário, os seus quadros de pessoal médico, de enfermagem, de técnicos auxiliares de diagnóstico, de assistentes técnicos e assistentes operacionais estão longe de responderem às necessidades da Saúde Operacional e da Saúde da cada vez mais, hoje, esquecida, Família Militar, assim como da de reservistas e reformados. E nestas degradas circunstâncias como será possível (ao que parece) equacionar abrir o HFAR a outros sistemas de assistência na doença?

Todos estes aspetos, já de si preocupantes, conjugados com uma deficiente aplicação das receitas dos descontos mensais efetuados aos militares (porventura, para encargos que deveriam ser do Serviço Nacional de Saúde (SNS), têm agravado a degradação do Sistema de Saúde Militar e, sobretudo, afetado a eficiência e as capacidades do Hospital das Forças Armadas.

• Sistema Remuneratório -

Neste âmbito, pode dizer-se que a vontade política dos Governos, limitando e colocando, até, em causa o cumprimento, ao mais alto nível, do dever de tutela, tem conduzido a uma situação que consideramos inadmissível, e que importa reverter tão breve quanto possível e antes que seja demasiado tarde e de consequências ainda mais gravosas para a Defesa Nacional (e sinais disso mesmo, convenhamos, já vão surgindo).

Vejamos, no entanto, alguns exemplos avulso, retirados de documentos oficiais:

o O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o militar de mais elevada hierarquia no seio das FFAA, aufere uma remuneração inferior a muitos, mesmo muitos, elementos da AP.

o Existe uma carreira profissional em que jovens licenciados/mestrados, com menos de 30 anos, a iniciam com uma remuneração base semelhante à de um Comodoro/Brigadeiro-general que só atinge este posto numa fase última da carreira (mais de 30 anos de serviço) e após a frequência de exigentes cursos de formação de carreira, de especialização e promoção.

o Em 1980, a remuneração dos oficiais das FFAA estava equiparada à dos magistrados, professores catedráticos e médicos. Hoje em dia, médicos e professores universitários têm um vencimento médio, 70 % superior ao dos militares e os magistrados têm uma remuneração média superior ao dobro da dos militares. Tudo indica que esta desigualdade se vai acentuar.

o Analisadas as pensões de reforma de todos os funcionários dos Ministérios da Defesa, da Justiça, da Saúde e da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, que transitaram para a situação de Reforma durante o ano de 2021, concluiu-se que na Defesa apenas 13% da totalidade desses reformados recebia pensões superiores a 3000 €, enquanto que na Saúde e Justiça esse valor era um pouco mais do dobro e no da Ciência era quase o quádruplo.

o Piores, neste âmbito, são os dados referentes a 2022. A percentagem na Defesa regrediu 4% e nos outros ministérios subiram, em média 5%. Mais uma prova de que a remuneração dos militares está, progressivamente, mais longe das atribuídas àquelas carreiras profissionais.

o E se a tudo isto acrescentarmos que atualmente existem 3 métodos diferentes para cálculo do valor das pensões de reforma concedidas aos militares, as preocupações avolumam-se, já que a situação de per-si é injusta, comprometedora do seu ethos e altamente inconveniente para a coesão das próprias FFAA.

o Mais, da análise do quadro estatístico “Remunerações base e ganhos médios mensais nas administrações públicas”, retiramos que, dos 26 grupos elencados, as FFAA encontram-se na 22a posição, sendo, por isso, o Corpo Especial de toda a AP que, menores rendimentos mensais médios recebe, o que é elucidativo.

o O Sistema Retributivo da AP de 2008 foi o último em que militares, magistrados, docentes e médicos integraram a mesma carreira, a dos Corpos Especiais. A partir de 2009, as duas últimas carreiras migraram para as Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única, nome sugestivo, onde se mantiveram até à atualidade.

Os militares permaneceram, sempre, nos Corpos Especiais/Carreiras Especiais e os magistrados singraram por vários Regimes, até desaguarem nas Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única. Estranha diferenciação esta que possibilita a gestão autónoma das três carreiras em causa.

E é o próprio Presidente da República e Comandante Supremo das FFAA que ao longo dos tempos, e a propósito, tem vindo a recordar que “houve atualização quanto a outras funções de soberania. Nomeadamente a Magistratura. Não houve no domínio das Forças Armadas, de forma equivalente”.

IV

É patente e claro que o poder político, e os políticos em termos mais genéricos, têm discriminado negativamente os militares, por razões que não se compreendem. O argumento presente em todas as suas decisões é a necessidade de aplicar aos militares a Lei Geral em tudo o que for redução dos direitos, esquecendo que a própria Lei determina que estes devem ser geridos de forma diferente da dos outros cidadãos, e no sentido positivo.

Esta desigualdade, resultante de medidas avulso, mas sempre penalizadoras, que os governos vão aprovando, tem levado, por razões básicas de sobrevivência, e como já referido, à saída extemporânea das fileiras não só de Praças, cuja situação é crítica, mas também de Sargentos e Oficiais, mesmo dos QP, particularmente em classes, armas, serviços e especialidades mais competitivas no mercado laboral, como médicos, engenheiros, pilotos e outras. Até parece que o objetivo prosseguido é depauperar as FFAA dos seus recursos humanos, deixá-las esgotarem-se e, assim, exauridas, chegarem à extinção.

Não acreditamos que seja este o desiderato em vista, acreditamos mais que seja antes uma falta de cultura de Defesa Nacional que trespassa transversalmente a sociedade portuguesa, e a que os Políticos (e os partidos) não têm querido ou sabido, até, pedagogicamente que fosse responder.

Neste ano de 2024, e a breve trecho, comemoramos o cinquentenário da revolução de abril.

Que excelente pretexto, ou melhor, que excelente oportunidade para, em complemento dos discursos de circunstância, olhar para as Forças Armadas com a dignidade, a importância e o espaço próprio, que lhes é devido na Sociedade Portuguesa.

Se não for esta a postura, então que mostrem coragem, assumam a responsabilidade por inteiro, e perguntem aos portugueses se desejam que Portugal tenha, ou não, FFAA. Continuar assim como se tudo estivesse bem é que não pode ser.

“Mais vale madrugar do que perder um tempo histórico” afirmou o Presidente e Comandante Supremo das FFAA em 11 de abril p.p., na sessão de encerramento do acima citado nosso seminário, e é bem verdade, porquanto se nada for feito o resultado será, por certo, uma perda de confiança na representação política e, mais grave, num regime democrático, nas próprias Instituições. E isso os militares não querem.

Como também não querem continuar a ser tratados como cidadãos e profissionais que não têm direitos, apenas, e só, deveres, e bem exigentes. Querem ter a remuneração, o respeito e o reconhecimento merecidos e devidos. Querem ver, finalmente, revertidas as situações negativas que sucessivos governos lhes foram infligindo, e voltar a ocupar, na sociedade e na AP, o lugar que a justiça lhes impõe, atento a tudo o que, ao longo de séculos, têm feito por Portugal e pelos Portugueses.

Finalmente, não podemos deixar de referir que o poder político deverá ter por imperativo a defesa dos justos interesses dos militares, por serem os únicos servidores públicos que, de acordo com a Lei, não têm capacidade reivindicativa, sob pena de, se tal não ocorrer, se virem a alterar as condições éticas e de vínculo do exercício da sua profissão.


Lisboa, GREI, 15 de janeiro de 2024 

Este documento terá sido remetido pelo menos aos titulares dos órgãos de soberania. Não tenho a certeza se foi endereçado aos partidos com assento na Assembleia da República e aos quatro actuais chefes militares. 

No momento em que escrevo desconheço reações, dos titulares dos órgãos de soberania, dos partidos políticos, ou de quaisquer outras entidades. 
Tomei conhecimento de algumas reações de alguns órgãos de comunicação social OCS).

Destes, para lá da habitual superficialidade com que normalmente abordam assuntos desta natureza, verifico:
- reprodução dos aspectos sobre a escassez de recursos humanos referidos pelo GREI,
- um OCS afirmar denunciar a situação, quando é reprodução do que tomaram conhecimento,
- reprodução de declarações de antigos chefes militares sobre o assunto, repetindo o que vinham dizendo há muito,
- reprodução das referências da carta ao mal estar nas FA,
- reprodução do constante na carta sobre as posturas dos sucessivos governos e muitos políticos.

Que hei-de dizer sobre isto? Que me apetece dizer? Apetece-me pouco.
Aqui no meu blogue, e em outros, muito escrevi sobre, 
- Defesa Nacional (DN),  FA, militares, a lei Freitas do Amaral de 1982 que começou a normalizar a instituição militar,
- as medidas e as políticas dos governos de Cavaco Silva sobre DN e FA,
- a crescente pouca vergonha dos governos que os sucederam, com particular ênfase para os de Guterres e os seus ministros da defesa e, a gestão de Aguiar hífen Branco e os MDN ao tempo de Sócrates,
- as leis de programação militar e de infra-estruturas, 
- que FA Portugal deve ter.

O que pensam no presente a generalidade dos homens, mulheres e adolescentes portugueses quanto aos militares que, por juramento para a vida, renunciam aos direitos, liberdades e garantias que a Constituição da República Portuguesa atribui a todos os outros concidadãos, e a que juntam ainda o compromisso de dar a vida em defesa do país e dos seus concidadãos?

Que pensam os titulares de órgãos de soberania (desde 2015) das cartas e alertas diversos do GREI e de alguns dos seus associados que a título individual têm alertado para os problemas na defesa nacional e na instituição militar?

O que eu penso desses titulares é muito claro e ao longo do tempo o escrevi. 
Alguns não concordarão comigo, legitimamente. 
Só me parece pouco coerente da parte desses que andem a insurgir-se quanto ao caos na instituição militar. Que não é de hoje. É pelo menos desde 1991.

Mas é Portugal, é o costume.
Voltarei ao assunto quando me apetecer, quanto não tiver mais nada que fazer.
António Cabral

domingo, 17 de dezembro de 2023

AVIAÇÃO   em   PORTUGAL

Não, não vou falar da TAP
Não, não vou falar de António Costa, das suas posturas, da sua falta de vergonha e incoerência políticas. 
Não, não vou falar do insuportável Pedrinho.
Não, não vou falar das imaginações de alguns.

Lembrando-me dos políticos de hoje, muitos sem envergadura intelectual, em que muito poucos não viveram sempre à conta do orçamento do Estado, farei apenas uma pequena incursão num passado não muito longínquo. 
Vou em parte socorrer-me de uma fonte fidedigna sobre certos passados.

Algumas palavras basicamente sobre aviação militar, particularmente os primórdios da aviação no nosso país, a aviação no Exército e na Marinha, até à criação da Força Aérea de Portugal (FAP) que, nos anos 50 do século passado, se tornou o 3º ramo das Forças Armadas. 

Mas a propósito deste passado, salientar aquilo que no presente continua muito semelhante ao que sucedia na I República e também na Assembleia Nacional da II República / Estado Novo.
Refiro-me ao trabalho (!?!?!?!?) na actual Assembleia da República onde muitas vezes se encontra, a incompetência, a incoerência, a descarada ausência de vergonha na cara e a vergonhosa postura de vários dos eleitos felizmente não todos. 

Em síntese, referência ao fazer reformas a destempo, ou não as fazer de todo. 
Em síntese, também, referência aos que não percebem ou fingem não perceber a evolução das coisas, da tecnologia, das sociedades.

São sobejamente conhecidos os feitos de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. 
Porventura menos conhecidos outros feitos de outros pilotos nacionais, como por exemplo de Sarmento de Beires.

Existem vários livros sobre a aviação em Portugal, e sobre feitos no passado realizados pelos nossos diversos aviadores, como existem reportagens jornalísticas e, quer no "sítio" da FAP quer na Wikipédia, estão referenciados muitos detalhes sobre o assunto. Vale a pena ler.

De uma forma muito resumida, em Portugal o "bichinho" da aviação terá começado em 1912. 

Em 14 de Maio de 1914 foi formalmente instituída uma Escola de Aviação Militar a qual foi inaugurada mais de dois anos depois, em 1 de Agosto de 1916.

Também em 1914 o Exército português criou o Serviço de Aeronáutica Militar. 
Antes do final da I GG a Marinha de Guerra portuguesa criou o Serviço de Aviação da Armada. Ao longo dos anos seguintes, Marinha e o Exército alteraram a designação desses serviços.

Na sequência da evolução nas estruturas militares verificada em diversos países designadamente Europeus e sobretudo na NATO/ OTAN, as aviações da Marinha de Guerra e do Exército acabaram por ser fundidas em 27 de Junho de 1952, passando a existir em 1 de Julho desse ano o novo ramo das Forças Armadas Portuguesas (FA), a FAP.

Esta reforma, a criação da FAP, não podia deixar de ter lugar.

Como sempre acontece em muitos países, e em Portugal é basicamente uma regra, surgem muitas resistências sempre que se pretende, uniformizar estruturas, encetar processos de reformas, tentar melhorar uma qualquer organização/ instituição.

Esse tipo de resistência esteve também na evolução da aviação em Portugal. Resistência por parte de militares portugueses à junção das aviações do Exército e da Marinha de Guerra fundindo-as no que se tornou a FAP. 

Mas a par de resistências, o que se pode parcialmente compreender, o que é sempre de lamentar são processos políticos tortuosos que acontecem pelo caminho, algumas vezes untados de corrupção.

Mas se são conhecidos vários episódios relativos a resistências a processos de reformas, seja em que área for, muitos mais episódios ficam desconhecidos do grande público. 

Como sempre acontece em Portugal (e não só), muitos processos e acontecimentos permanecem obscuros, envoltos em vários silêncios e narrativas, como é o caso do historial dos primeiros anos da nossa era democrática (1974-1982).

No caso da aviação, e concretamente no referente à aviação da Marinha de Guerra nesse passado já distante, houve episódios e movimentações de bastidores diversos. 

Na fase imediatamente anterior à decisão política de criação da FAP e inerente extinção da Aviação Naval, muitas sessões na Assembleia Nacional (AN) foram acompanhadas por vários dos pilotos dessa então componente militar. 

Existem alguns testemunhos, inclusive escritos, sobre a indignação que na altura cresceu no seio dos meios militares. Porquê?

Sobretudo por constatarem uma generalizada ignorância sobre o assunto, ignorância que sobressaia nos trabalhos na então Assembleia Nacional e, nomeadamente, por parte de alguns dos deputados que mais esgrimiam posições relativamente a estruturas militares. 

Mas indignação, também, por observarem estranhas alterações de posições de vários deputados pouco ou nada fundamentadas, mas sobretudo devidas ao que vulgarmente se designa por corrupção política passiva. Se preferirem, jogos por debaixo da mesa.

Por gentileza de um bom amigo, a quem mais uma vez agradeço o ter disponibilizado estes documentos, deixo alguns desses testemunhos, escritos, concretamente da autoria de seu pai.




Sugiro leitura mais atenta da 3ª folha, onde nela se relata um exemplo de como se podem fazer certas coisas nos jogos palacianos.

A história dos trabalhos da nossa democrática Assembleia da República deste 1976 está igualmente recheada de notáveis episódios e peripécias, para dizer o mínimo. Concretamente no campo militar.

Ao aproximar-me do fim deste breve apontamento, há dias pude ler um folheto da Câmara Municipal de Alverca, já com alguns anos, e intitulado - Alverca e a aviação, 1918-2018.

Nesse folheto se descreve que em 11 de Setembro de 1918 se iniciou a construção do Parque de Material Aeronáutico, não dizendo se era do Exército ou da Marinha de Guerra. Realço isto porque em 1918 não existia Força Aérea.

A 14 de Fevereiro de 1928 esse Parque de Material alterou a designação para Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA).

Em 2005 deu-se a privatização, passando as então OGMA a designar-se por OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal, SA, pertencente maioritariamente à Airholding SGPS, SA (EMBRAER e EADS).

A terminar, e no âmbito ainda do que são resistências e, pior, do que é não querer compreender algumas das inevitáveis alterações nas sociedades e nas instituições, não posso deixar de recordar episódios que o meu melhor amigo militar e que é almirante reformado me contou, acerca do que se passou no final dos anos 80 do século passado, em pleno governo de Cavaco Silva, quando alguém teimosamente persistia em defender a teoria - o que voa é para a FAP - e em que esse alguém foi finalmente "acalmado" pelo então MDN. Enfim.

António Cabral (AC)

terça-feira, 22 de agosto de 2023

GNR
A GNR é uma das forças de segurança do país.
GNR e Exército estão ligados, melhor dizendo, estão bem entranhados na nossa história; interessa-me particularmente a época desde o final do século XIX.

Se olharmos à nossa historia e sobretudo ao período 1900-1928, encontramos casos verdadeiramente peculiares (opinião pessoal naturalmente), refiro-me à turbulência política, refiro-me a que os movimentos políticos estavam bem entranhados nas Forças Armadas (FA) (então, Exército e Marinha). 
É da história nacional, bem estudada pelo saudoso Medeiros Ferreira, que alguns partidos de então e nomeadamente o Partido Democrático tinha algum receio do Exército.

Adicionalmente, a GNR que igualmente se imiscuía na política nacional, foi crescendo em poder militar. O período 1917 a 1922 viu um grande crescimento da GNR.

Subsequente ao derrube da monarquia, gradualmente a "força armada" impôs-se no país.

A política nacional dessa época teve imensos sobressaltos, nomeadamente, greves, frequentes incidentes bombistas, atentados políticos, etc.
Adicionalmente, inflação, especulação cambial, carestia de vida, etc.
Nesta situação política complexa, houve inclusive alturas em que foram chamados militares e até um chefe de estado-maior da GNR para formarem gabinete.

O que é certo é que a comparação de peso militar Exército-GNR a par de questões políticas que se vinham registando, levou a que o poder político em 13 de Maio de 1922, finalmente, tenha tido a coragem de suprimir na GNR, por decreto, as tropas de artilharia, as tropas de metralhadoras pesadas e reduziu bastante, ainda, os efectivos das tropas de cavalaria e infantaria. 
Dai em diante, o poder militar do Exército deixou de ter a GNR a fazer-lhe sombra.

Os anos passaram, I República esfumou-se ou auto-destruiu-se (como quiserem), entrou Salazar, depois Marcelo Caetano. 
Nestas décadas as FA, a instituição militar, teve comportamentos diferentes relativamente ao poder político. 

Depois, e caminhamos para 50 anos sobre essa data, as FA mas particularmente os oficiais mais jovens do Exército concretizaram com sucesso uma revolta militar, semente do regime em que felizmente vivemos. 
Territorialmente, Portugal passou a ser um país com uma área Continental e com dois grupos de ilhas no Atlântico Norte, as regiões autónomas dos Açores e Madeira.

Até 1982, a instituição militar teve grande peso político na vida nacional. Com a revisão Constitucional nessa data, começou o regresso aos quartéis, de facto. Ficou clara a democrática subordinação  da instituição militar ao poder político legitimamente eleito. Como deve ser.

A história é longa, desde esse 1982, cheia de peripécias e casos, para poder aqui ser abordada em detalhe.
Direi apenas que, sobretudo em 1991, o poder político começou a olhar para a instituição militar.
E se começou a redução de efectivos, se alguns meios chegaram a partir de 1991 para a Marinha e para a Força Aérea, muita coisa aconteceu que penso criticável, mas uma coisa não ocorreu.

Que coisa foi essa?
Tendo Portugal diminuído brutalmente em área geográfica terrestre, tendo Portugal responsabilidades nacionais e internacionais importantes face às colossais ZEE do Continente e das regiões autónomas, os poderes instituídos não fizeram o que teria feito um país normal/ organizado/ evoluído/ moderno.

Esse país, que Portugal não é, teria definido logo a partir de 1982 se deviam existir FA (eu defendo que sim), e existindo, que dimensão deviam ter, sendo óbvio para qualquer pessoa intelectualmente honesta que num país com as nossas características geográficas e com milhões de portugueses a viver fora do país, a Marinha e a Força Aérea deviam ter um peso específico.

Que fizeram os sucessivos governos, os sucessivos deputados, os sucessivos PR?
Trataram de trabalhar para que as FA do presente sejam a desgraça que está à vista. 

Podia dizer que é confrangedor ouvir, o professor Marcelo, o PM Costa, e outras criaturas como Carreiras, Cravinho, e tantos antecessores, e tantos deputados presidentes da comissão parlamentar de defesa, mas é muito mais que confrangedor, REPUGNA.

Quando o título do texto é GNR, vem tudo isto a propósito de quê?
Lembrei-me disto agora que, parece, finalmente, as principais chefias da GNR vão deixar de ser oficiais do quadro permanente do Exército.

Lembrei-me disto porque tem mãozinha do talentoso (??) Costa.

Lembrei-me disto porque certa tralha política prossegue inabalável na destruição da instituição militar nada a reformando, prossegue nada dizendo sobre que FA o país deve ter e como assegurar a soberania e a autoridade do Estado nas ZEE por exemplo, prossegue com o estrangulamento financeiro, prossegue com corrupção de há anos parecendo espantada e a fazer crer que só agora aconteceu nas ditas "indústrias de defesa(??).

Lembrei-me disto porque tenho bem presente a I República.

Claro que a culpa do caos se deve a Afonso Henriques porque bateu na mãe, ou ao corneteiro nesse tempo porque decepado de mãos não tocou a "fim de saque", e o saque prossegue até hoje. 

Ou a culpa de tudo isto será, de Putin, da pandemia, de Passos Coelho, de Cavaco Silva, de Bento XVI, de Trump, de Xi, dos tufões no golfo do México, da seca, etc.?
António Cabral (AC)

sexta-feira, 24 de março de 2023

PARA LÁ da BORRASCA RECENTE . . . .

Para lá da recente borrasca na Marinha, e porque nos últimos tempos tem havido muitas declarações de várias criaturas, muita pompa acerca do futuro Conceito Estratégico de Defesa Nacional, há tempos que ando a ler muita coisa: livros, entrevistas antigas algumas mesmo muito antigas, legislação militar, etc. 
Ontem reli o artigo supra, do Expresso de 17 de Junho de 2022,
e este em baixo, de 28 de Outubro também de 2022.
Neste, escrevi na altura - certos jornalistas fazem lembrar metralhadoras, escrevem sobre um dado tema mas aproveitam para matar mais coelhos - e é delicioso reler agora, quando se tem passado o que se sabe, e para novo CEMGFA (Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas) afinal Costa e Marcelo quiseram o general chefe do Exército. Um dos que não fala para as FA e ao mesmo tempo para o país.

Pois neste artigo de Outubro do ano passado, o jornalista citava entre muitas outras coisas sobre o actual chefe da Marinha - que o próprio terá já terá feito chegar a António Costa o recado de que gostaria de continuar a desenvolver o seu trabalho para "revolucionar" a Marinha
 Uma das delícias deste artigo de Outubro é a citação de um general sobre Gouveia e Melo.

Mas a propósito de Marinha e o empenho em revolucioná-la, no bom sentido, naturalmente, os problemas na Marinha não começaram com o actual chefe (como aliás nos outros dois Ramos das FA, nem com o chefe da Força Aérea nem com o general do Exército que agora é CEMGFA), e o que se passou há dias na Madeira é certamente um indício dos muitos problemas. Um mau indício. Na sequência da bronca na Madeira, com o patrulha Mondego, a Marinha reconheceu formalmente que anda há bastante tempo em - modo degradado! Mas, é bom reafirmar, um intolerável acto de indisciplina.

Ora pode falar-se para a Marinha em público considerando que se fala para o país também, como se viu há dias, ou pode falar-se só para a Marinha dentro de portas, nomeadamente de viva voz para todas as chefias superiores e intermédias.

Neste caso, mesmo sendo dentro de portas, convirá que se seja cuidadoso e e rigoroso, e se tenha a noção exacta de que em política é que fazem promessas que sabem não cumprirão em grande parte.

Eu, que muito pouco ou quase nada sei destas coisas, tenho como meu melhor amigo militar um almirante reformado e calejado, que ao longo da vida me tem contado muita coisa da sua longa carreira, da sua experiência nacional e internacional. Tenho sempre presente o que com ele aprendi sobre a Marinha, as Forças Armadas, a Defesa Nacional e sobre a NATO e as Marinhas de países amigos e aliados.

E baseando-me no meu amigo:
> nenhum chefe militar, por si só, conseguirá alguma vez inverter a situação grave relativa a pessoal,

> nenhum chefe militar, por si só, conseguirá melhorar o recrutamento, ou a seleção de pessoal, menos ainda resolver a questão da retenção de pessoal nas fileiras, se o governo nada alterar na situação presente que conduz, por exemplo na Marinha, a uma perda de pessoal na média de 1,3 homem por dia,

> nenhum chefe militar pode, por si só, alterar gratificações, suplementos, vencimentos, uma competência exclusiva do governo, pelo que quem eventualmente prometa que tudo isso vai ser em breve alterado só pode estar a gozar com quem trabalha, como diz Ricardo Araújo Pereira, 

> eventuais desejos de alterações de carreiras dependem naturalmente de alterações de estatutos, coisa que tem de ir aos poderes executivo e legislativo,

> o governo prometeu agora, repito, prometeu agora, entregar uma tranche anual (durante 3 anos) de 13 milhões de euros para manutenção de navios, verba que, parecendo muito, se afigura relativamente escassa para a dimensão dos problemas que publicamente se conhecem, quanto mais para os que se desconhecem e devem ser muitos e graves, 

> em 2004 havia quem sonhasse que os estaleiros de Viana do Castelo iriam dar cumprimento a um plano de construção de dez patrulhas oceânicos mas, como se sabe, esse plano nunca foi cumprido, está longe de ser cumprido, e sendo agora os estaleiros privados os negócios tratam-se de forma diferente,

> sobre os estaleiros em Viana do Castelo, não será despiciendo dizer que os sonhos de que lá se construa a oitava maravilha da construção naval, inexistente em qualquer outra parte do mundo, relevam de delírio genuíno,

pelo que . . . . . vou aguardar novos desenvolvimentos, esperando que se apaguem objectivos outros que não os das FA e particularmente os da Marinha nacional.
António Cabral (AC)

quinta-feira, 9 de março de 2023

O TRABALHO das MARINHAS de GUERRA

É no MAR

I say again - É no MAR.


Por cá, uma série infindável de parvalhões inchados das almoçaradas de pesporrência e vigarice persiste em não perceber isto. Melhor, perceber é capaz de perceber, mas estão a borrifar-se para isso. Serviram-se quando lhes deu jeito, apaparicaram uns quantos, depois desprezaram-nos e para acautelar as coisas, deixaram uns poucos que se consideram donos instalar-se e engordar com a prebenda oferecida.

Embora arrotem constantemente - o interesse nacional - o mar

Como esta verdade inultrapassável - uma floresta abate-se num instante, mas criar outra leva anos - há outra : 

You have (or not) a Navy. You raise an Army.  

Mas é claro que é muito mais barato utilizar só G3, e ir fazendo uns discursos de peçonha e engana tolos, que os há, infelizmente, às dezenas e dezenas de milhares. Ou milhões?

António Cabral

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

CHEFIAS  MILITARES  e  OUTRAS  COISAS

Soube-se hoje pela comunicação social que o governo escolheu e irá propor ao Presidente da República que o actual chefe do Exército seja empossado como Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, substituindo em 1 de Março próximo o actual titular do cargo.

Salvo melhor opinião esta designação e quase certa nomeação nada tem de extraordinário. Nada na legislação em vigor a impede.

Mas vou ficar à espera para ver o que irá saindo nos OCS nomeadamente no que respeita ao actual chefe da Marinha e que ficou conhecido como o almirante das vacinas.

Porque, muitos pensam que se candidatará às próximas eleições presidenciais. Tem pouco menos de 2 anos para completar o mandato e, dizem alguns, pode candidatar-se. Aguardemos.

AC

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

CURIOSIDADES do REGIME DEMOCRÁTICO PORTUGUÊS

Vivo satisfeito no regime que Abril trouxe, é nele quero estar. 

O que não quer dizer que não tenha muitas e variadas críticas ao que se passa no meu país

O que não quer dizer que tenha dúvidas sobre a má qualidade de certa gente que se apoderou do Estado. NÃO TENHO!

No plano das curiosidades, por exemplo, é interessante para mim observar a forma distinta de nomeação dos chefes militares "vis a vis" as chefias das forças de segurança

Como curiosas são/ foram algumas decisões e proclamações às vezes designadas por "data histórica", mas que no presente se esfumam como é o caso com a GNR. Opinião pessoal, naturalmente.

No que se refere às Forças Armadas (FA) e concretamente às chefias militares, depois da politização das FA iniciada em 1994/1995 e concretizada daí em diante, de cada vez que há que substituir um chefe militar, o formalmente chamado Ministro da Defesa Nacional (MDN) (na realidade apenas ministro das FAtem chamado um a um para uma conversa cara a cara todos os generais e almirantes de três estrelas. Depois sugere um nome ao Primeiro-Ministro (PM), que em seguida o apresenta ao Presidente da República (PR). 
O PR aceita ou não o nome e é ele que dá posse ao novo chefe militar.

No que se refere ás forças de segurança, a nomeação das chefias máximas da PSP e da GNR é combinada/ decidida entre o Ministro da Administração Interna e o PM.

No que se refere à GNR, creio que ainda está em vigor o que coloco em baixo, pelo que para mim é curioso verificar que as notícias dos OCS sobre o assunto nunca referem nada de concreto sobre o processo, passam por cima com a conveniente, conivente, superficialidade e vénia costumeiras. 

CAPÍTULO II 
Estrutura de comando 
SECÇÃO I 
Comando da Guarda

  Artigo 23.º
Comandante-geral
1 - O comandante-geral é um tenente-general nomeado por despacho conjunto do Primeiro-Ministro, do ministro da tutela e do membro do Governo responsável pela área da defesa nacional, ouvido o Conselho de Chefes de Estado-Maior se a nomeação recair em oficial general das Forças Armadas

Leu-se num dos últimos DN que o MAI e o PM decidiram que o oficial que era o 2º comandante da GNR seria nomeado comandante-geral desta força de segurança. A posse ocorreu ontem, sem pompa e circunstância especial e nada de especial mencionado pelos "media" (ou "merdia"?).

Curioso, interessante, ou outra coisa qualquer, que o governo socialista ao tempo de MAI /Cabrita e com este mesmo formalmente PM tenha proclamado uma certa data como histórica, insiste agora e mais uma vez em nomear um oficial do Exército para chefiar a GNR. 

Adicionalmente, gostava de saber se terão cumprido integralmente a lei. O tal concelho de chefes terá sido ouvido?

Curiosidades, para mim naturalmente, pois pode ter reunido presencial e formalmente, ou pode cada um ter assinado digitalmente um documento recebido para concordância da nomeação, ou alguns dos chefes poderão ter assinado digitalmente e pensado ou mesmo dito em surdina - "quero lá saber dessa porcaria"!

O despacho de nomeação diz que sim.

Despacho n.º 13565/2022, de 22 de novembro
Publicação: Diário da República n.º 225/2022, Série II de 2022-11-22, páginas 34 - 35
Emissor: Presidência do Conselho de Ministros, Defesa Nacional e Administração Interna - Gabinetes do Primeiro-Ministro, da Ministra da Defesa Nacional e do Ministro da Administração Interna
Parte: C - Governo e Administração direta e indireta do Estado
Data de Publicação: 2022-11-22
Páginas: 34 - 35
SUMÁRIO
Nomeação como Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana do Tenente-General José Manuel Lopes dos Santos Correia
TEXTO
Despacho n.º 13565/2022
Sumário: Nomeação como Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana do Tenente-General José Manuel Lopes dos Santos Correia.
Nos termos do disposto no n.º 1 do artigo 23.º da Lei Orgânica da Guarda Nacional Republicana, aprovada pela Lei n.º 63/2007, de 6 de novembro, ouvido o Conselho de Chefes de Estado-Maior, é nomeado Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana o Tenente-General José Manuel Lopes dos Santos Correia, cuja idoneidade, competência, aptidão, formação e experiência profissionais são comummente reconhecidas e se mostram evidenciadas na síntese curricular em anexo.
O presente despacho produz efeitos a partir de 22 de novembro de 2022.
16 de novembro de 2022. - O Primeiro-Ministro, António Luís Santos da Costa. - 16 de novembro de 2022. - A Ministra da Defesa Nacional, Maria Helena Chaves Carreiras. - 15 de novembro de 2022. - O Ministro da Administração Interna, José Luís Pereira Carneiro.

Entretanto, continua em suspenso a não ocupação de cargos pelos 5 ou 6 oficiais generais já oriundos da GNR o que facilita mais promoções no Exército. 
Entretanto, continua em suspenso legislação diversa, seja quanto ao processo de nomeação do comandante-geral e outros, ou se os poderes públicos quererão continuar a ter os elementos da GNR como militares, coisa que outras forças de segurança não são.
Pois siga para Bingo, neste folclore socialista.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

GNR
(do sítio da Presidência)
Condecoração do Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana10 de novembro de 2022
O Presidente da República condecorou, no Palácio de Belém, o Tenente-General Rui Manuel Carlos Clero, Comandante-geral cessante da Guarda Nacional Republicana, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis
.
Este evento, este final de comissão de serviço de um general do Exército a comandar a GNR, faz-me recordar que de há uns anos a esta parte começaram a ser formados na Academia Militar (Exército) oficiais oriundos da GNR.
Deve faltar muito pouco para esses oficiais chegarem ao topo, e a GNR passar a não ser comandada por oficial do Exército.
Não mais haverá oficiais do Exército na GNR.
Consequências dessa nova situação?
Por exemplo, menos oficiais do Exército a chegarem a General à conta das vagas para suprirem a GNR.
Por exemplo, vão continuar a querer manter que os elementos da GNR (uma força de segurança) continuem a ser designados militares?
Etc.
Cada vez mais me lembro da I República, tão bem recordada por José Medeiros Ferreira.
AC

Ps: o DN de hoje fala também no assunto, e lembra a acção de Costa de 2007. Vai ser interessante como agora vão resolver as coisas!

sábado, 25 de junho de 2022

PINDÉRICOS  e  em  BICOS  de  PÉS
"Portugal sem dinheiro para enviar armas a Kiev"
Ainda não parei de rir. 
Terá sido por causa deste tipo de coisas, que Zelensky se fartou de promessas e vai substituir a embaixadora?
A esta hora Zelensky já terá percebido que a promessa dos 250 milhões de Costa (nossos, nossos impostos) para lá reconstruir não sei bem o quê não passa disso mesmo, promessa à Costa, como ele faz por cá, com a maior desfaçatez e sem vergonha nenhuma na cara.
Lê-se por aí - " Os tanques (tanques, quais tanques, seus jornalistas ignorantes?) portugueses já estão prontos para seguir para a Ucrânia, mas falta o dinheiro para o transporte. O Exército está de tanga e não tem verba para nada. Espera-se que os ingleses possam dar uma ajuda".

Esta é a "coisa". 
Coisa que pode fazer-nos recordar palavreado como, pirosos, vergonhoso, pôr-se em bicos de pés, subserviência a outrem, pedintes, caricato, ausência de noção das realidades, incompetência, etc., um etc. infindável.

Ainda não ouvi nada de Marcelo
Será que está à espera de verificar se não estamos perante mais um problema estrutural
Ou será que se pronunciará apenas depois de conseguir ligação telefónica com Zelensky para lhe dar conforto? 
"Zel, my friend, I assure you that Putin will hide shortly because he is aware that you are about to receive a massive military support from Me, and the tide of war will change. By the way, do not eat "Bacalau" this summer".

Bom, deixando a laracha de parte.

Este notícia parece-me de uma vergonhosa incompetência e com a superficialidade habitual.
Dão isto à estampa, com sugestões - "resumiu a mesma fonte" - "outra fonte, ligada aos meios do Exército" - "já o ministério da defesa" - e a esta última referência de fonte ligam - … Já o Ministério da Defesa afirma que as lagartas estão prontas desde 31 de maio. «Já temos os parceiros aliados que já se disponibilizaram para as transportarem só estamos há espera que nos digam quando o podem fazer», argumentou o Ministério de Helena Carreiras

Apesar das periódicas e inconsequentes retóricas emanadas de Belém, apesar de muitas tiradas de políticos vários publicitadas com a   habitual falta de vergonha na cara, a realidade material das Forças Armadas é a que é e não a que propagandeiam certas criaturas.

É habitual umas criaturas que por cá andam colocar-se sempre em bicos de pés. Normalmente não reparam como são tão ridículos.

Eu que percebo quase nada ou mesmo nada destas coisas, nada me custa a acreditar que Portugal possa com alguma facilidade ter remetido para a Ucrânia, cintos, coletes à prova de bala, botas, cantis, facas de mato, munições ligeiras, espingardas G3, coisas desta natureza menor, em que há muito de "não letal".

Nada me custa acreditar que não temos capacidade alguma para ceder carros de combate pois presumo que teremos pouquíssimos e, provavelmente, muitos em mau estado de conservação.
Não me custa nada acreditar que não temos qualquer capacidade para ceder artilharia de longo alcance e munições respectivas.

Pelo que leio na notícia, fiquei a saber que o nosso Exército dispõe de 150 viaturas blindadas de transporte de pessoal/ tropa, M 113, material que os EUA nos terão vendido a preço de amigo (??) no início dos anos 90 do século passado. 
Como deve ser segredo de Estado, nada se sabe sobre a sua operacionalidade, embora da notícia se deduza uma realidade penosa. Mas é engraçado ler - que as lagartas já estão prontas! Isto quer dizer que não estavam, certo?

Costuma dizer-se quem dá o que tem a mais não é obrigado.
Não é vergonhoso termos pouco e velho para dar. 
São 15 brinquedos obsoletos e que, sugere a notícia, não andavam. Estavam encalhados em Santa Margarida!

Mas o que é vergonhoso e típico de criaturas tipo Costa, é decidir dar uma determinada coisa e depois ……..verifica-se que não pensaram nos parâmetros todos do processo. 
Ficaram, como diz o povo, com as calças na mão!
Querem, portanto, estes inarráveis governantes, que alguém leve "pro bono" a nossa tralha! Não é bem, mas é quase como eu oferecer o carro do meu vizinho!

Repito, nada percebo destas coisas, mas tenho experiência de vida e bons amigos na tropa, como acintosamente sempre referem certas criaturas. 
Isto dito, e conhecendo o modo de actuação de Costas, Marcelos e até de alguns militares, ficam aqui umas conjecturas que me passam agora pela cabeça.

E se nisto tudo, houver aqui uma história muito mal contada?

> Será que alguma vez Costa e a sua adjunta Carreiras alguma vez pensaram em ceder algo mais que munições ligeiras, uns materiais não letais, uns ferros velhos da GNR como indica a notícia, boa vontade e disponibilidade para treinar cá umas dezenas de militares Ucranianos?

> E será que alguma vez o Exército pensou em desfazer-se de viaturas M 113 ou outras apesar do seu estado de conservação?

> E será que agora o Exército não estará nada satisfeito com este desfecho?

> E será que porventura o governo foi fortemente pressionado pelos EUA para ceder este material, e ficou entalado?

> E será que os EUA estão a fazer o mesmo junto de outros países para fornecimento de material à Ucrânia (poupando o deles) que sabem esses países possuem, até porque em muitos casos são de origem americana?

> Será por isto que a coisa chegou a este ridículo?

O que me parece lamentável é o artigo ser doce para o governo e quase dar a entender que o Exército devia tratar da coisa. O problema nunca está com Costa e o seu desgoverno, seja sobre que assunto for.
Igualmente lamentável, colocarem no artigo frases como tendo sido proferidas por alguém ligado ao Exército.

Isto tudo é vergonhoso, lamentável, e bem elucidativo do que é a maioria da comunicação social, do que são certos políticos, e da situação confrangedora de muitas áreas dentro das Forças Armadas.
Portugal, mais uma vez no seu melhor ou, como diria Marcelo - o melhor dos melhores!

António Cabral (AC)