Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas avisa que não é com pequenas ofertas que se atraem jovens. E defende a necessidade de oferecer uma carreira diferenciada.
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
sábado, 19 de setembro de 2026
Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas avisa que não é com pequenas ofertas que se atraem jovens. E defende a necessidade de oferecer uma carreira diferenciada.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
RECORDANDO
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
A Imprensa informou que o Ministro da Defesa Nacional propôs ao Presidente da República a demissão do Almirante Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada.
O Artigo 133 da Constituição estabelece que compete ao Presidente da República, sob proposta do Governo (que - recorde-se - é presidido pelo Primeiro-Ministro) - ouvido o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas - nomear e exonerar os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas.
Espero, assim, que o Presidente da República mostre que não é um verbo de encher.
28. Setembro.2021
In Blog - <https://costacorreia.blogspot.com/2021/09/ao-presidente-da-republica-mostre-que.html?m=1>
Para o Presidente da República, além deste primeiro equívoco, foram registados mais dois. O segundo equívoco passa pela fundamentação para a alegada cessão de funções. Marcelo referiu que tem estado a ser apontada a intervenção crítica, feita pelo atual Chefe do Estado-Maior da Armada, sobre as alterações à Lei de Defesa Nacional - uma posição acompanhada pelos restantes chefes dos ramos militares.
O Presidente da República nota que, apesar de terem criticado as mudanças, a partir do momento em que foi decretada a lei, os chefes dos três ramos militares acataram-na e respeitaram-na, o que, para Marcelo, é um "exemplo de lealdade constitucional" - logo, nunca seria motivo para uma exoneração.
O terceiro e"equívoco" mencionado por Marcelo Rebelo de Sousa prende-se com o facto de se estar a falar numa "substituição". Ora, só poderá haver uma substituição depois de alguém terminar funções, recorda Marcelo, o que ainda não é o caso.
"Há um momento adequado para falar de substituição, que não é este", declarou.
O Presidente da República lamentou ainda que o nome do vice-almirante Gouveia e Melo tenha sido envolvido na polémica. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que o vice-almirante merece, pela sua carreira, as insígnias que recebeu e, pela sua atuação na task force, a admiração de todos os portugueses. Pelo seu "mérito e classe", defende Marcelo, dispensava ser "envolvido numa situação de atropelamento de pessoas e instituições".
Na ótica de Marcelo Rebelo de Sousa, há que "salvaguardar a reputação das pessoas envolvidas e o prestígio das instituições" e quando chegar o momento de tomar a decisão de substituir o Chefe do Estado-Maior da Armada, só há uma pessoa que tem o poder de tomá-la: o Presidente da República.
sábado, 31 de janeiro de 2026
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Quem olhar atentamente para esta fotografia, para os fotografados, e recordar a época, encontra aqui a génese de muito de que hoje padecemos.
domingo, 23 de fevereiro de 2025
LISTA de CEMGFA'S (Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas)
General Nunes da Fonseca, Exército (actual)
Almirante Silva Ribeiro, Marinha
General Pina Monteiro, Exército
General Esteves de Araújo, Força Aérea
General Valença Pinto, Exército
Almirante Mendes Cabeçadas, Marinha
General Sousa Santos, Força Aérea
General Espírito Santo, Exército
Almirante Fuzeta da Ponte, Marinha
General Soares Carneiro, Exército
General Lemos Ferreira, Força Aérea
General Melo Egídio, Exército
General Ramalho Eanes, Exército
General Costa Gomes, Exército
Antes de 25 de abril de 1974
General Gomes de Araújo, Exército
General Beleza Ferraz, Exército
General Botelho Moniz, Exército
Contra-almirante Ortins de Bettencourt, Marinha
General Passos e Sousa, Exército (iniciado em 5 Agosto 1950)
Esta lista ajuda a esclarecer alguma coisa quanto ao estado das Forças Armadas?
António Cabral (AC)
terça-feira, 16 de abril de 2024
16 de abril de 2024
No final da reunião, que decorreu no Palácio de Belém, foi divulgada a seguinte nota informativa:
“O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 16 de abril de 2024, em sessão extraordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, para efetuar um ponto de situação relativo ao Médio Oriente e à Ucrânia.
Lisboa, 16 de abril de 2024”
Para esta reunião que teve lugar esta tarde, houve quem declarasse coisas interessantes (???).
Olhando à CRP, o nº 2 do Art 274º estabelece que o CSDN é o órgão específico de consulta para os assuntos relativos à defesa nacional e à organização, funcionamento e disciplina das Forças Armadas, podendo dispor da competência administrativa que lhe for atribuída por lei.
Além deste enquadramento Constitucional, há mais legislação que aborda também, e mais detalhadamente, competências do CSDN.
- propostas de leis de programação militar,
- conceito estratégico de defesa nacional,
- participação de destacamentos das Forças Armadas em operações militares no exterior do território nacional,
- infra-estruturas fundamentais de defesa,
ETC.
Acredito que neste CSDN se tenha passado em revista, portanto, as forças nacionais destacadas, na Roménia, no Báltico, em África, no Ártico, no Mediterrâneo.
sexta-feira, 29 de março de 2024
"Estamos a trabalhar para encontrar soluções".
O jornalista Vitor Matos do Expresso é recorrente em artigos sobre as FA, seja sobre os recursos humanos das FA com foco nas saídas das fileiras cada vez em maior número, sejam olhando aos aspectos de material, equipamentos e infra-estruturas, seja acerca das pouca vergonhas envolvendo políticos e altos funcionários do dito ministério, de onde exalam e de há muito, crescentes fumos de corrupção.
Não é novidade nenhuma uma série de coisas, de há muito anos.
As carências em pessoal prosseguem.
As vacuidades e incompetência chegaram ao ponto de se desculparem com idênticas crises de vocações militares a nível internacional.
Particularmente depois de 1995, com crescentes garrotes financeiros, desrespeito por leis vigentes, manipulação diversa, incompetência, desprezo absoluto pela instituição militar, estão agora à espera que tudo se resolva por um governo que obteve uma vitória de Pirro?
quinta-feira, 25 de janeiro de 2024
O COSTUME.
O GREI (carta de 15 Janeiro, em baixo reproduzida) entendeu alertar, mais uma vez, para problemas sentidos nas Forças Armadas (FA) nacionais, concretamente, desta vez com especial enfoque nos recursos humanos. Na crescente escassez de recursos humanos.
A INSUSTENTÁVEL SITUAÇÃO DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS
(sublinhados da minha responsabilidade)
I
O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI), oficialmente constituído em 2015, tem procurado ao longo da sua curta, mas preenchida existência, ser uma voz ativa nos temas da Defesa e da Segurança Nacionais e das Forças Armadas.
Constituído por Oficiais-generais da Marinha, do Exército e da Força Aérea, na situação de reserva e de reforma, que no decurso da sua extensa carreira desempenharam os mais variados cargos nacionais e internacionais, nas Forças Armadas, nas Forças de Segurança, nos serviços de Proteção Civil, bem como na Direção Superior da Administração Pública, considera-se um interlocutor privilegiado para, com a experiência vivida e o distanciamento temporal e funcional que a sua situação profissional permite, ser um parceiro credível nos domínios da Segurança e Defesa do País.
Neste contexto e, sempre, com uma postura de cidadania ativa, temos realizado reuniões de reflexão, almoços-debate, conferências, palestras, seminários e, sobretudo, elaborado textos e publicações sobre as temáticas indicadas e, em particular, as Forças Armadas (FFAA).
Estamos abertos ao meio militar, naturalmente, mas também à sociedade civil em geral, privilegiando o meio académico, científico, tecnológico, político, organizacional e comunicacional.
Os nossos interlocutores vêm das mais diversas áreas do conhecimento, instituições, tendências, e orientações políticas, sendo nesta diversidade que julgamos residir muito do capital de isenção granjeado.
A nível político temos propiciado contactos com os líderes partidários, as Comissões de Defesa e os Grupos Parlamentares da Assembleia da República, sempre que oportuno.
Não será despiciendo referir que no último seminário realizado, em abril passado, tivemos a presença dos mais elevados dignitários do País, como o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, e uma representação alargada de membros do Governo.
Pois bem, num momento em que o Mundo, a Europa e Portugal, em particular, vive uma situação complexa aos mais diversos níveis, com uma instabilidade política, social, económica e de segurança, e em que se vão realizar eleições nacionais a breve trecho, entendemos por oportuno fazer chegar aos Partidos Políticos, um conjunto de preocupações que pela sua pertinência e relevância devem, também elas, ser objeto de reflexão, debate e comprometimento político.
Os signatários não desconhecem os complexos problemas nacionais, a nível de educação, saúde, emprego, habitação, justiça, fiscalidade, administração pública, transportes, energia, e a importância que ocupam nas prioridades políticas de quem ambiciona ser governo.
Exatamente porque conhecem bem esses problemas, sentem-se obrigados a alertar os Partidos e a Classe Política para outros não menos importantes para o País e para a Soberania Nacional, mas que raramente ocupam a agenda política e, muito menos, a sua estrutura de pontos críticos.
Referimo-nos obviamente às FFAA e à situação grave, e que não é nova, em que se encontram e para a qual vimos alertando publicamente, pelo menos, desde 2020.
Assim sendo, por uma questão de prioridade e de economia de tempo e espaço, não iremos abordar, nesta fase, os Orçamentos da Defesa e das FFAA, a Lei da Programação Militar, as questões do Armamento, dos Equipamentos, das Infraestruturas, da Investigação Científica Militar, das Indústrias de Defesa, do Ensino Militar e outros.
Não iremos, igualmente, lembrar a necessidade de o País possuir umas FFAA bem preparadas, equipadas e motivadas, que respondam com eficiência e eficácia às necessidades nacionais, e às responsabilidades de Portugal no quadro internacional, e no âmbito das alianças de que faz parte.
Vamos, isso sim, focar o nosso alerta, primordialmente, no fator humano, melhor dizendo, nos Recursos Humanos (RH) das FFAA, o elemento por excelência do seu funcionamento e prontidão. Na realidade, são as pessoas (e é bom não esquecer) que, a todo o tempo, “convertem” a estrutura política e militar da defesa nacional em desempenho operacional eficiente e eficaz. E é aqui, no domínio do “Pessoal”, e ao nível da seleção, do recrutamento e da retenção que as dificuldades que se sentem são maiores e mais gravosas.
Os dados falam por si. Atente-se o número de militares em serviço, em 31 de dezembro último - 21 080 (cerca de 68 %), relativamente aos 30 840 autorizados pelo D.L. 6/2022, de 07 de janeiro, quantitativos esses bastante reduzidos, se se considerar o valor superior do intervalo (30 000 – 32 000) previstos na Reforma “Defesa 2020”, de 2013, e cujo estudo e racional que os sustentaram são desconhecidos.
Por outro lado, uma mais completa e pretendida profissionalização das FFAA, ao fazer substituir a conscrição e o Serviço Militar Obrigatório pelo regime de voluntariado e contrato, modificou, por completo, a matriz da relação individuo – Instituição, uma vez que esta passou a ser uma matriz de relação contratualizada e de interesse e não mais uma relação de dever e cidadania, e isso, não sendo aspeto despiciendo, tem vindo a ser esquecido.
É, sem dúvida - a falta de pessoal – o maior dos problemas. Um problema da mais alta importância e a que os portugueses em geral, os cidadãos, os partidos e os políticos, em particular, não se podem alhear.
Os efetivos (ou falta deles), a sua capacitação profissional, as questões do estatuto e da condição militar (CM), da carreira, da motivação, do regime de saúde e do apoio complementar, do reconhecimento e da integração social, moral e material, constituem as matérias com as quais pretendemos sensibilizar os partidos e o poder político que, num futuro breve, irá assumir responsabilidades de direção efetivas, seja na Assembleia da República, seja no Governo.
II
É inegável que tem vindo a crescer no seio das FFAA um clima geral de mal-estar e desmotivação, de insatisfação, de saturação e de injustiça relativa que tem levado um número crescente de militares dos Quadros Permanentes (QP) e dos Regimes de Voluntariado (RV) e de Contrato (RC) a abandonar precocemente as fileiras.
Não é apenas uma questão de quantidade é também, e principalmente, um problema de qualidade, agravada, inclusive, com o abate aos QP (e o que isso representa de negativo para o próprio militar) de muitos técnicos e quadros altamente qualificados; situação gravosa que a não ser encarada, decisivamente, tornará a sua reposição difícil, ou até mesmo irreversível, comprometendo de forma assaz significativa o funcionamento das FFAA, a sua prontidão e, até, o cumprimento da missão.
Mas nenhuma análise sobre o presente e o futuro das FFAA, sobre, inclusive, a sua motivação, pode ser devidamente enquadrado sem uma visão holística, mesmo que não aprofundada, sobre a CM e o que ela representa: o seu racional, significado, implicações e reflexos na vida daqueles que nas FFAA servem Portugal e os portugueses.
A CM é no fundo uma situação jurídica inerente aos militares das FFAA, que deriva da Constituição (CRP) e da Lei, encontrando-se plasmada na Lei no 11/89, de 01 de junho - Bases Gerais do Estatuto da CM (BGECM) -, consubstanciando-se em restrições aos direitos fundamentais, por parte dos militares, e numa imposição de especiais deveres e, em contrapartida, na atribuição de alguns direitos que o próprio Estatuto dos Militares das FFAA (EMFAR), a jusante, vem a regular.
O documento constituía, à época, (e já lá vão quase 35 anos), um compromisso equilibrado e aceitável entre deveres e direitos aplicados aos militares. Hoje em dia é mesmo o próprio conceito que vem sendo adulterado na sua aplicabilidade pela perda de coerência, ponderação e adesão à realidade.
Atualmente, os direitos foram sendo progressivamente eliminados, e/ou deturpados pelos sucessivos governos, uns por ação, ao terem aprovado as medidas restritivas aos direitos dos militares, outros por omissão, ao não terem a sensibilidade necessária para os corrigir e reverter, como seria justo e conforme ao espírito e letra da própria lei.
Os dois deveres que caracterizam a CM (e que constam da Lei) consistem na renúncia a direitos, liberdades e garantias que a CRP atribui a todos os cidadãos, e a obrigação de dar a vida pela Pátria, na defesa de Portugal e dos portugueses.
São deveres exclusivos dos militares e não podem ser impostos a qualquer outro cidadão ou categoria profissional. Constituem mesmo um ónus muito pesado, assumido livre e conscientemente, em acto público, e na forma de Juramento de Bandeira e Compromisso de Honra.
Para além deste dever-limite, acrescem um sem número de outros tantos deveres, restrições, e condicionantes, de onde sobressaem, em particular:
A total e permanente disponibilidade para o serviço;
O desempenho de missões operacionais, quer em ambiente real, quer em treino e
exercícios, com elevado risco;
A exigência de uma profunda capacidade técnica, física e psicológica.
A este conjunto de critérios, somam-se sacrifícios de natureza diversa, como sejam o prolongado afastamento da família, em situações de perigosidade e de incerteza, do círculo social, dos amigos, e da designada zona de conforto, os quais, têm um elevado peso na difícil e, em certas circunstâncias, penosa, vida dos militares.
Alguns destes deveres também são imputados a elementos de outras categorias da Administração Pública (AP), pelos quais, como compensação, auferem subsídios, complementos, suplementos, situação que, na maioria dos casos, não é acompanhada na justa medida pelos militares.
Olhemos, então, um pouco mais, na especialidade, a toda esta problemática.
III
A CM agrupa os direitos dos militares em três áreas fundamentais e diferenciadas. A saber:
Carreiras profissionais;
Assistência médica;
Sistema remuneratório.
Em complemento registe-se, a título ilustrativo, e em breve súmula, a forma como o poder legislativo e o poder executivo têm, ao longo dos anos, gerido esta problemática.
• Carreiras Profissionais -
o Foi aumentado o número mínimo de anos de serviço em cada posto;
o Foram criados novos postos no início das carreiras, correspondendo a menor posição hierárquica e a menor vencimento;
o Foram retardadas as promoções muitos meses após a data devida e no menosprezo do disposto e regulado na Lei.
Destas medidas resultam dificuldades na progressão de carreira, no preenchimento de certos cargos e conteúdos funcionais, retardando a ascensão e o acesso aos postos cimeiros, num sentido inverso ao que ocorre na sociedade em geral, e com consequências que não se registam em outras profissões, e se traduzem numa redução salarial expressiva, o que é incompreensível.
• Assistência Médica -
Neste particular tudo tem sido, a nosso ver, degradado, com medidas avulsas que mais não fizeram do que perverter de certo modo o espírito e a letra das próprias BGECM, tratando de forma igual o que é genética e estruturalmente diferente. Assim:
o Os militares e seus familiares em vez de terem uma saúde gratuita, como acontecia até 2005, passaram a realizar desconto em igualdade de circunstâncias com a AP, cujo valor se cifra em 3,5 % da remuneração do militar ao longo de 14 meses ao ano.
o O subsistema de saúde - Assistência na Doença aos Militares (ADM) -, foi integrado no Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA), misturando âmbito e objeto, saúde com proteção social complementar, numa política de grande confusão, que teve e tem, a nosso ver, efeitos altamente lesivos para os militares, nestes dois pilares fundamentais que são a saúde e a ação social.
o Paralelamente, a junção dos diferentes hospitais dos três ramos das FFAA, medida que no plano conceptual e organizacional traria economia de escalas e valor acrescentado, resultou inadequada, face às expectativas acalentadas.
o As instalações, os equipamentos e as tecnologias em uso estão longe da modernidade e funcionalidades que se exige a um Hospital Central (HFAR), o que é incompreensível e não era expectável, face às verbas obtidas com a alienação do Hospital Militar Principal, da Casa de Saúde da Família Militar e do Hospital da Marinha.
o A agravar o cenário, os seus quadros de pessoal médico, de enfermagem, de técnicos auxiliares de diagnóstico, de assistentes técnicos e assistentes operacionais estão longe de responderem às necessidades da Saúde Operacional e da Saúde da cada vez mais, hoje, esquecida, Família Militar, assim como da de reservistas e reformados. E nestas degradas circunstâncias como será possível (ao que parece) equacionar abrir o HFAR a outros sistemas de assistência na doença?
Todos estes aspetos, já de si preocupantes, conjugados com uma deficiente aplicação das receitas dos descontos mensais efetuados aos militares (porventura, para encargos que deveriam ser do Serviço Nacional de Saúde (SNS), têm agravado a degradação do Sistema de Saúde Militar e, sobretudo, afetado a eficiência e as capacidades do Hospital das Forças Armadas.
• Sistema Remuneratório -
Neste âmbito, pode dizer-se que a vontade política dos Governos, limitando e colocando, até, em causa o cumprimento, ao mais alto nível, do dever de tutela, tem conduzido a uma situação que consideramos inadmissível, e que importa reverter tão breve quanto possível e antes que seja demasiado tarde e de consequências ainda mais gravosas para a Defesa Nacional (e sinais disso mesmo, convenhamos, já vão surgindo).
Vejamos, no entanto, alguns exemplos avulso, retirados de documentos oficiais:
o O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o militar de mais elevada hierarquia no seio das FFAA, aufere uma remuneração inferior a muitos, mesmo muitos, elementos da AP.
o Existe uma carreira profissional em que jovens licenciados/mestrados, com menos de 30 anos, a iniciam com uma remuneração base semelhante à de um Comodoro/Brigadeiro-general que só atinge este posto numa fase última da carreira (mais de 30 anos de serviço) e após a frequência de exigentes cursos de formação de carreira, de especialização e promoção.
o Em 1980, a remuneração dos oficiais das FFAA estava equiparada à dos magistrados, professores catedráticos e médicos. Hoje em dia, médicos e professores universitários têm um vencimento médio, 70 % superior ao dos militares e os magistrados têm uma remuneração média superior ao dobro da dos militares. Tudo indica que esta desigualdade se vai acentuar.
o Analisadas as pensões de reforma de todos os funcionários dos Ministérios da Defesa, da Justiça, da Saúde e da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, que transitaram para a situação de Reforma durante o ano de 2021, concluiu-se que na Defesa apenas 13% da totalidade desses reformados recebia pensões superiores a 3000 €, enquanto que na Saúde e Justiça esse valor era um pouco mais do dobro e no da Ciência era quase o quádruplo.
o Piores, neste âmbito, são os dados referentes a 2022. A percentagem na Defesa regrediu 4% e nos outros ministérios subiram, em média 5%. Mais uma prova de que a remuneração dos militares está, progressivamente, mais longe das atribuídas àquelas carreiras profissionais.
o E se a tudo isto acrescentarmos que atualmente existem 3 métodos diferentes para cálculo do valor das pensões de reforma concedidas aos militares, as preocupações avolumam-se, já que a situação de per-si é injusta, comprometedora do seu ethos e altamente inconveniente para a coesão das próprias FFAA.
o Mais, da análise do quadro estatístico “Remunerações base e ganhos médios mensais nas administrações públicas”, retiramos que, dos 26 grupos elencados, as FFAA encontram-se na 22a posição, sendo, por isso, o Corpo Especial de toda a AP que, menores rendimentos mensais médios recebe, o que é elucidativo.
o O Sistema Retributivo da AP de 2008 foi o último em que militares, magistrados, docentes e médicos integraram a mesma carreira, a dos Corpos Especiais. A partir de 2009, as duas últimas carreiras migraram para as Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única, nome sugestivo, onde se mantiveram até à atualidade.
Os militares permaneceram, sempre, nos Corpos Especiais/Carreiras Especiais e os magistrados singraram por vários Regimes, até desaguarem nas Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única. Estranha diferenciação esta que possibilita a gestão autónoma das três carreiras em causa.
E é o próprio Presidente da República e Comandante Supremo das FFAA que ao longo dos tempos, e a propósito, tem vindo a recordar que “houve atualização quanto a outras funções de soberania. Nomeadamente a Magistratura. Não houve no domínio das Forças Armadas, de forma equivalente”.
IV
É patente e claro que o poder político, e os políticos em termos mais genéricos, têm discriminado negativamente os militares, por razões que não se compreendem. O argumento presente em todas as suas decisões é a necessidade de aplicar aos militares a Lei Geral em tudo o que for redução dos direitos, esquecendo que a própria Lei determina que estes devem ser geridos de forma diferente da dos outros cidadãos, e no sentido positivo.
Esta desigualdade, resultante de medidas avulso, mas sempre penalizadoras, que os governos vão aprovando, tem levado, por razões básicas de sobrevivência, e como já referido, à saída extemporânea das fileiras não só de Praças, cuja situação é crítica, mas também de Sargentos e Oficiais, mesmo dos QP, particularmente em classes, armas, serviços e especialidades mais competitivas no mercado laboral, como médicos, engenheiros, pilotos e outras. Até parece que o objetivo prosseguido é depauperar as FFAA dos seus recursos humanos, deixá-las esgotarem-se e, assim, exauridas, chegarem à extinção.
Não acreditamos que seja este o desiderato em vista, acreditamos mais que seja antes uma falta de cultura de Defesa Nacional que trespassa transversalmente a sociedade portuguesa, e a que os Políticos (e os partidos) não têm querido ou sabido, até, pedagogicamente que fosse responder.
Neste ano de 2024, e a breve trecho, comemoramos o cinquentenário da revolução de abril.
Que excelente pretexto, ou melhor, que excelente oportunidade para, em complemento dos discursos de circunstância, olhar para as Forças Armadas com a dignidade, a importância e o espaço próprio, que lhes é devido na Sociedade Portuguesa.
Se não for esta a postura, então que mostrem coragem, assumam a responsabilidade por inteiro, e perguntem aos portugueses se desejam que Portugal tenha, ou não, FFAA. Continuar assim como se tudo estivesse bem é que não pode ser.
“Mais vale madrugar do que perder um tempo histórico” afirmou o Presidente e Comandante Supremo das FFAA em 11 de abril p.p., na sessão de encerramento do acima citado nosso seminário, e é bem verdade, porquanto se nada for feito o resultado será, por certo, uma perda de confiança na representação política e, mais grave, num regime democrático, nas próprias Instituições. E isso os militares não querem.
Como também não querem continuar a ser tratados como cidadãos e profissionais que não têm direitos, apenas, e só, deveres, e bem exigentes. Querem ter a remuneração, o respeito e o reconhecimento merecidos e devidos. Querem ver, finalmente, revertidas as situações negativas que sucessivos governos lhes foram infligindo, e voltar a ocupar, na sociedade e na AP, o lugar que a justiça lhes impõe, atento a tudo o que, ao longo de séculos, têm feito por Portugal e pelos Portugueses.
Finalmente, não podemos deixar de referir que o poder político deverá ter por imperativo a defesa dos justos interesses dos militares, por serem os únicos servidores públicos que, de acordo com a Lei, não têm capacidade reivindicativa, sob pena de, se tal não ocorrer, se virem a alterar as condições éticas e de vínculo do exercício da sua profissão.
Lisboa, GREI, 15 de janeiro de 2024
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
No que se lê por aí, o general terá acrescentado - "caso não sejam tomadas medidas efectivas, que contribuam de forma inequívoca para a inversão do processo de erosão dos efetivos militares, comprometer-se-á, irremediavelmente, a capacidade operacional da Força Aérea e qualquer ambição de edificação das novas capacidades atribuídas e a manter-se a tendência de saídas verificada nos últimos dez anos, agravar-se-á ainda mais o desvio entre as existências e as necessidades reais".
Parece que o general terá escrito que "a acumulação excessiva" de funções e tarefas, "resultantes da falta de pessoal, origina sobrecarga e desgaste acrescidos, aumentam a probabilidade de erro humano e reduzem o tempo efetivamente disponível para aprofundar convenientemente cada uma das tarefas atribuídas".
Depois de ler isto, interrogo-me:
- a sra D. Helena responderá por escrito ao general?
segunda-feira, 3 de abril de 2023
O MEU MELHOR AMIGO MILITAR RECOMENDOU-ME QUE VOLTASSE A PUBLICAR
DEVER de TUTELA
Regulamento de Disciplina MilitarTÍTULO I - Princípios fundamentais
CAPÍTULO II - Deveres militares
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Artigo 15.º - Dever de tutela
O dever de tutela consiste em zelar pelos interesses dos subordinados e dar conhecimento, através da via hierárquica, dos problemas de que o militar tenha conhecimento e àqueles digam respeito.
quinta-feira, 30 de março de 2023
"Problemas no navio Mondego não afetam fiscalização da zona económica. José Fonseca, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, garante que a fiscalização é feita por outros navios, mas também por meios aéreos e eletrónicos.
sexta-feira, 24 de março de 2023
PARA LÁ da BORRASCA RECENTE . . . . ⚓
Para lá da recente borrasca na Marinha, e porque nos últimos tempos tem havido muitas declarações de várias criaturas, muita pompa acerca do futuro Conceito Estratégico de Defesa Nacional, há tempos que ando a ler muita coisa: livros, entrevistas antigas algumas mesmo muito antigas, legislação militar, etc.
Pois neste artigo de Outubro do ano passado, o jornalista citava entre muitas outras coisas sobre o actual chefe da Marinha - que o próprio terá já terá feito chegar a António Costa o recado de que gostaria de continuar a desenvolver o seu trabalho para "revolucionar" a Marinha!
Uma das delícias deste artigo de Outubro é a citação de um general sobre Gouveia e Melo.
Ora pode falar-se para a Marinha em público considerando que se fala para o país também, como se viu há dias, ou pode falar-se só para a Marinha dentro de portas, nomeadamente de viva voz para todas as chefias superiores e intermédias.
terça-feira, 14 de março de 2023
terça-feira, 7 de março de 2023
Senhor Primeiro-Ministro,
Senhora Ministra da Defesa Nacional,
Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional,
Senhor Presidente da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República,
Senhor General Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, acabado de empossar,
Senhor Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada,
Senhor General Chefe do Estado-Maior da Força Aérea,
Excelências,
No dia 1 de março de 2018, ainda se vivia um tempo, iniciado no termo do século XX, de crença no império do Direito Internacional, no avanço dos Direitos Humanos, na inevitável atualização das organizações internacionais, na integração das grandes potencias em missões comuns – como as alterações climáticas, os oceanos, as migrações, o terrorismo, o comércio internacional – na progressiva coincidência de multipolarismo com multilateralismo, na tolerância e no diálogo, na estabilização da segurança europeia.
Numa palavra, acreditava-se na diplomacia capaz de suster, ou mesmo vencer, a guerra.
Isto, apesar do sucedido no Koweit, no Iraque, nas Torres Gémeas, na Síria, e, muito pouco antes, na Crimeia, e, sempre, na situação nos Balcãs Ocidentais, na Palestina, e muitos outros afloramentos regionais de tensões muito mais vastas.
Nesse mundo, que persistia em acreditar no avanço da diplomacia contra a guerra, Portugal era o que sempre tinha sido em Democracia, e que resultava das lições da sua História: Fraternal com os irmãos na língua, plenamente integrado com os pares europeus, fiel aos aliados, muito mais antigos, como o britânico, antigos como o norte-americano, já clássicos, como os da Aliança Atlântica, mais próximo do mundo ibero-americano, leal para com os parceiros que conhecera, como poucos, por esse universo fora, nas Áfricas, nas Américas, nas Ásias, no Pacífico.
Foi neste contexto que o Senhor Almirante António Silva Ribeiro iniciou as suas funções como Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
Sabia-se que reunia características singulares para o cargo – sentido de desígnio nacional, elevada qualificação académica, e, nela, científica, inteligência pura, determinação férrea, experiência rara em informações militares e políticas, relacionamento antigo com aliados, em particular, do outro lado do Atlântico, clima propício em setores significativos da sociedade civil e nos meios mediáticos.
Numa era em que a defesa nacional ultrapassava a visão circunscrita do puro percurso castrense, uma personalidade assim suscitava elevadas expectativas, admiradas por uns, temidas por outros, com as divisões inevitáveis perante perfis muito marcantes, ou muito fraturantes.
Nestes 5 anos, inspirou ou influenciou, determinantemente, passos dados nos seguintes domínios:
- Atenção permanente à reflexão e elaboração geopolítica.
- Solicitações várias no domínio das estruturas de informação, interna e externa.
- Relacionamento Internacional.
- Reforço, quantitativo e qualitativo, no empenho das Forças Armadas na Proteção Civil de populações e territórios.
- Ampliação e desenvolvimento nas Forças Nacionais Destacadas, que ganharam projeção imposta pelo crescente papel Português em missões das Nações Unidas e da União Europeia, e, também, em antigas ou novas missões no quadro da NATO.
- Reforma do sistema de chefia militar das Forças Armadas, fazendo avultar o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, muito para além da afirmação da supremacia hierárquica, vinda do tempo dos anteriores mandatos – presidencial e parlamentar.
Para tudo isto, beneficiou do apoio de uma ampla e indefetível maioria na Assembleia da República, vinda do passado, e incluindo o Partido do Governo e o principal Partido da oposição.
E, claro, do apoio dos órgãos de soberania e, de modo especial, do Governo e, de modo impressivo, do Senhor Primeiro-Ministro e dos sucessivos Senhores Ministros da Defesa Nacional.
Em praticamente todos os passos dados, contou ainda com o apoio das demais chefias militares e de um consenso operacional nas Forças Armadas.
No último desses passos, o do reforço da Chefia do Estado-Maior-General das Forças Armadas, deparou, porém, com reservas de tomo de dois antigos Presidentes da República, de antigas e então presentes chefias e áreas militares mais sensíveis a tradições e orgânicas vigentes.
Coube ao Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, em conjugação com o Governo, ajudar a encontrar consensos no Conselho Superior de Defesa Nacional, numa mudança, que se louvava de exemplos externos, mas era inédita na nossa História político-militar.
Ao cessar as suas funções, do desempenho do Senhor Almirante António Silva Ribeiro se pode dizer que praticamente alcançou quase todos os objetivos que se propusera atingir em 2018, que foi o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas com mais poderes em Democracia, desde o fim da concentração dessa Chefia com a Presidência da República, que deixou para os vindouros a dilucidação da dúvida sobre se um cargo assim objetivamente afeiçoado a um Homem que o inspirara, é passível de ser vivido, e como, por quem não tiver tão forte ligação genética.
Finalmente, não tendo podido testemunhar o seu e nosso desejo de aumento de recrutamento e de efetivos, dependente do comportamento da sociedade portuguesa, assistiu ainda – fruto dos novos tempos – ao anunciar de capacidades futuras, não antevistas em 2018.
Numa palavra, o desempenho de Vossa Excelência, Senhor Almirante António Silva Ribeiro, em nada desmereceu, antes pelo contrário, das elevadas expetativas suscitadas em 2018.
Tudo somado, ficará, por certo, assinalado na História da instituição, como legitimamente sonharia.
Excelências,
2023 não é 2018.
A pandemia aí esteve para no-lo pronunciar. Tal como, antes, o ascenso do protecionismo, do antimultilateralismo, da conflitualidade, primeiro latente, depois aberta, de todos os lados.
Do lado da perplexizante Administração Presidencial norte-americana – entre 2018 e 2021 –, com reflexos na NATO e nas relações com a União Europeia. Da parte da Federação Russa, por uns tempos confortada pelos sinais de um setor do poder em Washington, intervindo, direta ou indiretamente, no Ciberespaço, na arena dos sistemas políticos europeus, nos Balcãs, no Próximo e Médio Oriente, e em África.
Do acentuar da competição económica internacional, no acesso a matérias-primas e bens raros ou essenciais para os novos tempos.
Tudo a eclodir nesse inopinado, insensato, e intolerável no plano dos princípios, regresso da guerra clássica à Europa, há um ano.
A guerra vencia a diplomacia. Mesmo se todos sabemos que, sem diplomacia, nunca haverá quer resolução de dramáticos problemas universais, nem, pelo menos temporária, saída da guerra.
E é nesta era que vivemos.
Com uma guerra universal nas potências envolvidas e nos efeitos desencadeados, mesmo se europeia no palco em que se desenrola.
Com um reavivar de alianças como a NATO, de unidades como a União Europeia, de conexões como a euro-africana, de premências na defesa nacional, e nas capacidades militares, no acordar de opiniões públicas para acrescidos e cumulativos desafios.
Com um nunca desistir da diplomacia, do diálogo, do multilateralismo, da plataforma que Portugal é, e será sempre, com excelência.
Tempos difíceis – de recuperação do período pós-pandémico e da economia, de indefetível solidariedade nacional e europeia, e transatlântica, para com a Ucrânia e o seu corajoso Povo, de simultânea presença na construção da paz. Pela diplomacia. Pela sua garantia através das nossas Forças Nacionais Destacadas e outras missões multi e bilaterais.
Num quadro, em que se acentuou – e bem – o escrutínio público à vida e à transparência da instituição militar.
É neste quadro, Senhor General José Nunes da Fonseca, que Vossa Excelência assume a complexa responsabilidade da Chefia do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
Poderia, em tese, ser Vossa Excelência ou qualquer dos dois outros distintos Chefes do Estado-Maior. Poderia, também em tese, naturalmente ocorrer a rotação dos ramos.
Mas fazia sentido ser Vossa Excelência. E bem andou o Governo ao entendê-lo e formalizá-lo, na proposta que apresentou ao Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas.
Fazia sentido ser Vossa Excelência, porque nestes próximos anos, além do que vai ser exigido em termos de conjugação profunda dos três ramos, em que todos são necessários, vai ser muito importante, no imediato, o sublinhado do contributo do Exército – em particular no tipo de guerra existente na Ucrânia, na presença no Leste Europeu e, de modo muito específico, na complexa missão na República Centro-Africana.
E Vossa Excelência, nunca esquecendo nas novas funções o papel determinante de todos os ramos das Forças Armadas, tem quanto ao Exército, direto conhecimento e reforçada capacidade de perceção.
Fazia sentido ser Vossa Excelência, porque lhe assiste um tempo de Chefia de ramo bastante mais longo. E isso é uma mais-valia nesta sucessão, quase alucinante, de situações e de factos, sucessão que define o contexto geopolítico em que nos movemos, nomeadamente desde 2018 até hoje.
Mas fazia sentido ser Vossa Excelência, sobretudo, por ser o único Chefe do Estado-Maior, que vivera, em pleno, no início do ano de 2022, o debate intenso sobre a reconversão da Chefia do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
A sua nomeação quer dizer que está definitivamente superada a clivagem desse tempo acerca de um passo tão significativo quanto questionante. E a transição deveria ser operada por alguém que tivesse vivido esse período específico.
A sua nomeação também quer dizer que é possível, e vai ser possível, demonstrar que a mudança operada o não foi por causa de um homem e para esse homem. E no cargo cabem, e caberão, perfis e visões muito diversos.
Nós – titulares de cargos públicos – passamos. A instituição fica.
Claro que, além destas três razões, a última das quais decisiva, sabemos todos que Vossa Excelência traz consigo características relevantes para a função – Paixão pela vocação militar, sentido de serviço, despojamento pessoal, humildade cívica, senso da realidade, subtil mesmo se discreta atenção ao mundo circundante, solidariedade forjada na camaradagem, capacidade de converter a solidão no comando em exemplo de Chefia.
Sabe que a linhagem dos seus antecessores é longa e prestigiada. Sabe que conta e contará com Chefes do Estado-Maior com elevado gabarito presente e ambos, todos eles, com óbvio futuro, e sensíveis ao desafio comum.
Sabe que conta com um Primeiro-Ministro, uma Ministra da Defesa Nacional, um Governo, muito empenhados na mesma tarefa nacional.
Sabe que conta com uma Assembleia da República com amplíssimo consenso em matéria de Defesa Nacional, e um Presidente dessa Assembleia com rica experiência na área da Defesa Nacional.
Sabe que conta, como o seu antecessor contou sempre, com a permanente solidariedade institucional e disponibilidade pessoal do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas.
Sabe, sobretudo, que conta com as nossas Forças Armadas. Para elas, que estão sempre prontas a servir e a dar tudo a Portugal, e a quem Portugal deve o ter nascido e sobrevivido em instantes essenciais — para elas vai o nosso último pensamento.
Elas são o retrato vivo do que de melhor têm os Portugueses.
Todos os dias garantem a eternidade de Portugal!
Como se pode verificar, um estendal enorme com muitas justificações.






