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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A  PROPÓSITO  de  FORÇAS  ARMADAS,

Fragatas, Arsenal do Alfeite, viaturas, SAFE . . . . 
SAFA . . . . . 

Como referi num texto anterior vi com  muita atenção (não na própria noite, mais tarde e voltei a ver uma segunda vez usando a tecnologia) a entrevista que o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Almirante Nobre de Sousa, concedeu há tempos à TVI e a que me referi noutro texto. Texto que mantenho integralmente.

Penso ter deixado claro nesse texto que considero que as dúvidas mais que legítimas que todos os concidadãos (como eu) possam ter em relação a este complexo assunto foram grandemente dissipadas nessa entrevista.
Mas não totalmente, não era possível ao CEMA.

Creio aliás que se o ministro (MDN) da defesa dita nacional (não é, como nunca foram os antecessores todos, é só ministro da tropa) tivesse tido um comportamento e postura diferentes, muito daquilo que se foi passando e sendo criticado não teria ocorrido.

Mas faz parte das coisas - se não é do cu é das calças - atacar o governo. Este e todos os anteriores governos, e os que se lhe seguirão, e por isso, TAMBÉM, nunca saímos desta desgraça.

O Almirante CEMA dissipou a maioria das dúvidas que possamos ter.
A mim dissipou muitas mas há muitas mais coisas a considerar, opinião pessoal naturalmente.

Para começar, o país está a embarcar num processo complexo e muito dispendioso. Mas, como é público e notório, Portugal é um país riquíssimo, nada em prosperidade e dinheiro. Assim, "No problema"!

No império colonial a Marinha combateu, com navios e homens.
Nos homens há que recordar designadamente as guarnições dos navios que estavam na Guiné / Guiné Bissau (fiz parte disso) e onde houve combates sérios, e as companhias de fuzileiros e os destacamentos de fuzileiros especiais, em todas as partes do então império.
Morreram muitos homens. 
Muita gentalha na nossa história recente esquece isso, assobia para o lado, despreza isso.

Depois do fim do império, que eu saiba e ainda bem, a Marinha nunca mais combateu.

Toda esta má telenovela se tem desenvolvido muito por culpa dos políticos e, concretamente, do governo actual, com ênfase para o MDN como já referi.

Como em tudo o mais (soberania, direitos de opinião e expressão, independência da comunicação social, política externa, segurança, defesa nacional, forças armadas, forças de segurança, política de imigração, cultura, apoio às crianças e aos idosos, habitação, etc) este assunto devia ser objeto de um amplo consenso político e estar afastado da luta política, ainda que constitucionalmente legítima.

Não me parece que seja isso que acontece na sociedade portuguesa, e daí que eu invoque sistematicamente - a triste realidade da política nacional e a triste realidade da sociedade portuguesa.

No caso do assunto fragatas obviamente que não há consenso nacional.
Desconheço se o PS foi genericamente informado do desenvolvimento deste assunto por parte do governo.
Ou foi e finge que não?

Se calhar o PM informou genericamente o PR da acção que o governo vinha desenvolvendo. Sim ou não?
Lembrar que ao governo cabe constitucionalmente a condução da política de defesa. Facto.
Mas isto não invalida alguns passos informais, que eu digo sensatos, equilibrados, mas que tinham necessariamente de ser superficiais. Enfim!

Mas para lá do navio ser ainda basicamente uma espécie de protótipo, que será em princípio recheado de contemporânea arte da guerra no tocante a, equipamentos, tecnologia, muita informática, muitos chips, muita IA, e a complexa e inerente integração de tudo para que funcione eficazmente e quando preciso, para lá das obras de modernização na Base Naval no Alfeite e muitas outras coisas, a mim fica-me sempre uma dúvida de fundo.

E não se trata apenas da fiabilidade de material, deste material.

A minha maior interrogação é sobre a fiabilidade destes actuais titulares de órgãos de soberania concretamente, deputados, Presidente da República (que parece gostar muito de convocar o CSDN (Conselho Superior de Defesa Nacional)) e governantes, e sobretudo fiabilidade dos antecessores.

Fiabilidade? 
A mim, com raras excepções, nunca me inspiraram confiança, e a fiabilidade que neles sempre vi pelas suas acções e sobretudo inações, 
é/ foi escassa ou nula. 

E estou a falar nisto exactamente a propósito da quase certa compra das fragatas, mas sobretudo a propósito do que, no meu entender naturalmente, deviam ser os apetrechamentos da Marinha e da Força Aérea, num país como o nosso que tem jurisdição e responsabilidades numa massa oceânica descomunal.

Lançaram-se num complexo e super dispendioso programa militar.
Navios, e o PM mais que o inarrável MDN, procuraram convencer da indispensabilidade das fragatas.

Bom, como escrevi noutro texto, estas fragatas e como explicou o almirante CEMA, encaixam neste louco mundo contemporâneo e expectável.

Bom, mas lançando-se num programa destes, envolvendo maquias financeiras descomunais, porque não se lançaram há mais tempo na mobilização dos estaleiros em Viana do Castelo para construção séria de mais patrulhas oceânicos como os poucos que temos que, esses sim, se bem dotados de material, preencheriam muito do que há a fazer em termos de soberania, patrulhamento, fiscalização das nossas ZEE?

Lembro-me bem da história que o meu melhor amigo militar (almirante reformado) me contou acerca dos patrulhas oceânicos, história em que um dado CEMA imaginou que receberia um navio em 2005 a tempo do Dia da Marinha desse ano (a 20 de Maio) poder ser celebrado em Ponta Delgada com a presença de um novo patrulha oceânico, que seria chamado exactamente de NRP Ponta Delgada. 

Mostra a história que não recebeu patrulha oceânico, não foi celebrado o Dia da Marinha de 2005 em Ponta Delgada, e creio que não há nenhum navio com o nome dessa cidade Açoriana.

Corria o maravilhoso ano de 2005, era Sócrates a começar, e como sempre típico das esquerdas, muitas loas a Forças Armadas mas depois, na prática é ver o que acontece. Basta lembrar um pequenino e tristemente famoso MDN.

Portanto, fragatas, mas a realidade é que passam 50 anos sobre 1976 e continuam "estes de cima" (como todos os anteriores "de cima") a não definir que Forças Armadas o país deve ter, depois as missões, depois os meios.

E assim continuamos nesta triste telenovela, compras de material sem um enquadramento global sobre o que como país se nos coloca.
É assim na Marinha , é assim para a Força Aérea.

E assiste-se ao aparecimentos de notícias em catadupa, fragatas, obras no Arsenal do Alfeite, viaturas para estes e viaturas para aqueles, e irá chegar "aos finalmente" a telenovela da substituição dos F-16 da Força Aérea.
Tudo aos solavancos, sem um enquadramento global.
Como se não houvesse guerras, alianças, "drones", e uma evolução tecnológica brutal que forçosamente impõe que se olhe com muito cuidado ao que fazer e como fazer a guerra, HOJE!

Bom dia
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte, felicidades

AC

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Quando no presente vejo certas decisões sobre meios para as Forças Armadas, 

quando me recordo que Portugal com os "sabichões" (??) de então (civis e militares) redigiu em 2013 um chamado Conceito Estratégico de Defesa Nacional, 

quando verifico um mundo completamente às avessas e que praticamente nada tem a ver com 2013, 

quando vejo ideias (???) difíceis de adjectivar para colmatar questões de efectivos, 

ah, apetece-me muita coisa e muito por exemplo olhar ao que Eça considerava da nossa Marinha em 1900.

E o que diria hoje Eça sobre o oferecer a carta de condução, ou convidar juventude para ver noites estreladas dentro de um
quartel como uns tontos propuseram não há muitos anos?

António Cabral (AC)

A Marinha, segundo Eça de Queirós:

(...)

Mas, meus senhores, antes de tudo, nós não temos marinha! Singular coisa! Nós só temos marinha pelo motivo de termos colónias — e justamente as nossas colónias não prosperam porque não temos marinha! Todavia a nossa marinha, ausente dos mares, sulca profundamente o orçamento. Gasta 1159 000$000!

Que realidade corresponde a esta fantasmagoria das cifras? uns poucos de navios defeituosos, velhos, decrépitos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, a mastreação carunchosa, a história obscura. E uma marinha inválida. A D. João tem 50 anos, o breu cobre-lhe as cãs: o seu maior desejo seria aposentar-se como barca de banhos.

A Pedro Nunes está em tal estado, que, vendida, dá uma soma que o pudor nos impede de escrever. O Estado pode comprar um chapéu no Roxo com a Pedro Nunes — mas não pode pedir troco.

A Mindelo tem um jeito: deita-se. No mar alto, todas as suas tendências, todos os seus esforços são para se deitar. Os oficiais de marinha que embarcam neste vaso fazem disposições finais. A Mindelo é um esquife — a hélice.

A Napier saiu um dia para uma possessão. Conseguiu lá chegar; mas exausta, não quis, não pôde voltar. Pediu-se-lhe, lembrou-se-lhe a honra nacional, citou-se-lhe Camões, o Sr. Melício, todas as nossas glórias. A Napier insensível, como morta, não se mexeu.

Das 8 corvetas que possuímos são inúteis para combate ou para transporte — todas as 8. Nem construção para entrar em fogo, nem capacidade para conduzir tropa. Não têm aplicação. Há ideia de as alugar como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! E este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas!

Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousaria atacar as cãs destes velhos?

Já se quis muitas vezes introduzir nas fileiras destes vasos caducos — alguns navios novos, ágeis, robustos. Tentou-se primeiro comprá-los.

Sucedeu o caso da corveta Hawks. Era esta corveta uma carcaça britânica, que o Almirantado mandava vender pela madeira — como se vende um livro pelo peso. Por esse tempo o Governo português — morgado de província ingénuo e generoso — travou conhecimento com a Hawks, e comprou a Hawks. E quando mais tarde, para glória da monarquia, quis usar dela, a Hawks, com um impudor abjecto — desfez-se-lhe nas mãos!

Estava podre! Nem fingir soube! Tinha custado muitas mil libras.

Tentou-se então construir em Portugal. Sabia-se que o Arsenal é uma instituição verdadeiramente informe: nem oficinas, nem instrumentos, nem engenheiros, nem organização, nem direcção. Tentou-se todavia — e fez-se nos estaleiros a Duque da Terceira. Foi meter máquina a Inglaterra. E aí se descobre que a tenra Duque da Terceira, da idade de meses, tinha o fundo podre! Foi necessário gastar com ela mais cento e tantos contos.

Nova tentativa. Entra nos estaleiros a Infante D. João. 87 contos de despesa. Vai meter máquina a Inglaterra. Fundo podre! O Arsenal perdia a cabeça! Aquela podridão começava a apresentar-se com um carácter de insistência verdadeiramente antipatriótica! Os engenheiros em Inglaterra já se não aproximavam dos navios portugueses senão em bicos de pés — e com o lenço no nariz. As construções saídas do Arsenal sucumbiam de podridão fulminante. A Infante D. João custou em Inglaterra, mais cento e tantos contos!

O Arsenal, humilhado no género navio, começou a tentar a especialidade lancha.

Fez uma a vapor. Lança-se ao Tejo, alegria nacional, colchas, foguetes, bandeirolas... E a lancha não anda! Dá-se-lhe toda a força, geme a máquina, range o costado — e a lancha imóvel! Mas de repente faz um movimento... Alegria inesperada, desilusão imediata! A lancha recuava. Era uma brisa que a repelia. Em todas as experiências a lancha recuava com extrema condescendência: brisa ou corrente tudo a levava, mas para trás. Para diante, não ia. Pegava-se! O Arsenal tinha feito uma lancha a vapor que só podia avançar — puxada a bois. O País riu durante um mês. O Arsenal roeu a humilhação, encetou a espécie caíque. Ainda o havemos de ver, no género construção em madeira, cultivar — o palito!

A nossa glória, inquestionavelmente, é a Estefânia. Parece que poucas nações possuem um vaso de guerra tão bem tapetado! O orgulho daquele navio é rivalizar com os quartos do Hotel Central. E um salão de Verão surto no Tejo. E no Tejo realmente dá-se bem. No mar alto, não! Aí tem tonturas. Não nasceu para aquilo: um navio é um organismo, e como tal pode ter vocações: a vocação da Estefânia era ser gabinete de toilette. E pacata como um conselheiro. E uma fragata do Tribunal de Contas! Por isso quando a quiseram levar a Suez, quantos desgostos deu à sua Pátria! quantas brancas fez à honra nacional! É verdade que os cabos novos, da Cordoaria Nacional (sempre tu, ó terra do nosso berço!) quebraram como linhas, e ninguém lhes pode contestar que tivessem esse direito. A marinhagem também não quis subir às vergas (opinião respeitável, porque a noite estava fria). Alguns aspirantes choraram de entusiasmo pela Pátria. O capelão quis confessar os navegadores.

O caso foi muito falado nesse tempo. Mais celebrado que a descoberta da Índia.

Essa só teve Camões que naufragou; — a viagem da Estefânia teve o Sr. O. Vasconcelos que arribou! Tanto é semelhante o destino dos que cultivam o ideal! O facto é que desde então brilha no Tejo, tranquila, reluzente e vaidosa — a Estefânia, corveta mobilada pelos Srs. Gardé e Raul de Carvalho.

(…)

Eça de Queirós, «A Marinha e as Colónias», em Uma campanha alegre (1890-1891)

segunda-feira, 23 de março de 2026

O  PRESIDENTE  da  REPÚBLICA
Convocou o Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN).

O CSDN é um órgão presidido pelo Presidente da República, de consulta para os assuntos relativos à defesa nacional e à organização, funcionamento e disciplina das Forças Armadas. 
(Art. 274º CRP). Orgão de consulta! (*)

Como diria provavelmente um cidadão comum - o Presidente quer ver se começa a perceber alguma coisa sobre Defesa Nacional (DN) e sobre Forças Armadas (FA).

Até há pouco havia uns jornalistas privilegiados a quem eram soprados alguns tópicos sobre o que se iria passar a propósito de tal e tal, disto e daquilo e daquele outro.

De momento essa cena deve estar estancada.

Como o presidente não me telefonou para saber a minha opinião sobre DN e FA e sobre o que se está a passar nas cenas internacionais, em bom rigor desconheço o que lhe vai na cabeça, o que o preocupa, se alguma coisa o preocupa quanto a questões militares e guerra, o que sabe, o que desconhece. 

Isto dito, e uma vez que teve uma reunião de apresentação com os quatro chefes militares (CEMGFA, CEMA, CEME, CEMFA*) eu arrisco avançar com as hipóteses seguintes:

* estando nós na fase em que pelo MNE se disse que Portugal não participará em nada relativo ao Médio Oriente, o Presidente quererá tirar a limpo que "utensílios" temos em Portugal para o caso da posição nacional se alterar neste assunto.

* poderá querer saber os detalhes sobre a utilização da base aérea nacional nas lajes; imagino que queira ouvir sobretudo os homens da Força Aérea.

* poderá querer ouvir opiniões sobre o que esperar deste conflito no Médio Oriente.

Em baixo está o essencial relativo ao CSDN.

Ciente de que a política de defesa nacional cabe constitucionalmente aos governos e Não aos Presidentes da República, ainda assim o Presidente António José Seguro podia aproveitar esta primeira reunião do CSDN para questionar os ministros e os militares que integram o CSDN com esta pergunta:
. . ." meus senhores, expliquem-me porque é que ao fim de quase 52 anos Portugal não definiu que FA deve ter. Creio que isto é fundamental atentos ainda por cima os desenvolvimentos mundiais de 2022 para cá"

António Cabral (AC)

(*) Lei de Defesa Nacional

Artigo 16º

Conselho Superior de Defesa Nacional
. . . . . . . . 

3 — O Conselho Superior de Defesa Nacional tem a seguinte composição:

a) Primeiro-Ministro;
b) Vice-Primeiro-Ministro e Ministros de Estado, se os houver;
c) Ministro da Defesa Nacional, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ministro da Administração
Interna e Ministro das Finanças;
d) Ministros responsáveis pelas áreas da indústria, energia, transportes e comunicações;
e) Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas;
f) Representantes da República para as regiões autónomas;
g) Presidentes dos governos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira;
h) Presidente da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República;
i) Chefes do Estado-Maior da Armada, do Exército e da Força Aérea;
j) Dois Deputados à Assembleia da República, eleitos nos termos da alínea r) do artigo 11.o

. . . . . . . . 

Artigo 17º

Competência do Conselho Superior de Defesa Nacional

1 — Sem prejuízo de outras competências que lhe sejam atribuídas pela Constituição ou pela lei, compete ao Conselho Superior de Defesa Nacional, no âmbito consultivo, emitir parecer sobre:

a) A declaração de guerra e feitura da paz;
b) A política de defesa nacional;
c) A aprovação de tratados internacionais em que o Estado assume responsabilidades internacionais no domínio da defesa, nomeadamente os tratados de participação de Portugal em organizações internacionais de segurança e defesa, bem como os tratados de paz, de defesa, de retificação de fronteiras e os respeitantes a assuntos militares;
d) Os projetos e as propostas de atos legislativos relativos à política de defesa nacional e das Forças Armadas, à organização, funcionamento e disciplina das Forças Armadas e às condições de emprego das Forças Armadas no estado de sítio e no estado de emergência;
e) Os projetos e as propostas de leis de programação militar;
f) O projeto de conceito estratégico de defesa nacional;
g) A participação de destacamentos das Forças Armadas, e de outras forças quando integradas numa força militar, em operações militares no exterior do território nacional;
h) A organização da proteção civil, da assistência às populações e da salvaguarda dos bens públicos e particulares, em caso de guerra;
i) As infraestruturas fundamentais de defesa;
j) As propostas relativas à mobilização e à requisição, necessárias à prossecução dos objetivos permanentes da política de defesa nacional;
l) Outros assuntos relativos à defesa nacional e às Forças Armadas que lhe sejam submetidos pelo Presidente da República, por iniciativa própria ou a pedido do Primeiro-Ministro.

2 — Sem prejuízo de outras competências que lhe sejam atribuídas pela Constituição ou pela lei, compete ao Conselho Superior de Defesa Nacional, no âmbito administrativo:

a) Confirmar o conceito estratégico militar e aprovar as missões específicas das Forças Armadas e o sistema de forças necessário ao seu cumprimento, após proposta do Ministro da Defesa Nacional;
b) Exercer, em tempo de guerra, as competências previstas no artigo 43.o;
c) Aprovar as propostas de nomeação e exoneração dos comandantes-chefes.

3 — Os pareceres do Conselho Superior de Defesa Nacional só são publicados quando aquele assim o deliberar.

(**)

CEMGFA - Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas
CEMA - " " " " do Estado-Maior da Armada
CEME - " " " " do Estado-Maior do Exército
CEMFA - " " "  do Estado-Maior da Força Aérea

quinta-feira, 10 de julho de 2025

E  LÁ  REUNIU  OUTRA  VEZ  O  CSDN

NOTA INFORMATIVA

"O Conselho Superior de Defesa Nacional, reuniu em sessão ordinária sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, hoje, dia 08 de julho de 2025, no Palácio de Belém, tendo sido efetuado um ponto de situação relativo às Forças Nacionais Destacadas e dado Parecer Favorável, por unanimidade, às propostas de ajustamentos apresentados, após ponderar a respetiva adequabilidade militar e exequibilidade financeira.

Foi feita também uma análise à situação de defesa e segurança internacional no contexto da OTAN e da União Europeia, tendo sido apresentado o plano de investimento de 2% do PIB, na área da Defesa Nacional, até final de 2025.

O Conselho Superior de Defesa Nacional deliberou, por unanimidade, expressar o seu agradecimento e louvor às Forças Armadas pelo papel que desempenha na sociedade portuguesa, nomeadamente, sublinhando a importância do emprego de meios aéreos e equipas médicas da Força Aérea, no âmbito do Sistema Integrado de Emergência Médica.

Palácio de Belém, 08 de julho de 2025"


Podemos, portanto, ficar muito descansados. Marcelo está ao leme, e a % para defesa nacional vai ser de 2 % até 31 DEZ2025. POIS!
AC

domingo, 28 de julho de 2024

SEMÂNTICA, OPACIDADE, VACUIDADES
E Pronto, lá Houve Mais Uma Reunião Para Encher Chouriços.
(do sítio em Belém)

Reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional
08 de julho de 2024


No final da reunião, que decorreu no Palácio de Belém, foi divulgada a seguinte nota informativa:

“O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 08 de julho de 2024, em sessão ordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, e deu Parecer Favorável, por unanimidade, às propostas de ajustamentos às Forças Nacionais Destacadas 2024, após ponderar a respetiva adequabilidade militar e exequibilidade financeira.

Foi ainda efetuado um ponto de situação referente ao apoio prestado por Portugal à Ucrânia.

Relativamente ao Estatuto do Antigo Combatente e ao Estatuto dos Militares das Forças Armadas foi sublinhada a importância da atratividade e da valorização presente e futura da Condição Militar bem como o reconhecimento do seu contributo no passado.

O Conselho Superior de Defesa Nacional deliberou por unanimidade expressar o seu agradecimento e louvor às Forças Armadas pelo papel que desempenha na sociedade portuguesa e na projeção de Portugal no mundo.

Lisboa, 8 de julho de 2024”

FIQUEI PERFEITAMENTE ESCLARECIDO!

Aos portugueses nunca é indicado, com detalhe, quantos, onde, desde quando e até quando, estão militares (e de que ramo das forças armadas) portugueses no estrangeiro, e se estão em missão no âmbito NATO, ou no âmbito da ONU, ou pura e simplesmente uma decisão nacional de ajuda algures. 

Às vezes lá aparece uma notícia pequenina, mas é sempre coisa que nunca trata dignamente o assunto e sobretudo demonstre respeito pelos cidadãos, pelos contribuintes. São assuntos só para os doutos, elites!

Quem e quanto paga, seja o país, a NATO ou a ONU e qual é, portanto, a responsabilidade temporal e o encargo em causa.

São tudo aspectos escondidos com que SExas nos brindam mas apenas porque não querem incomodar o pobre do cidadão comum. Certo?

O cidadão comum que veja o Europeu de futebol, as telenovelas, os Olímpicos em Paris, ou os crimes relatados no Comércio da Manhã, ou se entretenha e divirta com as "boutades" diárias de Marcelo Rebelo de Sousa, e vá à praia com o garrafão e a "merenda" no tacho de alumínio!  

Estou certo que o cidadão comum prestou muita atenção às notícias de Melo e Montenegro sobre os aumentos para os militares e as suas loas sobre a instituição militar e sobre as centenas de milhares de ex-combatentes em África.

António Cabral (AC)

terça-feira, 16 de abril de 2024

Reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional
16 de abril de 2024
No final da reunião, que decorreu no Palácio de Belém, foi divulgada a seguinte nota informativa:
“O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 16 de abril de 2024, em sessão extraordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, para efetuar um ponto de situação relativo ao Médio Oriente e à Ucrânia.
Lisboa, 16 de abril de 2024”

Já estou muito mais esclarecido, mais informado, mais descansado.
Não vamos ainda para a guerra, só teremos o submarino no Ártico a colocar em sentido as forças do democrata (???) Putin. Aparentemente não teremos forças navais ou aéreas nos confins do Mediterrâneo mais perto de Israel e Síria, não enviaremos forçazinhas terrestres para zonas próximas do Médio Oriente nem para a Ucrânia, mantemos alguns fuzileiros na Europa, e um ou dois aviões lá mais para o Norte da Europa e, naturalmente, alguns militares em África.
Não faço ideia que desenvolvimentos andam por aí quanto aos nossos  dronezinhos. 

Para esta reunião que teve lugar esta tarde, houve quem declarasse coisas interessantes (???).

Provavelmente até, quem sonhasse em repentinas aquisições de esquadrões de carros de combate!

Nestas coisas há sempre quem continua a acreditar em milagres, a acreditar na integridade de conselheiros e decisores.

Todos nós, concidadãos, somos livres de pensar, de exprimir as nossas opiniões, argumentar sobre as questões que se colocam. Todas as opiniões devem ser respeitadas. Depois, concorda-se ou discorda-se.

Por outro lado creio que continua em vigor a velha fórmula que essencialmente é - "calados no activo, muito agitados na reforma".

Olhando à CRP, o nº 2 do Art 274º estabelece que o CSDN é o órgão específico de consulta para os assuntos relativos à defesa nacional e à organização, funcionamento e disciplina das Forças Armadas, podendo dispor da competência administrativa que lhe for atribuída por lei. 

Além deste enquadramento Constitucional, há mais legislação que aborda também, e mais detalhadamente, competências do CSDN.
Mas, creio que não estou enganado, o CSDN é um órgão de consulta e tem competência para EMITIR PARECERES sobre, por exemplo, 
- declaração de guerra e feitura da paz, política de defesa nacional, 
- aprovação de tratados internacionais em que o Estado assuma responsabilidades internacionais no domínio da defesa, 
- projectos e propostas de actos legislativos relativos à política de defesa nacional e das Forças Armadas, 
- às condições de emprego das Forças Armadas no estado de sítio e no estado de emergência,
- propostas de leis de programação militar, 
- conceito estratégico de defesa nacional, 
- participação de destacamentos das Forças Armadas em operações militares no exterior do território nacional, 
- infra-estruturas fundamentais de defesa,
ETC.

O CSDN é um órgão de consulta, emite pareceres como acima procurei resumir.

Qualquer pessoa intelectualmente honesta percebe que não é num conselho convocado há 3 dias que se iria discutir um qualquer caderno de encargos, fosse qual fosse, que investimento a fazer urgentemente, que incentivos para atração de portugueses para as FA, que material é urgente adquirir.

Não creio, igualmente, que neste conselho obviamente focado no momento internacional, fosse oportuno e adequado tratar das capacidades das FA olhando ao futuro. Terá sido abordada, porventura, a situação concreta das FA, actual, provavelmente numa perspectiva global. 

Quanto às capacidades das FA para responder ao futuro e com a reserva de que sou um ignorante destas coisas, parece-me evidente que se trata de assunto premente, que não pode ser escamoteado, e que tem de ser seriamente ponderado no âmbito do executivo, e que não pode prescindir de trabalho e decisão da AR, e encaminhado depois a Belém. 
Há, legislação a cumprir, há entidades a escutar, há processos a cumprir, há competências próprias a considerar.
E, naturalmente que é opinião minha, é trabalho que há muito devia estar concluído, aprovado, executado. 

Acredito que neste CSDN se tenha passado em revista, portanto, as forças nacionais destacadas, na Roménia, no Báltico, em África, no Ártico, no Mediterrâneo.

Futuro?
Não adivinho, a bola de cristal está esgotada no mercado.

Uma coisa sei.
Sei que, até hoje, SERIAMENTE, nenhum governo, nenhuma AR, nenhum PR, em conjunto, definiram que modelo de FA o país deve ter. E, até, se deve ter ou não FA.

Falam sempre em optimização de recursos, mas a realidade tem sido e sempre, gastar cada vez menos sem nada definir, a que somam loas constantes para "epater les bourgeois". Interna e externamente.

Quem, genuinamente, seriamente, discute e decide, 
Que FA?
Que prioridades?
Que capacidades?
Que poder militar?
Que poder nacional?
Que política geral do Estado?

Boa noite, e não se preocupem, estamos bem entregues!!!!!

Ao que eu digo acima e ao que venho escrevendo e dizendo há anos, argumentarão vários com, o conceito estratégico de defesa nacional, com a lei de programação militar, com o estatuto dos militares das forças armadas, com a lei de defesa nacional, com a lei de infraestruturas, ETC. 

Quando lhes ouvirem essas coisas todas, mais o trabalho insano das brilhantes e sucessivas comissões parlamentares de defesa, e os sucessivos estudos disto e daquilo, mais os pedidos inarráveis de Cravinho, Carreiras e etc, comparem com a realidade.
 Comparem com as realidades, nas unidades do Exército, da Força Aérea, na Base naval do Alfeite, no Arsenal do Alfeite, e que meios fiscalizam as nossas ZEE, ETC.
António Cabral (AC)

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Conselho Superior de Defesa Nacional

Creio que Marcelo convocou este órgão de consulta para amanhã dia 16 de Abril.
Que preocupações na cabeça do Presidente e comandante superficial perdão, supremo das forças armadas?

Tendo em conta a situação atual e possíveis desenvolvimentos o que verdadeiramente preocupa SExa?

* Preocupações com o nosso submarino no Ártico?
* Preocupações com a estratégia a adoptar pelas nossas poderosas forças navais se as oferecermos para a parte Leste do Mediterrâneo?
* Preocupações com os nossos dronezinhos?
* Preocupações que muitos mais dos nossos militares tratem de pedir para sair já das nossas forças (pouco) armadas mesmo pagando brutalidades de dinheiro?

Aguardemos pela superior orientação que de lá virá, . . . . esclarecedora como sempre tem acontecido.
AC

domingo, 22 de outubro de 2023

Reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional
20 de outubro de 2023

O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu, em sessão ordinária, sob a presidência do Presidente da República.

No final da reunião, que decorreu no Palácio de Belém, foi divulgada, uma nota informativa.

NOTA INFORMATIVA

"O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 20 de outubro de 2023, em sessão ordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, tendo sido efetuado um ponto de situação referente às Forças Nacionais Destacadas, bem como ao apoio de Portugal à Ucrânia.

Lisboa, 20 de outubro de 2023"

O supra transcrito foi retirado do "sítio" da Presidência.

Agora imaginem uma outra possível nota informativa sobre a dita reunião.
AC

NOTA INFORMATIVA

"O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 20 de outubro de 2023, em sessão ordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, tendo sido efetuado um ponto de situação referente às Forças Nacionais Destacadas, bem como ao apoio de Portugal à Ucrânia.

Não foi abordado o problema dos recursos humanos das Forças Armadas uma vez que, para além dos soldados portugueses serem os melhores dos melhores, o assunto está a ser analisado em mais um estudo determinado pela ministra da defesa nacional.

Não foi igualmente abordado o problema dos recursos financeiros atribuídos às Forças Armadas, nem a grelha salarial dos militares, pois presume-se que o PRR resolverá isso.

Foi analisada a situação da operacionalidade das aeronaves da Força Aérea pois parece que, por exemplo, dos C-130 apenas um está operacional, mas foi entretanto assegurado ao CSDN que os Falcon continuam todos operacionais, para continuarem a assegurar as constantes deslocações dos vários titulares de órgãos de soberania para as reuniões internacionais, para as visitas de Estado, e para assistir a jogos de futebol.

A bem da Nação.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional
19 de maio de 2023

O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu, em sessão ordinária, sob a presidência do Presidente da República.

No final da reunião, que decorreu no Palácio de Belém, foi divulgada, uma nota informativa.

NOTA INFORMATIVA

“O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 19 de maio de 2023, em sessão ordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, e analisou o apoio de Portugal à Ucrânia.

O CSDN deu Parecer Favorável, por unanimidade, a pequenos ajustamentos às Forças Nacionais Destacadas.

Lisboa, 19 de maio de 2023”

Depois de ler isto no "sítio" da Presidência lembrei-me, uma vez mais, da definição de, ridículo e transparência.

Ridículo - de pouco valor; que provoca riso.
Transparência - qualidade do que é transparente, claro, que se percebe facilmente.

António Cabral

domingo, 19 de março de 2023

Conselho Superior de Defesa Nacional
(do sítio da Presidência da República)
Reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional
10 de março de 2023
 
O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu, em sessão ordinária, por videoconferência, sob a presidência do Presidente da República a partir do Palácio de Belém.

No final da reunião, foi divulgada uma nota informativa.

NOTA INFORMATIVA

“O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 10 de março de 2023, em sessão extraordinária, por videoconferência, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, e analisou a situação na Ucrânia e a posição portuguesa, um ano após a invasão russa.

O CSDN deu Parecer Favorável, por unanimidade, a pequenos ajustamentos às Forças Nacionais Destacadas, no âmbito da União Europeia, em África.

Lisboa, 10 de março de 2023”

Este é um dos muitos casos que me faz lembrar o antes de 25 de Abril de 1974. Os concidadãos são laconicamente informados desta treta, mas nada de concreto se lhes diz.

Não há interesse em informar, esclarecer, explicar ao POVÃO estes assuntos, não interessa perder tempo a explicar a posição nacional por exemplo nesta coisa da guerra na Ucrânia, ou a presença de tropas nacionais em territórios Africanos. 

Isso é para os políticos, eles é que sabem dessas coisas, nós cidadãos comuns pagantes temos é de nos entreter com a bola e a verborreia diária do senhor professor Marcelo.

Depois admiram-se com certas coisas!
AC

sábado, 28 de janeiro de 2023

(do sítio da Presidência da República)
REUNIÃO do CONSELHO SUPERIOR de DEFESA NACIONAL
27 de janeiro de 2023O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu, em sessão ordinária, por videoconferência, sob a presidência do Presidente da República a partir do Palácio de Belém.
No final da reunião, foi divulgada uma nota informativa.

NOTA INFORMATIVA

“O Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 27 de janeiro de 2023, em sessão ordinária, por videoconferência, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, e deu Parecer Favorável, por unanimidade, à Proposta de Lei de Programação Militar e Lei de Infraestruturas Militares.

O Conselho Superior de Defesa Nacional agradeceu ao Senhor CEMGFA, Almirante António Silva Ribeiro, o inestimável contributo prestado ao Conselho, há largos anos, primeiro como CEMA e depois no desempenho das suas atuais funções.

Lisboa, 27 de janeiro de 2023”

Fica-se sem perceber se a unanimidade anunciada foi também acerca,
> do estado (que o noticiado diz ser lastimável) de boa parte das infra-estruturas das Forças Armadas,
> da penúria de meios financeiros para manutenção de, navios, aviões, carros de combate e veículos militares diversos, infra-estruturas.

Fica-se sem saber se marcaram reunião próxima para debater, 
> o estado quase inoperacional (pelo que se percebe pelas notícias) dos "leopardos" do Exército, 
> se continuamos a ser os melhores dos melhores,
> a situação sobre os helicópteros (a serem coordenados pela FAP?) e que dizem considerados necessários para combater incêndios, 
> a questão dos drones, seja para quem for,
> que não é necessário e menos ainda urgente rever as questões salariais dos militares,
> para que cargo futuro nomear o tão distinto e actual mas quase ex-CEMGFA.

AC

sexta-feira, 19 de março de 2021

DEFESA NACIONAL
FA, o pilar Militar da Defesa Nacional
O PS, o PSD, e os sabichões do costume
Como previ, (não era difícil adivinhar que assim seria, basta ter boa memória registos e conhecer razoavelmente gente que ainda por aí anda), a "magnífica" (???) proposta do ministro Cravinho jr para dar mais poderes ao Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) teve a benção de Marcelo e dos seus zelosos acólitos civis e militares na reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) de 15 de Março pp.  Como teve a benção do Conselho de Estado (CE) que hoje reuniu. Nada de novo. Mais uma vez estamos, e como há décadas se passa, apenas na cosmética e, cumulativamente, a preparar o terreno para tirar reuniões e maçadas ao ministro deixando de aturar os chefes militares da Marinha (CEMA) do Exército (CEME) e da Força Aérea (CEMFA), remetendo-os para a tutela do CEMGFA. Ah e, cumulativamente também, alimenta-se o desmedido EGO de alguém. Portanto, festinhas a EGOS dentro e fora das Forças Armadas (FA), dar prova de vida política, "epater les bourgeois", como de costume. Tratar de questão de fundo, séria, isso não. E nesta medida tratar de usar linguagem básica, pois rodriguinhos e respeitinho serôdio só por estarem envolvidos titulares de órgãos de soberania não levam a nada. Sim, eu sei, a minha prosa e revolta de nada vão servir também. Mas fico bem comigo.

Depois de ouvir atentamente o meu grande amigo militar, atrevi-me em 17 de Março passado a escrever de novo sobre este tema, e a ele hoje volto, pois a isso me compele designadamente o papaguear que veio a público de uma personagem, tido como "grand connaisseur" de assuntos de DN, de FA, o ex-ministro da administração interna Ângelo Correia e ex-presidente da comissão parlamentar de defesa.

Este engenheiro e grande homem de negócios e negociatas, tem de algum tempo a esta parte o pomposo encargo laranja de - coordenador do Conselho Estratégico Nacional (CNE) social-democrata para a Defesa.

Lê-se por aí, e vou partir do princípio que foi mesmo assim, que este engenheiro está muito contente por o conceito de PS e PSD para o sector "ser o mesmo"! Está ufano! Diz que isso é muito bom.
O engenheiro talvez não tenha reparado que acabou por confessar estarmos apenas no campo da cosmética no que se refere a FA, pois diz - Quanto aos diplomas que aí vêm, eles tocam apenas uma questão que é o problema da organização, a reorganização e reforço de uma ideia de reforma dentro do comando das FA, na área operacional".

Este contentamento de Ângelo Correia e a sua satisfação por comungar  das ideias de Cravinho jr são tão só a confirmação daquilo que escrevi em texto anterior - ….1982 - lei pateticamente chamada da defesa nacional e das Forças Armadas (FA). Daí para cá a instituição militar foi sofrendo sucessivas transformações (!?!?), pela mão destruidora dos dois maiores partidos (PSD, PS) mas sempre com o beneplácito de todos os restantes partidos na AR e dos presidentes da República/ comandantes supremos das forças armadas, ainda que a extrema esquerda sempre fosse dando uma no cravo e outra na ferradura. 

Por outro lado, parece que o PSD pela mãozinha de Ângelo Correia apresentará um documento - "O Conceito de Defesa Nacional". Vou esperar ansioso. Entre outras coisas, nas suas elucubrações na sede do partido, Ângelo Correia referiu que até há 10/ 15 anos o CEMGFA era decorativo! Ângelo quer agora um CEMGFA com uma coordenação operacional e responsabilidades mais claras. Quer também  um ministro de Estado coordenador das Forças Armadas (FA), forças de segurança e Proteção Civil. Temos homem! Mas lá está, parece que não leu tudo.

Como grande especialista (!?) Ângelo Correia lembrou aos ignorantes e ignaros - a DN no sentido amplo, é uma política de Estado ao mais alto nível, coordenada pelo primeiro-ministro. O ministro da Defesa Nacional (MDN), legalmente, só tem competências para dirigir as FA, não mais. Como é possível operar isto quando tem milhares de questões para resolver? Não é possível. Não leu tudo!
Por isso ele quer o tal ministro de Estado coordenador ou vice-primeiro-ministro que coordene as interações todas entre defesa militar, segurança interna e Proteção Civil. 
A última "pérola" do engenheiro é esta - não há exercícios de poder bem pensados e estruturados em Portugal, e temos de viver e criar uma cultura para as FA, mais do que para os próprios ramos. Temos de começar a olhar para o todo nacional global. Não há aqui supremacias, há é uma necessidade de coordenação porque, se cada um anda para seu lado, todos os dias teremos conflitos. Em Portugal temos de ter estruturas onde haja um responsável". É o que digo, temos homem!

Portanto, tudo isto anda à volta do desejo do ministro Cravinho jr dar prova de vida com a intenção de reformar o sector, nomeadamente com a centralização de competências no CEMGFA para adaptar a estrutura à realidade atual e agilizar a operacionalidade! E tem o aplauso de Ângelo Correia que, contentíssimo diz - 
evitam-se duplicações entre ramos e EMGFA, porque por vezes há duplicação de meios e tarefas, que tornam as funções mais atrasadas, mais lentas, mais tensionais (!?!?!), mais caras". Importa-se de repetir?

Claro que sabendo que a coisa (que é pelo menos a terceira tentativa do género) iria levantar alguns respeitosos protestos, Cravinho jr e Ângelo tratam de afirmar alto e bom som que "os chefes dos Estados-Maiores (Exército, Marinha e Força Aérea) continuam com a sua dignidade, postura, hierarquia, nada disso é alterado, mantém-se tudo".
"Simplesmente, arranjámos um dispositivo que mantém nos ramos a sua funcionalidade e têm muitas coisas para fazer (esta então é deliciosa - e têm muitas coisas para fazer). Mas, operações significam empenhamentos militares e, esses, têm de ser concentrados".  RIR, só para não chorar.

Como de costume os jornalistas ouvem, calam-se, nada perguntam, nem vão ver as leis e verificar se não se está, mais uma vez, perante umas criaturas com uma descarada ausência de vergonha na cara. E despacham uns artigozitos.

Bastaria ir ler:
> a Lei de Defesa Nacional (lei orgânica nº 5/2014/ 29Agosto), na alínea c) do nº 3 do Art. 14º - compete em especial ao MDN dirigir a actividade interministerial de execução da política de defesa nacional e das Forças Armadas, por delegação do primeiro ministro;
> o nº 4 deste mesmo Art.14º,
> o Art. 18º da mesma lei,
> ou a LOBOFA não só mas designadamente o Art. 10º,

para confirmar que se está, mais uma vez, perante uma enorme palhaçada, e confirmar alguns disparates destes "peritos tidos como espertos na matéria". Só que desta vez, creio, com a geringonça II em exercício e com Marcelo em Belém, desta vez se calhar a coisa vai mesmo para a frente, mesmo com alguns esgares parlamentares dos partidos à esquerda e direita de PSD e PS, só para disfarçar que ficam zangados. 
E talvez então, aqueles que agora têm esperança no PR salvador tirem conclusões definitivas. 
Em concreto, segundo parece, passaria a vigorar por vontade de Cravinho jr e apoiado por Ângelo, e mais uns quantos (o Expresso refere um nome concreto de general conselheiro do MDN) por exemplo isto (não digo mais por desconhecer a reformazinha):

> os comandos operacionais da Marinha, Exército e Força Aérea saem da alçada dos CEM's respectivos e passam para a tutela directa do almirante CEMGFA, com tudo o que isto implica,
> os CEMA, CEME, CEMFA, nunca mais despacham com o MDN; será o CEMGFA a transmitir à tutela apenas o que bem lhe apetecer sobre os ramos das FA ,
> o Art. 18º da lei de DN relativo ao Conselho Superior Militar será, provavelmente muito alterado para não dar maçada ao ministro,
> provavelmente, entre muitas outras coisas, até para a nomeação de oficiais destinados ao Curso de Oficiais Generais os chefes dos ramos perderão autonomia; este caso concreto será, uma acrescento drástico à politização das nomeações de chefias militares.

Tudo sem quaisquer reflexos e problemas de recursos financeiros e de meios humanos e materiais. Dizem estes sabichões de meia tigela!

Numa coisa há alguma razão em certas afirmações, como por exemplo quando ouço que os militares portugueses são os melhores dos melhores. 
Dado que passados 44 anos Portugal continua a não definir que organização do Estado no âmbito da defesa deve existir e em sequência com que FA o país deve ser dotado, dado serem tão mal pagos, que tão mal cuidam deles e das famílias, dado que a legislação quando à condição militar não está revogada mas os poderes públicos nada lhe liga, dado que fazem das tripas coração com os escassos e fracos recursos disponíveis e não "tugem nem mujem", de facto só os melhores para conseguir aguentar certa gente sem categoria e sem sentido de Estado, titulares de orgãos de soberania incluídos, os actuais e muitos do passado. 

Já só falta começarem a assinar as propostas de reformazinhas avulsas - a bem da Nação!

António Cabral (AC)

sexta-feira, 12 de março de 2021

Na  PRÓXIMA  2ª FEIRA,  CSDN

De acordo com o que se lê por aí, na próxima 2ª Feira, 15 de Março, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa reune o Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN).

De acordo com a CRP, Título X respeitante à Defesa Nacional, no Artigo 274º, está expresso (nº 2) que - o CSDN é o orgão específico de consulta para os assuntos relativos à defesa nacional e à organização, funcionamento e disciplina das Forças Armadas (FA), podendo dispor da competência administrativa que lhe for atribuída por lei.

Lê-se também por aí que terá sido convidado o inenarrável ministro Cravinho jr para a próxima reunião do Conselho de Estado que creio reunirá a 19.

Portanto, sou levado a crer que a grande reforma (???) deste ministro será então apreciada e designadamente no CSDN. Vou arriscar, com pouco receio de falhar, que esta magnífica reforma (???) terá a benção do CSDN e do Presidente o qual, a muito curto prazo, deverá voltar a dizer publicamente "os melhores dos melhores". 

As FA estão muito necessitadas de melhoramentos cosméticos na sua organização e funcionamento não é ?

E assim continuaremos com palhaçadas cosméticas, ao sabor de patéticos caprichos por exemplo de quem em tempos não conseguiu o que queria e agora aconselha a criatura, e assim continuaremos a adiar tudo o que precisa de ser resolvido a sério e não com cosméticas ou estrangulamentos de meios humanos e financeiros sem nexo e, neste caso, tal como referi no meu post de há poucos dias (8 de Março) em vez de parvoíces  era necessário - FINALMENTE propor à discussão na AR a questão central da organização do Estado em termos de defesa e ponderar em seguida o pilar militar da DN ou seja, que FA deve Portugal ter, e definir então a estrutura superior das FA, assunto sempre adiado desde o início desta III República.

Mas aguardemos para ver se me engano. Se aprovarem esta reforma do ministro Cravinho jr não me enganei, continuam ufanos, todos eles, a encanar a perna à rã. Lamentável. 

Estadistas de apenas um metro de altura, com e sem farda.

António Cabral (AC)

segunda-feira, 13 de julho de 2020

OH,....... a PÁTRIA em CRISE ??
"Socialista Luís Patrão retira candidatura a conselho de fiscalização das secretas. Na sexta-feira, o parlamento chumbou os candidatos ao Conselho Superior de Defesa Nacional, conselhos de fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa e do Sistema Integrado de Informação Criminal e Conselho Superior de Informações”.
"O deputado e secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, informou na sexta-feira a bancada do seu partido que não pretende sujeitar-se de novo a votos para um cargo no Conselho Superior de Defesa Nacional, depois de ter falhado a eleição no mesmo dia".
AC

segunda-feira, 24 de julho de 2017

CONSELHO SUPERIOR DE DEFESA NACIONAL (CSDN)
O CSDN reuniu mais uma vez.
Como de costume, um comunicado insonso, inodoro, desconsolado, sem  nada que pudesse vir incomodar o descanso dos cidadãos, ainda que tenha referido a palavra  - "Atinente". 
Como deve ser, naturalmente, nada de incomodar ou sobressaltar o povo. Só afectos.
Sim, porque o PR e os seus conselheiros, guardam por nós.
Quem nos guarda neste conselho? 
O PR, mais o intrujão-mor, MDN, MNE, MAI, MF, ministros das áreas da indústria, energia, transportes, comunicações, os 4 chefes militares, e das regiões no Atlântico deviam estar os representantes da República e os presidentes dos governos regionais. 
Ah, e ainda o inefável presidente da comissão parlamentar de defesa e mais 2 deputados da nossa AR. 
Ah, registe-se, o chefe da casa militar do PR assumiu as funções de secretário do conselho pois, ao que se sabe, não faz proclamações no facebook.
Pode parecer um linguajar arruaceiro, será porventura, mas também, deixem que diga, parece ligar com a "cena" e seus resultados.
Uma coisa é o ritual mais ou menos próprio de certas instituições incluindo os seus comunicados, outra coisa, parece-me, é o continuar do progressivo caminhar de nenúfar em nenúfar dentro deste pantanal como se tudo estivesse bem.
Como se tudo estivesse bem, e houvesse apenas umas minúcias sem interesse, como refere o "esperto" do PS em coisinhas militares, sem interesse, sem qualquer importância.
Todos se respaldam, costas com costas.
Porque me vai parecendo tudo isto um esboço novo daquela cerimónia da brigada do reumático a Marcello Caetano?
NÁ, sou eu que para não variar, estou a ver mal as coisas. 
Está tudo bem quando acaba bem.
E não é que parece estar a acabar bem?
Vejam:
> exonerados, renomeados,
> rede nova autorizada, é melhor fechar o paiol,
>  processos vários a decorrer para apurar tudo, mas mesmo tudo, doa a quem doer,
> e palavra de general CEMGFA é sagrada. Sim senhor.

Bom, já não vai doer, porque os soldados de que andavam à procura para eventualmente serem os culpados, parece que fugiram a tempo.
E o que apuraram os processos até ao momento? 
Muita coisa, vejamos:
> material desaparecido = talvez sucata, e só faltou dizer, com aquele ar dorido depois do soco no estômago que se viu nas TV,  que eram restos de 1918,
> para uns inquéritos foi material desaparecido, para outros roubado, para outros desviado ao longo do tempo, para outros não encontraram as folhas de inventário onde estava tudo anotado desde a II GG,
> o tamanho do buraco na rede não é consensual, porque as medições foram feitas a palmos por uns investigadores, porque outros se esqueceram de fita métrica, e outros ainda alegadamente não encontraram buraco nenhum, 
> não registaram fotograficamente as alegadas marcas de pneus de viatura porque, nuns inquéritos não levaram máquina fotográfica, em outros inquéritos não encontraram marcas nenhumas, dentro ou fora do perímetro,
> que alguém bufou a coisa para os jornais espanhóis, mas as possibilidades são tantas que esqueceram o assunto,
> os inquéritos divergem quanto à possibilidade de tudo ser uma tramóia para deitar abaixo o governo da geringonça.

Agora digo eu, à semelhança de um rapazola lá pelo PSD, se calhar era melhor criar um grupo para estudar a democracia interna da coisa, ........eh.......eh.......

Bom, agora a sério, desculpem estar a gozar com estes assuntos.
Mas, talvez entendam, é que estou tão enojado, tão enjoado (e serei só eu em Portugal?), e recordando um amigo que não vejo há anos - estou farto de ouvir e ver estes chouriços gordos que se excitam com microfones e câmaras a dizer só imbecilidades.
Portugal está num rumo desgraçado, há séculos, e não pára.
AC