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quinta-feira, 28 de maio de 2026

A PROPÓSITO, 

DEVEMOS  OLHAR  BEM  PARA  OS  NOSSOS  POLÍTICOS, PARA  TODOS,  PARA  TODOS  SEM EXCEPÇÃO,  OS  NO  ACTIVO, OS  APARENTEMENTE  REFORMADOS  DA  VIDA POLÍTICA,   ESCRUTINÁ-LOS,  VIGIAR  A  SUA  ACÇÃO  E INAÇÃO,  POIS  PODEMOS  PERDER  A  NOSSA  LIBERDADE  TÃO  FACILMENTE.

AC

domingo, 26 de abril de 2026

GOSTEI  DESTE  DISCURSO.
NÃO O VI EM DIRECTO, LI-O AGORA, DOMINGO, NO SÍTIO DA PRESIDÊNCIA.

Sublinho a azul o que pessoalmente considero mais importante. Os meus comentários a vermelho.

António Cabral (AC)


Intervenção do Presidente da República na Sessão Solene Comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974
25 de abril de 2026

A Liberdade é tão natural como a nossa vida.
A Democracia, a Justiça Social, a Igualdade são valores que fazem parte da nossa identidade coletiva
.

São os elos que dão coesão à nossa sociedade, como se fossem uma segunda Terra Mãe, o nosso chão comum.

O ponto de partida, o 25 de Abril de 1974, é de valor inquestionável.
Reúne um apoio esmagador, intergeracional e, de tão virtuoso, que o assumimos como natural.
Tão natural como o ar que respiramos.

É o caso desta sessão solene.
O que ouvimos hoje nesta Assembleia, é Abril.

Todas e todos podem manifestar as suas opiniões devido à liberdade de pensamento e de expressão conquistadas em Abril.

Todos podem escolher livremente os seus representantes na Assembleia da República, como sucedeu há exatamente 50 anos com as primeiras eleições Legislativas.

Somos iguais e livres, no pensar, agir, criar, no ser e no amar.
Esta é a liberdade que o 25 de Abril nos deu.


Cito José Gil, quando diz que “o discurso que pretende fundar a igualdade refere-se a um acontecimento universal, o nascimento”, com o princípio de que ‘todos os homens nascem livres e iguais’.

Ou, nas palavras de Eugénio de Andrade, poeta e voz de uma geração que nunca desistiu da liberdade: “Não nascemos para ser servos. Nascemos para ser cidadãos”.
De certa forma, o 25 de Abril, em termos coletivos, foi isso: um nascimento, o “dia inicial inteiro e limpo” de Sophia.
Onde todos nos sentimos livres e iguais. Infelizmente há imensos portugueses que não estão assim. Não é culpa de Abril, é culpa de donos disto e daquilo, de demagogia e mentira e de vários terem (e continuam a servir-se dos cargos para que foram eleitos e nomeados em vez de servirem a comunidade, a sociedade portuguesa

Na história portuguesa não há muitos momentos assim.

Por isso, nunca é demais a evocação e o agradecimento aos Capitães de Abril, a quem dirijo hoje uma saudação emocionada e um reconhecimento que nunca poderá ser suficiente: deram-nos mais do que o fim da ditadura. Deram-nos a liberdade de sermos nós próprios, de escolhermos o nosso caminho.

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,

Isaiah Berlin lembrava-nos que a liberdade tem pelo menos duas dimensões: a liberdade “de” – a ausência de coerção – e a liberdade “para” – a capacidade de cada um realizar o seu potencial.
John Stuart Mill ensinava que “sobre si mesmo, sobre o seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”. E Hannah Arendt via na liberdade não apenas uma condição individual, mas uma prática coletiva: a capacidade de agir em conjunto no espaço público.

A liberdade é, assim, mais do que um conceito abstrato.
É a possibilidade concreta de escolher, de falar, de criar, de discordar – sem medo.
É a dignidade de cada pessoa reconhecida e protegida.


Numa democracia, a liberdade não é um acessório: é o seu fundamento. Sem liberdade de expressão, não há debate; sem liberdade de imprensa, não há escrutínio; sem liberdade de associação, não há participação.
E, na vida de cada pessoa, a liberdade traduz-se em oportunidades reais: estudar, trabalhar, amar, pensar, acreditar ou não acreditar, sonhar e construir.


Mas a liberdade não vive isolada. Está profundamente ligada à paz.
Num tempo em que assistimos, com inquietação, a guerras que devastam países e destroem vidas, compreendemos melhor esta ligação.

A liberdade é também inseparável da cultura.
Uma sociedade livre é uma sociedade que cria. A cultura floresce onde há liberdade de pensamento e de expressão. Sem liberdade, a cultura empobrece; com liberdade, ela torna-se um espaço de encontro, de diversidade e de imaginação.

A liberdade é igualmente condição indispensável para o progresso científico. Onde não há liberdade académica, o conhecimento estagna e a inovação esmorece. Sociedades livres são aquelas que permitem aos seus investigadores pensar sem medo, errar, testar e descobrir, e é assim que se constrói o futuro de um país.

Vivemos também numa era em que algoritmos e sistemas de inteligência artificial influenciam cada vez mais as nossas escolhas. A liberdade, neste contexto, exige transparência, responsabilidade e escrutínio democrático sobre estas tecnologias. Não podemos aceitar que decisões com impacto na vida das pessoas sejam opacas ou incompreensíveis. A liberdade implica garantir que a tecnologia serve o ser humano – e não o contrário.

A liberdade também exige responsabilidade e instituições íntegras. Não há verdadeira liberdade sem transparência no exercício dos cargos públicos. Os cidadãos têm o direito de saber como são tomadas as decisões que afetam as suas vidas.

A transparência nos donativos políticos é essencial
para garantir uma democracia saudável e justa. Quando o financiamento é claro e acessível, os cidadãos conseguem compreender quem apoia quem e com que interesses.
Tornar públicos os donativos não é uma questão administrativa, é um compromisso com a ética e respeito pelos portugueses.
Porque onde há opacidade, cresce a suspeita; onde há clareza, fortalece-se a legitimidade.

A liberdade exige justiça a tempo e horas.
Quando os processos e os julgamentos se arrastam indefinidamente, a confiança dos cidadãos é corroída e a própria liberdade fica comprometida.

O combate à corrupção é outra prioridade inadiável.
A corrupção distorce a vontade democrática, desvia recursos que pertencem a todos e mina os alicerces do Estado de direito.
Combater a corrupção é defender a igualdade, a justiça e, em última análise, a liberdade.

E não podemos esquecer: a liberdade é inseparável da dignidade material das pessoas. A pobreza limita escolhas, condiciona oportunidades e, muitas vezes, silencia vozes. Quem vive na precariedade extrema não é plenamente livre para decidir o seu caminho. Combater a pobreza, reduzir desigualdades e garantir condições de vida dignas não são apenas objetivos sociais – são exigências fundamentais de uma sociedade verdadeiramente livre.

Livre e justa. E confesso, mais uma vez, a este propósito: que tenho muita dificuldade, tenho mesmo muita dificuldade, em compreender que mulheres ganhem menos do que os homens no desempenho da mesma atividade, pelo facto de serem mulheres.

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,

Dirijo-me agora, em particular, aos jovens portugueses.
Sei que vários dos desafios que enfrentam são duros.

É verdade que é a geração com mais instrumentos, mais conhecimento (???) e mais conexões do que qualquer outra na história deste país.

No entanto, o presente está a hipotecar o futuro dos mais jovens.

Não é justo, não é aceitável que continuemos a tratar as alterações climáticas como um problema de amanhã. Com as intempéries que atingiram várias regiões de Portugal, recebemos o alerta de que o amanhã já chegou.

O clima não espera pelo calendário político, pela conveniência egoísta de algumas gerações ou pelos interesses de alguns sectores económicos.

E os jovens de hoje são os que melhor compreendem esta urgência e os que estão mais capacitados para a enfrentar.

Todos nós temos a obrigação de deixar um legado de qualidade de vida aos nossos filhos e o Estado tem a obrigação de corresponder ao desejo das novas gerações de combater o desafio das alterações climáticas.

Também não podemos esquecer ou deixar no silêncio outros fenómenos que surgem com maior incidência nas gerações mais novas, como é o caso da saúde mental.

Um sofrimento de silêncios
: nas estatísticas, nas salas de aula, no emprego, nas famílias.
O sofrimento de uma geração que está a crescer nas incertezas de uma pandemia, do clima, das guerras ou do trabalho precário.

Os governos não podem desprezar novas valências no Serviço Nacional de Saúde e é imperativo reforçar a formação e o investimento na saúde mental.

A liberdade de hoje, em particular dos mais jovens, é também a liberdade de ter uma habitação digna, sem a qual o projeto de vida das novas gerações fica suspenso.

Temos hoje jovens que trabalham e aos 30 anos ainda vivem na casa dos pais por impossibilidade de adquirirem ou arredarem uma habitação. Isto não é apenas um problema de mercado. É um direito que o Estado tem de salvaguardar (CRP Art. 65º ). É uma exigência de liberdade.

Temos hoje jovens licenciados, com mestrados e doutoramentos, cujas competências são valorizadas no mundo inteiro e em Portugal ganham salários que não chegam para terem uma vida minimamente confortável.

Quando o talento não é recompensado em Portugal, não é só uma injustiça económica, é uma perda irreparável para o país.

Nenhum país se constrói assim.
E nenhum Presidente pode aceitar isso em silêncio. Eu não o aceito.

Tudo devemos fazer para que os jovens encontrem em Portugal o lugar onde querem construir as suas vidas.

Se Portugal deu novos mundos ao mundo, hoje temos a obrigação de dar novos mundos aos portugueses – aqui em Portugal.

Caros jovens,

Eu não venho pedir-vos que amem o 25 de Abril.
Não tenho esse direito.
Ninguém ama por decreto ou procuração aquilo que não viveu.

Quero apenas dizer-vos de um modo simples:
Quando deixaste de ser obrigado a combater, ir para a guerra – foi Abril.

Quando conduzes um carro e não precisaste de autorização do teu marido ou da família – foi Abril.

Quando és mulher e viajas sem ter de pedir autorização ao teu companheiro – foi Abril.

Quando optas por uma carreira de magistrada ou diplomata e és mulher – foi Abril.

Quando a tua mãe e o teu pai foram à urgência e não lhes pediram que pagasse antes de ser tratada – foi Abril.

Quando a tua liberdade apela a propor, participar ou assinar uma petição – foi Abril.

Quando leste ou partilhaste uma notícia crítica do poder e ninguém bateu à tua porta – foi Abril.

Quando votaste, ou decidiste não votar, sem medo de represálias – foi Abril.

Abril está nos gestos. Faz parte da tua vida, porque tens liberdade.

Mas há uma coisa que a minha geração aprendeu: a liberdade não desaparece de uma só vez.

Desaparece aos poucos.
Primeiro é uma lei que parece razoável.
Depois uma instituição que se esvazia por dentro.
Depois uma voz que deixa de se ouvir.
Depois outra.


O perigo para a democracia raramente chega como nos filmes.
É mais frequente afirmar-se com argumentos que parecem inofensivos e, nos dias de hoje, também com algoritmos.

Sei que muitos de vós desconfiam da política.
Percebo as razões.

Sim, a democracia tem falhas, às vezes desilude. Mas ainda é o único lugar onde a nossa voz conta de verdade.
Fora dela não há mais justiça nem mais liberdade.
Há silêncio, há medo e imposição.

E se queremos uma política melhor, não é afastando-nos da política que a mudamos – é participando, tendo coragem para a transformar por dentro. ( mas os partidos políticos pouco permitem )

Por isso, o meu apelo: estejam atentos.

Quando virem um direito fundamental a ser anulado, denunciem alto o que viram.

Quando a intolerância esmaga a cidadania, espalhem o alerta – porque rapidamente a noite se apodera do dia.

Quando ouvirem a palavra liberdade a ser usada para a restringir – defendam-na.

Quando sentirem que o insulto substitui o diálogo – continuem a dialogar.

Quando sentirem que a vossa voz não conta, não se calem – falem mais alto.

Abril não precisa de guardiões solenes.(nem donos disto e daquilo)
Precisa de cidadãos atentos, livres e com capacidade crítica.

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,

A liberdade sente-se quando podem falar sem medo – quando os nossos jovens podem falar sem medo – mas perde-se quando o silêncio se instala por conveniência ou indiferença.

A liberdade vive quando participam – mas enfraquece quando se afastam.

A liberdade constrói-se quando escolhem – mas desaparece quando outros passam a escolher por vós.

Está nas vossas mãos defendê-la nos gestos concretos do dia a dia: quando recusam a desinformação e procuram a verdade; quando enfrentam o discurso de ódio com coragem; quando participam na vida democrática, votando, debatendo, exigindo; quando não aceitam a corrupção como inevitável; quando lutam por igualdade de oportunidades – para vós e para os outros.

Não sejam espectadores da democracia. Sejam protagonistas. Não se resignem. Não se calem. Não desistam.

Cada geração tem o seu teste. Este é o vosso: garantir que a liberdade não enfraquece, não recua, não se perde.

Cuidar da liberdade é exercê-la com coragem. É defendê-la com determinação. É transmiti-la inteira – e mais forte – à geração seguinte.

A liberdade que hoje vivem foi conquistada com coragem, sacrifício e, em muitos casos, com vidas interrompidas. Não a tratem como garantida. Não a aceitem como algo que “sempre existiu” e, por isso, sempre existirá. A história ensina-nos o contrário – e o presente, em tantas partes do mundo, confirma-o todos os dias.

Hoje, quando vemos a democracia ser testada dentro e fora das nossas fronteiras, não podemos hesitar: ou a defendemos com coragem, ou arriscamo-nos a perdê-la em silêncio.

Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Tenho 64 anos. Tinha 12 quando o 25 de Abril aconteceu.
Não o compreendi nesse dia. Fui compreendendo ao longo da minha vida – nas utopias onde me envolvi, nos direitos que conquistei, nas batalhas que ganhei e que perdi, nas pessoas que vi sofrer quando as promessas de Abril não chegaram a tempo.

Sou Presidente porque esse dia existiu.
Exercerei os meus poderes e tudo farei de forma que valha a pena ter acontecido.
É tudo isso o que vos posso prometer. E é tudo o que Abril pede.
Muito obrigado.

E acrescento Eu - Viva o 25 de Abril, viva Portugal

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

VOLTO a REALÇAR
. . . . . a liberdade pode resumir-se à escolha do conteúdo, das normas e dos valores a partir dos quais a nossa natureza essencial, incluindo a nossa liberdade, se expressa. . . .  (Carlos de Matos Gomes).

AC
 CULTURA

" Recomeça . . . se puderes, sem angústia e sem pressa, e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcançares não descanses, de nenhum fruto queiras só metade "
(Miguel Torga)

AC

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

domingo, 12 de outubro de 2025

A DEMOCRACIA E O SOCIALISMO NÃO TÊM NADA EM COMUM ALÉM DE UMA PALAVRA:  IGUALDADE.

MAS ENQUANTO A DEMOCRACIA BUSCA IGUALDADE NA LIBERDADE, O SOCIALISMO BUSCA IGUALDADE NA SERVIDÃO.

(Alexis de Tocqueville)

Aqui está mais uma excelente razão para se ir votar.

Exercer um dos nossos direitos fundamentais, e não porque há ou não há PRR, porque se ganha ou perde dinheiro, porque está Sol ou não, porque importa contribuir activamente para a vida em sociedade em vez de ficar em casa.

AC

domingo, 5 de outubro de 2025

Lembrei-me deste boneco depois de ler o artigo que me enviaram, de Pacheco Pereira, de Sábado 13 de Setembro, no "perdócio", e sobretudo pelo alarido que vai por aí sobre a decisão deste governo celebrar os 50 anos passados sobre o 25NOV75.

Uma celebração que devia ser o que, parece, vários não querem que seja, para que eventualmente venha a ser uma palhaçada. 
 
Salvo melhor opinião, este boneco é extraordinário, fala de muitas coisas reais dessa altura, basta reparar no tamanho de cada criatura, nos sorrisos de Cunhal, e sobretudo nas extraordinárias "falas" de alguns dos "bonecos". 
Deixa muitas interrogações e subentendidos, é a minha opinião.

Não tenciono perder tempo a ir ver o que diz a tal resolução ministerial sobre a coisa. 
Basta-me saber que, creio, é Nuno Melo que orienta a coisa e Tomé Pinto a organizar a operação, para eu ter reservas sobre a dita comemoração governamental.

Calhou ouvir outro dia no rádio do carro, na TSF, algumas afirmações e indignações sobre a dita programada comemoração, particularmente do coronel Sousa e Castro, um dos 9, um dos do Documento dos Nove. Fui rever algumas coisas da Associação 25 de Abril. 
Tenho vários livros sobre 25ABR74, e o que se lhe seguiu.

Não tive qualquer participação no 25 de Abril de 1974, nem no 25NOV75.

Sou muito amigo de um oficial dos que estavam na Guiné quando se deu o 25 de Abril de 1974. 
Conheci fugazmente Carlos de Matos Gomes quando esteve a bordo do navio (1972 e 1973) para onde eu fora mandado cumprir 21 meses na guerra, e conheço vários civis e militares de alguma forma ligados ao período 1973/ 1976. Sei de algumas coisas. 
Safei um amigo de uma quase certa forte enrascada pós 25 NOV.

O que adiante escrevo é opinião pessoal, naturalmente. 
Discutível certamente, a respeitar como respeito as opiniões de outrem. Sempre. Concorde ou discorde.

O 25 de Abril de 1974 foi uma acção inédita levada a cabo por militares. 
Por militares, . . . . . . não pela instituição militar do tempo. 

Provavelmente irrepetível. 
Não há guerra colonial, e as questões corporativas no presente são de outra natureza.
Indiscutivelmente, abriu as portas à liberdade e à paz em África.

O 25 de Abril deu-nos a Constituição e a Liberdade, sendo o inicial, decisivo e fundamental primeiro passo para as eleições para a Constituinte em 1975, onde os portugueses votaram em massa. 
Aí se viu a diferença entre o que se grita nas ruas e o que as urnas ditam. 
Tal como acontece hoje.

Creio que é correcto dizer que os principais militares do 25NOV75 foram dos principais em Abril de 1974.

O que em certos sectores, à esquerda e à direita, se continua a dizer sobre o verdadeiro espírito da democracia, mantém em mim a sensação de que, de um lado e outro, persistem incómodos que não querem confessar. Ou que não lhe convém confessar.

O grande espírito da democracia está, para mim naturalmente, no 25 de Abril de 1974. 
É dele que nasceu o país em que felizmente vivo.

O lamentável estado em que estamos? Isso é outra história.

A história mundial e Portugal não é excepção, continua a ser feita de recuos e avanços. Sempre assim foi e será, e há e haverá sempre ofensivas, de muitos sectores.
A mim não me encantam Nunos Melos e menos ainda Chegas!

Mas também nunca me encantaram amanhãs que cantam nem amplas liberdades.
Quanto a tentativas de reescrever a história portuguesa dos últimos 51 anos noto a insistência irracional de uns quantos, mas não creio que o monopólio esteja só à direita.

Do que conheço, e designadamente sobre o 25NOV75, a primeira figura a homenagear é, sem sombra de dúvidas para mim, o general Costa Gomes
O mais inteligente, sensato, equilibrado e visionário de todos. 
Logo na definição do líder da Junta de Salvação Nacional antes de aparecerem de madrugada na TV, se viu a sua lucidez e o ver longe.

Como disse acima, não perco tempo a ir ler a tal resolução governamental.
Comemore-se o 25NOV, com dignidade, com decência, com sobriedade, evocando antes de tudo e todos o nome do general Costa Gomes, recordando o grupo dos 9, o Documento dos Nove, Ramalho Eanes, Salgueiro Maia (nunca integrou o conselho da revolução), Mário Soares. 
Alguns outros nomes que alguns quererão glorificar são mais que questionáveis, na minha opinião naturalmente.

Mas não façam palhaçadas de desfiles militares, de salvas artilheiras de navios de guerra, de sobrevoo de aviões e helicópteros.
Tenham tento na língua. Tenham tento na língua, vergonha na cara.

Se Marcelo Rebelo de Sousa (que formalmente é o comandante supremo das forças armadas, na prática. . . ) tiver vergonha na cara, discordará liminarmente de palhaçadas que, ou muito me engano, ou Nuno Melo e outros quererão concretizar.

Deve ser por isto, por esta eventualidade, que aos microfones da TSF ouvi Sousa e Castro dizer - O 25 de Abril é que foi a operação militar que o Exército português devia comemorar. Mas não comemorando o 25 de Abril, ao menos que tenham tento e que pensem que o Exército português estava praticamente todo do lado do Grupo dos Nove - todo, todo o Exército estava do nosso lado.

TENHAM TENTO, é um excelente resumo!

Lamentavelmente, o 25NOV75 continua a ser um dos episódios mais polémicos e, em alguns aspetos, nebulosos do chamado Processo Revolucionário Português, e concretamente quanto ao tristemente famoso PREC.

DATAS, porventura com interesse:
Não inscrevo aqui as datas das reuniões principais do Movimento dos Capitães, do Movimento de Oficiais das Forças Armadas depois, do MFA depois, nem de várias outras intermédias e de menor participação em casa deste e daquele oficial, tudo desembocando no 25 de Abril de 1974.

31DEZ68 - Vigília na igreja S. Domingos, até 0600 horas 1JAN69
- 12OUT72 - Ribeiro dos Santos assassinado nas instalações do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras
- 30DEZ72 - Vigília na Capela do Rato
- 31DEZ72 - Invasão policial da Capela do Rato
- 4-8 ABR73 - Aveiro, III Congresso Republicano 
- 19ABR73 - Fundação do PS na Alemanha
- 1-3 JUN 73 - Porto, I Congresso de Combatentes
- 28AGO73 - Oficiais em serviço na Guiné enviam uma exposição aos poderes de então
- 17DEZ73 - denunciada tentativa de golpe de Estado liderada por Kaulza de Arriaga
- 16MAR74 - Golpe das Caldas da Rainha
- 27ABR74 - Chegada de Mário Soares a Lisboa
- 30ABR74 - Chegada de Álvaro Cunhal a Lisboa
- 8JUL74 - Criação do COPCON
- 28SET74 - Manifestação da maioria silenciosa 
- 12OUT74 - Penalva do Castelo, primeira explosão de origem criminosa
- 19OUT74 - Henry Kissinger oferece um almoço a várias personalidades, entre elas Costa Gomes e Mário Soares
31OUT 74 - lei sobre os partidos
- JAN75 - Frank Carlucci chega a Lisboa para chefiar a embaixada dos EUA
- 19JAN75 - MFA reafirma assegurar a realização de eleições para a Constituinte
- 24FEV75 - Penalva do Castelo, segunda explosão de origem criminosa
- 11MAR75 - Tentativa de golpe militar de Spínola
- 24MAR75 - Spínola e outros 18 oficiais expulsos das FA
- 14MAR75 - Criação do Conselho da Revolução
- 11ABR75 - CDS, FSP, MDP/CDE, PCP, PPD, PS, assinam Pacto com o MFA
- 1MAI75 - Mário Soares impedido de entrar na tribuna durante as comemorações do 1º de Maio
- 19MAI75 - Início do conflito entre trabalhadores e direcção do jornal República
- 20MAI75 - Kissinger reune-se com Melo Antunes
- 30MAI75 - Em Helsínquia, Kissinger e Gerald Ford têm conversações com Vasco Gonçalves
- 2JUN75 - Abertura solene da Assembleia Constituinte
- 8JUL75 - Institucionalizados, comissões de moradores, comissões de trabalhadores e outros organismos de defesa da revolução
- 11JUL75 - Em conferência de imprensa, Mário Soares afirma - estamos para saber como foram escolhidas as pessoas que compõem a Assembleia do MFA
- 19JUL75 - Comício do PS na Alameda em Lisboa
- 22JUL75 - Carlucci encontra-se com Melo Antunes
-7AGO75 - Comunicado de Melo Antunes e outros contra a facção radical do MFA no Conselho da Revolução
- 8AGO75 - Defendem alguns que é nesta data que começou a ser preparado o 25NOV75 
- 9AGO75 - Franco Charais, Pezarat Correia, Vitor Alves, Melo Antunes, Vitor Crespo, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, são suspensos do Conselho de Revolução
- 5SET75 - Assembleia do MFA em Tancos, onde moderados obtêm maioria no Conselho de Revolução
- 5SET75 - II Conselho da Revolução
- SET75 - Depois da criação do AMI (Agrupamento militar de intervenção), o COPCON fica gradualmente esvaziado
- 27SET75 - Embaixada e consulado espanhóis destruídos na sequência de manifestação antifranquista de extrema esquerda liderada por conhecidas e proeminentes figuras públicas do sistema político nacional
- 7NOV75 - Por ordem do Conselho de Revolução destruído à bomba o emissor da Renascença na Buraca
- 11NOV75 - Palácio de S.Bento cercado por uma manifestação de trabalhadores da construção civil, sequestrando deputados e membros do governo
- 16NOV75 - Lisboa invadida por manifestação organizada pelas comissões de trabalhadores da cintura industrial de Lisboa e por UCP alentejanas
- 20NOV75 - Otelo é substituído por Vasco Lourenço no comando da Região Militar de Lisboa
- 23NOV75 - PS enche de novo a Alameda em Lisboa com manifestação de apoio ao VI governo provisório
- 25NOV75 - Presidente Costa Gomes declara o estado de emergência, assume o comando directo das unidades militares da Região Militar de Lisboa, e declara o estado de sítio em Lisboa
- 29NOV75 - Em conferência de imprensa Sá Carneiro acusa o PCP de ser responsável pela insubordinação militar verificada
- FEV76 - II Pacto MFA - partidos políticos
- 2ABR76 - Aprovação da Constituição da República Portuguesa
- 14MAI76 - Ramalho Eanes anuncia a sua candidatura à Presidência da República
- 18MAI76 - PCP anuncia a candidatura de Octávio Pato à Presidência da República
- 18MAI76 - Pinheiro de Azevedo anuncia a sua candidatura à Presidência da República
- 27MAI76 - Otelo anuncia a sua candidatura à Presidência da República

25NOV75. 
- Que 25NOV75?
- Quantos planos militares? Quem os dirigia, quem fazia parte deles?
    - 25NOV do grupo dos 9?
    - grupo militar de Ramalho Eanes?
    - plano dos coronéis?
    - grupo Maria da fonte?
    - grupo CODECO?
- Quantos golpes? 

- Como defende Pacheco Pereira (PP), um 25NOV da ala esquerdista  das Forças Armadas (FA), e o de 26NOV tentando ilegalizar  o PCP?
- Plano de contenção? Que plano de contenção? 
- Quem fazia parte dele?
- Tudo começou porque os pára-quedistas sairam?
- Quem os mandou sair?
- Sairam por razões apenas corporativas?
- Havia quase guerra civil? Poderia vir a haver?

- O grande risco do 25NOV75 como defende Pacheco Pereira, foi o choque (possível? provável?) com os militares esquerdistas, ligados ao COPCON e a alguns mas não todos os sectores gonçalvistas que, se tivesse expressão armada significativa teria provocado  um conflito grave ?
- Comportamento e decisões de Otelo Saraiva de Carvalho?
- Posicionamentos do PCP? E dos grupelhos à sua esquerda?

Não sei, mas há quem sabe e continua a não dizer tudo. 
PORQUÊ?
Interpretações? E que tal a verdade, finalmente ? 
Já passaram 50 anos!

Sem OTELO teria havido o 25ABR74?
Não sei. 
Mas creio que foi determinante para a sua preparação e   concretização.
 
"Conhecer a verdade implica ir à procura  da história das "coisas".
É uma verdade indesmentível, é a minha opinião também, desde há décadas. 
Porque continuam alguns, que se arvoram "donos", a não nos dizerem TODAS as COISAS que se passaram, vir explicar meandros?

O 25NOV75 não foge à regra da história, a nacional e internacional: na história "oficial" que anda em Portugal há muito, obviamente que foram criadas personalidades segundo certas conveniências.

Um dos busílis está porventura aqui, a criação de personalidades, e  certas conveniências.
Por exemplo, no comentário que há tempos ouvi na TSF e já supra referido, na parte final desse comentário saiu . . . . Eanes pôs-se a jeito!

Não faço ideia.

Quando alguns dizem e escrevem que o 25ABR74 - foi obra de um movimento estritamente militar e apartidário sem qualquer componente civil e influências ideológicas determinantes - respeito, e sorrio.

Quem assim escreve e o mantém ao longo de décadas toma-nos por tontos e desmemoriados. 
Demonstram, na minha modesta opinião naturalmente, desonestidade intelectual pura.

É sabido que, particularmente nos últimos anos da guerra em África/ guerra colonial/ guerra do Ultramar, a presença de centenas e centenas de milicianos nas fileiras militares (13 anos de guerra) teve gradual e determinante influência em muitos oficiais, sobretudo do Exército. 

E também houve quem tivesse ligações a certos partidos, como também houve quem lesse muitos livros e publicações, em 1971 por exemplo, até finais de 1974. LEGITIMAMENTE!

Como houve e há, desde 25ABR74, ligações a partidos políticos.
Legitimamente para os fora do activo.

É sabido, mas muitos fingem desconhecer, e infelizmente muitos mais continuam a acreditar que os bebés chegam de Paris embrulhados numa fralda pendurada no bico de uma cegonha, que os tempos contemporâneos nas democracias ocidentais estão muito complicados e que, sorrateiramente, o Estado exerce violência sobre os cidadãos comuns. De maneira sofisticada, já não à antiga.

Os meios de manipulação das opiniões públicas são numerosos, cada vez mais sofisticados, levando multidões a acreditar nas coisas que para muitos, como eu, espanta. Exemplos não faltam.
No PREC, no 25NOV75, houve algo dessa natureza? Manipulações?

Entre muitas outras coisas, para o processo que levou ao 25ABR74 e o que se desenrolou entre 25ABR74 e 1976, creio ter sido determinante isto:

1º - crescente consciência em vários sectores das Forças Armadas, particularmente no seio de oficiais mais jovens, de que a guerra em África devia ser solucionada politicamente,

2º - a acção de Spínola na tentativa (gorada) de convencer Marcelo Caetano e os ultra do regime a resolver politicamente o conflito nomeadamente na Guiné,

3º - crescente politização de vários oficiais e presumo que sargentos e praças nos três ramos das Forças Armadas porventura mais na Marinha de Guerra ( actualmente designada apenas por Marinha), por um lado por vontade própria e LEGÍTIMA de cada militar, e a convivência com milicianos por outro lado,

4º - a questão corporativa no Exército, concretamente a partir do deplorável Decreto-lei nº 353/73, de 13 de Julho,

5º - o 25ABR74 ocorre quando, na cena internacional, se estava em plena guerra fria, quando durante quase dois anos (até ao Verão de 1975) decorreu o processo de Helsínquia em que os dois blocos - Ocidental e Soviético - definiram e acordaram, questões de segurança, questões de alguma cooperação e, naturalmente, a divisão das áreas de interesse e influência. "Détente"!

Salvo melhor opinião, a partir do golpe militar de 25ABR74 que, em escassas horas, se transformou em revolução dada a enorme adesão popular, a questão que se colocava/ colocou, foi a da construção do Estado democrático, dotá-lo de uma Constituição, com as inerentes e óbvias questões da liberdade, de direitos e deveres, do poder e organização do Estado nas suas diversas dimensões, sempre presente que o poder de um  Estado deve ser justo, legítimo.

No 25NOV75 esteve em jogo a questão da dependência de Portugal, para que lado cair, manter-se no bloco Ocidental liderado pelos EUA ou integrar o bloco Leste liderado pela URSS.

O PS teve papel determinante na escolha  das alianças e no caminho a percorrer, e isso garantiu-lhe papel principal na nossa história recente, democrática.

Há quem defenda que do lado URSS terá havido algures manifestação de alguma preocupação junto de alguns dos principais protagonistas políticos moderados dessa altura pelo rumo que se seguia, e que Portugal se deveria manter no bloco NATO, Ocidental.
Não faço ideia se isso aconteceu, mas mesmo tendo sido real, não vejo que isso impedisse que, no terreno, cá, alguns tentassem efectiva  mudança.

Uma coisa é certa: depois do 25NOV75, começou a ser estabelecida uma ordem política, económica, social.

Parece-me que, 
- Costa Gomes comandou as operações a partir de Belém, 
- manteve em Belém junto de si o conselho da revolução, 
- o comandante da região militar de Lisboa nada terá comandado  na prática,
- Otelo Saraiva de Carvalho terá contido nervosismos nos seus fiéis, e que a sua imediata deslocação para Belém esvaziou por completo inconfessáveis desejos de outrem.
 
Continuo a não perceber, 
- porque saíram os pára-quedistas e quem os mandou sair,
- quem mandou os comandos (que creio em grande número recrutados entre elementos que tinham feito a guerra) arrombar os portões do regimento da polícia militar que calmamente (creio) se mantinha dentro de muros cumprindo as ordens de Belém de prevenção rigorosa.
.

Este "brainstorming" vai longo.
Para uns, o 25NOV75 foi uma maquinação para desviar o "processo" da sua pureza inicial.

Para outros, com o 25NOV75 tratou-se de resolver a questão de poder no país, entre facções políticas, e depois distribuir . . . . . e pouco importando o real interesse dos cidadãos comuns, da sociedade, do país.

Para mim, a questão essencial permanece: A verdade toda do 25NOV75 continua por contar.

PORQUÊ ?

António Cabral (AC)

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

"Continuo a pensar que se deve lutar onde exista opressão".

Continua válido! (opinião pessoal, naturalmente)

AC

terça-feira, 2 de setembro de 2025

(REPUBLICO UM TEXTO DE HÁ 4 ANOS)

(Volto a publicar, actualisado)

25  de  Abril  de  1974
O 25 de Abril deu formalmente aos portugueses um dos valores maiores que o ser humano pode desejar: a liberdade.

Passados que são 47 anos, estou a lembrar-me de (a ordem é completamente aleatória; escrevi conforme me fui lembrando; aspectos institucionais, estruturas, instituições, pessoas,  por boas e por más razões), e faltará mencionar muitos e muita coisa:
 
A - Abril, Assembleia da República, Agostinho da Silva, Álvaro Cunhal, Angola, Açores, Ambiente, Adelino Amaro da Costa, Acordo Alvor, António Costa, António Champalimaud, Alexandre Soares dos Santos, ADSE, António Mexia, António Costa e Silva, António Vitorino, Áreas protegidas, Amoreiras, Adriano Moreira, Aeroporto de Lisboa, Agustina Bessa Luís, Amália Rodrigues, Alpoim Calvão, Auditorias, AMI, Ausência de Sentido de Estado, AutoEuropa, Ausência de Sentido das Responsabilidades, André Jordan, António Ramalho, Angoche, António Damásio, Ausência de sentido das proporções, Apolo 70, António Lobo Antunes, Adriano Correia de Oliveira, Associações satélite de um partido, Armando Vara, Alçapões nas leis, Ana Catarina Mendes, Ana Paula Vitorino, Ascenso Simões, Artur Portela filho, Almeida Santos, Ana Mendes Godinho, Abandono de áreas do território, Autoridade Tributária e Aduaneira, ACP, AOFA, Américo Amorim, Autoridade Marítima, Álvaro Barreto, Aljube, Alberto João Jardim, ASAE, Artur Agostinho, António Lobo Xavier, Adelino Gomes, António Pires de Lima, António Barreto, Aldeias históricas, Acionistas, Aterros sanitários. 

B - Bancarrotas (3, a 4ª a caminho?), BES, Bloco de Esquerda, Banco de Portugal, Barragens, BR, Bombistas, Bazuca, Blogues, Bolsa de valores, BIAL, BCP, Banco de Fomento, Belmiro de Azevedo, Biológico, Bastonários das ordens, BCE.

C - Constituição da República 1976, Costa Brás, Censura mas Democrática, Carmen Dolores, Costa Gomes, Corrupção, Cultura, Cova da Moura, Carlos Costa, Cabo Verde, Centros Interpretativos, Capitães de Abril, Crises Financeiras, Confederações, Cavaco Silva, Camilo Mortágua, Carlos Antunes, CMVM, CAP, CIP, Carlos Lopes, Catarina Martins, CGTP, CDS, Coligações, Covid-19, Cultura, Código Penal, Código civil, Código do Processo Penal, Centros Comerciais, Capoulas Santos, Criogenia, Conselho da revolução, Carvalho da Silva, Cristiano Ronaldo, Carlos César, Carlos Moedas, Casa da Moeda, CGA, CGD, CEE, CMTV, CDU, Camarate, Caxias, Carlos Alexandre, Computadores Magalhães, Credores, Crise, Concessões, Confeitaria Nacional, Compras online, Casa da Música, Cativações, Comentadores políticos, Carteira de jornalista, Casa da Moeda, Cunha Rodrigues, Comissões parlamentares de inquérito, Café Gelo, Continente, Racismo, Computadores, Coliseu, Chiado, Cuidados Continuados, Cinema S.Jorge, Cinema Monumental, Cinema Condes, Cuidados Paliativos, Centros comerciais, Cimeiras, Comandos, Ciclovia. 

D - Democracia, Descolonização, Deveres (quase não se referem), Direitos, DGS (Direcção Geral de Saúde), Dívida Pública, Dívida Externa, Deficit, Defesa Nacional, Dinossauros Políticos, Despovoamento, Desertificação, Duarte Lima, Deflação, D.Manuel martins, D.José Policarpo, Devedores, Drones, Descentralização, Descarbonização, Delta. 

E - E depois do adeus, Eleições, Eleições presidenciais, Eleições legislativas, Eleições regionais, Eleições autárquicas, Eduardo Catroga, ELP, Eduardo Lourenço, Eurico de Melo, Elvira Fortunato, Enoturismo, Escritórios de Advogados, EDP, Euro, Extrema Esquerda, Extrema Direita, Epidemia, Edite Estrela, Energias renováveis, Evasões, Enriquecimento ilícito, ETAR, Escavações arqueológicas, Espuma dos dias, Estados de alma, Ecovia, Ecopista, Ecologia, Economia azul. 

F - FP 25 de Abril, Freitas do Amaral, Fernando Namora, Fundação Champalimaud, Francisco Louçã, Ferraz da Costa, Fernando Nogueira, Fundos da UE, Fernanda Ribeiro, Ferraz da Costa, Ferro Rodrigues, Francisco Balsemão, FNAC, Francisco George, Fernanda Fragateiro, Francis Obikwelu, Fátima, Função pública, Fundações, Fuzileiros, Fundo de Resolução, Fundações,  Filipe La Féria, Fundação Luso Americana, FMI, Fraudes, Franco Charais. 

G - Guerra Colonial, Gravuras Foz Côa, Carlos Santos Ferreira, Graça Freitas, GES, Grândola Vila Morena, Grandela, Gambrinus, Galeto, Gentil Martins, G 5, G 7, G 8, G 10, G 20, Guerra do Ultramar, Gonçalo Ribeiro Teles, GALP, Garcia dos Santos, Guerra colonial, GNR, Governos civis, Ginginha, GPL. 

H - Henrique Granadeiro, Hospitais privados, Hospitais públicos, Hidrogénio verde, Hermínio Loureiro, Helder Bataglia, Hortense Martins, Híbridos. 

- Isabel do Carmo, Incêndios, Ivo Rosa, Incompetência, Isabel Moreira, Isabel Oneto, INEM, IMI, Inseminação artificial, Imposto complementar, IRS, IRC, Isabel Vaz, Isabel Mota, Impostos, Intermarché, Impunidade, Isaltino Morais, Inflação, Insolvência, INFARMED, IPSS, Indústria conserveira, INE. 

- Justiça à Portuguesa, Justiça para os poderosos, José Miguel Júdice, Jorge Coelho, Jardim Gonçalves, João Mota, Joana Carneiro, João Lobo Antunes, José Sócrates, José Manuel de Melo, João Lourenço, Eunice Munhoz, João Galamba, José Medeiros Ferreira, João Salgueiro, Joaquim Furtado, Jorge Sampaio, Joaquim Aguiar, Júlio Pomar, Jornalismo, João Duque, João Cutileiro, Joana Marques Vidal, João Manso Neto, José Mourinho, José Saramago, João Cravinho, João Cravinho jr, Jornal Expresso, Julião Sarmento, Jornal público, José Sá Fernandes, Joaquim Morão, Jerónimo de Sousa, Jorge Lacão, José Silvano, José Magalhães, Jaime Nogueira Pinto, Jaime Marta Soares. 

K - Kaulza de Arriaga, Krus Abecassis. 

L - LEI, Liberdade, Louçãs, Luís Amado, Lojas Maçónicas, Litigação, Luís Filipe Vieira, Lídia Jorge, Luís Campos e Cunha, Luís Raposo, Livrarias, Lavagem de dinheiro, LED,  Lares, Livraria Bertrand, Luís Portela, Lei eleitoral, Leonor Beleza, Lota digital.

M - MFA, Miguel Torga, Madeira, Ministério Público, Mário Soares, Melo Antunes, Mário Centeno, Manuela Ferreira Leite, Mortalidade Infantil (descida), Martinho da Arcada, Marcelo Rebelo de Sousa, Moçambique, Miguel Cadilhe, Miller Guerra, Marinho Pinto, Mórtaguas, MRPP, Manuela Medeiros, Murro no estômago, Ministério Público, Março (11), Miguel Guilherme, Maria do Céu Guerra, Maria Emília Correia, Morais Leitão, Maçonaria, Marta Temido, Manuel Alegre, Museus, Maria José Morgado, Manuel Salgado, Miguel Poiares Maduro, Megaprocessos, Multibanco, Maria José Nogueira Pinto, Maluda, Menez, Melícias, Megacentros, Manuel Gargaleiro, Martins Guerreiro, Marques Júnior, Medina Carreira, Miguel Galvão Teles, Mobilidade eléctrica, Modelo, Maria Lamas.

N - Novembro (25), Nélson Évora, Nuno Portas, Nuno Teotónio Pereira, Novo Banco, Natália Correia, Naide Gomes, Nicolau Breyner, Nicola, Noite e Dia, Nespresso, Neutralidade carbónica. 

O - Otelo Saraiva de Carvalho, Observatórios, Opus Dei, OCS, Offshores, Ordens profissionais, Oposição, Organizações satélite de um partido. 

P - Peniche, Politicamente Correcto, PCP, PREC, PEV, Partidos políticos, Portas Giratórias Política/ Negócios/ Banca/ Privados, Pobreza, Pobreza extrema, Pandemia, Paulo Portas, PPP, Passos Coelho, Procurador Geral da República, Procuradoria Geral da República, PT, PSD, PAN, Paula Rego, Pastelaria Suíça, Pandemia, Paulo de Carvalho, Património material, Pinto Monteiro, Património imaterial, Pedro Queirós Pereira, PEC, Pinto da Costa, Pastelaria Benard, Pastelaria A Brasileira, Pedro Siza Vieira, Pastelaria Versailles, Promiscuidade, Pacheco Pereira, Polícia Judiciária, Polícia Judiciária Militar, PSP, Poucas vergonhas, Patrícia Mamona, Parques nacionais, Parques naturais, Reservas naturais, Paisagens protegidas, Pára-quedistas, Preguiça, Pezarat Correia, Pingo Doce, Pinheiro de Azevedo, Pfizer, Provedor de justiça, Pista ciclopedonal, Prescrições, Ponte Entre-os-Rios, Proteção do ambiente, Proteção civil.

Q - Quadros Comunitários de Apoio, QRCODE.

R - Reguladores (que nada regulam), Reservas Naturais, Ramalho Eanes, Ricardo Salgado, Ricardo Robles, Relatório das Sevícias, Raúl Solnado, Rosa Mota, Rioforte, Revisões Constitucionais, Salgado Zenha, Rui Moreira, Rui Rio, Rui de Carvalho, Recursos judiciais, Rui Nabeiro, ROC, RTP 1, RTP 2, RTP 6, Rui Machete, Redes sociais, Rui Ramos, Rosário Teixeira, Rosa Coutinho, Roteiros, Regionalização, Reabilitação. 

S - Sufrágio livre e universal, Sá Carneiro, SNS, São Tomé e Príncipe, SUVs, Sousa Leitão, Sophia de Mello Breyner Andresen, Sondagens, Sindicatos, Snu Abecassis, Sérgio Sousa Pinto, SONAE, Supervisão, Sines, Siza Vieira, Superjuízes, SIRP, SIC, SIC Notícias, SARS, Sanches Osório, Sobrinho Simões, Solar dos Presuntos, Sousa e Castro, Souto Moura, Soberba, Sines, Segredo de justiça, Simone de Oliveira, Sondagens,  SEF, Salário mínimo, SAMS, SEDES. 

T - Timor Leste, Tavares Moreira, Tancos, Tribunal Constitucional, Tribunal de Contas, Tribunais administrativos, Tribunais da Relação, Terrorismo caseiro, Tribunais, Trigueiros Crespo, Turismo, Turismo interno, Tavares Rico, Turismo de habitação, Turismo rural, TAP, Tomás Coreia, Telecomunicações, Troika, Torres Couto, Teresa Ricou, Tomás Taveira, Teixeira dos Santos, Testamento Vital, TVI, TVI notícias, Tarrafal, Teletrabalho, TICÃO, Telma Monteiro, Telemóveis. 

U - UDP, UGT, UE, Unicórnios, Unidades de Cuidados intensivos, Universidade Católica. 

V - Vigaristas, Vitor Constâncio, Venda de Ouro, Vital Moreira, Vinicultura nacional, Vasco Pulido Valente, Vilamoura, Vacinas, Vasco Lourenço, Vieira da Silva, Vera Lagoa, Via Verde, Vasco Gonçalves, Vitor Alves, Vieira Matias, Vasco Graça Moura, VTS. 

W - Walter Rosa. 

X - Xavier Pintado, Xenofobia.

Z - Zeinal Bava, Zeca Afonso. 

António Cabral (AC)

sexta-feira, 25 de julho de 2025

"A  VERDADE,  O  GRANDE  OXIGÉNIO  DOS ESPÍRITOS  LIVRES

Bom dia, tenham uma boa 6ª Feira. Bom início de fim de semana.

Saúde e boa sorte. E muita paciência.

AC

quinta-feira, 10 de julho de 2025

R E P E T I N D O - M E  


PORTUGAL
DEMOCRACIA  e  REALIDADE
Os Homens, as Coisas, as Palavras

"Entre os homens e as coisas estão as palavras.
Há muitos que usam as palavras supondo que são as coisas!
Quem usa as palavras supondo que são as coisas ilude-se, apenas, ou também pretende iludir.
Mas nem todos os que ouvem as palavras se iludem".

Infelizmente, estou convencido, de que a maioria se deixa iludir, particularmente a maioria que acredita cegamente nas suas seitas!

Se não se acabar com os equívocos, se urgentemente não surgirem linhas claras de pensamento estratégico, continuaremos 
- a manter o "status quo", 
- a manter distorções orçamentais, 
- a aumentar as desigualdades, 
- a decrescer na natalidade, 
- a aumentar o facilitismo, 
- a fazer crescer a corrupção, 
- a manter a estagnação, 
- a aumentar as barracas à volta das grandes cidades, 
- a crescer a probabilidade de violências como as que crescentemente vão ocorrendo pela Europa, 
- a descer no caminho para Estado exíguo ou mesmo Estado falhado.

Estão a perguntar-me?

Sim, estou a falar disto pensando em muitos dos ex e actuais titulares de órgãos de soberania (PR, AR, Governo, Tribunais), dirigentes partidários e outros, autarcas, jornalistas, militares, servidores do Estado, funcionalismo público, as ditas elites.

Estou a pensar nisto ouvidos que são agora os apelos vários com a descarada e habitual desfaçatez e cinismo que chegam de todos os lados neste pós 18 de Maio, e com governo empossado.

Se não se alterar o presente, continuarão felizes e contentes, com nivelamento por baixo, com lamaçal até ao pescoço.
Continuarão felizes e contentes como o Queirosiano Brigadeiro Chagas e dizendo como ele - Portugal é pequeno mas é um torrãozinho de açúcar.

Quantos querem ousar?
Quantos querem olhar para o futuro com esperança e confiança, com visão de longo prazo, certos de que vale a pena, e que é mais nobre do que arrastar este lamacento, corrupto e opaco presente?

Quantos querem ousar a sério, seriamente, cientes de que é preferível um fim com horror do que este horror sem fim, do que este deslizar sem parar para a cauda da Europa?

Veja-se por exemplo no PS, quem quer ousar?
Saltou Carneiro, um cinzentão educado, conhecedor da história da mulher de D. João IV. Dizem por aí que é o mais à direita dos líderes do PS seguindo-se ao mais à esquerda!
O resto encolheu as unhas à espera de uma versão actualizada Costa-Seguro. Que não tardará muito, é a minha convicção.

Gritam os do costume que é preciso cumprir Abril. E é, mas não é  com nivelamentos por baixo.
 
Particularmente desde 1991 que se têm esquecido de o fazer.
Agora fingem-se espantados!
Têm-se gasto com os "amanhãs", querem a defesa (e bem) dos  importantes e inegáveis direitos consagrados na CRP, Constituição  que, infelizmente na minha opinião, quase nada tem quanto a deveres.
É é decisivo numa sociedade, os deveres de cada um de nós para com a sociedade e para com os outros. 

Poucas vezes me iludi ao longo da vida, há muito que não me iludo, particularmente desde 1991.
Não enfileiro ao lado do Brigadeiro Chagas, nem dos pantomineiros ditos "habilidosos" que se servem dos lugares para que foram eleitos ou nomeados, em vez de servirem a sociedade.

Reformas. Pois. Ainda ontem salvo erro vi umas tomadas de posição de um apoiaste de Seguro, e que foi também ministro da reforma no tempo de Guterres. resultados à vista.
Mas agora é que vai ser, desta vez é que vai ser. 

António Cabral (AC)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Lido no Expresso online

Musk, o homem mais rico do mundo e aquele que tem nas mãos vários poderes, vai não só entrar para a administração de Donald Trump, que toma posse no dia 20, como decidiu fazer uso do seu extraordinário poder de influência (potenciado pelo algoritmo da sua rede social X) para, com “desinformação e especulação”, tentar arrasar com um governo eleito: desta vez foi Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, a vítima mais à mão. Alvo de centenas de tweets da parte da Musk nos últimos dias sobre o caso dos gangues de violadores, Keir Starmer viu Musk pedir a sua prisão enquanto exigia a libertação de um membro da extrema-direita britânica, Tommy Robinson (más notícias para Nigel Farage que deixou de ser o preferido de Musk).

Relativamente a esta parte do texto lido no Expresso permita-se-me algum comentário que é, como sempre, discutível, como discutíveis são todas as opiniões as quais, pessoalmente SEMPRE respeito, concordando umas vezes, discordando outras.

Começo pelo inarrável Musk.

A autora do texto refere o "extraordinário poder" deste homem.
E bem, deve ser apontado por razões para mim óbvias.
Refere, também, e muito bem, a inaceitável (opinião pessoal naturalmente) intromissão na esfera da vida democrática do Reino Unido.

Mas esta inaceitável intromissão é, ligeiramente, menos grave do que outras que por aí andarão, como as intromissões em eleições e não só por "hackers" a soldo de Estados muito "democráticos"!
Menos grave, mas não desculpável!

Mas existe um outro aspecto que me importa, e muito.
É ou não verdade o que vários jornais Britânicos estão a trazer a público?
É ou não verdade o contínuo escamotear de escândalos vários de natureza sexual, escamotear tão na moda de certas ideologias que, depois, se queixam e vociferam amargamente pela insuportável (opinião pessoal naturalmente) e crescente subida das direitas ultra e etc.?

Lamento cada vez mais esta moda de esconder assuntos.
Depois engordam Venturas e etc.
Depois queixam-se.

Se as consequências por estas atitudes, sobretudo de esquerdas, fossem cair apenas sobre os autores dessas atitudes, eu estaria nas tintas para o caso, mas a chatice é que ao engordarem Venturas e outros, nada de bom vem para pessoas como eu que me considero decente, equilibrado.

E por isso considero inaceitável o esconder de casos como este que está à vista no Reino Unido.

Casos que venham, de indianos, paquistaneses, birmaneses, negros, curdos, sérvios, brancos, etc. ou de membros da realeza Britânica, nunca devem ser escondidos.
Devem ser tratados de acordo com a lei, com o direito, não devem estigmatizar ninguém, devem ser enfrentados, com rigor, verdade, honestidade intelectual, decência, proporcionalidade.

Por isso considero, INACEITÁVEL, A FALTA DE RIGOR, A FALTA DE VERDADE, A DESONESTIDADE INTELECTUAL QUE GRASSAM NO TRATAMENTO DOS ASSUNTOS EM SOCIEDADE.
Em Portugal, na Europa, por todo o lado.
Depois queixam-se.

António Cabral (AC)

sábado, 7 de dezembro de 2024

sexta-feira, 27 de setembro de 2024


E não engole tudo o que lhe anunciam.

Olhe-se à nossa realidade. Liberdade? A sério?

AC

sábado, 10 de agosto de 2024

COMO TÍTULO,
a notícia em baixo, já um pouco lá para trás

Luís Montenegro admite financiamento público para comunicação social. Sobre o apoio aos media, numa intervenção na conferência dos 136 anos do JN, no Porto, o chefe do Governo acrescentou que "a atração de capital privado deve também ser estimulada”.

Mas, entretanto, a LUSA, está nas mãos de quem?
Ou ando muito distraído ou a Lusa está praticamente nas mãos do Estado.
Quem, principalmente, materializa o Estado nas nossa vidas?
Isso mesmo, os governos!

Governos que, sendo dominados principalmente pelo PS, ou pelo PSD, têm tido no seu corpo ministerial rapazitos e raparigas que manifestaram a espaços terem "visões" para a comunicação social.
Perigosas, arrisco eu!

Desde Arons no PS até agora recentemente Pedro Duarte do PSD, temos tido "brilhantes" criaturas com intenções, visões, e decisões de intervencionismo na comunicação social.

Tenho as maiores dúvidas e sobressaltos de cada vez que surgem anunciadas visões (pior ainda quanto as fazem sem anunciar/ divulgar) e decididas intervenções na comunicação social.

Estou a recordar a inocência do ex-PM quando injectou uns milhões em diferentes órgãos de comunicação social.

Felizmente, alguns, poucos OCS, parece que recusaram receber dinheiro dos anteriores governos PS.

Quando a agência de informação LUSA está quase 100% nas mãos governamentais, quando quem a dirige é nomeado por razões fundamentalmente partidárias, o que se deve pensar de uma sociedade onde isto ocorre sem o menor sobressalto da esmagadora maioria dos cidadãos?

Quando se olha para quem formalmente manda na RTP, quando se verificam certas jogadas em compras e recompras de OCS, o que se deve pensar de uma sociedade onde isto ocorre sem o menor sobressalto da esmagadora maioria dos cidadãos?

Quando sobre um famoso grupo de comunicação social se vê publicamente divulgada uma dívida de bastante mais de 100 milhões, quando um pantomineiro comentador tem formalmente um grupo com um calote de dezenas de milhões, o que se deve pensar de uma sociedade onde isto ocorre sem o menor sobressalto da esmagadora maioria dos cidadãos?

Quando antes de eleições certos "visionários" discordam de determinada orientação, mas mais tarde já a abraçam efusivamente, o que se deve pensar de uma sociedade onde isto ocorre sem o menor sobressalto da esmagadora maioria dos cidadãos?

Quando certos "visionários" proclamam a maior das liberdades para tudo e mais alguma coisa e, depois, ao arrepio de aparentes e anteriores convicções, se declaram fervorosos adeptos de planos de apoio à comunicação social e a outras áreas na sociedade, o que se deve pensar de uma sociedade onde isto ocorre sem o menor sobressalto da esmagadora maioria dos cidadãos?

Quando, pelo que se constata na realidade diária (canais TV, jornais, revistas), parece poder concluir-se que a maioria dos jornalistas não evidenciam incómodo ou sobressalto com o estado de coisas no âmbito da comunicação social, o que se deve pensar de uma sociedade onde isto ocorre sem o menor sobressalto da esmagadora maioria dos cidadãos?

O que se deve concluir?
Que estamos numa sociedade de direito livre e democrática, obviamente.
AC

sábado, 22 de junho de 2024

CULTURA
Para a cultura, entre outras coisas, é indispensável liberdade, e nomeadamente liberdade de criação. 
A democratização da cultura é impossível sem acesso livre a,
- livros, 
- cinema, 
- espectáculos,  
- teatro,  
- variedades,  
- espectáculos populares
- bibliotecas,
- música,
- fruição do património edificado e do imaterial.

AC

terça-feira, 28 de maio de 2024

TOTALMENTE  DE  ACORDO
. . . . . 
Até porque, em muito casos, não é da liberdade de expressão que se trata, mas sim de crimes de difamação. Como também não é de "discurso de ódio", aberrante bizarria de invenção recente.
Este "discurso" é uma invenção
.
Ninguém sabe exactamente o que é. 
Ou, antes, é o que convém a quem a ele se refere
Quais são os seus termos? Há uma lista? Quem estabeleceu? Com que direito? Como se comunica ao cidadão o que é proibido? 
Deverá estabelecer-se um "Index"? Um Manual de boas maneiras democráticas? Poderia o sistema de prevenção chamar-se
"exame prévio"? 

O "discurso de ódio" é um dos maiores mistérios do presente. 
Não distingue entre opiniões e acções
Falar de alguém sem tom afectuoso ou sem elogios, isso é discurso de ódio? 
Desde quando se deve gostar de toda a gente
Como é possível imaginar alguém que não tenha "ódios de estimação" e não goste de fascistas ou de comunistas, de burgueses ou de sindicalistas, de europeus ou de africanos, de portugueses ou de estrangeiros, de cristãos ou de muçulmanos? 
Se levarmos a sério o "discurso de ódio", as anedotas com alentejanos ou belgas devem ser proibidas. 
De igual modo, as histórias com galegos, judeus, africanos, índios e chineses. Ou "portugas". Termos como "monhé" ou mulato teriam de ser vedados. Nababo e soba têm de ser eliminados. "Les portugais sont toujours gais" deverá ser interdito. "Paciência de chinês" e "avareza de escocês" ou de judeu é ódio. "Fazer judiarias" é termo a merecer cadeia. Tratar alguém por siciliano é condenável. Termos como "mariquinhas" têm de ser abolidos.
Livros têm de ser reescritos: Lusíadas, Cid, Quixote, Sermões, Camilo, Eça, Castro e Aquilino têm de passar à lupa da nova moral.
Esperam-nos tempos sombrios. 
Mesmo sabendo nós que estas modas e estas pressões vão mudando. Para bem e para mal. Quem quiser perceber o carácter móbil da moralidade dos costumes pode entregar-se a vários passatempos. 
Por exemplo, ler os álbuns do Tintim desde os anos 1930 até hoje. 
A maneira como são tratados os negros, os chineses, os russos, as mulheres, os animais, até os portugueses, ilustra bem a evolução de critérios. 
A leitura dos Astérix permite as mesmas conclusões. 
Outro exercício consiste em ler os Pontos nos iii, o António Maria e a Paródia, todos de Bordalo Pinheiro. Pelo que lá diz, o artista estaria hoje à sombra, impedido de publicar. O Mundo ri e a Gaiola aberta já teriam sido condenados. 
O que era ingénuo passou a ser odioso. O que era proibido é agora recomendado ou livre. 
O grande problema é o da definição dos limites. 
Quem define? Com que direito? 
As horas de violência, sexo e palavrões, na televisão, já mudaram muito e evoluem conforme os tempos. Os insultos de hoje não são o que eram há 20 anos. Os nus de hoje não são o que eram há 30. 
Com que direito um grupo de sábios, parlamentares, professores, jornalistas, sacerdotes ou advogados define o que posso exprimir e a que horas posso dizer? 
Todos os dias vemos quem se julgue mestre de moral, titular de direitos sobre as vidas dos outros, imbuído de conhecimentos excepcionais sobre o que é bom ou mau para os cidadãos, convencido de que pode transformar em leis as suas preferências, certo de que as
suas opções são as únicas decentes! 
A superioridade moral dos partidos de esquerda só tem de igual a certeza dogmática dos partidos da direita. 
Os últimos anos têm sido de agravamento deste dilema entre duas formas de despotismo. 
A liberdade de expressão ganha força quando se lhe deve aquilo de que não se gosta. 
Se a liberdade de expressão consiste em pronunciar as frases aceites e os conteúdos admitidos, não há liberdade. 
Temos eventualmente um belo coro, mas liberdade, não. 
A liberdade de expressão não se limita a poder dizer o que nos apetece. Implica ter de ouvir o que não gostamos
A liberdade de expressão não é só construtiva! 
É também destrutiva, crítica e demolidora! A minha liberdade de expressão não termina com a liberdade de expressão do outro. Não! Ela implica a liberdade de expressão do outro, implica que a opinião do outro seja diferente

O confronto entre opiniões, ao abrigo da liberdade de expressão, chama-se discussão. 
A diferença entre opiniões chama-se controvérsia. 
A coexistência chama-se liberdade (António Barreto)
(sublinhados da minha responsabilidade)
António Cabral (AC)