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terça-feira, 23 de junho de 2026

PODER.  O VERDADEIRO PODER.
O poder é o voto, está no povo.
O poder advém das eleições periódicas.
Mas, seja igual à minha, esta ou uma semelhante (Montblanc, Sheafer, Parker, Cross, etc), seja uma simples Bic, o poder concretiza-se no riscar do aparo delas. 
Fica registado, assinado, e assim sai confirmação de posse, de proposta, de memorandum, de promulgação, de referenda ou devolução sem mais.

AC

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ELEIÇÕES
Terminou ontem.
Seguro tomará posse a 9 de Março.

O que não terminou ontem à noite, é o que ressalta da maioria dos jornalistas e concretamente os da TV.
Respeito, SEMPRE, a opinião de outrem, mas aquilo a que assisti ontem foi mais uma vez um mau serviço à comunidade. 
Um histerismo à volta das percentagens.
É a minha opinião.

O que é mais relevante?
Uma percentagem? 
Ou o número concreto de votantes em A e votantes em B?
Pessoalmente prefiro o nº de votantes.
E gosto de ponderar o nº de votos obtidos em cada eleição.
A percentagem 50,1% essa sim é importante em eleições.

Respeito, SEMPRE, a opinião de outrem, mas parece-me não fazer grande sentido certas comparações e excitações observadas ontem.

Ai que ele vai ultrapassar a percentagem da 2ª volta de Soares.
Sinceramente duvido que isso seja o mais relevante, a percentagem.

Sempre aprendi que se deve comparar o que é comparável, além de ponderar envolventes, contextos, épocas.
Comparar por exemplo resultados das presidenciais com legislativas ou estas com autárquicas?
Será que estou errado?

O presidente eleito ultrapassou o número de votos obtidos comparativamente aos de Mário Soares na eleição para o 2º mandato.

Os jornalistas, homens e senhoras, bem podiam ter perdido um bocadinho mais de tempo e eles e com comentadores residentes ou convidados dissertarem sobre os resultados de ontem olhando aos do passado. Que foram estes (espero ter copiado bem da CNE):

ANO - ELEITO - ELEITORES - VOTANTES - VOTOS OBTIDOS

1976 - Eanes    - 6467480 - 4881125 - 2967137

1981 - Eanes    - 6920869 - 5840332 - 3262520   + 295383

1986 - Soares    - 7612733 - 5937100 - 3010756

1991 - Soares    - 8202812 - 5098768 - 3459521  + 448765

1996 - Sampaio - 8693636 - 5762978 - 3035056

2001 - Sampaio - 8950905 - 4449800 - 2401015  - 634041

2006 - Cavaco    - 9085339 - 5590132 - 2773431

2011 - Cavaco    - 9543550 - 4431849 - 2209227  - 564204

2016 - Marcelo    - 9751398 - 4744597 - 2413956  

2021 - Marcelo    - 10847434 - 4258356 - 2531692  + 117736

2026 - Seguro    - 11009803 - 5768536 - 3482481 (provisório)

Pois os senhores jornalistas e comentadores além do histerismo e quase gritinhos - ai que ele vai bater a % de Soares na 2ª volta - podiam sobretudo olhar para este quadro.

Podiam tentar explicar porque, da eleição para o primeiro mandato para a eleição para o segundo mandato os eleitos passados obtiveram mais ou menos votos, como se vê no quadro (espero não ter errado as contas):

Eanes  + 295 383 votos obtidos

Soares + 448 765

Sampaio - 634 041

Cavaco - 564 204

Marcelo + 117 736

Explicarem por exemplo as grandes quedas de Sampaio e Cavaco

António Cabral (AC)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

VOLTO a REALÇAR
. . . . . a liberdade pode resumir-se à escolha do conteúdo, das normas e dos valores a partir dos quais a nossa natureza essencial, incluindo a nossa liberdade, se expressa. . . .  (Carlos de Matos Gomes).

AC
A PROPÓSITO das ELEIÇÕES,
deixo aqui um interessante (opinião pessoal, naturalmente) artigo de opinião, de 25 de Fevereiro de 2024, da autoria de um Capitão de Abril que infelizmente já nos deixou, o Coronel Carlos de Matos Gomes.
(sublinhados da minha responsabilidade)

Tenham uma boa 3ª Feira.
Saúde e boa sorte.
AC

Liberdade de escolha, razão e demagogia

A liberdade de escolha constituiu o elemento a partir do qual os debates tradicionais sobre a liberdade e a necessidade começaram na Grécia há mais de dois mil e quinhentos anos. O problema da liberdade de escolha reside na contradição resultante do facto de podermos decidir contra o bem essencial, transformando a liberdade em servidão
Isso acontece porque a liberdade pode resumir-se à escolha do conteúdo, das normas e dos valores a partir dos quais a nossa natureza essencial, incluindo a nossa liberdade, se expressa. 
A liberdade pode agir contra a liberdade, entregando-nos à servidão. 

E esse é o projeto das “democracias iliberais”, ou formais que nos está a ser proposto como paradigma da democracia. 
Votais! — o resto está por conta de outrem, de nós, os vossos representantes
Este tipo de “democracia” é o meio ideal de criação e desenvolvimento dos demagogos e da demagogia. 
Dos abutres da liberdade, dos que comem o interior dos corpos, os órgãos vitais que garantem a liberdade e deixam o esqueleto, que continuam a designar por democracia. Não é, como o cavername de um barco não é um barco e não navega.

O que está a ser imposto como “democracia” é a apropriação do direito de voto por uma elite
Essa velha perversão aproveita o que, à falta de melhor, pode ser traduzida pela palavra alemã de Angst — medo, horror, angústia de confrontar possibilidades e desejos com a realidade, de medo de usar a liberdade, por isso os temerosos transferem a responsabilidade para outros que lhe surgem como mágicos realizadores de felicidade. Esta transferência de responsabilidade pelo uso da liberdade contradiz a natureza essencial do ser humano, de ser livre, condu-lo à servidão, mas vendida a liberdade, já não há regresso, o demagogo está aos comandos da nossa vida e não mais nos ouvirá.

A liberdade humana é o risco humano. A possibilidade de ultrapassar uma qualquer situação implica a possibilidade de não o conseguir. 
Mas a delegação da liberdade pode tornar-se servidão se for atribuída a quem corrompa os princípios e os meios “democráticos” para se apropriar dela. 
As campanhas eleitorais servem também e cada vez mais como legitimações desse tipo de corruptos que surgem a par dos que cumprem regras básicas de conquistar o voto. Isso acontece porque o modelo “democrático” imposto pelo poder dominante para ultrapassar a universalização do voto é o de escolher “quem” e não escolher “o quê”. A personalização (fulanização) das campanhas e das candidaturas, o empolamento a “casos” e revelações de intimidades servem o propósito de atrair as atenções para o quem e não para o quê.

Os debates-espetáculo que nos são servidos como ração democrática e integral querem que vejamos lutadores em competição e não os empresários e os que manipulam os resultados. 
Os espetáculos-debate são um falso combate encenado para dar a vitória antecipada aos demagogos, aqueles que melhor dominam a arte de conduzir habilmente as pessoas ao objetivo desejado, utilizando os seus conceitos de bem, mesmo quando lhes são contrários. 
Aos que corrompem a essência da democracia, de o poder ser constitucionalmente detido pelo povo, para se apropriarem dele apelando ao menor denominador comum, propondo ações prontas a servir para enfrentar situações e crises complexas, enquanto acusam oponentes de moderados, de fracos e de corruptos, segundo as conveniências do momento.

O êxito dos demagogos assenta na cobardia. Os demagogos orgulham-se da sua arte de arrastar cobardes. Os grandes meios de manipulação elegem e legitimam a cobardia como um valor cívico. A discussão da pré-campanha tem sido centrada no lugar a dar num futuro governo aos demagogos que têm a arte de arrastar cobardes.

A adesão de grandes massas aos demagogos é antiga, é uma servidão trágica que ao longo da história tem levado a situações de brutais e irracionais ruturas, em que a humanidade se pode reduzir à situação do indivíduo isolado à beira do abismo, insignificante e incapaz de se aperceber da ameaça para ele próprio e da aniquilação ao seu redor. Julgo ter sido essa a situação de muitos alemães durante o nazismo e de ser essa a situação de muitos israelitas perante o genocídio de palestinianos. Duas situações em que foram os cidadãos que elegeram, que votaram os que os governaram e governam, que participaram em comícios, em ações de esclarecimento, que ouviram ou viram debates.

O que podem fazer os que sentem a angústia da servidão para evitar a tragédia que anteveem como inevitável resultado da demagogia nas horríveis das experiências do passado? 
Existe um valor que tem sido esquecido ou muito aviltado: a coragem e não existe nenhum ser mais corajoso do que o ser humano, porque mesmo quando em condição de servidão não perde a liberdade se mantiver a sua dignidade.

A demagogia é um atentado à dignidade humana e o mais reles e eficaz argumento dos demagogos é o aproveitamento do sentimento de insegurança, que eles próprios criam e que prometem resolver a troco da integração no seu bando. 
Exploram a solidão e a fragilidade do “homem só”, do ser só, perante os predadores e rodeado de necrófagos. 
Uma grande parte das criações da civilização humana pode ser compreendida em termos de “busca de segurança”. 
A utilização da insegurança como argumento encontra-se hoje no primeiro plano da panóplia de armas dos demagogos, insegurança física, política, económica e até por falta de sentido na vida.

Outro dos sentimentos explorados pelos demagogos é o do desespero, entendido como o conflito entre a vontade de se manter a si mesmo e o de se perder a si mesmo, o desejo, ou a vontade de obter o mundo completo (a realização), e o desejo ou a vontade de se acolher à servidão, abdicando da da liberdade.

As ações a que assistimos durante uma campanha eleitoral são a repetição do negócio da compra e venda da alma a troco de promessas, as encenações tecnológicas nas televisões não alteram o essencial do logro do mito de Fausto, apenas o embrulham e o disfarçam com luzes faiscantes. 
O demagogo é, no fundo, uma velha máquina de picar carne que transforma em pasta o cérebro de quem acredita que ele lhe vai fornecer uma salsicha.

sábado, 31 de janeiro de 2026

POLÍTICA.  ELEIÇÕES  

O  MOMENTO  POLÍTICO, E  PARTICULARMENTE  POR CAUSA  DOS  QUE  ME  MENTEM  A  SÉRIO,  NÃO  ME  TIRA  DA  CABEÇA  ESTA  DE  ANTÓNIO  ALEIXO. 

Sem que discurso eu pedisse,
ele falou e eu escutei.
Gostei do que ele não disse
do que disse não gostei.

P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade, 
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis,
agora fala verdade,
ninguém crê no que ele diz.

Julgando um dever cumprir,
sem descer no meu critério,
digo verdades a rir
aos que me mentem a sério.
António Aleixo

AC 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

RECORDANDO

Quem escreveu isto é um génio


ANTES DA POSSE 

O nosso partido cumpre o que promete. 

Só os tolos podem crer que 

não lutaremos contra a corrupção. 

Porque, se há algo certo para nós, é que 

a honestidade e a transparência são fundamentais. 

Para alcançar os nossos ideais 

Mostraremos que é uma grande estupidez crer que 

as máfias continuarão no governo, como sempre. 

Asseguramos sem dúvida que 

a justiça social será o alvo da nossa acção. 

Apesar disso, há idiotas que imaginam que 

se possa governar com as manhas da velha política. 

Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que 

se termine com os marajás e as negociatas. 

Não permitiremos de nenhum modo que 

as nossas crianças morram de fome. 

Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que 

os recursos económicos do país se esgotem. 

Exerceremos o poder até que 

Compreendam que 

Somos a nova política. 


DEPOIS DA POSSE
Basta ler o mesmo texto acima, 
de baixo para cima.

Bom dia, tenham uma boa 3ª Feira.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

ELEIÇÕES   e   ELEITOS

As eleições autárquicas tiveram lugar a 12 Outubro passado.

Todas as novas/ eleitas, assembleias municipais, câmaras municipais, freguesias, tomaram posse.

Como dizia um antigo e conhecido jogador de futebol, prognósticos só no fim do jogo.

Isto dito, tenho quase a certeza de que em algumas autarquias não precisaremos de esperar pelo fim dos quatro anos de mandatos para aferir de quão verdadeiro e certeiro isto é:

Oxalá me engane.
Aguardemos.

Bom dia, tenham uma boa 4ª Feira.
Saúde e boa sorte.
AC

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

terça-feira, 30 de setembro de 2025

DERROTA? 
Minha? 
Não, nunca será minha, sempre dos outros!
(Vide, declarações de José Luís Carneiro)
AC

E L E I Ç Õ E S

Eleições presidenciais de 1976
Resultados:

Ramalho Eanes - 2 967 484 votos / 61,54 %

Otelo Saraiva de Carvalho - 796 392 / 16,52 %

Pinheiro de Azevedo - 692 382 votos /14,36 %

Otávio Pato - 365 371 votos / 7,38 %

Eleitores inscritos - 6 477 484 

Votantes - 4 885 624 / 75,42 %

AC

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

A Propósito de ELEIÇÕES, GOVERNANÇA. . . . 

Aplica-se a vários, incluindo os das conversas e discursos que nem taberneiros teriam.

Trazem amigos, trazem familiares e até trazem padrinhos.

Padrinhos?

Estou a lembrar-me daquele filme do Marlon !

AC

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A  PROPÓSITO  DE  ELEIÇÕES
Um bom amigo recomendou-me que fosse ver uma "cena" (debate?) entre diferentes candidatos autárquicos que passou numa TV, candidatos a presidente da câmara municipal de Montijo.

Não consegui ainda visualizar tal coisa.

Mas já me dou por satisfeito pelas sucintas e esclarecedoras indicações desse meu bom amigo, revelando a tristeza de criaturas que se apresentaram sendo que uma delas, há anos foi edil num concelho vizinho, ter como uma das suas propostas para a cidade Montijo a mudança do cais de atracação dos barcos que fazem a travessia Montijo-Lisboa-Montijo.

A criatura só com essa proposta demonstra bem a preparação, a sua   "categoria" e o conhecimento dos problemas da cidade.

A classificação que o meu bom amigo empregou para esse candidato autárquico não a posso aqui reproduzir, direi apenas que começa com B!

Acrescento que o meu bom amigo, pessoa culta e muito educada, só por generosidade e democrática paciência não classificou mais forte o dito candidato. Pecaria sempre por defeito!

AC

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

A PROPÓSITO de ELEIÇÕES, 12OUT2025

As coisas poderão ficar ainda piores do que estão/ estavam, finda a noite eleitoral de 12 de Outubro?

Aguardemos.

António Cabral

AC 

domingo, 31 de agosto de 2025

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS APROXIMAM-SE

VOLTO A RELEMBRAR. 


E ESTOU A PENSAR PARTICULARMENTE NOS CASOS DE, LISBOA, COIMBRA, PORTO, IDANHA-A-NOVA, PENAMACOR, MONTIJO, SETÚBAL, CASTELO BRANCO, CASCAIS.

AC

sábado, 23 de agosto de 2025

ELEITOR a  OLHAR  para  CANDIDATOS
AC
 
ELEIÇÕES. 
E o PS ? Ascenso Simões.

Um mês depois das eleições legislativas antecipadas de 18 de Maio passado, em que o PS teve uma hecatombe, e recordando o pouco que foi dito e os silêncios de alguns dos seus dirigentes de topo nessa noite e dias seguintes, não há/ houve reflexão conhecida.

O que se tem assistido é um sucessivo lutar de Carneiro, extremando posições tendo em conta as alas esquerdistas dentro do partido. O homem calmo e educado foi-se em boa parte. Imagino a sua luta interior, por causa dos extremistas à sua esquerda, e mais o Chega.

A triste e trágica realidade das últimas semanas, em que tem vindo à superfície quer o balão cheio de ar que é este governo quer a continuada e lastimável actuação pública do inquilino em Belém, e Carneiro a EXIGIR, mostra claramente que continuamos no mesmo lamaçal a que muitos chamam política.

Fui reler um texto de um socialista que nunca apreciei, mas que escreveu umas palavras curiosas.

Ascenso Simões

As legislativas foram há um mês. O país vive a ressaca e os partidos das esquerdas parlamentares ainda não têm todas as respostas para o acontecido. Apesar de não estar recuperado da pancada, aproveitei as minhas andanças pelo país e não parei enquanto não encontrei algumas justificações para os resultados.

Comecei em Santa Marta de Penaguião, passei por Mangualde, caminhei por Salvaterra de Magos, segui por Sesimbra a caminho de Moura e terminei em Olhão.

Atravessei território onde o PSD cresceu, o Chega chegou mesmo a ser o partido mais votado e o PCP desapareceu. Sentei-me em cafés, tascas e restaurantes destas terras e pedi às pessoas para que elas me permitissem perguntar o que acharam das últimas eleições, o que esteve na base da mudança significativa do quadro político português.

Não lhes vendi a minha cartilha, só fui fazendo cinco universos de perguntas.

As questões, olhando sempre o interlocutor, andaram à volta do seguinte: 1ª Gostou do trabalho da Geringonça? Acha que foi boa para o país? 2ª O que recorda dos governos do Dr. António Costa? 3ª O que achou de termos ido para eleições? A questão de Luis Montenegro era mesmo importante? A AD está a fazer um bom trabalho? 4ª Em que falhou Pedro Nuno Santos? Quais foram os erros principais que cometeu? O PS vai conseguir recuperar? O que deve fazer para voltar a ser um dos partidos centrais do sistema político português? 5ª O Chega é mesmo um partido para levar a sério? O Bloco vai renascer, ou o Livre vai ser o “albergue” da outra esquerda?

Deixo, neste texto, as respostas que mais ouvi sobre cada tema.

A Geringonça foi um período governativo que mereceu o agrado inicial de uma parte considerável da população. Portugal saía das amarras da troika e os portugueses acharam que, com mais dinheiro no bolso, estavam num tempo novo. Só que dar dinheiro não é afiançar a perenidade dos votos. A Geringonça não garante, nos dias de hoje, boa lembrança porque os partidos à esquerda do PS reprovaram o Orçamento de 2022, o país foi a eleições, houve uma maioria absoluta, o governo socialista entrou numa sucessão de casos e terminou com um chefe de gabinete do PM a guardar dezenas de milhar de euros no Palácio de São Bento. É isto que as pessoas recordam, sem elaborações, sem mas nem meio mas.

Os governos de António Costa tiveram vários momentos, foram identificando os meus interlocutores. A pandemia e a crise inflacionista foram relevantes e razoavelmente tratados. Mas o que leva a que as pessoas já se tenham esquecido disso? Vão ficar surpreendidos, mas o que hoje mais se comenta e afirma é muito simples – Costa queria ir para Bruxelas e deixou o país a arder. Não são argumentos elaborados sobre as decisões tomadas ou os erros graves cometidos. Muitos milhares de portugueses arrependeram-se de terem votado no PS, em 2022, logo no dia seguinte às eleições, e foram deixando este partido para trás. Foi este contentor de insatisfações que fez crescer o Chega até 50 deputados em 2024 e até 60 em 2025.

Agora sobre os últimos quatro meses. Os portugueses não queriam eleições. Uma grande parte do povo encara o PS e as suas últimas governações identificando casos graves. De forma legítima ou não, olham para este partido e vêm muitos casos de “interesseirismo”. Custa a ouvir, mas isso está hoje colado ao punho que se apresenta no boletim de voto. E não é só a nível nacional, é muito, também, nas autarquias locais. E, num país que tem das mais altas taxas de fuga ao fisco e de economia paralela, quem é que acharia que a imoralidade de Montenegro seria uma coisa muito grave?

Assim, a questão do primeiro-ministro era importante, mas para que os portugueses pudessem ter olhado com vantagem para o PS, este devia ter sido o campeão das iniciativas legislativas relativas ao combate às influências e à corrupção, devia ter olhado para dentro e ter sido implacável com quem já foi acusado nesse universo de crimes. Mas não foi.

A generalidade das pessoas não acham que Montenegro seja um às, mas é verdade que resolveu um conjunto de dossiers que Costa tinha deixado. O antigo líder do PS decidiu contrariar uma regra básica da política – não estar em conflito com toda a gente. Pôs professores, oficiais de justiça, polícias, militares, médicos, enfermeiros, e outros mais, em pé de guerra. Montenegro está lá, foi resolvendo com o dinheiro que lhe deixaram, ainda não teve casos graves vindos de ministros, a coisa não é famosa, mas também não é igual ao último ano do governo anterior. Por isso devia continuar, dizem.

As pessoas com quem falei não tinham respostas elaboradas sobre o que falhou com Pedro Nuno. A primeira reação é – não gosto dele. Muitos falam na sua inflexibilidade, outros ainda, que ele é de um “PS esquisito”. O líder que sai teve uma taxa de reprovação muito superior à votação que o PS teve, muitos socialistas votaram no símbolo e não no líder. E eu lamento muito, até porque Pedro Nuno é um bom ser humano e um político capaz. Sentado no Café Tinto em Olhão, ouvi: “Ele não é o único nem o maior responsável do crescimento do Chega. O mal vinha sendo feito desde 2019.”

E quando se pergunta quais foram os principais erros que ele cometeu, a primeira grande referência é a decisão sobre o aeroporto. Depois há as trapalhadas da TAP e, por fim, a ausência completa de programa e de propostas credíveis. Nem pessoas competentes ele conseguiu apresentar para um possível governo, disseram-me...

Em Moura ouvi uma senhora que me disse: “Os socialistas abandonaram-nos. Só falam da cidade, dos problemas dos grandes. Nós estamos aqui esquecidos, não temos transportes, não temos médicos, não temos nem crianças e nem sequer o padre vem aqui. Temos medo, não há segurança, ninguém quer saber de nós.” O esquecimento de territórios e de milhões de pessoas, que deixaram de estar no discurso político, esse Portugal esquecido é campo fértil para a direita radical e populista.

Durante este mês, as pessoas foram-me dizendo que o PS vai conseguir recuperar. Muitos deixaram de votar socialista porque não queriam mais lembrar-se da parte final da governação de Costa e não entenderam a direção que sai.

Foi quase unânime a consideração de que o Chega é um partido que deve ser levado a sério. Sendo hoje a segunda força parlamentar, a maioria dos que ouvi e principalmente os que ainda votaram no PS, esperam que seja tão combatido com o silêncio e com o desdém, como com calma e com exemplo. Para voltar a ser relevante no sistema político, o PS não pode aumentar ainda mais a sua derrocada ao passar os dias em berraria com aquela gente.

Os portugueses têm hoje com Mortágua, e com as figuras cimeiras do Bloco, uma reduzidíssima compatibilidade. Ao candidatarem os fundadores, sem que tivesse havido qualquer recuperação eleitoral, e sim o quase desaparecimento, foi todo o partido, desde o nascimento até hoje, que implodiu. Nos concelhos que no início do texto indiquei, já quase não havia BE, mas foi o extremismo e a falta de graça que o fizeram descer a quase zero. Temos agora, no parlamento, não um bloco mas um Pinoco de Esquerda, como ouvi no café O Careca em Salvaterra, município onde este partido já governou a câmara.

Também me disseram que o Livre é um partido de um homem só, como o Chega. Tavares, como demonstrou na campanha, estará a fazer o caminho para chegar ao Governo, para acertar as contas com a sua circunstância. Diz-me, com um sorriso maldoso, o mais velho dos empregados do restaurante O Velho e o Mar em Sesimbra: “Fará tudo o que for preciso para telefonar à mãe e dizer – já sou ministro!”

Poder circular por este nosso Portugal em trabalho é uma sorte que tenho. Confesso que não fiquei muito esperançado com tudo o que fui ouvindo. Porém, pareceu-me que as pessoas ainda têm com o PS um sentimento de pertença, mesmo os que não são socialistas. E mais, têm mesmo uma dívida de gratidão. Talvez seja esse sentimento, que se aproxima da nostalgia, o mais relevante deste mês de deambulações.

Duvido que a maioria dos portugueses não esteja já num estado de grande cansaço e de revolta muito grande à conta desta gente toda, de todas as cores.
Aguardemos pelas autárquicas. 

Creio que será um bom teste para avaliar, cumplicidade, gratidão, sentimento de pertença, empatia, revolta, quem se lembra a sério da governação de 8 anos de Costa, quem tem presente o somatório dos disparates do último ano e meio.
Aguardemos.

António Cabral (AC)

domingo, 17 de agosto de 2025


 Agora que estamos cada vez mais perto de processos eleitorais . . . . . é só para recordar o que sempre tem acontecido.

AC