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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

"A  ESCOLA  TEM  DE  SER  DEMOCRÁTICA,  NÃO  TEM  QUE  IMPINGIR  A  DOUTRINA  DEMOCRÁTICA"

(ANTÓNIO BARRETO)

AC

quarta-feira, 21 de maio de 2025

A Europa em perigo

Por António Barreto, Público, 28.12.2024
Estes anos vão ficar na história da Europa. Pelas boas ou pelas más razões. As boas: se a Europa, a sua União e as suas nações conseguirem ultrapassar as derrotas passadas e os perigos próximos. As más: se a Europa e as suas nações soçobrarem, perderem, forem derrotadas e não saibam ou não consigam recuperar. Parece apocalíptico? É. Exagerado? Talvez não. Possível? Sim.

Nas derrotas (políticas, militares, económicas, desportivas e outras), o pior é quando o potencialmente derrotado não se dá conta e não percebe que caminha para a sua perda. Ainda por cima, quando tem meios para evitar a derrota, mas não sabe, não quer, não consegue ou prefere não os utilizar. É o caso da Europa. Está à beira de derrotas históricas, mas nega a evidência. Tem meios para, a prazo, evitar a derrota, mas não os utiliza. Sabe quais são os caminhos para vencer ou pelo menos evitar o pior, mas, por miopia política, recusa percorrê-los. Prefere a complacência. E esperar que as coisas acabem por correr bem.

Que erros já cometeu a Europa? Que novas derrotas se preparam? A começar pelo princípio: a Europa esticou excessivamente a corda federalista, sem a conseguir finalizar; destronou as nações, sem as eliminar. Ficou a meio caminho, local de todas as derrotas: nem nações orgulhosas, nem federação poderosa. Os alargamentos foram excessivos e arriscados. O avanço a Leste foi imponderado.

A Europa deixou correr a NATO e os Estados Unidos, ficando paulatinamente para trás, poupando recursos e dinheiros, evitando gastos e investimentos, ameaçando a Rússia de modo inconsequente e substituindo a defesa pelos benefícios sociais. Ficou a reboque da América. E desarmada diante da Rússia.

O BREXIT constituiu uma das maiores derrotas da Europa em toda a sua existência. Da Europa continental, da União e da Grã-Bretanha. Uma das mais importantes nações europeias e mundiais, um dos melhores exércitos da Europa e do mundo e uma cultura empresarial única abandonaram a Europa. Para nunca mais voltar.

Ao longo de décadas, por cupidez e preguiça, por espírito snob e ganância, por facilidade e irresponsabilidade, a Europa deixou definhar a sua indústria, subsidiou a sua deslocalização, fomentou o recurso às empresas do Terceiro Mundo e entregou à China toda a sua capacidade manufactureira. A Europa libertou-se da sua sujidade, do seu lixo e da sua poluição: à custa da sua independência.

Por miopia e ilusão, a Europa entregou-se nas mãos da Rússia, do seu gás e do seu petróleo, enfraquecendo-se e fortalecendo aquele que é seguramente o mais vil dos actuais impérios à face da terra.

Há várias décadas que a Europa vende tudo o que tem. À China e à Rússia, à América e às ditaduras islâmicas, aos poderosos africanos e aos salteadores asiáticos e latino-americanos. Não só a empresas e Estados, mas também a bandidos e predadores. Fábricas e hotéis, serviços públicos e habitação, estradas e comboios, aeronáutica e telecomunicações, praias e montanhas, energia e barragens.

Há décadas que a Europa vem substituindo as suas personalidades, os seus intelectuais, escritores e cineastas, músicos e artistas, os seus académicos, cientistas e humanistas, os seus políticos esclarecidos e cultos, os seus sindicalistas de combate e os seus militares de confiança, por gestores das coisas dos outros, administradores de outrem, solicitadores de bens alheios e empregados de ocasião.

A Europa do cristianismo, do individuo, da dignidade da pessoa humana, dos gregos e do Renascimento, do iluminismo, da república, da cidadania, da democracia, dos direitos humanos, do sindicalismo, da ciência, da coesão social, das artes e das letras, essa Europa já é pouco mais do que recordação, tudo estando cedido em troca da arte digital, da inteligência artificial e da criação em streaming.

A Europa que viveu de milhões dos seus terem emigrado para outros continentes e de ter recebido milhões de emigrantes das suas e de outras nações, que soube misturar com carácter e acolher com personalidade, essa Europa está hoje enredada e prisioneira da desordem do tráfico de pessoas e dos mesquinhos interesses de dinheiros.

A Europa nunca chegou a ser Governo e Parlamento. Deixou de ser Banco. Não é mais Fábrica. Já tinha deixado de ser a Universidade. Já não é Igreja. A Europa é tudo isso, a prestações, mal e toscamente, sem personalidade nem identidade. A Ilustre Casa Europeia, casa de fidalgos arruinados e de pomposos gestores dos interesses de outros, perde todos os dias força e carácter. E, como acontece nas fábulas, não sabe que está a perder. Ou nega.

Em crise, nas vésperas de previsíveis derrotas de civilização, a poucos dias do novo e terrível presidente americano, a semanas ou meses de uma temível derrota ucraniana, no início de uma hegemonia sino-americana conflituosa, perto de uma verdadeira conquista islâmica e à beira da humilhação que será a do abandono da Europa pela América, os europeus, muitos europeus, sobretudo os seus dirigentes, comportam-se como se de nada se tratasse. À iminência do desastre chamam exagero e ansiedade. Como antes, aos cemitérios, outros chamaram paz.

Como sempre na vida e na história, a glória e a fama não conseguem esconder a vilania e a maldade. Os grandes feitos europeus não fazem esquecer a conquista, a escravatura, a opressão e a ditadura. Mas a Europa soube sempre ser a primeira a criticar os seus próprios erros, as suas malfeitorias e os seus desmandos. Será agora novamente capaz de reconhecer erros e evitar derrotas?

A Europa e as suas nações ainda têm alguma força, algumas empresas, alguns cientistas, alguns políticos, alguns intelectuais, alguns trabalhadores, alguns artistas e alguns militares com os quais se possa imaginar que seja possível evitar o desastre, transformar a derrota em vitória e garantir, mais do que uma ressurreição, um renascimento. A Europa tem beleza, natureza, cultura, tradição, história, reputação, património, diversidade e riqueza suficientes sobre as quais pode reconstruir e recomeçar. E ainda tem empresas e instituições.

Basta a vontade? Não. De modo nenhum. É necessário um colossal esforço. Muito estudo. Trabalho e ciência. Investimento. Defesa própria. Segurança autónoma. Muita liberdade e crítica. Direitos humanos. E liderança política
.

Estive a reler este artigo depois de passada a noite de 18 de Maio.
E tão pertinente continua a questão da liderança política.

E não me refiro só à liderança política inerente às chefias partidárias.

Refiro-me, também, por exemplo, à liderança política do inquilino em Belém que no presente tem ou devia ter, um papel decisivo.

Ouvi-o palrar ontem, no jantar no Museu dos Coches, sobre as entrevistas/ conversas havidas com o Chega, PSD, e acerca da apresentação de cumprimentos de despedida de Pedrinho.
Fiquei esclarecido ou aterrado? Adivinhem.
António Cabral (AC)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

DEVE SER TAMBÉM POR ISTO

NÃO HÁ COMPARAÇÃO ENTRE A ENVERGADURA INTELECTUAL E ACADÉMICA DAS PRINCIPAIS FIGURAS DE SALAZAR, COM AS FORNADAS DE APARELHISTAS FABRICADOS NOS ISCTES OU NO LARGO DO RATO, SEM QUALQUER OBRA OU CURRÍCULO VISÍVEIS. 

NESTE ASPECTO FUNDAMENTAL, REGRESSÁMOS AO AMBIENTE DA PRIMEIRA REPÚBLICA.

António Barreto 

Jornal Público, 3 de Julho de 2021

Deve ser também por isto que António Barreto aponta que eles viviam tão felizes.
AC

terça-feira, 5 de novembro de 2024

ABSOLUTAMENTE  DE  ACORDO
Convém recuar um pouco para ter melhor perspectiva. 
O orçamento é uma folha de mercearia. Ou lista de compras de supermercado. 
Não é um plano, uma estratégia, um programa. 
Além do mais, este orçamento é uma folha de benesses e benefícios. Há descontos, isenções, aumentos, reduções, alívios, subvenções e privilégios para muita gente. 
O que essencialmente distingue os dois principais partidos é o elenco de beneficiários, mais para uns do que para outros, mais para outros do que para uns. ANTÓNIO BARRETO)
AC

terça-feira, 24 de setembro de 2024

ABSOLUTAMENTE  de  ACORDO
. . . . Permitir ou proibir crianças de dez anos ou adolescentes de quinze de usar smartphones onde quiserem e quando quiserem são prerrogativas e deveres dos pais e dos familiares. 

Mas, nas salas de aulas, não são eles que têm autoridade para tanto. Nenhuma máquina desempenha com vantagem as funções da aula e do ensino. 
Nenhuma cópia é superior ao diálogo e ao estudo. 
Nada substitui o carácter humano do processo educativo.
(António Barreto) (sublinhados da minha responsabilidade)

Agora vá lá dizer isso a milhares e milhares de paizinhos e mãezinhas e, sobretudo, explicar-lhes que é em casa que têm que educar os filhos, explicar-lhes o que é ser educado, respeitador, ensinar-lhes/ incutir-lhes valores e princípios, e que na escola estão lá para complementar isso e muito para aprenderem, para se formarem, e prepararem para a vida.
AC

domingo, 7 de julho de 2024

ESCREVEU ISTO em FRENTE ao ESPELHO ?



Grande Angular - O futuro começa em casa 

Por António Barreto

Grande número de comentadores comporta-se como políticos: definem programas e tomam partido, não duvidam. Semelhante número de políticos comporta-se como comentadores: especulam, prevêem alianças e analisam as hipóteses de equilíbrios futuros. É interessante. Pode ser formativo. Aprende-se sempre qualquer coisa. Mas pouco adianta.


António Cabral

sábado, 15 de junho de 2024

PLENAMENTE DE ACORDO
Entretanto, quase não há tempo para sentir que o ridículo mata. O logotipo da bandeira nacional e da República Portuguesa foi o mais recente exemplo! A edição PS era moderna, digital e basbaque. Inclusiva, dizem, sem sinais colonialistas. Antes das eleições, a velha edição patriótica, com quinas e esfera armilar, foi reivindicada pelo PSD. Depois, a nova edição do PSD é patriótica nas cores, mas inclusiva na ausência de símbolos. Já não são precisos os votos, foram-se as quinas. E que mais teremos? Tempos houve, bem mais divertidos, em que se propunha colocar na bandeira o boné frígio, o triangulo maçónico, a cruz de Cristo, as cavacas de Rezende e talvez o bacalhau à lagareiro. Agora, são propostas de simplicidade digital e de alusão subconsciente à pátria!
. . . . . . . . 
A esquerda ridícula
tentou abolir o colonialismo da bandeira. Achou que era a boa altura, à mistura com o anti-racismo. A direita ridícula achou por bem reagir, Protestou. Antes das eleições, tratavam as esquerdas de traidoras. As esquerdas ridículas preparavam-se para se venderem no altar profano dos apátridas. As direitas ridículas logo se apresentaram ao serviço para salvar a pátria. Depois das eleições, não se sabe bem porquê, as direitas sanearam o ultraje dos socialistas, mas abdicaram do regresso à bandeira, e encontraram um meio termo, um pouco digital, um tanto moderno, conservador quanto basta, simples no que parece, destituído de significado, baço, como gostam os que não têm rosto nem cabeça. Nem coração, pelos vistos.

Entretanto, as esquerdas tentaram não comemorar Camões, que nasceu há 500 anos. Quase iam conseguir. As direitas, agora no governo, inventaram apressadamente um programa de festividades. Mas apagam Vasco da Gama, que morreu há 500 anos e era, ao que eles julgam, mais racista e esclavagista do que Camões. Acontece que este cantou aquele, com dedicação inspirada! Camões não merecia que esquerdas e direitas lhe fizessem uma moeda com cara sem rosto!

A agressividade com que os nacionalistas lutam contra os republicanos é tal que parecem perder a cabeça e o tino. Nunca se lhes ouve uma palavra sobre Camões ou Gama, sobre a bandeira ou a esfera armilar. Para já não falar dos campos verdes e do sangue dos heróis! Esquecem que esta bandeira é já por si lesa pátria e mata reis, pois deveria ser azul e branca. As direitas ganham as eleições e depois têm receio do que prometeram. Já que têm o governo nas mãos, porquê ganhar mais inimigos? Assim foi que encontraram soluções mornas para Camões, frias para Gama e turvas para a bandeira! Assim é que a bandeira nacional, produto republicano, é festejada pelos nacionalistas e conservadores. O hino nacional, a “Portuguesa”, produto jacobino, com laivos anticolonialistas, é defendido por conservadores e nacionalistas! O mundo às avessas!


(Público, 15.6.2024, António Barreto) (sublinhados da minha responsabilidade)

Com esta tralha, Portugal nunca se endireitará.
Oxalá me enganasse, mas temo bem que a minha sina continuará, nunca acertar no Euromilhões e, infelizmente, acertar em imensas coisas sobre a sociedade e no plano familiar também.

É a vida, como usava dizer o esponjoso.
António Cabral

terça-feira, 28 de maio de 2024

TOTALMENTE  DE  ACORDO
. . . . . 
Até porque, em muito casos, não é da liberdade de expressão que se trata, mas sim de crimes de difamação. Como também não é de "discurso de ódio", aberrante bizarria de invenção recente.
Este "discurso" é uma invenção
.
Ninguém sabe exactamente o que é. 
Ou, antes, é o que convém a quem a ele se refere. 
Quais são os seus termos? Há uma lista? Quem estabeleceu? Com que direito? Como se comunica ao cidadão o que é proibido? 
Deverá estabelecer-se um "Index"? Um Manual de boas maneiras democráticas? Poderia o sistema de prevenção chamar-se
"exame prévio"? 

O "discurso de ódio" é um dos maiores mistérios do presente. 
Não distingue entre opiniões e acções. 
Falar de alguém sem tom afectuoso ou sem elogios, isso é discurso de ódio? 
Desde quando se deve gostar de toda a gente? 
Como é possível imaginar alguém que não tenha "ódios de estimação" e não goste de fascistas ou de comunistas, de burgueses ou de sindicalistas, de europeus ou de africanos, de portugueses ou de estrangeiros, de cristãos ou de muçulmanos? 
Se levarmos a sério o "discurso de ódio", as anedotas com alentejanos ou belgas devem ser proibidas. 
De igual modo, as histórias com galegos, judeus, africanos, índios e chineses. Ou "portugas". Termos como "monhé" ou mulato teriam de ser vedados. Nababo e soba têm de ser eliminados. "Les portugais sont toujours gais" deverá ser interdito. "Paciência de chinês" e "avareza de escocês" ou de judeu é ódio. "Fazer judiarias" é termo a merecer cadeia. Tratar alguém por siciliano é condenável. Termos como "mariquinhas" têm de ser abolidos.
Livros têm de ser reescritos: Lusíadas, Cid, Quixote, Sermões, Camilo, Eça, Castro e Aquilino têm de passar à lupa da nova moral.
Esperam-nos tempos sombrios. 
Mesmo sabendo nós que estas modas e estas pressões vão mudando. Para bem e para mal. Quem quiser perceber o carácter móbil da moralidade dos costumes pode entregar-se a vários passatempos. 
Por exemplo, ler os álbuns do Tintim desde os anos 1930 até hoje. 
A maneira como são tratados os negros, os chineses, os russos, as mulheres, os animais, até os portugueses, ilustra bem a evolução de critérios. 
A leitura dos Astérix permite as mesmas conclusões. 
Outro exercício consiste em ler os Pontos nos iii, o António Maria e a Paródia, todos de Bordalo Pinheiro. Pelo que lá diz, o artista estaria hoje à sombra, impedido de publicar. O Mundo ri e a Gaiola aberta já teriam sido condenados. 
O que era ingénuo passou a ser odioso. O que era proibido é agora recomendado ou livre. 
O grande problema é o da definição dos limites. 
Quem define? Com que direito? 
As horas de violência, sexo e palavrões, na televisão, já mudaram muito e evoluem conforme os tempos. Os insultos de hoje não são o que eram há 20 anos. Os nus de hoje não são o que eram há 30. 
Com que direito um grupo de sábios, parlamentares, professores, jornalistas, sacerdotes ou advogados define o que posso exprimir e a que horas posso dizer? 
Todos os dias vemos quem se julgue mestre de moral, titular de direitos sobre as vidas dos outros, imbuído de conhecimentos excepcionais sobre o que é bom ou mau para os cidadãos, convencido de que pode transformar em leis as suas preferências, certo de que as
suas opções são as únicas decentes! 
A superioridade moral dos partidos de esquerda só tem de igual a certeza dogmática dos partidos da direita. 
Os últimos anos têm sido de agravamento deste dilema entre duas formas de despotismo. 
A liberdade de expressão ganha força quando se lhe deve aquilo de que não se gosta. 
Se a liberdade de expressão consiste em pronunciar as frases aceites e os conteúdos admitidos, não há liberdade. 
Temos eventualmente um belo coro, mas liberdade, não. 
A liberdade de expressão não se limita a poder dizer o que nos apetece. Implica ter de ouvir o que não gostamos. 
A liberdade de expressão não é só construtiva! 
É também destrutiva, crítica e demolidora! A minha liberdade de expressão não termina com a liberdade de expressão do outro. Não! Ela implica a liberdade de expressão do outro, implica que a opinião do outro seja diferente. 

O confronto entre opiniões, ao abrigo da liberdade de expressão, chama-se discussão. 
A diferença entre opiniões chama-se controvérsia. 
A coexistência chama-se liberdade (António Barreto)
(sublinhados da minha responsabilidade)
António Cabral (AC)

domingo, 28 de abril de 2024

EXACTAMENTE

Quem quer julgar, hoje, os reis e os escravos de há séculos, quer hoje qualquer coisa. E não se trata apenas de bons sentimentos: quer poder, bens e poleiro. (António Barreto).

António Cabral

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Sistema eleitoral (7): Um "sonho" impossível

Publicado por Vital Moreira

1. Na Público de hoje, António Barreto dá conta do seu "sonho" de adoção de um sistema eleitoral radicalmente diferente do que vigora em Portugal desde a Revolução democrática de 1974-76, propondo a importação de um sistema próximo do francês, em que os deputados são eleitos em círculos uninominais (tantos quantos os deputados a eleger, ou seja, 230 no nosso caso), por maioria absoluta, havendo uma segunda votação se nenhum candidato obtiver tal maioria na primeira, à qual só podem concorrer os candidatos que na 1ª volta tenham obtido uma percentagem mínima de votos.

Sucede, porém, que se trata de um exercício inteletual impraticável, pois tal revolução eleitoral está fora de equação entre nós, tanto por ser constitucionalmente impossível, como por ser politicamente desaconselhável.

2. Desde a origem que a CRP de 1976 é clara: o sistema eleitoral da AR é de natureza proporcional, sendo os deputados eleitos em círculos plurinomiais infranacionais - que no Continente continuam a ser os antigos distritos administrativos -, sendo os mandatos em cada círculo atribuídos de forma proporcional à votação de cada lista concorrente. Isso faz com que a representação parlamentar reflita aproximadamente a repartição do apoio eleitoral de cada partido político no País. Por conseguinte, é constitucionamente inviável a adoção de um sistema eleitoral maioritário. 

Reforçando essa opção fundamental pela proporcionalidade da representação parlamentar, a CRP considera-a um "limite material de revisão", impedindo a sua remoção por via de alteração constitucional. Ora, num Estado de direito constitucional não são politicamente equacionáveis soluções contrárias aos princípios constitucionais básicos.

3.  Mesmo que não fosse constitucionalmente inviável, não é de sugrafar politicamente essa proposta de revolução eleitoral. 

A razão fundamental está no estreitamento forçado da representação partidária no Parlamento - que é inerente a todos os sistemas eleitorais maioritários, mas que é agravada no modelo francês -, a qual, num país sem minorias étnicas ou linguísticas e com reduzidas clivagens políticas territoriais, ficaria reduzida aos dois ou três partidos maiores, afastando os demais e alienando da representação política uma parte substancial dos eleitores. Outros argumentos contra um sistema eleitoral maioritário a duas voltas seriam a excessiva "personalização" das disputas eleitorais e a vantagem dado aos influentes e "caciques" locais, bem como o aumento da duração e dos custos das operações eleitorais.

Não é por acaso que, ao contrário do sistema de maioria relativa de tipo britânico, que existe num considerável número de países, o sistema eleitoral de tipo francês tem uma reduzida implantação no mundo - não mais de dez países, não havendo nenhum caso na Europa além do país de origem (salvo na Chéquia, mas apenas para a câmara alta do respetivo Parlamento). Ou seja, a política comparada não favorece tal opção.

4. Mas a minha principal objeção à proposta apresentada é a discordância com a substituição do "modelo representativo" clássico do mandato parlamentar, em que os deputados representam ideias e propostas políticas transversais ao território nacional, por um modelo de representação personalizada dos territórios eleitorais, como sucedia nas Cortes medievais, em que os chamados representantes do "3º estado" eram na verdade "procuradores" dos respetivos concelhos.

Nesta perspetiva, julgo que numa democracia pluripartidária, sobretudo em sistemas de governo de tipo parlamentar como o nosso (em que a legitimidade dos governos deriva das eleições parlamentares), não faz muito sentido conceber o parlamento como um agregado de representantes dos círculos eleitorais (que normalmente nem sequer coincidirão com nenhuma comunidade local pré-existente, carecendo, portanto, de identidade política própria) ou aceitar a ideia de que cada deputado local representa todos os habitantes do seu círculo ("o meu deputado"), incluindo os eleitores que votaram noutros candidatos e perfilham posições políticas radicalmente diferentes.

A meu ver, a ideia de que os deputados representam diferentes correntes políticas ao nível de todo o território nacional, e não os círculos por que são eleitos, deve continuar a considerar-se um pressuposto lógico das democracias parlamentares.

O professor Vital Moreira (VM) tece estas considerações a propósito do que António Barreto escreveu, defendeu.
A meu ver VM explica bem as limitações que decorrem do que a CRP expressa.

Indiscutivelmente, a "eleição" tem um papel importantíssimo no constitucionalismo moderno e no contemporâneo. Indiscutivelmente, opinião pessoal naturalmente, a democracia continua a ser o melhor sistema de todos os sistemas, regimes.

A organização do poder político democrático implica naturalmente que todos os seus orgãos exibam legitimidade democrática. Isto implica eleições. 
A nossa CRP por outro lado, define para as eleições o "princípio da proporcionalidade", por assim se ter considerado possível obter uma mais fiel representação do universo político-ideológico do país. 
Deste modo, a CRP afasta qualquer instrumento para facilitar maiorias parlamentares a todo o custo. 

Este sistema proporcional garantirá em princípio que, mesmo correntes mínimas de significado político, possam conseguir eleger candidatos e que nas diversas representações não surjam especiais discrepâncias.
Como é bem conhecido e escrito por quem de direito, "a eleição política está em relação directa e estreita  com o número, as qualidades, o estatuto  e as ligações institucionais das pessoas que nela tenham a faculdade de participar". A democracia privilegia uma pessoa, um voto. E assim deve continuar.

Deve recordar-se que o sistema eleitoral pode ser considerado, o conjunto de regras que regem o modo de manifestação da vontade popular ((lacto sensus), ou a forma de manifestação da vontade popular concreta,  escolha deste ou daquele candidato ou lista (strito sensus). 
O que me interessa aqui é a questão  - votação em listas propostas por partidos.

Creio que nenhum dos nossos constitucionalizas difere disto, "de que só a representação proporcional leva à constituição de uma assembleia à imagem do eleitorado, aí tomando lugar as tendência políticas mais significativas da nossa sociedade".
Eu não discordo.

Indo a António Barreto, ele refere (os meus comentários em cada ponto):
- listas exclusivamente subscritas por partidos ou coligações de partidos (verdade),  
- movimentos, associações e grupos de cidadãos estão excluídos, 
- mais de dez milhões de portugueses não se podem candidatar a eleições legislativas (percebo o sentido, mas é um disparate, não há 10 milhões de eleitores),
- o fabrico destas listas … traduz a realidade da vida partidária e das relações dos partidos com a sociedade. É através das listas que se pode escolher e sanear quem vai ser eleito, quem fica na vida política e quem é despedido (triste realidade, basta ver a actual efervescência),
- foram as escolhas dos chefes dos partidos que decidiram o lugar em que estão nas listas e é assim possível saber já a maioria dos que são eleitos. Os cidadãos não escolheram absolutamente nada (verdade), 
- há cinquenta anos, abstiveram-se cerca de quinhentos mil cidadãos, 
- há vinte anos, um pouco mais de três milhões, 
- há dois anos, perto de cinco milhões e meio optaram pela abstenção. 
- estes números brutos revelam um profundo mal-estar (parece óbvio), 
- existe um problema muito sério, cada vez mais difícil, de legitimidade e de representatividade dos parlamentos eleitos (percebo, mas não é formalmente verdade).

Depois, António Barreto discorre como ele entende que deveria ser, uma revolução, dezenas de círculos eleitorais, "o meu deputado", mudar as relações de cada deputado com o seu partido, sistema a funcionar a duas voltas, etc.

Pessoalmente, penso que há muito de ingenuidade e sobretudo de irrealista em vários coisas concretas que Barreto indica ou defende.
Reconhece, creio, que não há milagres, soluções mágicas, e eu arrisco acrescentar que se trata de problema/ assunto muito complexo.

Mas, salvo melhor opinião, parece-me legítimo dizer:
1º - que as abstenções galopantes demonstram que o sistema está doente, muito doente,
2º - que a democracia deve assentar em partidos políticos,
3º - que a representação proporcional me parece a melhor,
4º - que deveria ser encontrada uma solução para, no âmbito do sistema partidário, se definir uma solução que possibilitasse a participação de cidadãos não militantes partidários,
5º - não sei qual a solução para isso,
6º - que Vital Moreira como bom ortodoxo amante dos corredores alcatifados, se refugia na CRP e no seu trabalho passado para deixar tudo na mesma. Não tem uma referência ao real afastamento das pessoas da política, esquece as pouca vergonhas crescentes, como se vai verificando no presente.
António Cabral (AC)

sábado, 2 de setembro de 2023

PRRRÊÊSIIDEEENNTEEEEE

Um candidato a Presidente da República
Há poucos políticos conhecidos capazes de contribuir para um futuro imediato com mais progresso. António Guterres é, para mim, um desses políticos.


António Barreto
2 de Setembro de 2023, 7:05

A "Liberdade de Opinião e de Expressão" estão consagradas, felizmente, na nossa Constituição.

Respeito sempre a opinião de outrem.
A minha, neste caso, é de concordância e de discordância.
Concordo que há poucos, direi, pouquíssimos, como já tinha opinado anteriormente.

Discordo que António Guterres seja capaz de contribuir para um futuro imediato de mais progresso.
Pelo seu passado por cá, e porque basicamente andou sempre a tratar da sua vida. 

Reconheço que é um homem de elevada cultura, defensor de valores, o que é muito importante.

Mas para lá de paleio em francês e inglês e português . . . . . coisa mais mole e indecisa deve haver poucos.

Admito que possa estar a ser injusto.
Mas quem já viajou no mesmo avião do que ele, e etc……

Aguardemos.
Tenham um bom fim de semana. Saúde.
AC

sábado, 5 de dezembro de 2020

LIDO COM GOSTO
A actuação do competente, intolerante e autoritário ministro Eduardo Cabrita, assim como dos seus dirigentes, designadamente da directora do SEF, é reveladora e inadmissível. .......(António Barreto, Público)
Só me interrogo, onde é que António Barreto foi buscar  - o Competente? A coisa dura há meses e meses.

AC

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

A PROPÓSITO DE MENTIRAS
Ao passar os olhos pelos "online", descobri uma pequena celeuma entre António Barreto de um lado e, opondo-se, João Soares e ainda o mais que famoso António Campos e, provavelmente mas não faço ideia nem me interessa, mais outros "aparatchiks" Soaristas, tudo porque António Barreto terá dito, entre outras coisas, que Mário Soares era um homem que vivia bem com a mentira.
Quem sou eu para confirmar ou desmentir a afirmação. 
Mas esta mini telenovela mexicana, por envolver as criaturas enunciadas, só pode provocar náuseas.
Todos, e obviamente estas pessoas, têm defeitos e qualidades.
A questão está sempre nas proporções de uns e de outras.
Além disso, quem não se dá ao respeito, não pode depois admirar-se de não ser respeitado.

Isto dito, parece-me mais um caso a lembrar Juan Carlos - porque não se calam? Porque não se cala esta gente toda que, tendo tido algum protagonismo na nossa sociedade (muitos, infelizmente para nós) não desaparece nas suas casas e deixa de incomodar mais os cidadãos comuns?

De facto, por que raio é preciso vir falar disto? Qual o interesse?
A minha opinião sobre aquele que, decidiram alguns e do que eu discordo, seria o pai da pátria, tem recortes positivos e outros muito negativos.
O filho então, nem aos calcanhares lhe chega. Entre outros aspectos, a fotografia com Savimbi e outros, mais a ameaça de distribuição de chapadas, fazem parte do seu CV, tendo sido presidente da câmara porque Sampaio tratou da vida e atirou-se à Presidência.

Houve divergências entre Mário Soares e António Barreto quando estavam no mesmo governo? É provável, até porque, digo eu, esta coisa dos primeiros ministros escolherem os ministros e depois imporem-lhes secretários de Estado tem comprovadamente dado maus resultados. Muitos secretários de Estado não serão colocados para os PM controlarem ou saberem por eles as manobras dos ministros?
António Campos, um Soarista ferrenho, estava lá para quê?

Que interesse tem António Barreto vir agora dizer de Mario Soares algo que muito provavelmente deve ser verdade?

Este tipo de coisas acaba sempre esdrúxula, porque um está morto, não se pode defender, Barreto é capaz de ter documentos que poderão suportar algumas das suas afirmações mas, se assim for, a dignidade manda que fossem em tempo devido usados, não agora.

Que Mário Soares tinha um excelente jogo de cintura, creio que ninguém honestamente poderá negar.

Claro que João Soares e outros batem no peito mas, sinceramente, olhando aos percursos dos agora irados..........
Que Barreto denota vaidade parece-me evidente, e nisto João  Soares terá razão. Mas........

Enfim, patetices próprias de quem tinha a obrigação de ser mais prudente. Estamos, mais uma vez, bem à portuguesa, no mau sentido.
AC

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Mistérios por desvendar
Voltei a ler este artigo, que tinha guardado, salvo erro de António Barreto.
Salvo melhor opinião as perguntas, e muitas outras surgiram entretanto, continuam a fazer todo o sentido.
Mas ninguém quer responder. NINGUÉM. (sublinhados são meus)
AC

Passou-se mais um Dia de Portugal.
Dia de Portugal! Dia das Comunidades! Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas! Dia da Raça! 
Dia da Raça Portuguesa! Dia de Camões! Cada designação vale um regime, um tempo e uma moda. Uma boa maneira de comemorar o país seria conhecer melhor e estudar mais. E desvendar mistérios.

Onde estão realmente as fontes da profunda desigualdade social em Portugal? Na lei? Na propriedade? Nos sistemas de sucessão e herança? No fisco? Nos costumes? Na religião? Na falta de liberdade? No analfabetismo? Na pobreza? Por que razões Portugal é mais desigual do que países com menos rendimento (Polónia, Roménia), parecidos (Grécia e República Checa) e com mais rendimentos (Reino Unido, França)?

Por que razões a mobilidade social é tão reduzida em Portugal? Porque é tão difícil "subir na vida"? Por que motivos o crescimento do produto, tão impressionante nos últimos quarenta anos, teve tão pouca influência na diminuição dos graus de desigualdade?

Por que motivos teve Portugal taxas de analfabetismo únicas na Europa em 1900 (80%, contra 2% a 10% nos países do Norte) e até aos anos 1960 (mais de 35%)? E ainda está hoje em último lugar entre todos os países industrializados? Onde estão as causas? Pobreza? Catolicismo? Ausência de Reforma? Atraso geral? Ignorância das elites? Ruralidade? Falta de indústria? Fraqueza da sociedade civil? Centralismo do Estado?

Como se explica o facto de a Justiça em Portugal não se ter reformado nem modernizado depois do 25 de Abril? E por que razão foi tão difícil ou impossível a Justiça adaptar-se à democracia, ao Estado de direito, à integração europeia, ao capitalismo e à economia de mercado?

Quem são hoje os militares em Portugal? Que influência têm na sociedade e na política? Que pensam dos assuntos públicos? Exercem cargos ou funções de poder? Serão simples burocratas ou funcionários públicos? São meros contratados? Há que recear alguma intervenção política dos militares nos próximos anos? Ou há que desejar uma sua intervenção?

Como se explica o facto de não haver liberalismo em Portugal? Nem liberais? Nem partidos liberais? E o facto de "liberal" ser mesmo um insulto político?

Porque nunca se contou, com investigação rigorosa e completa, a história das reprivatizações em Portugal, com passagens de pessoal dos partidos para as empresas e vice-versa, com homens de palha e testas-de-ferro dos partidos que eram mandatários de capitalistas, com "barrigas de aluguer" da política portuguesa que serviam de intermediários de aventureiros que não podiam concorrer directamente? Porque não se fez ainda um verdadeiro "Gotha" dos governantes, deputados e gestores que fizeram carreira na política, nos partidos, nas empresas públicas e depois, alternada ou sucessivamente, nas empresas privadas que eles próprios reprivatizaram?

Porque não se sabe realmente o que se passou com as escutas telefónicas (relativas a Sócrates) mandadas destruir por Noronha Nascimento e Pinto Monteiro? Quem ficou a ganhar com tal destruição? Se não tinham importância, porque foram destruídas? Se eram muito importantes, porque se destruíram? Porque se diz hoje com tanta insistência que, afinal, não foram destruídas?

Quem foram os responsáveis pela quase destruição do BCP, da PT, da Cimpor, do BPN, do BPP, do Banif?

Como foi realmente possível fazer um buraco de mais de cinco mil milhões no BPN? Onde está esse dinheiro? Como foi possível fazer um buraco de mais de nove mil milhões no Grupo Espírito Santo? Onde está esse dinheiro? Como foi possível que, já depois da "resolução", ainda tivessem fugido do BES mais de três mil milhões de euros?

Quanto é que a CGD gastou, empatou e perdeu em negócios estranhos levados a cabo por decisão política, designadamente no BCP, no BES, no GES, no BPN, no BPP e na PT?

Porque nunca se fez um "atlas" ou um elenco completo de todas as parcerias-público privadas, uma a uma, com indicação dos beneficiários, dos bancos envolvidos, dos sobrecustos suportados pelo Estado, dos riscos atribuídos sempre ao Estado e dos benefícios sempre concedidos às empresas privadas?


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

RECORDANDO
Estado Excelente, mas Não Desesperado
Por ANTÓNIO BARRETO
Domingo, 2 de Julho de 2000
O debate sobre o "estado da nação" tem lugar, estranhamente, no fim da sessão legislativa. Tem-se a impressão de que foi assim concebido para evitar discussões excessivas e consequências práticas. As férias espreitam e vão cobrir de "bronze" qualquer veleidade polémica. Seguem-se dois meses de intensa propaganda governamental, entrecortada de raides oposicionistas ao litoral, às feiras de emigrantes e às romarias dos santos. Já com "má casa" durante o ano, a política, no Verão, entra em letargia. Quando, lá para Setembro, se fizerem os célebres comícios do Pontal e da Pontinha, teremos a sensação de que um novo mundo começa. Em Outubro, vésperas do novo orçamento, retomaremos contacto com os nossos problemas. E perderemos a inocência matinal de quem vem de férias. É este o Livro de Horas.
AC

domingo, 29 de maio de 2016

COISAS do PASSADO RECENTE
Mexer e remexer no que se foi guardando recorda sempre coisas engraçadas. Público, 28Nov1999, artigo de António Barreto, O Mestre das Tangentes, assim designando António Guterres: ".....Seria injusto visar apenas Pina Moura. Ele nada faria que Guterres não quisesse. E tudo faria que pudesse agradar a Guterres. ......O mestre das tangentes e abstenções, de ausências e de silêncios, confia na sua boa estrela. Acredita, piamente, como é seu hábito, na função salvadora do "se ele soubesse". Era já assim do tempo de Salazar.....Havia sempre quem, nas tertúlias dos cafés, perante misérias e opressões, teimava em suspirar: " Se Salazar soubesse, não seria assim!". A verdade é que Guterres sabe.
Um pequeno retrato, que me parece até pecar por defeito, da criatura que o actual PR eleva quase a figura de herói nacional. Como se ter sido um brilhante aluno no Técnico, ser um excelente orador, fossem suficientes para ser um estadista que, claramente, não foi nem é, como comprovam as lamentáveis provas dadas enquanto PM. As voltas que não deve ter dado no caixão o Professor Sousa Franco ao ouvir o que dizem de Guterres.
AC

PS 1: nada disto invalida que eu fique satisfeito se António Guterres conseguir o lugar na ONU
PS 2: tudo isto, do passado, se vai repetindo agora, com nuances. Tal como no passado, António Costa é bem do estilo "se ele soubesse".