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terça-feira, 15 de julho de 2025

COLONIALISMO. COLÓNIAS. REALIDADE.

“Não conseguimos, até hoje, fazer funcionar um Estado que seja aceite por todos os são-tomenses”.
Numa nação onde 22% da população está desempregada, falta uma definição clara dos grandes objectivos da economia do país.

Leio isto e não me espanto.

Na minha opinião, naturalmente, nem tudo desde 1800 para cá foi mau em Portugal.

Creio que nem tudo esteve mal na Monarquia.
Creio que nem tudo esteve mal na I República.
Creio que na ditadura militar foi quase tudo mau, censura etc.
Creio que no Estado Novo nem tudo foi mau, mas houve muita coisa má, polícia política, eleições fraudulentas, etc.

Creio que nestes 51 anos da nossa história democrática, do regime onde felizmente vivo, fizeram-se progressos notáveis, alterou-se muita coisa para melhor mas, nos últimos 30 /35 anos a sociedade portuguesa como que estagnou, deixando crescer vários problemas.

Mantenho a esperança de que corrigiremos o rumo.

Indo ao título e à transcrição, creio indiscutível que em Portugal, só depois da conferência de Berlim os responsáveis pelos destinos do país se começaram a convencer de que era necessário olhar com atenção para as colónias, para os portugueses daquelas paragens.

Em síntese, não tenho a menos dúvida de que passaram décadas e décadas de desprezo para com as então nossas possessões em África e na Ásia. 
Os Açores e a Madeira também muito pouco atenção tiveram. 
Por cá, no Continente, o mesmo sucedia em várias áreas (o Marão e os que lá estão, etc.)

Em síntese, o que se começou a fazer e desenvolver a partir basicamente de meados dos anos 60 do século XX, já era tarde. 
Posso estar enganado mas, essencialmente, creio que se procurou "levantar" Angola e Moçambique. Já era tarde.

Em síntese, o colonialismo tratou mal as colónias, demasiado mal.

Passados 50 anos, independentes, creio que a herança do colonialismo pesou muito, e o desenvolvimento ou melhor o fraco desenvolvimento dos novos países outrora nossas colónias disso sofreu com certeza, e porventura ainda em parte sofrerá.

Mas também não aceito que tudo o que de mau persiste nas ex-colónias é exclusiva culpa do colonialismo português.

São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, estão basicamente em mãos estranhas por causa do colonialismo?

As guerras tribais designadamente na Guiné Bissau são culpa do colonialismo?

Estes dois países, que estão aparentemente com certos alinhamentos internacionais, são culpa do colonialismo?

As guerras civis em Angola e Moçambique, ocorreram por causa do colonialismo português?

Já era tempo de alguns olharem a certas realidades, com rigor, isenção.
AC

quarta-feira, 24 de julho de 2024

COLONIZAÇÃO
Depois de ler as declarações do Presidente da República de Angola, declarações claras e ponderadas, apetece-me perguntar:
Que comentários tem a fazer, sr professor Marcelo Rebelo de Sousa?
Que comentários terão a fazer certas criaturas que seguem nas mesmas águas de Marcelo ?
Não dizem nada?
AC

domingo, 9 de junho de 2024

. . . . . . . . 
Eu não peço desculpa pela História de Portugal. 
Assumo a história com as suas grandezas e as suas misérias, que também tem, como todos os países. 
Eu não vou pedir desculpa pelo Bartolomeu Dias, nem pelo Vasco da Gama, nem pelo Camões, nem pelos grandes movimentos que colocaram Portugal na vanguarda da História. 
Portugal é o primeiro país que leva a Europa para fora da Europa. Que leva a Europa ao encontro de outros povos e de outros continentes. É o país do ver, claramente visto, como diz Camões. 
É o país que deita por terra, com o saber de experiência feita, o saber fantasioso das escrituras e dos livros que, até aí, formavam a cultura europeia. 
E, com isso, contribui para o Renascimento europeu. 
As navegações portuguesas, o encontro com outros povos, com outras culturas, o ver, claramente visto, o saber de experiência feito, é uma coisa que faz parte da Europa. 
E que contribuiu para o Renascimento europeu e que faz parte hoje da cultura europeia, no seu todo.
. . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . .

As reparações históricas, eu acho que isso é uma coisa absurda, não têm sentido, porque a História não se rebobina, não anda para trás. Que por certas coisas se peça desculpa, que nós possamos pedir desculpa pela escravatura, que é um lado negro da nossa História, muito bem.

Um exemplar do Diário de Notícias onde estão estas declarações de Manuel Alegre, entreguem por favor e com urgência, a Marcelo Rebelo de Sousa, aos Pedros, Catarinas, Mortáguas, Tavares, e tantos outros idiotas úteis.

Ou, em alternativa, convençam-me que Manuel Alegre é um fassssissstaaaaa de alto coturno, um horroroso racista e xenófobo, um machista do pior, um branco dos piores!
AC

domingo, 5 de maio de 2024

sábado, 4 de maio de 2024

CULPAS e REPARAÇÕES
Marcelo em Bissau - 2021

A propósito das deploráveis (opinião pessoal, naturalmente) declarações e subsequentes insistências do actual inquilino em Belém acerca do nosso passado colonial (estou a lembrar-me por exemplo do passado em S.Tomé e Príncipe, razoavelmente retratado há anos numa série televisiva) e da obrigação de pagarmos, muitas pessoas têm surgido com posições que vão desde o que considero inarráveis a outras bem equilibradas. Nacionais e estrangeiros.

E quando refiro "equilibradas" quero concretamente referir-me a todas as posições de pessoas de todos os ideários e intelectualmente honestas que sabem bem que (como escrevi antes neste blogue) na nossa história, quando a olhamos com os valores de hoje, não podemos deixar de nos arrepiar com certas coisas. 

Não é aceitável negar muito do que se passou há mais de 600 ou mais anos.

Como não é aceitável jurar que o nosso passado colonial foi um mar de rosas e mel, como não é aceitável quase jurar a pés juntos que fomos os maiores monstros mundiais quanto a colonização e escravatura, como não é aceitável negar o que se passou de há milénios até bem recente, em África, na Ásia, nos Orientes, nas Américas, na Europa, na Oceania.

"Agora que tanto se fala de culpas e reparações sobre o nosso passado colonial" como refere uma pessoa que respeito e considero, vale a pena seguir a sua sugestão, e ir ver com atenção o vídeo da chegada a Bissau do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, em 2021.

O video é este:
E no video pode observar-se que no "trajecto entre o aeroporto e a cidade, é recebido triunfalmente por uma multidão de guineenses, na sua maioria jovens que não podem ter memória do domínio português em terras da Guiné".

Como notavelmente chama à atenção o autor do que transcrevo e está a verde, faz sentido perguntar: o que é que os pais e os avós destes guineenses lhes contaram sobre a presença colonial portuguesa na Guiné?

Como certamente acontece com muitos dos meus concidadãos, choca-me e repudio, cada vez mais, o descaramento, a desfaçatez, a ausência de rigor, a falsa investigação histórica, a deturpação, o saudosismo, o activista seja woke ou equivalente, a dissimulação, a falsa ingenuidade, o reacionarismo, o neocolonialismo, 
a incontinência verbal, certas agendas de grupos, pensamento polarizados, extremismos, as proclamações e vozearia grandiloquentes prenhes de princípios e de grande moralidade.

Com tudo isto e a começar pelo inquilino em Belém, esforçam-se para que nos esqueçamos das coisas mais importantes do presente, e que nos vão desgraçando a vida. E, já agora, esforçam-se para que nos esqueçamos de várias pouca vergonhas em que estão envolvidos.

Enfim.
António Cabral (AC)

terça-feira, 30 de abril de 2024

ORA AQUI ESTÁ 

“Essa é uma discussão que não pode fazer-se assim, aqui, de forma ligeira e na praça pública. Por isso, insisto, o Presidente de Cabo Verde não deve imiscuir-se nesse debate em curso em Portugal”

Aqui está um exemplo de serenidade, dignidade e decência, sentido de Estado.

Alguém que lhe explique.

AC

domingo, 28 de abril de 2024

EXACTAMENTE

Quem quer julgar, hoje, os reis e os escravos de há séculos, quer hoje qualquer coisa. E não se trata apenas de bons sentimentos: quer poder, bens e poleiro. (António Barreto).

António Cabral

segunda-feira, 15 de março de 2021

PARECE-ME ENTENDIMENTO DECENTE
......"O passado foi quando foi. Julgá-lo, à luz dos valores de hoje, é dar ares de possuirmos, só nós, a verdade incontestável, que se lhe sobrepõe. Apetece-me dizer a essa gente: coragem era ser anti-colonialiasta quando havia colónias. Sê-lo hoje, retrospetivamente, é uma arrogância saloia".
Opinião de Francisco Seixas da Costa a propósito de certos historiadores como algumas eminências pardas do politicamente correcto e polícias das mentes que escrevem em certos jornais.
AC

sábado, 2 de junho de 2018

COMO ESTAMOS NUMA DE COISAS OBSOLETAS, INCORRECTAS, COISAS COM SENTIDOS EQUÍVOCOS...
E tantos a preparar-se reescrever a nossa história, talvez valha a pena assentar em duas ou três coisas, para se ter sossego espiritual.

Para começar vamos lá tratar da Bandeira Nacional.
Ora bem quanto a isto, e estou-me borrifando para se outros países fizeram coisas idênticas, o vermelho representa muito sangue e, se calhar muito misturado com o daqueles infelizes que os nossos antepassados brutalizaram e chacinaram. 
Classicamente, o vermelho alude ao sangue derramado pelos Portugueses na defesa da Pátria, da sua liberdade e independência, sendo a cor da luta, da coragem e da vitória. Mas foi sempre insuportavelmente negligenciado, escondido, o que fizemos aos outros, sem paralelo na história mundial.
Portanto, antes de arranjar outra Bandeira, ela devia passar a estar assim, sempre içada, em sinal de respeito e pesar pelas chacinas de séculos atrás.
Em segundo lugar, e indo à génese das coisas, parece restarem poucas dúvidas de que foi o Henrique o inspirador daquilo que uns parvalhões andam a louvar desde pelo menos 1926.
Assim, com carácter de urgência, a referência a todos esses hipotéticos feitos no passado, devem ser erradicados em definitivo de todos os livros de ensino em Portugal. Além disso, as estátuas e outras referências a Henrique, devem gradualmente ser removidas.
Coisas destas não fazem sentido algum. Há que banir.
Olhando por exemplo ao tido como iniciador da independência, à criação do País, as referências a esse primeiro Rei devem ser mitigadas; além disso, nada deve ser mencionado respeitando ás hipotéticas desavenças com a Senhora sua Mãe. Inconcebível relatar a brutal agressão contra a sua pobre Mãe, uma mulher, certamente em sofrimento.
Inconcebível que não tenham sido destruídos todos os livros de antes do 25 de Abril de 1974 onde se encontram bárbaras referências ao colonialismo Português, responsável por atrocidades sem fim e sem paralelo em outros países.
Fico-me hoje por aqui. Mas há muito a fazer.
Ah, designar por "Viagem" o futuro museu a erigir em Lisboa talvez seja de ponderar. 
Aliás, espero bem que ele venha a ser construído pelos mesmos do costume que tantas boas obras têm levado a efeito na frente ribeirinha de Lisboa.
AC