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quarta-feira, 13 de maio de 2026

RECORDAÇÕES
. . . . . .
"Antes do 25 de Abril, não era possível discutir os problemas africanos.
Depois do 25 de Abril, tudo se passa como se não fosse necessário, ou melhor, como se já não fosse necessário"
. . . . . 
(Eduardo Lourenço)

AC

quinta-feira, 9 de abril de 2026

9 ABRIL 
DIA DO ANTIGO COMBATENTE

Malhei com o cabedal na Guiné, entre 29 de Outubro de 1971 e 28 de Julho de 1973.

Depois de alguns "sustos" em 1971 e 1972, às 2340 horas de 19 de Maio de 1973, no Norte no rio Cacheu, sofremos um ataque, ia lá ficando, eu e outros, mas tivemos muita sorte. Tivemos infelizmente um morto. Houve alguns feridos ligeiros.


Tenho um "PIN" que vinha dentro desta caixinha, 


e tenho este cartão, 

e tenho desconto em alguns medicamentos, 

e uso o cartão Navegante sem pagar nada.

Está perto de fazer 53 anos que regressei de África.

NUNCA MAIS LÁ PUS OS PÉS, NEM POREI.

Tenham uma boa 5ª Feira. Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

terça-feira, 15 de julho de 2025

COLONIALISMO. COLÓNIAS. REALIDADE.

“Não conseguimos, até hoje, fazer funcionar um Estado que seja aceite por todos os são-tomenses”.
Numa nação onde 22% da população está desempregada, falta uma definição clara dos grandes objectivos da economia do país.

Leio isto e não me espanto.

Na minha opinião, naturalmente, nem tudo desde 1800 para cá foi mau em Portugal.

Creio que nem tudo esteve mal na Monarquia.
Creio que nem tudo esteve mal na I República.
Creio que na ditadura militar foi quase tudo mau, censura etc.
Creio que no Estado Novo nem tudo foi mau, mas houve muita coisa má, polícia política, eleições fraudulentas, etc.

Creio que nestes 51 anos da nossa história democrática, do regime onde felizmente vivo, fizeram-se progressos notáveis, alterou-se muita coisa para melhor mas, nos últimos 30 /35 anos a sociedade portuguesa como que estagnou, deixando crescer vários problemas.

Mantenho a esperança de que corrigiremos o rumo.

Indo ao título e à transcrição, creio indiscutível que em Portugal, só depois da conferência de Berlim os responsáveis pelos destinos do país se começaram a convencer de que era necessário olhar com atenção para as colónias, para os portugueses daquelas paragens.

Em síntese, não tenho a menos dúvida de que passaram décadas e décadas de desprezo para com as então nossas possessões em África e na Ásia. 
Os Açores e a Madeira também muito pouco atenção tiveram. 
Por cá, no Continente, o mesmo sucedia em várias áreas (o Marão e os que lá estão, etc.)

Em síntese, o que se começou a fazer e desenvolver a partir basicamente de meados dos anos 60 do século XX, já era tarde. 
Posso estar enganado mas, essencialmente, creio que se procurou "levantar" Angola e Moçambique. Já era tarde.

Em síntese, o colonialismo tratou mal as colónias, demasiado mal.

Passados 50 anos, independentes, creio que a herança do colonialismo pesou muito, e o desenvolvimento ou melhor o fraco desenvolvimento dos novos países outrora nossas colónias disso sofreu com certeza, e porventura ainda em parte sofrerá.

Mas também não aceito que tudo o que de mau persiste nas ex-colónias é exclusiva culpa do colonialismo português.

São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, estão basicamente em mãos estranhas por causa do colonialismo?

As guerras tribais designadamente na Guiné Bissau são culpa do colonialismo?

Estes dois países, que estão aparentemente com certos alinhamentos internacionais, são culpa do colonialismo?

As guerras civis em Angola e Moçambique, ocorreram por causa do colonialismo português?

Já era tempo de alguns olharem a certas realidades, com rigor, isenção.
AC

quarta-feira, 24 de julho de 2024

COLONIZAÇÃO
Depois de ler as declarações do Presidente da República de Angola, declarações claras e ponderadas, apetece-me perguntar:
Que comentários tem a fazer, sr professor Marcelo Rebelo de Sousa?
Que comentários terão a fazer certas criaturas que seguem nas mesmas águas de Marcelo ?
Não dizem nada?
AC

domingo, 19 de maio de 2024

AINDA  SÓ  PASSARAM  51 ANOS
Hoje, 19 de Maio, pelas 2340 horas, fará 51 anos que, quando o  navio em que eu prestava serviço durante a guerra em África navegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, na Guiné, hoje Guiné-Bissau, numa zona mais acima da base dos fuzileiros, Ganturé. 

Sobrevivi, eu e quase todos, alguns feridos ligeiros, um comando africano faleceu e o navio teve danos diversos mas que nada impediram que continuasse operacional.

51 !!!!!!!
António Cabral

terça-feira, 14 de maio de 2024

domingo, 12 de maio de 2024

COLÓNIAS, INDEPENDÊNCIAINTERESSES,
SOBERANIA, COOPERAÇÃO, CPLP.
É tido por constitucionalista.
Entre muitas outras coisas, é sabido há muito que se esquece muito, por exemplo, do que é, prudência, rigor, contenção, noção das realidades, sentido de Estado.
Mas no meio da sua verborreia doentia parece esquecer-se também do significado da palavra - Soberania.

Trovoada ironizou com as suas palavras. E lembrou-lhe o que é soberania. Creio que fez bem. 
Quem não se dá ao respeito não merece muito respeito independentemente do seu estatuto formal.

Qualquer jovem a iniciar-se no 1º ano da licenciatura em Direito e depois de umas quantas aulas por exemplo de Ciência Política e de Direito Constitucional fica a saber o que é Soberania.

"Mas vou querer saber" vem exactamente na mesma linha de passar numa feira e - meter a mão no prato de alguém
Não se pode deixar de considerar tudo isto muito Lamentável.

Como se pode facilmente compreender a comunicação social nacional (OCS) quer saber mais detalhes.
Quer saber mais sobre as posições de São Tomé e Príncipe (STP) na cena internacional.
Quer saber o que se poderá estar a passar com os restantes países Africanos que foram colónias de Portugal.
Quer saber o que poderá a Rússia andar a fazer por aquelas bandas. Quer saber a posição oficial do governo português e, por isso, andará a bater à porta do MNE e de Paulo Rangel. Aparentemente sem grande sucesso, para lá do gritinho - ai que chegam os Russos.
Como se Rússia, EUA, França, China, Brasil, Alemanha, Espanha e tantos outros, não andassem há muito com os olhos e as mãos em África.
TODOS com as melhores intenções, TODOS com espírito fraterno.

Provavelmente, os OCS vão continuar atrás de Marcelo nas suas passeatas diárias, para ver se ouvem mais vacuidades.
Provavelmente, os OCS vão tentar ouvir mais especialistas (????), pois já terão ouvido alguns; a avaliar pelos relatos já conhecidos até agora obtiveram frutuosos resultados!

O meu neto de 6 anos obviamente que não saberá que a Rússia anda há muito interessada em África, apenas "especialistas" o conseguem descortinar.

O meu neto de 6 anos obviamente não saberá que STP, Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Cabo verde, mantêm dificuldades várias, por exemplo, no que se refere às suas águas territoriais e às suas ZEE, significando isto que, passadas todas estas décadas de independência, as questões inerentes à fiscalização, vigilância, controlo dos seus recursos piscatórios e outros constituem algumas das muitas persistentes fragilidades desses países.

Obviamente que o meu neto de 6 anos desconhece que Portugal mal e porcamente controla as águas territoriais e as ZEE e, se lhe for explicado o que são as nossas imensas fragilidades, limitações e mesmo incapacidades, e incompetências a vários níveis e designadamente nos órgãos de soberania, até o meu neto de 6 anos perceberá que não conseguimos ajudar esses países nesses campos. 
Naturalmente, esses países olham para quem potencialmente o poderá fazer.

O meu neto de 6 anos não passa de uma alegre e feliz criança pelo que não o vou maçar, 
- com a enormidade (opinião pessoal, naturalmente) em que Portugal colaborou com a entrada da Guiné Equatorial para a CPLP, 
- com o óbvio que é, tal como faz há muito tempo os EUA, a Rússia tentar colocar aviões e navios em determinadas zonas de África, 
- se a reaproximação da Rússia (porque nunca esteve afastada) às nossas ex-colónias, fragiliza, coloca doente, ou mata a CPLP,
- com a grande e real (opinião pessoal, naturalmente) indiferença do Brasil face à CPLP, 
- com o muito maior interesse das nossas ex-colónias em relações bilaterais com o Brasil (e vice versa) do que com a patética CPLP a qual, da nossa parte, muito pouco tem tido para lá de grandes recepções, grandiloquentes discursos, passeatas de Falcon, e aceitação de negócios pouco claros que eles façam por cá,
- com o que são interesses e geopolítica, coisas que ex e actuais titulares de órgãos de soberania persistiram e persistem em não perceber que, os discursos valem pouco ou nada, conta sobretudo o que de concreto se materializa na vida real.

E o meu neto de 6 anos não vai perceber se eu não lhe explicar, porque rirei tanto com as próximas vacuidades a virem de Belém, S. Bento ou das Necessidades. 
Sobretudo se vierem as habituais lamúrias patéticas que, presumo mas admito estar enganado, não terão acompanhamento internacional.

Quanto à nossa cooperação chamada de "técnico-militar", haverá certamente quem possa elucidar com verdade o que tem sido feito.
Pelo pouco que sei disso, prefiro ficar calado para não horrorizar ninguém.

Deixo uma pequena sugestão: quem tiver vontade que investigue o que de concreto foi feito por Portugal no âmbito da, hidrografia, oceanografia, fiscalização da pesca, sinalização e ajudas à navegação, e investigue depois para poder comparar, o que fizeram outros países de concreto nesses âmbitos.

Ah, a terminar, apreciei ver escrito nos OCS a evocação "do espírito de comunidade dentro da CPLP

António Cabral (AC)

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

REVELAÇÕES FEITAS POR UM HISTORIADOR ESTRANGEIRO SOBRE A GUERRA DO ULTRAMAR: 1961 - 1974
Jonathan Llewellyn

"Espero que perdoem a um estrangeiro intrometer-se neste assunto, mas é preciso que alguém diga certas verdades.

A insurgência nos territórios ultramarinos portugueses não tinha nada a ver com movimentos nacionalistas. Primeiro, porque não havia (como ainda não há) uma nação angolana, uma nação moçambicana ou uma nação guineense, mas sim diversos povos dentro do mesmo território. E depois, porque os movimentos de guerrilha foram criados e financiados por outros países.

ANGOLA – A UPA, e depois a FNLA, de Holden Roberto foram criadas pelos americanos e financiadas (directamente) pela bem conhecida Fundação Ford e (indirectamente) pela CIA.

O MPLA era um movimento de inspiração soviética, sem implantação tribal, e financiado pela URSS. Agostinho Neto, que começou a ser trabalhado pelos americanos. só depois se virando para a URSS, tinha tais problemas de alcoolismo que já não era de confiança e acabou por morrer num pós-operatório. Foi substituído pelo José Eduardo dos Santos, treinado, financiado e educado pelos soviéticos.

A UNITA começou por ser financiada pela China, mas, como estava mais interessada em lutar contra o MPLA e a FNLA, acabou por ser tolerada e financiada pela África do Sul. Jonas Savimbi era um pragmático que chegou até a um acordo com os portugueses.

MOÇAMBIQUE - A Frelimo foi criada por conta da CIA. O controleiro do Eduardo Mondlane era a própria mulher, Janet, uma americana branca que casou com ele por determinação superior. Mondlane foi assassinado por não dar garantias de fiabilidade, e substituído pelo Samora Machel, que concordou em seguir uma linha marxista semelhante à da vizinha Tanzânia. Quando Portugal abandonou Moçambique, a Frelimo estava em tal estado que só conseguiu aguentar-se com conselheiros do bloco de leste e tropas tanzanianas.

GUINÉ – O PAIGC formou-se à volta do Amílcar Cabral, um engenheiro agrónomo vagamente comunista que teve logo o apoio do bloco soviético. Era um movimento tão artificial que dependia de quadros maioritariamente cabo-verdianos para se aguentar (e em Cabo Verde não houve guerrilha). Expandiu-se sobretudo devido ao apoio da vizinha Guiné-Konakry e do seu ditador Sékou Touré, cujo sonho era eventualmente absorver a Guiné portuguesa.

Em resumo, territórios portugueses foram atacados por forças de guerrilha treinadas, financiadas e armadas por países estrangeiros. Segundo o Direito Internacional, Portugal estava a conduzir uma guerra legítima. E ter combatido em três frentes simultâneas durante 13 anos, estando próximo da vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito que, militarmente falando, é único na História contemporânea.

Então porque é que os portugueses parecem ter vergonha de se orgulharem do que conseguiram?"

Publicado a 01 de Junho 2013 por Jonathan Llewellyn

Acabei de ler este texto que me foi enviado por mão amiga.
Desconheço quem é o autor, desconheço em que faculdades, bibliotecas, revistas científicas e outras, jornais, etc., publica, escreve.

Sobre o caso, a guerra no Ultramar/ a guerra Colonial do Portugal de antes de 25ABR74, conheço alguma coisa. 

Conheço o ambiente de guerra na Guiné (hoje Guiné-Bissau), concretamente de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Conheci muitos (desde um simples - como está - a relacionamentos mais ou menos profundos) dos que por lá andaram, Spínola, Pedro Cardoso, Almeida Bruno, Alpoim Calvão, Otelo Saraiva de carvalho (embarcou no navio onde eu cumpria comissão, acompanhando jornalistas estrangeiros convidados por Spínola), etc.

Tenho portanto conhecimento directo da guerra na Guiné, além de alguns sustos o navio foi aliás atacado em Maio de 1973, e ao longo do tempo recolhemos muitos dos nossos combatentes regressados de incursões algures, etc.

Tenho algum conhecimento sobre determinadas operações dos nossos fuzileiros especiais, comandos, pára-quedistas, sobre operações logísticas executadas constantemente pelas diferentes lanchas de desembarque da Marinha (nesse tempo chamada Marinha de Guerra). sobre certas operações da nossa aviação.

Conheço muitas realidades dos então, Exército, Força Aérea, Marinha de Guerra. E muito mais.

No texto que acima reproduzo sublinhei certas partes, acerca das quais me refiro adiante.

Respeito, sempre, a opinião de outrem.
As referências acerca da génese dos, MPLA, UPA/FNLA, UNITA, PAIGC, FRELIMO, têm muito de realidade.

No caso concreto sobre o PAIGC, a história demonstra quão certa é a referência à delicada questão Cabo Verdianos versus Guineenses, história desde a formação do partido e particularmente a história das várias coisas/ tumultos que aconteceram após a independência, e até hoje.

Quanto a esta expressão,
estando próximo da vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito que, militarmente falando, é único na História contemporâneatenho três comentários:

1º - ter aguentado uma guerra naquelas condições, dispersão geográfica, distância da Metrópole a África, material de guerra existente em 1961 em muitos casos/ sectores verdadeiramente caricato, é/ foi de facto um feito.

2º - não faço ideia em que se baseou o autor para afirmar o que expressa sobre a realidade militar.
Em poucas palavras, o senhor está equivocado, ou errado, o que quiserem.

Que eu saiba, e com referência a inícios de 1974, 
- grande parte de Angola vivia uma certa acalmia, a UNITA estava de certo modo em sossego connosco,

- MPLA ao contrário da UNITA e FNLA não estava nada moribundo,

- O Norte de Moçambique estava complicado e creio que em muitas regiões não se estava propriamente como em estâncias de férias,

- na Guiné, grande parte do território estava dominado pelo PAIGC, a SUL / Leste então era um verdadeiro caos, a Força Aérea não podia efectuar as operações que executara até Março de 1973, nada do que no terreno se passava podia ser considerado como - situação controlada

3º - quanto aos portugueses terem vergonha do que conseguiram, não sei se a afirmação retrata completamente a realidade.
Pela minha parte não tenho dúvidas que muitos dos que cantam os amanhãs olham para esse período da nossa história sem rigor. 

O que quero dizer com isto, e é a minha opinião, é que Salazar fez muito mal em depois de Bandung não ter sido inteligente e pragmático e olhar o futuro com realismo. Foi burro, lixou Portugal.

Muitos dos que cantam os amanhãs fingem que não existia tribalismo e mesmo racismo entre os povos naquelas paragens em África. É só observar o que se tem passado lá desde 1974.
Muitos dos que cantam os amanhãs olham para muitos militares conforme lhes convém.

Pela minha parte não foi com regozijo que fui para a guerra. 
Cumpri o que entendi ser o meu dever e não estou arrependido.
O então comandante do navio, eu próprio, e todos os sargentos e praças cumprimos com dignidade cívica e militar o nosso dever.

Pela minha parte deploro que tantos portugueses permanecem enterrados em África, que não sejam transladados para a sua terra natal. Verifica-se que os titulares de órgãos de soberania vivem bem com isso.

Pela minha parte respeito todos os que entenderam fugir para o estrangeiro. 
Mas respeito mais quem cumpriu o seu dever militar e depois de regressar e entregar a sua unidade foi de férias e não mais voltou.  

Como respeito os milhares e milhares como eu, que cumpriram o seu dever, e sabiam perfeitamente que a solução para o Ultramar /colónias não era outro senão político.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

PORTUGAL, ÁFRICA, AMÍLCAR CABRAL
Hoje, 20 de Janeiro, perfaz 50 anos que o então dirigente do PAIGC foi assassinado a tiro.
Com Amílcar Cabral tenho em comum, sermos seres humanos do sexo masculino nascidos em Portugal (eu no Continente, ele na então colónia/ província ultramarina Guiné), o último apelido, e África (eu apenas um pouco menos de 8 anos, ele quase toda a vida).

De África tenho, quase seis anos vividos em Angola/ Luanda (fui para lá com 3 meses, regressei com praticamente seis anos), duas passagens por Cabo Verde por razões da profissão, e 21 meses de Guiné (29OUT71-28JUL73) onde cumpri a minha obrigação militar a bordo de um navio da Marinha. 

Como milhares de outros concidadãos estive do outro lado, em oposição a Amílcar e seus combatentes.
Na Guiné fui/ fomos atacados na noite de 19 de Maio de 1973, sofremos um morto e vários feridos, e danos diversos no navio ainda que mantendo a operacionalidade completa.

Amílcar Cabral,  formado em Lisboa, gradualmente ganhou prestígio internacional. 
A história continua a guardar segredos sobre os detalhes exactos acerca do seu assassinato. 
O dono do dedo no gatilho assassino foi logo identificado, mas o autor (es) da ordem de execução permanece incógnito, havendo como sempre acontece diferentes teorias sobre a congeminação de que resultou o assassinato.

Durante o tempo em que o general António de Spínola foi governador e comandante-chefe da Guiné, e que me recorde, terá havido tentativas de dialogo com o PAIGC sempre não aceites pelo regime em Lisboa, sendo certo que Spínola esteve pelo menos uma vez com o presidente senegalês Senghor. 

Além  disso, e desconhecendo os detalhes, Spínola tentou chegar à fala com o PAIGC recordando-me que emissários seus seriam massacrados na selva (o episódio dos majores).

Uma das hipóteses avançadas quanto ao "mandante" do assassinato sempre apontou o regime em Lisboa e designadamente a DGS como estando por trás do que aconteceu.
Não faço a menor ideia.

Mas uma coisa sei, pois a memória não me atraiçoa ainda.
Sei o que os meus ouvidos e os de outros que estão ainda vivos ouviram uma noite no aquartelamento em Ganturé, a Norte do rio Cacheu, poucos dias antes do assassinato - se houver sorte, um dia o Amílcar morre.

Isto não interessa para nada, mas recordo bem o que então ouvi. 
E muito pouco tempo depois dessa noite, chegou o dia 20 de Janeiro de 1973. 
Passaram-se a seguir várias semanas, até que o atordoamento no seio do PAIGC passou finalmente, e começaram a abater aviões com os mísseis  Strella. 
A guerra mudou completamente.

AC

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

E S T A D O S

Nas Nações Unidas estão "inscritos" hoje 193 Estados membros.
Não estão nas Nações Unidas designadamente o Kosovo que 
não é reconhecido por muitos países, com independência 
declarada mas não aceite por muitos, e a Formosa/ Taiwan 
que é reconhecido por vários países como Estado independente, 
mas que muitos outros países consideram ser parte da grande China.
Há Estados minúsculos, de que são exemplo entre muitos outros, 
Mónaco, Andorra, Vanuatu. 
Este último mesmo ridículo de dimensão e localização,
sendo aparentemente o primeiro que será um dia engolido 
pelo oceano.
Estive há pouco a olhar para um livrinho meu, da "Collins", 
que se chama "Nations of the World Atlas".
Entre muitas curiosidades apeteceu-me por uns momentos 
olhar bem para o que lá vem descrito relativamente ao Reino Unido.
Reino Unido = Inglaterra + Escócia + País de Gales + Irlanda do 
Norte + uma série de ilhas e ilhotas mais ou menos à sua 
volta como, Shetland, Hebrides, Wight, Man, Orkney, Alderney, 
Jersey, Gersney.
Mas depois, o meu livrinho aponta como Crown Colonies 
o seguinte: Gibraltar, Falkland, Monteserrat, Anguilla, Cayman, 
Virgin, St Helena, Turks e Caico, Chagos, South Georgia, 
Pitcairn, Bermuda, British Indian Ocean Territory
Nesta última coisa uma ilha muito relevante por ser uma 
plataforma militar muito importante usada até pelos Americanos.
Chama-se Diego Garcia, usada como apoio em conflitos no médio
e extremo Oriente.
Quantos paraísos, idílicos e fiscais, com lavandarias. 
Interessante.
Igualmente interessante contabilizar as dezenas de Estados 
(alguns minúsculos) que integram a designada "Commonwealth" 
ou seja, entre outros aspectos, que reconhecem a rainha Isabel II 
como seu Chefe de Estado. 
Ainda mais interessante verificar que já aí está o primeiro 
Estado a deixar de a reconhecer como Chefe de Estado. 
Tem presidente desde há dias, presidenta como agora é 
moderno dizer. É Barbados.
António Cabral

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

E S T A D O S
Nas Nações Unidas  estão "inscritos" hoje 193 Estados membros.

Não estão nas Nações Unidas designadamente o Kosovo que não é reconhecido por muitos países, com independência declarada mas não aceite por muitos, e a Formosa/ Taiwan que é reconhecido por vários países como Estado independente, mas que muitos outros países consideram ser parte da grande China.

Há Estados minúsculos, de que são exemplo entre muitos outros, Mónaco, Andorra, Vanuatu. Este último mesmo ridículo de dimensão e localização, sendo aparentemente o primeiro que será um dia engolido pelo oceano.
Estive há pouco a olhar para um livrinho meu, da "Collins", que se chama "Nations of the World Atlas".
Entre muitas curiosidades apeteceu-me por uns momentos olhar bem para o que lá vem descrito relativamente ao Reino Unido.

Reino Unido = Inglaterra + Escócia + País de Gales + Irlanda do Norte + uma série de ilhas e ilhotas mais ou menos à sua volta como, Shetland, Hebrides, Wight, Man, Orkney, Alderney, Jersey, Gersney.

Mas depois, o meu livrinho aponta como Crown Colonies o seguinte: Gibraltar, Falkland, Monteserrat, Anguilla, Cayman, Virgin, St Helena, Turks e Caico, Chagos, South Georgia, Pitcairn, Bermuda, British Indian Ocean Territory. Nesta última coisa uma ilha muito relevante por ser uma plataforma militar muito importante usada até pelos Americanos (Diego Garcia).

Quantos paraísos, idílicos e fiscais, com lavandarias. Interessante.
AC

domingo, 21 de novembro de 2021

DA  NOSSA  HISTÓRIA

1952, Goa, de um discurso - ….."Não podemos hoje, a tantos séculos já dos dias de esplendor e expansão, ajuizar bem do que foram os faustos e as misérias, a ousadia temerária e a embriaguez de glória e das grandes aventuras ou a humilde abnegação dos missionários e dos mártires. Tudo isso, grandeza e desgraça, violência e humildade, palácios, catedrais e choupanas, foi Goa"……..(Almirante Sarmento Rodrigues, ministro do ultramar).

AC

terça-feira, 19 de maio de 2020

R E C O R D A Ç Õ E S
Hoje, 19 de Maio, pelas 2340 horas, fará 47 anos que, quando o  navio em que eu prestava serviço durante a guerra em África navegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, na Guiné, hoje Guiné-Bissau, numa zona mais acima da base dos fuzileiros, Ganturé. 
Como todos, menos um, dos que estavam no exterior do navio, tive muita sorte. Estava uma noite de espectacular luar.
Morreu um comando africano, dos vários que transportávamos depois de uma incursão no Senegal e junto a quem rebentou o primeiro e único projéctil/ granada lançado pelos então guerrilheiros do PAIGC. 
Houve feridos, um incêndio, e o navio teve danos vários, inclusive um rombo abaixo da linha de água.
Passadas semanas, um relatório da DGS (Direção Geral de Segurança), confirmou a morte de todo o grupo de guerrilheiros atacantes.
Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores junto ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, ficavam enrodilhados no espesso arvoredo. A reação de fogo do navio e de todo o pessoal armado que estava no exterior e era muito, e que terá durado para aí um minuto no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona. 
Como se viu no local na manhã seguinte ao ataque, uma zona enorme quase circular de árvores zurzidas, sem folhagem, sem ramos pequenos, sem casca. Tudo branco. O tempo voa, 47 anos!
Eu não esqueço. 
E recordo, com emoção, todos os que estavam comigo, e que depois do final de 1973 nunca mais encontrei. Recordo, também, todos os que connosco conviveram naquelas paragens Africanas, de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. 
Mas sobretudo não sabem respeitar.
Não respeitam os que como eu andaram na guerra e que felizmente regressaram quase sem sequelas. 
Mas acima de tudo não respeitam os milhares de portugueses que regressaram de África com sequelas e os seus familiares, e não respeitam os familiares dos que tombaram pela Pátria. 
Esquecem além disso, o que a CRP estabelece, e o que está em letra de lei na legislação que enquadra a Defesa Nacional e a sua componente militar, que é constituída pelas Forças Armadas.
Dever de tutela, respeito pela lei, verticalidade, honestidade intelectual, respeito pela história do País, estes e outros valores são lixo para a “gentinha” que desgraça o País.

António Cabral (AC)

domingo, 3 de maio de 2020

IMPÉRIO PASSADO
PORTUGAL  COLONIAL
PORTUGAL  ULTRAMARINO
IMPÉRIO A CAIR AOS BOCADOS
Não se ter tido uma política decente em 1950/1960 teve como resultado, para lá da estúpida guerra, um país hoje desgraçado, pouco desenvolvido.
AC

sábado, 28 de março de 2020

ANDANDO  PELO  ARQUIVO  ANTIGO
19 Maio 1973, é uma data marcante na minha vida. 
E a hora do que então aconteceu não mais a esqueci, 2340h. Eu e outros não morremos nessa noite porque não era a hora.
Estava na Guiné, a cumprir o mesmo que milhares e milhares de concidadãos, e cumpria a chamada comissão de serviço a bordo deste navio, o patrulha "Hidra".
A primeira fotografia se não me falha a memória é da época um pouco antes dessa data.
A segunda é de 10 de Junho do mesmo ano, estando o navio em seco, em reparações pelas consequências do ataque que sofremos naquela data. Coincidentemente ou não, o ataque deu-se logo depois de uma operação portuguesa dentro do Senegal.
Ficou gravado para sempre.
Lembrei-me disto agora, em quarentena/ isolamento social, ao andar a vasculhar arquivos mais antigos, nomeadamente documentos, escritos avulsos, fotografias antigas.
Fará 47 anos em Maio próximo, e 47 anos em 28 de Julho próximo que acabou esse pesadelo de 21 meses em África, iniciado a 29 de Outubro de 1971.
47 ANOS, SAFA.
AC

quarta-feira, 25 de março de 2020

ANDANDO PELO ARQUIVO ANTIGO
Um pequeno mas muito interessante livrinho de 133 páginas, publicado em 1989 por um coronel do Exército Português que, logo no início que designou de "explicação conveniente", dá conta de que entre 1958 e Abril de 1961, o Exército Português empreendeu um grande esforço de reorganização tendente a adequar-se às realidade da época e para as que nessa altura se previam já com gravidade.
O livro publica um documento longo, elaborado no seio do Exército e datado de 9 de Abril de 1959.

Antes do documento/ estudo elaborado no Exército, está um longo despacho do ministro do Exército dessa altura, de 28 de Abril do mesmo ano, de leitura interessantíssima, pois ao mesmo tempo que dá uma série de "rabecadas" não deixa de salientar uma certa apreciação pelo lado positivo do documento atentos os contributos para a concretização de uma política militar para o País.

Por outro lado, afirma claramente que tinha autoridade para mandar corrigir o estudo em alguns aspectos, mas entendeu divulgá-lo tal como estava oriundo do departamento do Exército que o elaborara, pois continha utilíssimas sugestões.

Na última página, a conclusão final no documento tem esta interessante frase - importa além do mais, aprender a trabalhar num sentido objectivo e coordenado, falta que tanto se faz notar também nas nossas Forças Armadas, e é pecha nacional apontada pelas entidades mais idóneas, motivando o mau aproveitamento de muitas vontades, de competências, de apreciáveis esforços e recursos...........

Sobre esta conclusão, alguns na nossa sociedade têm batalhado sobre isto. Pessoalmente não me canso de zurzir no mesmo sentido.
E por estas falhas que se estendem no tempo Portugal continua num estado desgraçado, frágil.
AC

domingo, 2 de fevereiro de 2020

TEMPOS  da  GUERRA
Guiné, 1973, Bissau e rio Cacheu.
Não fugi, cumpri a minha parte, não gostei, sobrevivi, felizmente quase sem sequelas psíquicas e sem sequelas físicas. 
Ao "vasculhar arquivos" encontrei estas fotografias.
As fotografias estão propositadamente de lado.
A fotografia de baixo é de 10 de Junho de 1973, o navio no plano inclinado do Arsenal em Bissau, para reparação dos danos subsequentes ao ataque sofrido dias antes no rio Cacheu a montante de Ganturé, em 19 de Maio, pelas 2340 horas, e onde tivemos, poucos feridos da guarnição, infelizmente um morto dos comandos Africanos que transportávamos no exterior do navio, e vários danos no navio incluindo rombos abaixo da linha de água.
A fotografia de baixo é de navegação no Cacheu pouco tempo antes desse ataque noturno.
Tempos da guerra, guerra inútil. 
Onde aprendi muito, onde conheci muitos, onde vi muita coisa, onde desconfiei de muita outra coisa.
Para lá fui na noite de 29 de Outubro de 1971, de lá vim em 28 de Julho de 1973.
António Cabral  ( AC )

sábado, 28 de setembro de 2019

A propósito de um País com mar imenso
(recupero um post de anos atrás)
- Bom dia Majestade,………...……………
- Quê,…….ah,……........sim,………….dizei………...…………
- Majestade, o que haverá para lá do horizonte? Podíamos construir embarcações maiores, e….mandar "valerosos" ir ver……..
- Tendes razão,…..vamos a isso…..mãos à obra………………
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- Majestade, que boas notícias de Pero da Covilhã e Bartolomeu Dias………
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- Majestade, esta do tratado de Tordesilhas foi genial…..e a Bula "Inter Caetera" ajudou bastante…………………………………..
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- Majestade, que belos feitos os de Vasco da Gama, Alvares Cabral, Corte Real, e todos os outros…………………………………..
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- Majestade, chegam notícias de Fernão de Magalhães………………
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- Majestade, esta continuidade de problemas com os Holandeses…..mas também houve revolta nossa no Maranhão………………...
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- Majestade, o Brasil português está reconstituído…………………………………………
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- Majestade, desculpai, mas o tratado de Methuen não devia ter ficado com aquela formulação, muito prejudicial para o Reino……...
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- Magestade, os proventos do ouro do Brasil e as especiarias já foram………
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- Majestade, agora sem o Brasil, sem várias possessões na Ásia, urge olhar com mais atenção para África………………………………..
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- Majestade, chegam boas novas de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens………………………………………………………

-…..Ora bem.......Companhias de Navegação……….vejamos……………Companhia Colonial de Navegação, Companhia Nacional de Navegação, 
Empres Insulana de Navegação, Sociedade Geral de Comércio Indústria e Transportes Lda, Companhia Industrial Portuguesa, 
Companhia de Navegação Navio-Motor Lda, Barão Nunes & Machado Lda, Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, 
Eugénio de Araújo Moreira, Empresa de Navegação Madeirense Lda, Empresa Mutualista Açoreana…………………………………….
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- Senhor Ministro, hoje 25 de Janeiro de 1933, em Glasgow, foi lançado à água o Contra-Torpedeiro Vouga…………………………….
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- Senhor Ministro, a guerra está a acabar, e a nossa Marinha Mercante precisava de ser reanimada……………………………
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- Tem razão,…..neste Agosto de 1945 tudo está complicado…….mas já posso avançar com o despacho ..................
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- Senhor Presidente do Conselho, que acha destes novos navios Franceses, submarinos e fragatas…….e as corvetas…………………….
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- Senhor Ministro,…………………….os estaleiros estão parados…………e quase sem encomendas……………………………………….

- Nacionalizem-se os estaleiros, principalmente os grandes…………………
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- Senhor 1º Ministro já fecharam quase todos os estaleiros pequenos, os grandes estão com imensas dificuldades, as nossas capacidades de reparação e construção naval estão muito longe do que deviam ser, dada a nossa posição geográfica, ZEE e a descontinuidade territorial……..
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- Não se preocupe, vai ver, o que for preciso compramos barato e melhor no estrangeiro, disso não tenho dúvidas, .........como sempre……….
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- "Sô Dotor" sabe que já não temos quase nenhuma capacidade em construção e reparação naval……………………………

- Oh homem, ……desapareça……….que ainda me assusta a tartaruga………
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- Senhor Ministro,……os navios de superfície  concretamente as fragatas, precisavam de ser modernizados…………………………
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- O quê……………..já têm rombos no costado?……………………………………………………………
AC 

domingo, 19 de maio de 2019

19 MAIO - Recordações.
Hoje, 19 de Maio, pelas 2340 horas, fará 46 anos que, quando o meu navio (onde cumpria a minha comissão no então Ultramarnavegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, na Guiné, hoje Guiné-Bissau. 
Como outros, que estávamos no exterior do navio, como quase todos menos um, tive muita sorte. Estava uma noite de espectacular luar.
Morreu um comando africano, dos muitos que transportávamos no exterior do navio, junto a quem rebentou o primeiro e único projéctil/ granada lançado pelos então guerrilheiros do PAIGC. Houve feridos, um incêndio, e o navio teve danos vários, inclusive um rombo abaixo da linha de água.
Passadas semanas, um relatório da PIDE/DGS, confirmou a morte de todo o grupo de guerrilheiros atacantes.

Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores até ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio e de todo o pessoal armado que estava no exterior (se bem recordo, mais de 8 dezenase que terá durado para aí um minuto no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona. Como se viu no local na manhã seguinte ao ataque, uma zona enorme quase circular de árvores zurzidas, sem folhagem, sem ramos pequenos, sem casca. Tudo branco. O tempo voa, 46 anos! 

Eu não esqueço
E recordo, com emoção, todos os que estavam comigo, e que nunca mais encontrei. Recordo, também, todos os que connosco conviveram naquelas paragens Africanas, de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. Esquecem-se apenas da participação nas pouca vergonhas que hoje se desabam em cima de nós, activa nuns casos passiva em outros.
Mas sobretudo não sabem respeitar, o passado, a história, os combatentes, os que morreram. 

Não respeitam os que como eu andaram na guerra e que felizmente regressaram quase sem sequelas. QUASE. O ouvido esquerdo nunca mais foi o mesmo, como se vê nos audiogramas.
Mas acima de tudo não respeitam os milhares de portugueses que regressaram de África com sequelas mas sobretudo os familiares daqueles que tombaram pela Pátria. Esquecem além disso, o que a CRP estabelece, e o que está em letra de lei na legislação que enquadra a Defesa Nacional e a sua componente militar. 

Dever de tutela, respeito pela lei, verticalidade, honestidade intelectual, respeito pela história do País, estes e outros valores são lixo para a “gentinha” que desgraça o País.
Os tempos são outros, a realidade do País é diferente, as missões, os meios designadamente os recursos humanos, têm que se conformar ás realidades do presente, mas devendo olhar e acautelar o futuro.
Foi há 46 anos, foi outro dia!!
António Cabral