Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 28 de julho de 2025
segunda-feira, 19 de maio de 2025
segunda-feira, 28 de abril de 2025
REALIDADES
Sou, também, da geração que andou na guerra, concretamente, 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973, como oficial imediato num patrulha grande da Marinha, na então Guiné portuguesa.
Sou da geração que conheceu os tiros, dei várias vezes ordem de fogo para os canhões de 40 m/m do navio, um à proa e outro à popa.
Sou da geração que conheceu o combate a sério, na passagem de 19 para 20 de Maio de 1973. E ao longo desses 21 meses de comissão em África muitos sustos apanhou e vários horrores viu.
Sou dos muito afortunados que regressaram vivos, não estropiado, mas infelizmente com o ouvido esquerdo afectado com as explosões desse ataque ao findar desse 19 de Maio. Ouvido que, com a idade, vai denunciando mais o dano de Maio de 1973.
Ando muito triste com a situação no meu país.
Vivo felizmente no regime de direito democrático.
Tenho esperança, confio e anseio por um futuro melhor para os meus filhos e netos. Mas o horizonte está cinzento.
Tento perceber o mundo, sempre, e não me fio nos aldrabões que pululam a vertente interna e a externa.
Nunca fui carreirista, acomodado, e apesar de ter subido quase ao topo máximo na carreira, em 2006 ficou evidente a consequência da "cor dos meus olhos e o nunca ter aceitado ser submisso". Mascarando, evidentemente, com normas legais, sabendo-se, como no decorrer dos tempos, as normas foram periodicamente suavizadas para os de olhos de cor bonita.
Sei o que é a honra, tenho coluna vertebral bem direitinha embora às vezes nas S e nas L já surjam sinais do passar dos anos. Revolto-me contra as injustiças, as indignidades, as mentiras, o politicamente correcto, não suporto os acomodados, nem respeito quem não se dá ao respeito, independentemente de muitos lhes dedicarem o respeitinho serôdio porque sim. Borrifo-me para modas, Wokes e quejandos.
Respeito sempre as opiniões de outrem, discordo umas vezes, concordo outras. Sou dono da minha cabeça, do meu coração. Apenas.
António Cabral
domingo, 13 de abril de 2025
domingo, 28 de julho de 2024
terça-feira, 21 de maio de 2024
PENSAR SETÚBAL:
20/05/2024
Hoje vamos falar de uma operação militar denominada Operação “Mar Verde”.
A referida acção militar foi decidida pelo governo de Marcello Caetano, planeada pelas Forças Armadas Portuguesas e realizada em Novembro de 1970, no território da Guiné-Conakry, decorrente da Guerra Colonial na Guiné-Bissau.
Foi concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Galvão, responsável pelo Centro de Operações Especiais da Guiné-Bissau, com o apoio do brigadeiro António de Spínola que era o governador militar deste território.
Um grupo de soldados desembarcou furtivamente próximo da cidade de Conakry, sob a supervisão de oficiais portugueses. O objectivo era derrubar o governo de Sékou Touré, um dos principais aliados do PAIGC e raptar Amílcar Cabral.
A “Operação Mar Verde” decorreu num contexto mais amplo da guerra entre o regime colonial português e os movimentos de libertação africanos.
Em 1970, o PAIGC controlava quase dois terços do território da Guiné, mas começava a ceder militarmente, uma vez que Portugal tinha intensificado a sua ofensiva.
Para além disso, o plano consistia também em destruir as lanchas rápidas fornecidas pela União Soviética ao PAIGC e libertar vinte e seis prisioneiros de guerra portugueses que tinham sido capturados e que se encontravam na Guiné-Conakry.
E daí que, entre os dias 21 e 22 de Novembro, teve início a operação, com a infiltração via mar do contingente português, composto por cerca 400 fuzileiros que desembarcaram nos arredores de Conakry.
Segundo Mário Salgado, enfermeiro do exército, a referida operação teve o apoio de um contingente militar que se deslocou por terra, passando por Piche, perto de Pirada, próximo da fronteira da Guiné-Conakry, tendo também regressado por aí.
O primeiro alvo foi o quartel-general do PAIGC e as lanchas que foram logo destruídas. De seguida, foram atacados outros objectivos estratégicos tais como a central eléctrica e a prisão onde estavam os referidos prisioneiros portugueses.
A partir daqui, o grupo dividiu-se em dois; o primeiro grupo atacou e destruiu outras instalações do PAIGC e tentou raptar Amílcar Cabral que aí não se encontrava. Esse grupo retirou-se imediatamente via mar.
O segundo grupo, com cerca 200 militares, tentou promover a insurreição da população de Conakry contra o governo, convencidos que iria haver receptividade por parte da população local.
Tal não sucedeu, uma vez que os infiltrados não conseguiram transmitir as mensagens que pretendiam à população, a partir da estação de rádio que tinham, entretanto, ocupado, nem capturar oficiais importantes da defesa local.
Pelo contrário, foram rechaçados pelo exército Conakry e obrigados a retirar rapidamente, tendo sido capturados sessenta militares, entre os quais seis oficiais portugueses.
A Operação Mar Verde não conseguiu os seus objectivos.
Sekou Touré aproveitou de imediato para proceder a uma purga interna, com condenações à morte e assassínios que se estenderão até 1973, atingindo as mais importantes esferas do poder, nomeadamente membros do executivo.
A comunidade internacional reagiu de imediato, acusando Portugal de ter invadido militarmente um estado soberano e violado o direito de autodeterminação da Guiné-Bissau.
A condenação foi sancionada pela Resolução 290 do Conselho de Segurança da ONU, a 8 de Dezembro de 1970 e também por uma moção de rejeição por parte da Organização de Unidade Africana.
Por todo o lado ocorreram manifestações de apoio e solidariedade para com o PAIGC que se traduziu num reforço do armamento, para procurar reequilibrar as suas forças e também para desincentivar ulteriores tentativas de invasão.
A Guerra Colonial foi perdendo progressivamente a aceitação tácita por parte da população que a tinha sempre encarado de uma forma resignada e, sobretudo, dos militares.
Principalmente a partir dos anos 70, o peso da guerra na sociedade portuguesa, tornou-se impossível de manter e continuar.
Quanto à Operação “Mar Verde” foi mais uma peça do puzzle que faltava encaixar na nossa História recente.
Analisando à distância e olhando retrospectivamente, o 25 de Abril assume uma importância e, sobretudo, uma lógica que determinou o seu surgimento, tanto necessário, quanto inevitável.
Fica aqui uma história importante e eventualmente desconhecida do grande público.
sábado, 27 de abril de 2024
Comunicado da Presidência do Conselho de Ministros
1. As relações do povo português com todos os povos dos Estados que foram antigas colónias de Portugal são verdadeiramente excelentes, assentes no respeito mútuo e na partilha da história comum. O mesmo se diga das relações institucionais Estado a Estado, como bem provam as comemorações dos cinquenta anos do 25 de Abril de 1974.
2. A propósito da questão da reparação a esses Estados e aos seus povos pelo passado colonial do Estado português, importa sublinhar que o Governo actual se pauta pela mesma linha dos Governos anteriores.
3. Não esteve e não está em causa nenhum processo ou programa de acções específicas com esse propósito.
4. Ainda assim, o Estado português, através dos seus órgãos de soberania - designadamente, do Presidente da República e do Governo -, tem tido gestos e programas de cooperação de reconhecimento da verdade histórica com isenção e imparcialidade.
5. Assim se compreende, a título de exemplo, a assunção do contributo decisivo da luta desses povos pela sua independência para o fim da ditadura ou o pedido de desculpas pelo trágico massacre de Wyriamu.
6. No quadro da cooperação cultural e histórica, o Estado Português financiou, em Angola, o Museu da Luta de Libertação Nacional; em Cabo Verde, a musealização do campo de concentração do Tarrafal; em Moçambique, a recuperação da rampa dos escravos na Ilha de Moçambique.
7. A tudo isso acresce, globalmente, a prioridade dada às políticas gerais de cooperação e à sua materialização em áreas tão significativas como a educação, a formação, a língua, a cultura ou a promoção da saúde, para além da cooperação financeira, orçamental e económica.
8. A linha do Governo português é e será sempre esta: aprofundamento das relações mútuas, respeito pela verdade histórica e cooperação cada vez mais intensa e estreita, assente na reconciliação de povos irmãos.
sexta-feira, 15 de março de 2024
sexta-feira, 28 de julho de 2023
50
Passam hoje 50 anos sobre o meu regresso da Guerra na Guiné (actual Guiné-Bissau). Cheguei inteiro e, felizmente, sem mazelas físicas incluindo estômago e intestinos, pois cumpri escrupulosamente com a medicação desde um mês antes da partida até ao final de Agosto de 1973. E água sempre filtrada e depois fervida. Em cerca de 3 meses estava OK de espírito. Parece que foi outro dia.
AC
sexta-feira, 19 de maio de 2023
Hoje, 19 de Maio, pelas 2340 horas, fará 42 anos que, quando o meu navio navegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, na Guiné, hoje Guiné-Bissau. Como outros, que estávamos no exterior do navio, tive muita sorte. Estava uma noite de espectacular luar.
Morreu um comando africano, junto a quem rebentou o primeiro e único projéctil/ granada lançado pelos então guerrilheiros do PAIGC. Houve feridos, um incêndio, e o navio teve danos vários, inclusive um rombo abaixo da linha de água.
Passadas semanas, um relatório da PIDE/DGS, confirmou a morte de todo o grupo de guerrilheiros atacantes.
Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores junto ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio e de todo o pessoal armado que estava no exterior e que terá durado para aí um minuto no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona. Como se viu no local na manhã seguinte ao ataque, uma zona enorme quase circular de árvores zurzidas, sem folhagem, sem ramos pequenos, sem casca. Tudo branco. O tempo voa, 42 anos!
Eu não esqueço. E recordo, com emoção, todos os que estavam comigo, e não vejo há muitos anos. Recordo, também, todos os que connosco conviveram naquelas paragens Africanas, de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. Mas sobretudo não sabem respeitar.
sábado, 29 de outubro de 2022
quinta-feira, 19 de maio de 2022
ANDANDO PELO ARQUIVO ANTIGO
Para muitos, esse 19 de Maio foi mais um dia, mas nesse já distante 1973 foi para mim um dia muito diferente, e ficou uma data marcante na minha vida.
E a hora do que então aconteceu não mais a esqueci, 2340 h.
Estava na Guiné, então território português, colónia/ província ultramarina, a cumprir o mesmo que milhares e milhares de concidadãos, e cumpria a chamada comissão de serviço a bordo deste navio que mostro em baixo, a lancha de fiscalização grande (LFG), o NRP "Hidra" (NRP= Navio da República Portuguesa).
Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores até junto ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio e de todo o pessoal armado (dezenas) que estava no exterior e que terá durado muitos segundos mas seguramente menos que um minuto, varreu literalmente com aço toda a zona.
Esquecem, ou melhor, querem lá saber, do dever de tutela, do respeito pela lei, do que é verticalidade ou honestidade intelectual.
Ficou gravado para sempre.
Passaram-se 49 anos.
49 ANOS,……... SAFA, como diria o "outro".
António Cabral (AC)
terça-feira, 22 de março de 2022
sexta-feira, 26 de novembro de 2021
quarta-feira, 28 de julho de 2021
28 JULHO
Faz hoje a meio da tarde 48 anos. Foi em 1973, que regressei da Guiné depois de para lá ter ido em 29 de Outubro de 1971, para cumprir 21 meses na guerra.
Regressei a bordo de um dos aviões Boeing 707 da nossa Força Aérea, que descolou do aeroporto de Bissau numa subida brutal a fazer estremecer o avião assustadoramente. O objectivo era ganhar altura o mais rápido possível e assim diminuir as hipóteses de se tornar alvo dos mísseis de que nessa altura o PAIGC dispunha.
Parece que foi outro dia!
Cheguei fisicamente inteiro, felizmente sem danos intestinais e sezões como aconteceu a milhares de portugueses, psicologicamente e psiquicamente relativamente bem, "malgré tout", e em particular dada a ansiedade do período 19 de Maio - 28 Julho de 1973, ansiedade que o ataque sofrido às 2340 horas de 19 de Maio despoletou.
O tempo voa, estou menos novo.
AC
quarta-feira, 19 de maio de 2021
quarta-feira, 17 de março de 2021
No próximo dia 25 de Abril completam-se 47 anos sobre, a revolução dos cravos (para uns), mas na realidade sobretudo a ira dos militares pelo cansaço devido à guerra em África desde 1961 e que os fez derrubar o regime que vigorava. E fizeram muito bem.
Portanto, a pomposa reforma Cravinho sobre que já escrevi e sobre a qual vieram a público comentários diversos, vai seguir o seu caminho com a solene benção de Marcelo Presidente e de Marcelo Comandante Supremo das Forças Armadas. Permanece a dúvida se é mesmo isto, comandante!
Tendo presente que o processo legislativo vai seguir subsequente tramitação, ouvindo o Conselho de Estado e envolvendo aprovação governamental e apreciação e aprovação na Assembleia da Republica, e que, quer na sua tramitação, quer na sua eventual aplicação é fundamental o papel dos Chefes dos três ramos das Forças Armadas, o Conselho deu parecer de princípio favorável aos projetos em questão.”



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