RECORDAÇÕES da GUINÉ
Entre as recordações tangíveis do tempo da guerra na então Guiné para onde fui mandado para estar 21 meses guardo esta que um dia me ofereceram.
Saúde, o Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades, e boas férias.
António Cabral
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
RECORDAÇÕES da GUINÉ
Entre as recordações tangíveis do tempo da guerra na então Guiné para onde fui mandado para estar 21 meses guardo esta que um dia me ofereceram.
António Cabral
ANIVERSÁRIO
A propósito de aniversários, 4ª Feira celebrou os seus 81 anos um homem que conheço há anos, vários anos mais velho que eu, melhor dito, menos novo do que eu!
É um homem que, como eu, como todos nós, tem qualidades e defeitos.
Sou suspeito, naturalmente, mas é um homem com que sempre simpatizei, um homem diria quase invulgar por várias das suas características. Do meu ponto de vista, de superior inteligência, esperto, muito culto. Fino humor e ironia no tempo certo.
É daqueles homens em que toda a sua vida está recheada de momentos (pelo menos para mim) inesquecíveis, deliciosos.
Por exemplo, creio que casou tarde, e creio que do lado da mulher havia muitas tias velhotas e etc. E, como acontecia naquele tempo, essa senhoras ditaram que o filho que iria nascer se deveria chamar isto e aquilo e etc.
Pois ele, o pai, irritou-se com a coisa e quando foi registar o miúdo recém nascido registou-o com um nome inacreditável para a maioria das pessoas.
Mais, como centenas de milhares de portugueses, esteve na guerra em África, guerra do Ultramar, guerra colonial. Calhou-lhe a então Guiné portuguesa, um dos (porventura o pior) piores buracos da guerra de 1961 a 1974/5.
Quando lá esteve, o Comodoro que comandava o então Comando da Defesa Marítima da Guiné tinha no seio dos militares a alcunha de "burro". Pois a unidade militar que o centro destas palavras integrava tinha arranjado um burro, de quatro patas.
Que nome puseram ao animal? Isso mesmo . . . . . Comodoro.
Estas e muitas outras histórias ficarão famosas para sempre.
Que o "S" tenha um bom dia de aniversário mas, sobretudo, vida longa com boa saúde apropriada à idade.
AC
REALIDADES
Sou, também, da geração que andou na guerra, concretamente, 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973, como oficial imediato num patrulha grande da Marinha, na então Guiné portuguesa.
Sou da geração que conheceu os tiros, dei várias vezes ordem de fogo para os canhões de 40 m/m do navio, um à proa e outro à popa.
Sou da geração que conheceu o combate a sério, na passagem de 19 para 20 de Maio de 1973. E ao longo desses 21 meses de comissão em África muitos sustos apanhou e vários horrores viu.
Sou dos muito afortunados que regressaram vivos, não estropiado, mas infelizmente com o ouvido esquerdo afectado com as explosões desse ataque ao findar desse 19 de Maio. Ouvido que, com a idade, vai denunciando mais o dano de Maio de 1973.
Ando muito triste com a situação no meu país.
Vivo felizmente no regime de direito democrático.
Tenho esperança, confio e anseio por um futuro melhor para os meus filhos e netos. Mas o horizonte está cinzento.
Tento perceber o mundo, sempre, e não me fio nos aldrabões que pululam a vertente interna e a externa.
Nunca fui carreirista, acomodado, e apesar de ter subido quase ao topo máximo na carreira, em 2006 ficou evidente a consequência da "cor dos meus olhos e o nunca ter aceitado ser submisso". Mascarando, evidentemente, com normas legais, sabendo-se, como no decorrer dos tempos, as normas foram periodicamente suavizadas para os de olhos de cor bonita.
Sei o que é a honra, tenho coluna vertebral bem direitinha embora às vezes nas S e nas L já surjam sinais do passar dos anos. Revolto-me contra as injustiças, as indignidades, as mentiras, o politicamente correcto, não suporto os acomodados, nem respeito quem não se dá ao respeito, independentemente de muitos lhes dedicarem o respeitinho serôdio porque sim. Borrifo-me para modas, Wokes e quejandos.
Respeito sempre as opiniões de outrem, discordo umas vezes, concordo outras. Sou dono da minha cabeça, do meu coração. Apenas.
António Cabral
ANDANDO PELO ARQUIVO ANTIGO
António Cabral (AC)