Hoje, 19 de Maio de 2026, pelas 2340 horas, fará 53 anos que, quando o meu navio (para onde em 29OUT1971 fui mandado para cumprir 21 meses na guerra de então, exercendo o cargo de oficial imediato, que é equivalente a 2º comandante no Exército) navegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, no Norte da Guiné, hoje Guiné-Bissau.
Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores junto ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio (as peças de 40 m/m, bazuca, e metralhadoras pesadas) e de todo o armamento ligeiro do pessoal que estava no exterior (comandos africanos, fuzileiros) e que terá durado para aí um minuto e pouco no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. Mas sobretudo não sabem respeitar.
Não respeitam os que como eu andaram na guerra e que felizmente regressaram quase sem sequelas.
Dever de tutela, respeito pela lei, verticalidade, honestidade intelectual, respeito pela história do País, estes e outros valores são lixo para a “gentinha” de todas as cores que sucessivamente desgraça o País.
Os tempos são outros, a realidade do País é diferente, as missões, os meios designadamente os recursos humanos tem que se conformar ás realidades do presente, e a instituição militar que é o pilar militar da defesa nacional (NÃO É A DFESA NACIONAL) deve estar SEMPRE subordinada aos poderes democráticos legitimamente eleitos.



