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quinta-feira, 9 de abril de 2026

9 ABRIL 
DIA DO ANTIGO COMBATENTE

Malhei com o cabedal na Guiné, entre 29 de Outubro de 1971 e 28 de Julho de 1973.

Depois de alguns "sustos" em 1971 e 1972, às 2340 horas de 19 de Maio de 1973, no Norte no rio Cacheu, sofremos um ataque, ia lá ficando, eu e outros, mas tivemos muita sorte. Tivemos infelizmente um morto. Houve alguns feridos ligeiros.


Tenho um "PIN" que vinha dentro desta caixinha, 


e tenho este cartão, 

e tenho desconto em alguns medicamentos, 

e uso o cartão Navegante sem pagar nada.

Está perto de fazer 53 anos que regressei de África.

NUNCA MAIS LÁ PUS OS PÉS, NEM POREI.

Tenham uma boa 5ª Feira. Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

segunda-feira, 24 de junho de 2024

RECORDAÇÕES

. . . Quando o ministro do Ultramar se encaminhava para a sala do aeroporto de Bissau, uma "mulher grande", Obiara Sambu, aproximou-se do Dr Baltasar Rebelo de Sousa, cumprimentou-o e beijou-o delicadamente. . . 
(Diário de Notícias, pequeno excerto da reportagem da visita do ministro à Província da Guiné, 16 de Janeiro de 1974)

AC

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

REVELAÇÕES FEITAS POR UM HISTORIADOR ESTRANGEIRO SOBRE A GUERRA DO ULTRAMAR: 1961 - 1974
Jonathan Llewellyn

"Espero que perdoem a um estrangeiro intrometer-se neste assunto, mas é preciso que alguém diga certas verdades.

A insurgência nos territórios ultramarinos portugueses não tinha nada a ver com movimentos nacionalistas. Primeiro, porque não havia (como ainda não há) uma nação angolana, uma nação moçambicana ou uma nação guineense, mas sim diversos povos dentro do mesmo território. E depois, porque os movimentos de guerrilha foram criados e financiados por outros países.

ANGOLA – A UPA, e depois a FNLA, de Holden Roberto foram criadas pelos americanos e financiadas (directamente) pela bem conhecida Fundação Ford e (indirectamente) pela CIA.

O MPLA era um movimento de inspiração soviética, sem implantação tribal, e financiado pela URSS. Agostinho Neto, que começou a ser trabalhado pelos americanos. só depois se virando para a URSS, tinha tais problemas de alcoolismo que já não era de confiança e acabou por morrer num pós-operatório. Foi substituído pelo José Eduardo dos Santos, treinado, financiado e educado pelos soviéticos.

A UNITA começou por ser financiada pela China, mas, como estava mais interessada em lutar contra o MPLA e a FNLA, acabou por ser tolerada e financiada pela África do Sul. Jonas Savimbi era um pragmático que chegou até a um acordo com os portugueses.

MOÇAMBIQUE - A Frelimo foi criada por conta da CIA. O controleiro do Eduardo Mondlane era a própria mulher, Janet, uma americana branca que casou com ele por determinação superior. Mondlane foi assassinado por não dar garantias de fiabilidade, e substituído pelo Samora Machel, que concordou em seguir uma linha marxista semelhante à da vizinha Tanzânia. Quando Portugal abandonou Moçambique, a Frelimo estava em tal estado que só conseguiu aguentar-se com conselheiros do bloco de leste e tropas tanzanianas.

GUINÉ – O PAIGC formou-se à volta do Amílcar Cabral, um engenheiro agrónomo vagamente comunista que teve logo o apoio do bloco soviético. Era um movimento tão artificial que dependia de quadros maioritariamente cabo-verdianos para se aguentar (e em Cabo Verde não houve guerrilha). Expandiu-se sobretudo devido ao apoio da vizinha Guiné-Konakry e do seu ditador Sékou Touré, cujo sonho era eventualmente absorver a Guiné portuguesa.

Em resumo, territórios portugueses foram atacados por forças de guerrilha treinadas, financiadas e armadas por países estrangeiros. Segundo o Direito Internacional, Portugal estava a conduzir uma guerra legítima. E ter combatido em três frentes simultâneas durante 13 anos, estando próximo da vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito que, militarmente falando, é único na História contemporânea.

Então porque é que os portugueses parecem ter vergonha de se orgulharem do que conseguiram?"

Publicado a 01 de Junho 2013 por Jonathan Llewellyn

Acabei de ler este texto que me foi enviado por mão amiga.
Desconheço quem é o autor, desconheço em que faculdades, bibliotecas, revistas científicas e outras, jornais, etc., publica, escreve.

Sobre o caso, a guerra no Ultramar/ a guerra Colonial do Portugal de antes de 25ABR74, conheço alguma coisa. 

Conheço o ambiente de guerra na Guiné (hoje Guiné-Bissau), concretamente de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Conheci muitos (desde um simples - como está - a relacionamentos mais ou menos profundos) dos que por lá andaram, Spínola, Pedro Cardoso, Almeida Bruno, Alpoim Calvão, Otelo Saraiva de carvalho (embarcou no navio onde eu cumpria comissão, acompanhando jornalistas estrangeiros convidados por Spínola), etc.

Tenho portanto conhecimento directo da guerra na Guiné, além de alguns sustos o navio foi aliás atacado em Maio de 1973, e ao longo do tempo recolhemos muitos dos nossos combatentes regressados de incursões algures, etc.

Tenho algum conhecimento sobre determinadas operações dos nossos fuzileiros especiais, comandos, pára-quedistas, sobre operações logísticas executadas constantemente pelas diferentes lanchas de desembarque da Marinha (nesse tempo chamada Marinha de Guerra). sobre certas operações da nossa aviação.

Conheço muitas realidades dos então, Exército, Força Aérea, Marinha de Guerra. E muito mais.

No texto que acima reproduzo sublinhei certas partes, acerca das quais me refiro adiante.

Respeito, sempre, a opinião de outrem.
As referências acerca da génese dos, MPLA, UPA/FNLA, UNITA, PAIGC, FRELIMO, têm muito de realidade.

No caso concreto sobre o PAIGC, a história demonstra quão certa é a referência à delicada questão Cabo Verdianos versus Guineenses, história desde a formação do partido e particularmente a história das várias coisas/ tumultos que aconteceram após a independência, e até hoje.

Quanto a esta expressão,
estando próximo da vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito que, militarmente falando, é único na História contemporâneatenho três comentários:

1º - ter aguentado uma guerra naquelas condições, dispersão geográfica, distância da Metrópole a África, material de guerra existente em 1961 em muitos casos/ sectores verdadeiramente caricato, é/ foi de facto um feito.

2º - não faço ideia em que se baseou o autor para afirmar o que expressa sobre a realidade militar.
Em poucas palavras, o senhor está equivocado, ou errado, o que quiserem.

Que eu saiba, e com referência a inícios de 1974, 
- grande parte de Angola vivia uma certa acalmia, a UNITA estava de certo modo em sossego connosco,

- MPLA ao contrário da UNITA e FNLA não estava nada moribundo,

- O Norte de Moçambique estava complicado e creio que em muitas regiões não se estava propriamente como em estâncias de férias,

- na Guiné, grande parte do território estava dominado pelo PAIGC, a SUL / Leste então era um verdadeiro caos, a Força Aérea não podia efectuar as operações que executara até Março de 1973, nada do que no terreno se passava podia ser considerado como - situação controlada

3º - quanto aos portugueses terem vergonha do que conseguiram, não sei se a afirmação retrata completamente a realidade.
Pela minha parte não tenho dúvidas que muitos dos que cantam os amanhãs olham para esse período da nossa história sem rigor. 

O que quero dizer com isto, e é a minha opinião, é que Salazar fez muito mal em depois de Bandung não ter sido inteligente e pragmático e olhar o futuro com realismo. Foi burro, lixou Portugal.

Muitos dos que cantam os amanhãs fingem que não existia tribalismo e mesmo racismo entre os povos naquelas paragens em África. É só observar o que se tem passado lá desde 1974.
Muitos dos que cantam os amanhãs olham para muitos militares conforme lhes convém.

Pela minha parte não foi com regozijo que fui para a guerra. 
Cumpri o que entendi ser o meu dever e não estou arrependido.
O então comandante do navio, eu próprio, e todos os sargentos e praças cumprimos com dignidade cívica e militar o nosso dever.

Pela minha parte deploro que tantos portugueses permanecem enterrados em África, que não sejam transladados para a sua terra natal. Verifica-se que os titulares de órgãos de soberania vivem bem com isso.

Pela minha parte respeito todos os que entenderam fugir para o estrangeiro. 
Mas respeito mais quem cumpriu o seu dever militar e depois de regressar e entregar a sua unidade foi de férias e não mais voltou.  

Como respeito os milhares e milhares como eu, que cumpriram o seu dever, e sabiam perfeitamente que a solução para o Ultramar /colónias não era outro senão político.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

PORTUGAL, ÁFRICA, AMÍLCAR CABRAL
Hoje, 20 de Janeiro, perfaz 50 anos que o então dirigente do PAIGC foi assassinado a tiro.
Com Amílcar Cabral tenho em comum, sermos seres humanos do sexo masculino nascidos em Portugal (eu no Continente, ele na então colónia/ província ultramarina Guiné), o último apelido, e África (eu apenas um pouco menos de 8 anos, ele quase toda a vida).

De África tenho, quase seis anos vividos em Angola/ Luanda (fui para lá com 3 meses, regressei com praticamente seis anos), duas passagens por Cabo Verde por razões da profissão, e 21 meses de Guiné (29OUT71-28JUL73) onde cumpri a minha obrigação militar a bordo de um navio da Marinha. 

Como milhares de outros concidadãos estive do outro lado, em oposição a Amílcar e seus combatentes.
Na Guiné fui/ fomos atacados na noite de 19 de Maio de 1973, sofremos um morto e vários feridos, e danos diversos no navio ainda que mantendo a operacionalidade completa.

Amílcar Cabral,  formado em Lisboa, gradualmente ganhou prestígio internacional. 
A história continua a guardar segredos sobre os detalhes exactos acerca do seu assassinato. 
O dono do dedo no gatilho assassino foi logo identificado, mas o autor (es) da ordem de execução permanece incógnito, havendo como sempre acontece diferentes teorias sobre a congeminação de que resultou o assassinato.

Durante o tempo em que o general António de Spínola foi governador e comandante-chefe da Guiné, e que me recorde, terá havido tentativas de dialogo com o PAIGC sempre não aceites pelo regime em Lisboa, sendo certo que Spínola esteve pelo menos uma vez com o presidente senegalês Senghor. 

Além  disso, e desconhecendo os detalhes, Spínola tentou chegar à fala com o PAIGC recordando-me que emissários seus seriam massacrados na selva (o episódio dos majores).

Uma das hipóteses avançadas quanto ao "mandante" do assassinato sempre apontou o regime em Lisboa e designadamente a DGS como estando por trás do que aconteceu.
Não faço a menor ideia.

Mas uma coisa sei, pois a memória não me atraiçoa ainda.
Sei o que os meus ouvidos e os de outros que estão ainda vivos ouviram uma noite no aquartelamento em Ganturé, a Norte do rio Cacheu, poucos dias antes do assassinato - se houver sorte, um dia o Amílcar morre.

Isto não interessa para nada, mas recordo bem o que então ouvi. 
E muito pouco tempo depois dessa noite, chegou o dia 20 de Janeiro de 1973. 
Passaram-se a seguir várias semanas, até que o atordoamento no seio do PAIGC passou finalmente, e começaram a abater aviões com os mísseis  Strella. 
A guerra mudou completamente.

AC

domingo, 21 de novembro de 2021

DA  NOSSA  HISTÓRIA

1952, Goa, de um discurso - ….."Não podemos hoje, a tantos séculos já dos dias de esplendor e expansão, ajuizar bem do que foram os faustos e as misérias, a ousadia temerária e a embriaguez de glória e das grandes aventuras ou a humilde abnegação dos missionários e dos mártires. Tudo isso, grandeza e desgraça, violência e humildade, palácios, catedrais e choupanas, foi Goa"……..(Almirante Sarmento Rodrigues, ministro do ultramar).

AC

sábado, 6 de março de 2021

domingo, 2 de fevereiro de 2020

TEMPOS  da  GUERRA
Guiné, 1973, Bissau e rio Cacheu.
Não fugi, cumpri a minha parte, não gostei, sobrevivi, felizmente quase sem sequelas psíquicas e sem sequelas físicas. 
Ao "vasculhar arquivos" encontrei estas fotografias.
As fotografias estão propositadamente de lado.
A fotografia de baixo é de 10 de Junho de 1973, o navio no plano inclinado do Arsenal em Bissau, para reparação dos danos subsequentes ao ataque sofrido dias antes no rio Cacheu a montante de Ganturé, em 19 de Maio, pelas 2340 horas, e onde tivemos, poucos feridos da guarnição, infelizmente um morto dos comandos Africanos que transportávamos no exterior do navio, e vários danos no navio incluindo rombos abaixo da linha de água.
A fotografia de baixo é de navegação no Cacheu pouco tempo antes desse ataque noturno.
Tempos da guerra, guerra inútil. 
Onde aprendi muito, onde conheci muitos, onde vi muita coisa, onde desconfiei de muita outra coisa.
Para lá fui na noite de 29 de Outubro de 1971, de lá vim em 28 de Julho de 1973.
António Cabral  ( AC )

terça-feira, 10 de setembro de 2019

DESTES  JÁ  NÃO  FAZEM
Destes já não fazem. 
Para cumprir uma comissão de serviço no tempo da guerra cheguei a Bissau a 29 de Outubro de 1971. Inteiro fisicamente, e quase sem abalos psíquicos, saí de lá aliviado em 28 de Julho de 1973.
De entre as recordações que trouxe, um facão enorme, oferecido por um oficial dos fuzileiros especiais, facão que guardo aqui na aldeia, juntamente com outras coisas desse tempo.
Parece que foi ontem que vim de lá, e em Julho perfizeram-se 46 anos.
Quanto ao facão, destes e com a qualidade de aço e o cabo em bauxite se não estou em erro, destes já não se fazem. 
É uma relíquia.

AC

domingo, 19 de maio de 2019

19 MAIO - Recordações.
Hoje, 19 de Maio, pelas 2340 horas, fará 46 anos que, quando o meu navio (onde cumpria a minha comissão no então Ultramarnavegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, na Guiné, hoje Guiné-Bissau. 
Como outros, que estávamos no exterior do navio, como quase todos menos um, tive muita sorte. Estava uma noite de espectacular luar.
Morreu um comando africano, dos muitos que transportávamos no exterior do navio, junto a quem rebentou o primeiro e único projéctil/ granada lançado pelos então guerrilheiros do PAIGC. Houve feridos, um incêndio, e o navio teve danos vários, inclusive um rombo abaixo da linha de água.
Passadas semanas, um relatório da PIDE/DGS, confirmou a morte de todo o grupo de guerrilheiros atacantes.

Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores até ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio e de todo o pessoal armado que estava no exterior (se bem recordo, mais de 8 dezenase que terá durado para aí um minuto no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona. Como se viu no local na manhã seguinte ao ataque, uma zona enorme quase circular de árvores zurzidas, sem folhagem, sem ramos pequenos, sem casca. Tudo branco. O tempo voa, 46 anos! 

Eu não esqueço
E recordo, com emoção, todos os que estavam comigo, e que nunca mais encontrei. Recordo, também, todos os que connosco conviveram naquelas paragens Africanas, de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. Esquecem-se apenas da participação nas pouca vergonhas que hoje se desabam em cima de nós, activa nuns casos passiva em outros.
Mas sobretudo não sabem respeitar, o passado, a história, os combatentes, os que morreram. 

Não respeitam os que como eu andaram na guerra e que felizmente regressaram quase sem sequelas. QUASE. O ouvido esquerdo nunca mais foi o mesmo, como se vê nos audiogramas.
Mas acima de tudo não respeitam os milhares de portugueses que regressaram de África com sequelas mas sobretudo os familiares daqueles que tombaram pela Pátria. Esquecem além disso, o que a CRP estabelece, e o que está em letra de lei na legislação que enquadra a Defesa Nacional e a sua componente militar. 

Dever de tutela, respeito pela lei, verticalidade, honestidade intelectual, respeito pela história do País, estes e outros valores são lixo para a “gentinha” que desgraça o País.
Os tempos são outros, a realidade do País é diferente, as missões, os meios designadamente os recursos humanos, têm que se conformar ás realidades do presente, mas devendo olhar e acautelar o futuro.
Foi há 46 anos, foi outro dia!!
António Cabral

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

A PROPÓSITO do estado deste ESTADO
Estive a reler posts que publiquei no passado. 
Entre muitos, apetece-me republicar este de 20FEV2014. Não posso ser e tento nunca ser advogado em causa própria, mas muito do que escrevi parece-me que no essencial continua a bater certo com a actualidade, com podridão que grassa. 

Republico, também, porque estive a ler as loas de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa acerca do triste desaparecimento de um ex-combatente e que por honradamente ter combatido em África acabou por se tornar um infeliz deficiente das FA, um homem sempre de uma enorme dignidade e um lutador por valores e princípios. Estas loas, como outras do passado destes actuais titulares de orgãos de soberania como aliás de muitos dos seus antecessores, gosto sempre de cotejá-las com a acção política concreta que desenvolveram/ desenvolvem sobre as FA, sobre os deficientes das FA, e sobre a acção social e apoio ás famílias dos desaparecidos em combate. 

Outra razão para republicar o post, é ter-me lembrado do enorme desfile há meses levado a efeito na Av da Liberdade e promovido, creio, pelo actual inquilino de Belém.
E a propósito desse desfile militar, lembrar-me outra vez da questão "personalidades", um dos cancros do nosso regime.
É que há personalidades e personalidades, umas com academia, outras sem quase nada, umas pequeninas (não me refiro à estatura física, embora algumas também a não tenham), umas que se julgam mais notáveis, outras que se consideram donas do regime, donas da ética, donas de quase tudo. Personalidades que circulam sempre nos mesmos circuitos e entre tachos directos ou encapotados. 
As tais personalidades, que andam por cá, muitas fruindo também bons lugares no estrangeiro onde muitas vezes nem se dá por eles, personalidades com e sem graça, algumas  dando periódica prova de vida seja nas TV seja nos jornais, seja escrevendo ou falando com graça ou sem ela.
A gentinha que se atropela pelo croquete, pela recepções nos palácios e nas embaixadas, e pelas paradas e tribunas com muita gente, como refiro no último parágrafo do post que republico.

Proposta da Assembleia da República: Grande parada militar para comemorar Abril

1. Acabo de ler na comunicação social (pela NET) que estará no ar, vinda de sectores da Assembleia da República (AR), uma proposta para se realizar uma grande parada militar para comemorar o 25 de Abril de 1974. Surgem no meu espírito duas perguntas:
a. porquê uma parada militar? claro que se pode argumentar, porque não?
b. a encaminhar-se para uma concretização, porquê uma GRANDE parada militar? Porque não, apenas, uma parada militar sem espalhafato, com a dignidade da presença de um número reduzido de militares, representando os 3 Ramos das Forças Armadas (FA)

2. Desconheço os fundamentos explícitos da proposta. Como sempre devia acontecer na vida, uma ideia carece de ponderação, “brain storming” e, sobretudo, passar o teste AEA (Adequabilidade, Exequibilidade, Aceitabilidade). Caso contrário, a ideia pode acabar em desastre, seja no plano financeiro (aqui a questão da aceitabilidade), seja na ausência de proporcionalidade, seja mesmo no cobrir-se de ridículo e ser um tiro ao lado do que se pretendia. Nesta última hipótese e neste caso, o ridículo acabaria por passar das cabeças da Presidente e deputados da AR, para os militares, se para tanto se puserem a jeito. Em Portugal, e olhando agora apenas à recente história contemporânea, raras foram as vezes em que as acções dos políticos olharam ao teste AEA. Com os resultados conhecidos.

3. Quanto a paradas militares pelas mais diferenciadas ocasiões, de 25 Abril 74 para cá lembro-me de vários episódios, vários, caricatos do meu ponto de vista, ou pelo menos discutíveis. Por exemplo, e salvo erro no tempo do Ministro da Defesa Nacional (MDN) Fernando Nogueira, houve uma GRANDE parada militar na área do Porto, onde o Exército por exemplo se passeou com carros de combate. É recordar o resultado da passagem das lagartas pelas diversas ruas. Não custou nada, só houve que arranjar os pavimentos danificados!!!!. Não custou nada a deslocação para o Norte ou para o Sul, de navios de guerra, de aviões, de infindáveis veículos militares para participar em desfiles militares.!!!. Não custou nada!!!!!.

4. O actual Presidente da República (PR), e comandante supremo das FA (saberá?), os governantes, e muitos militares, acabam sempre por exaltar o seu habitual e desmedido “ego”, embarcando neste tipo de festividades sempre bastante dispendiosas. Julgo que nunca foram pagas por verbas extra pelo sucessivos governos, mas pelos orçamentos das FA. Mas os militares ao longo dos anos parece que gostam assim, queixam-se das restrições orçamentais, mas estão sempre a embarcar nas festas próprias e nas determinadas pelos políticos, que depois, os descredibilizam sucessiva e constantemente, como se assiste no presente. Este Presidente, e estou a recordar-me de paradas do 10 de Junho por exemplo, aparece sempre a chegar ao local das cerimónias envolto num aparato/ cortejo militar de viaturas e pessoal super armado, que sempre me pareceu despropositado. Admito naturalmente estar errado. 

5. Face o que antecede, sem ter pensado quase nada no assunto porque escrevo na sequência do que há pouco li, creio que o grupo de militares que planeou e concretizou o 25 ABR 74, merece ser recordado no próximo mês de Abril. Na fase em que está o País, e sobretudo os portugueses, discordo liminarmente de toda e qualquer cerimónia dispendiosa. Creio que seria um insulto aos que sofrem mais.
Muito dinheiro se gastaria com um GRANDE desfile militar, que depois envolveria muitas passagens de aviões, vários navios de guerra no Mar da Palha e se calhar em vários portos do Continente, muito combustível para carros de combate, etc. E tem que se contabilizar ainda e pelo menos, mais o custo de toda a complicada logística que tudo isto envolve, mais as horas extraordinárias a pagar ás forças de segurança (é feriado) etc etc.

6. Provavelmente, em vez de se desperdiçar dinheiro com GRANDES PARADAS, a AR bem podia:
a. patrocinar a abertura  de todos os museus do País, a estarem abertos gratuitamente para o público todo o dia 25 de Abril;

b. realizar uma sessão solene, sem as habituais agressões entre partidos e orgãos de soberania, durante a qual, e de forma muito destacada, se homenagearia todos os militares que levaram a efeito o 25 de Abril de 1974; nessa cerimónia deveria, também, explicitamente, ser feita uma referência de homenagem à instituição militar, e particularmente aos mortos em combate ao longo dos anos;

c. promover um desfile militar simples, sem viaturas, com a excepção de uma velha “Chaimite” como símbolo; desfile a ser iniciado com a banda militar mais antiga, seguida apenas de um batalhão por Ramo das FA;

d. nada de veículos militares, nada de equipamentos esquisitos de tropas especiais, nada de aviões a sobrevoar, nada de navios espalhados, nos portos;  não mais que três helicópteros a passar devagar na AV da Liberdade,  e a Sagres apenas, algures no Mar da Palha;

e. Unidades militares e museus militares abertos ao público todo o dia; AR aberta ao público da parte da tarde; Palácio de Belém aberto ao público todo o dia.

7. Mas se calhar, tudo isto que me vem agora à cabeça, não passa de um conjunto de ideias tolas, sem sentido de Estado, e que inviabilizaria o passeio das dezenas e dezenas de automóveis Mercedes, BMW e AUDI; inviabilizaria a montagem de muitas tribunas para albergar o PR, os governantes, os deputados, os autarcas, as chefias militares e as das forças de segurança, o clero, as chefias das polícias e das secretas, os juízes, os magistrados do Ministério Público, os bastonários das ordens todas, os directores-gerais de todo e mais algum lado, os embaixadores estrangeiros, os presidentes de fundações, os diplomatas portugueses, os representantes da Troika, os adidos militares estrangeiros, e muito mais gente que aqui falta e não perde uma, e se atira ao croquete com denodo, e ainda…..ainda…...etc; e, ainda, …..óbvia e finalmente, ………….as senhoras de todos eles, e os senhores de todas elas. UFF!!

António Cabral (AC)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

11 de Novembro.
Neste dia, no afastado ano de 1918, foi posto um fim ás atrocidades, ás brutalidades, ás hostilidades, que se verificaram na sangrenta guerra em solo Europeu, a chamada I Grande Guerra. Nesse dia foi assinado o armistício. Convencionou-se o dia 11 de Novembro para vincar nesta data um gesto, uma homenagem, aos milhares e milhares de militares caídos durante essa guerra.
Nos países ligados ao Reino Unido, muitos cidadãos ostentam nesta data nos seus casacos, a simbólica papoila vermelha.
Este símbolo, decorre da realidade da natureza verificada por todo o lado, também, nos campos de batalha, designadamente na Flandres: o anual aparecimento de papoilas e particularmente nos cemitérios, por entre campas onde descansam esses milhares de combatentes.
No meu desgraçado País, tudo o que cheire a militar é esconjurado. Não é agora o momento para enunciar alguns factos relacionados com esta triste realidade.
O que queria salientar, é que a Liga dos Combatentes, celebra sempre este dia.
Ouvi hoje o discurso do Presidente da Liga dos Combatentes. Daquelas palavras se podem retirar várias conclusões sobre a sociedade onde me insiro. Mas fico por aqui.
São portanto 97 anos sobre o armistício.

Mas 11 de Novembro é também a data da independência de Angola. Esta data é, assim, considerada como a que marca o fim da guerra no Ultramar.
Também concordo com muitos dos que, lamentando a descolonização desordenada (para dizer o menos), essa tragédia pode em grande medida ser considerada a outra face da colonização mas, sobretudo, da descolonização que não foi e devia ter sido feita, na mesma senda do que concretizaram outros países Europeus.
Mas o que repudio é a linguagem soft sempre utilizada para desculpar a ligeireza particularmente de dois ou três dos donos disto tudo, civis. Repudio esse branqueamento constante da nossa história recente. Porque o drama que se verificou com os retornados, não pode ser só atribuído ao que, muito estupidamente, não se fez antes do 25 de Abril. As acções, as inações, e as omissões, dos novos senhores de então, muito contribuíram para as tragédias que ocorreram.

11 de Novembro, respeitem-se os combatentes, de todos os lados das trincheiras.
AC