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segunda-feira, 2 de março de 2026

Do  TEMPO  das  SERINGAS  de  VIDRO
Do avô da minha mulher, médico; agora, guarda "clips".
AC

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

MARINHA  de  GUERRA  em 1900

Este quadro está na minha casa na aldeia, na Beira-Baixa.
Encontrei-o em 1982 dentro do solar que era herança do marido da irmã mais velha da minha sogra, quase totalmente coberto por uma manta de teias de aranha, na localidade do Salvador, no Concelho de Penamacor.
Foi produzido pela Século, retratava os navios então existentes, vários certamente pouco ou nada operacionais. 

Antes de 1900, Eça de Queirós dissertou sobre a Marinha de Guerra de então.
Assim:
. . . . . . Mas, meus senhores, antes de tudo, nós não temos marinha! Singular coisa! Nós só temos marinha pelo motivo de termos colónias — e justamente as nossas colónias não prosperam porque não temos marinha! Todavia a nossa marinha, ausente dos mares, sulca profundamente o orçamento. Gasta 1159 000$000!

Que realidade corresponde a esta fantasmagoria das cifras? uns poucos de navios defeituosos, velhos, decrépitos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, a mastreação carunchosa, a história obscura. E uma marinha inválida. A D. João tem 50 anos, o breu cobre-lhe as cãs: o seu maior desejo seria aposentar-se como barca de banhos.

A Pedro Nunes está em tal estado, que, vendida, dá uma soma que o pudor nos impede de escrever. O Estado pode comprar um chapéu no Roxo com a Pedro Nunes — mas não pode pedir troco.

A Mindelo tem um jeito: deita-se. No mar alto, todas as suas tendências, todos os seus esforços são para se deitar. Os oficiais de marinha que embarcam neste vaso fazem disposições finais. A Mindelo é um esquife — a hélice.

A Napier saiu um dia para uma possessão. Conseguiu lá chegar; mas exausta, não quis, não pôde voltar. Pediu-se-lhe, lembrou-se-lhe a honra nacional, citou-se-lhe Camões, o Sr. Melício, todas as nossas glórias. A Napier insensível, como morta, não se mexeu.

Das 8 corvetas que possuímos são inúteis para combate ou para transporte — todas as 8. Nem construção para entrar em fogo, nem capacidade para conduzir tropa. Não têm aplicação. Há ideia de as alugar como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! E este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas!

Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousaria atacar as cãs destes velhos?

Já se quis muitas vezes introduzir nas fileiras destes vasos caducos — alguns navios novos, ágeis, robustos. Tentou-se primeiro comprá-los.

Sucedeu o caso da corveta Hawks. Era esta corveta uma carcaça britânica, que o Almirantado mandava vender pela madeira — como se vende um livro pelo peso. Por esse tempo o Governo português — morgado de província ingénuo e generoso — travou conhecimento com a Hawks, e comprou a Hawks. E quando mais tarde, para glória da monarquia, quis usar dela, a Hawks, com um impudor abjecto — desfez-se-lhe nas mãos!

Estava podre! Nem fingir soube! Tinha custado muitas mil libras.

Tentou-se então construir em Portugal. Sabia-se que o Arsenal é uma instituição verdadeiramente informe: nem oficinas, nem instrumentos, nem engenheiros, nem organização, nem direcção. Tentou-se todavia — e fez-se nos estaleiros a Duque da Terceira. Foi meter máquina a Inglaterra. E aí se descobre que a tenra Duque da Terceira, da idade de meses, tinha o fundo podre! Foi necessário gastar com ela mais cento e tantos contos.

Nova tentativa. Entra nos estaleiros a Infante D. João. 87 contos de despesa. Vai meter máquina a Inglaterra. Fundo podre! O Arsenal perdia a cabeça! Aquela podridão começava a apresentar-se com um carácter de insistência verdadeiramente antipatriótica! Os engenheiros em Inglaterra já se não aproximavam dos navios portugueses senão em bicos de pés — e com o lenço no nariz. As construções saídas do Arsenal sucumbiam de podridão fulminante. A Infante D. João custou em Inglaterra, mais cento e tantos contos!

O Arsenal, humilhado no género navio, começou a tentar a especialidade lancha.

Fez uma a vapor. Lança-se ao Tejo, alegria nacional, colchas, foguetes, bandeirolas... E a lancha não anda! Dá-se-lhe toda a força, geme a máquina, range o costado — e a lancha imóvel! Mas de repente faz um movimento... Alegria inesperada, desilusão imediata! A lancha recuava. Era uma brisa que a repelia. Em todas as experiências a lancha recuava com extrema condescendência: brisa ou corrente tudo a levava, mas para trás. Para diante, não ia. Pegava-se! O Arsenal tinha feito uma lancha a vapor que só podia avançar — puxada a bois. O País riu durante um mês. O Arsenal roeu a humilhação, encetou a espécie caíque. Ainda o havemos de ver, no género construção em madeira, cultivar — o palito!

A nossa glória, inquestionavelmente, é a Estefânia. Parece que poucas nações possuem um vaso de guerra tão bem tapetado! O orgulho daquele navio é rivalizar com os quartos do Hotel Central. E um salão de Verão surto no Tejo. E no Tejo realmente dá-se bem. No mar alto, não! Aí tem tonturas. Não nasceu para aquilo: um navio é um organismo, e como tal pode ter vocações: a vocação da Estefânia era ser gabinete de toilette. E pacata como um conselheiro. E uma fragata do Tribunal de Contas! Por isso quando a quiseram levar a Suez, quantos desgostos deu à sua Pátria! quantas brancas fez à honra nacional! É verdade que os cabos novos, da Cordoaria Nacional (sempre tu, ó terra do nosso berço!) quebraram como linhas, e ninguém lhes pode contestar que tivessem esse direito. A marinhagem também não quis subir às vergas (opinião respeitável, porque a noite estava fria). Alguns aspirantes choraram de entusiasmo pela Pátria. O capelão quis confessar os navegadores.

O caso foi muito falado nesse tempo. Mais celebrado que a descoberta da Índia.

Essa só teve Camões que naufragou; — a viagem da Estefânia teve o Sr. O. Vasconcelos que arribou! Tanto é semelhante o destino dos que cultivam o ideal! O facto é que desde então brilha no Tejo, tranquila, reluzente e vaidosa — a Estefânia, corveta mobilada pelos Srs. Gardé e Raul de Carvalho.

(…)

Hoje, se fosse vivo, 
- mesmo sem ir à Base Naval no Alfeite, 
- sem visitar o navio que está normalmente na Madeira e o outro nos Açores, 
- sabendo apenas pelas notícias nos jornais (não desmentidas) que a maioria das fragatas devia há muito ter sofrido modernização, 
- que os submarinos estão com dificuldades operacionais, 
- que os helicópteros continuam os mesmos, que os problemas quanto aos meios humanos se agravam quer efectivos quer carreiras quer vencimentos (ganhando-se bastante mais na PSP e GNR),

que diria Eça:
- da Marinha, 
- da governamentalização da escolha das chefias militares, 
- dos sucessivos governos e deputados que tornaram a Marinha no que se sabe, ex e actuais titulares de órgãos de soberania que fingem não saber da existência da brutal massa oceânica sob jurisdição nacional?

Mesmo antes de se pronunciar creio que iria à procura do frasco da Benzina!
António Cabral (AC)

sexta-feira, 14 de março de 2025

quarta-feira, 12 de março de 2025

 FUSÍVEIS

Os fusíveis rebentaram!
Tenham um bom dia. Saúde, muita paciência, boa sorte.

AC

terça-feira, 11 de março de 2025

RECORDAÇÕES

Este mata-borrão é antiquíssimo.
O avô faleceu em 1972, esta preciosidade estava dentro de um dos livros, como marcador.
Não faço a mais pálida ideia que tipo de medicamento era este. Verifico que tinha estreptomicina!
Verifico a fabulosa percentagem de reações ao medicamento: 14 casos de reações, apenas três muito graves, e uma percentagem magnífica 0,00009% !

Mas lembrei-me da "ferramenta de secretária" - o mata-borrão" e em particular deste mata-borrão que preservo e é um dos que tenho em cima da secretária, juntamente com um especial que era do meu pai e mostro em baixo. 
Lembrei-me de "mata-borrão" pois os que tenho por aqui não chegarão para ensopar os borrões/ as borradas do dia de hoje.
AC

sábado, 21 de setembro de 2024

ALMOFADA

Esta almofada, terá no mínimo cem anos.

Uma das coisas que quase nunca foi usada e na família passando de geração para geração.

Pois esta almofada e outras coisas do muito antigamente, deu um belo quadro.

AC

domingo, 9 de junho de 2024

MEMÓRIA e a FALTA DELA
Crescentemente esbarramos com notícias dando conta da falta de memória de uma série de sacripantas.
Uma vergonha, um nojo.

O que confirma que, de todos os animais da criação - os políticos são certamente os que têm a memória mais curta.

Porque me terei lembrado disto?
AC

sexta-feira, 19 de março de 2021

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

MEMÓRIA.  CULTURA.  PATRIMÓNIO

Ermida de Sto António, quinta do Pátio d'Água

Esta Ermida foi erigida na segunda metade do século XVI. Em 1774 foi remodelada, mas foi fortemente danificada em 1775. Foi reedificada em 1789. Como por todo o país aconteceu, foi danificada e profanada a partir de 1834. Entre 1940 e 1953, por iniciativa do comandante Santos Fernandes, a casa da Quinta do Pátio d'Água e a Ermida de Sto António foram tratadas sob projecto do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro por ele elaborado em 1919. Em 2017 depois de uma profunda reabilitação, a Ermida foi devolvida aos cidadãos do Montijo.


AC

domingo, 28 de junho de 2020

Este MUNDO da (des)INFORMAÇÃO e dos FALSOS COMBATES! 
HISTÓRIA e MEMÓRIA  (Luís Reis Torgal)
(Excertos do artigo, sublinhados meus)
Em 1989 escrevi um livro intitulado História e Ideologia, com base em textos que havia publicado ao longo de vários anos. Tentei mostrar que uma coisa é a História como ciência, que procura objectivamente interpretar de todos os ângulos e com todas as fontes possíveis o que se passou e vai passando, e outra a Memória que vai surgindo, mais ou menos espontaneamente ou em função de ideologias organizadas, e cuja “legitimidade histórica” (para empregar uma expressão de Marc Ferro) vai variando à medida que se altera a visão do mundo. 
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Neste mundo de (des)informação — devido por vezes ao excesso de informação superficial — basta dizer para crer. Assim, surgem nos periódicos e nas redes sociais — a par de textos de jornalistas, de historiadores e de outra gente da escrita, feitos com muita serenidade — artigos e opiniões que enchem de crenças ou de dúvidas quem os lê, sem se procurar saber até onde chegou o conhecimento histórico da realidade.
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O homicídio do afro-americano George Floyd pela polícia de Mineapolis desencadeou uma onda de legítimo anti-racismo que devia ser controlado pela posição correcta e objectiva dos poderes políticos, da ciência e da civilidade, e não aproveitado abusivamente por ideologias. 
E o certo é que esse anti-racismo militante, por vezes tão primário como o próprio racismo, ..................
O que parece a alguns ser prioritário é vandalizar, ..............
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A nossa forma de alterar o cenário político e social — em Portugal e em outros países — foi, em certos casos, meramente formal e em resultado das paixões do momento. Assim, por exemplo, criaram-se, mudaram-se ou apagaram-se nomes, construíram-se e derrubaram-se estátuas e outros símbolos de memória, sem muitas vezes saber porquê, em lugar de se assumir a História e tentar por meios estruturais alterar a ordem das coisas. Seria este — a meu ver — o modo mais certo de não apagar a História (ou a Memória, como por vezes se diz) e de tentar mudá-la para melhor, em benefício de todos os homens.
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Não volto a discutir assuntos que já estão gastos sem verdadeiramente se terem debatido. Mas recordo ainda uma experiência pessoal e deixo uma breve consideração de ordem científica e cultural.
Há algum tempo perguntaram-me se a minha Universidade deveria retirar o título de doutor honoris causa a Francisco Franco, que lhe foi concedido em 1949, tal como fez a Universidade Santiago de Compostela. A minha resposta imediata foi “não”, pois a História não se apaga, mas explica-se e compreende-se criticamente. 
O mesmo terá considerado a Universidade de Oxford, que em 1941 concedeu o título a Salazar. E, quanto à questão fundamental do racismo, julgo que Portugal, como país que teve um “Império Colonial” até 1974 (com uma falsa tentativa desesperada para alterar legalmente o seu estatuto, sobretudo a partir dos anos 50 e 60, sem com isso deixar de sentir uma guerra que se prolongou por mais de uma década), deveria contribuir — dando colaboração aos investigadores autóctones — com os seus historiadores, os seus antropólogos, os seus sociólogos... para melhor conhecer a realidade dos países de língua oficial portuguesa, quer na sua perspectiva colonial, quer na perspectiva anticolonialista. 
É que sem isso não será possível conhecer a sua história de hoje, cheia de contradições e dificuldades. E essa realidade não se conhece apenas nas bibliotecas e arquivos, mas nos próprios espaços, no íntimo da complexidade das suas geografias, das suas sociedades e das suas culturas. Também assim se conheceriam melhor os seus exilados ou aqueles que, vindos de África, como de outros continentes, escolheram Portugal para viver.
Não sei se por cá há mais ou menos racismo do que noutros países — houve seguramente (a meu ver) menos anti-semitismo  depois de derrubado o monstro da Inquisição —, mas o que importa é contribuir de forma autêntica, e não através de falsos combates, para que ele desapareça, em todas as formas que subsiste. E são muitas, com certeza.
António Cabral (AC)

domingo, 12 de janeiro de 2020

HÁ  DIAS............
Há 365 dias por ano, de vez em quando 366.
Há dias de Sol, dias de chuva, dias sombrios, dias nublados.
Há dias que nos correm muito bem, outros cheios de problemas laborais ou de saúde ou familiares.
Para os reformados como eu há dias que nos fazem pensar mais sobre as coisas da vida.
Este Sábado 11 de Janeiro foi um desses dias.
O tempo corre, parece que foi ontem, mas passaram seis anos que a nossa amiga nos deixou. Seis anos.
Havia que ocupar o tempo, sair cedo, para que não nos lembrássemos logo das 1900 horas, a celebração da missa.
Saímos cedo, Alentejo abaixo, Sol lindo, andar a pé, Nikon a ajudar.
Almoçámos excelentemente. Restaurante de 12 lugares apenas, belíssimo restaurante, não barato, mas foi excelente.
Depois passear bastante a pé, recordar o Giraldo, a Diana mas muito mais, muito mais.
Celebrou-se, 1900 horas, rostos sombrios, naturalmente. 
O abraço pesado.
Depois jantámos, frugalmente, rapidamente, e basicamente acabámos a noite em sossego, espiritualmente merecido, com concerto, com peças várias, muitas de Elgar.
Passaram seis anos. 
O tempo voa, mas não é esquecida.
Voltando ao almoço, brindámos à saúde dos nossos, à nossa, e bebemos em memória dela.
Não bebemos do tinto que estava junto a um canto e mostro na fotografia,  nem de outras boas marcas espalhadas e à vista. 
Escolhi um belíssimo tinto, Zagalos.
Passaram seis anos. A vida tem partes muito duras.
AC

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

"ESTÓRIAS"
(Vou hoje continuar com pequenas histórias da vida)
Havia um senhor que um dia, muitos anos atrás, aconselhou que não se fizesse uma determinada coisa de uma certa maneira. 
O chefe, que tanta vez o considerava muito e ouvia, como de repente resolvia em outras ocasiões rastejar perante um filho da mãe que na altura era o chefe dele, à frente desse seu colaborador entendeu perguntar pelo intercomunicador a esse filho da mãe como devia ser a tal coisa. 
Do outro lado, o filho da mãe, que para lá de pesporrente era um  ignorante, deu resposta seca como queria que se fizesse, sem a menor noção de regras de, cortesia, relacionamentos formais em sociedade. Claro que veio a dar grossa chatice. 
Chatice havida, ainda por cima entrando ao barulho um outro filho da mãe que toda a vida foi um presunçoso e velhaco, tentaram lixar quem estava mais abaixo, concretamente o tal senhor de quem se dizia, nos gabinetes dos que o consideravam, "ter o nariz empinado". 
Valeram-lhe 3 coisas:
1º - ele nunca me calou perante injustiças, e nunca aceitou desaforos, fossem lá de quem fossem incluindo hierarquicamente acima dele;
2º - a amizade desinteressada de homens da mesma profissão que estavam no gabinete do nº 1 da organização;
3º - e decisivo, um homem honesto e decente, grosso modo como que um nº 3 da organização, embora ás vezes também se deixando engravidar pelo ouvido, e que teve uma atitude profissional de grande dignidade, que nunca foi esquecida pelo tal senhor; no gabinete do chefe que ás vezes rastejava, só os dois e sem o dono do gabinete pois foi mandado sair, ficou então a saber os passos todos da telenovela, incluindo a já referida conversa e orientação transmitida/ recebida pelo intercomunicador.
O tal senhor desta história estava seguro de tudo e, claro, quem devia ser responsabilizado era o chefe do chefe e nº 2 da organização mas, como sempre acontece em muitas organizações e instituições em Portugal, nunca se responsabiliza o chefe da organização ou o seu nº 2. 
A coisa morreu ali, naquela tarde, tão tonta era.
AC

sábado, 5 de janeiro de 2019

A RIQUEZA DE UM POVO
A riqueza de um povo pode ser medida pelas memórias que celebra?
Eu creio que sim.
AC