Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
segunda-feira, 2 de março de 2026
quarta-feira, 3 de setembro de 2025
Antes de 1900, Eça de Queirós dissertou sobre a Marinha de Guerra de então.
Que realidade corresponde a esta fantasmagoria das cifras? uns poucos de navios defeituosos, velhos, decrépitos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, a mastreação carunchosa, a história obscura. E uma marinha inválida. A D. João tem 50 anos, o breu cobre-lhe as cãs: o seu maior desejo seria aposentar-se como barca de banhos.
A Pedro Nunes está em tal estado, que, vendida, dá uma soma que o pudor nos impede de escrever. O Estado pode comprar um chapéu no Roxo com a Pedro Nunes — mas não pode pedir troco.
A Mindelo tem um jeito: deita-se. No mar alto, todas as suas tendências, todos os seus esforços são para se deitar. Os oficiais de marinha que embarcam neste vaso fazem disposições finais. A Mindelo é um esquife — a hélice.
A Napier saiu um dia para uma possessão. Conseguiu lá chegar; mas exausta, não quis, não pôde voltar. Pediu-se-lhe, lembrou-se-lhe a honra nacional, citou-se-lhe Camões, o Sr. Melício, todas as nossas glórias. A Napier insensível, como morta, não se mexeu.
Das 8 corvetas que possuímos são inúteis para combate ou para transporte — todas as 8. Nem construção para entrar em fogo, nem capacidade para conduzir tropa. Não têm aplicação. Há ideia de as alugar como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! E este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas!
Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousaria atacar as cãs destes velhos?
Já se quis muitas vezes introduzir nas fileiras destes vasos caducos — alguns navios novos, ágeis, robustos. Tentou-se primeiro comprá-los.
Sucedeu o caso da corveta Hawks. Era esta corveta uma carcaça britânica, que o Almirantado mandava vender pela madeira — como se vende um livro pelo peso. Por esse tempo o Governo português — morgado de província ingénuo e generoso — travou conhecimento com a Hawks, e comprou a Hawks. E quando mais tarde, para glória da monarquia, quis usar dela, a Hawks, com um impudor abjecto — desfez-se-lhe nas mãos!
Estava podre! Nem fingir soube! Tinha custado muitas mil libras.
Tentou-se então construir em Portugal. Sabia-se que o Arsenal é uma instituição verdadeiramente informe: nem oficinas, nem instrumentos, nem engenheiros, nem organização, nem direcção. Tentou-se todavia — e fez-se nos estaleiros a Duque da Terceira. Foi meter máquina a Inglaterra. E aí se descobre que a tenra Duque da Terceira, da idade de meses, tinha o fundo podre! Foi necessário gastar com ela mais cento e tantos contos.
Nova tentativa. Entra nos estaleiros a Infante D. João. 87 contos de despesa. Vai meter máquina a Inglaterra. Fundo podre! O Arsenal perdia a cabeça! Aquela podridão começava a apresentar-se com um carácter de insistência verdadeiramente antipatriótica! Os engenheiros em Inglaterra já se não aproximavam dos navios portugueses senão em bicos de pés — e com o lenço no nariz. As construções saídas do Arsenal sucumbiam de podridão fulminante. A Infante D. João custou em Inglaterra, mais cento e tantos contos!
O Arsenal, humilhado no género navio, começou a tentar a especialidade lancha.
Fez uma a vapor. Lança-se ao Tejo, alegria nacional, colchas, foguetes, bandeirolas... E a lancha não anda! Dá-se-lhe toda a força, geme a máquina, range o costado — e a lancha imóvel! Mas de repente faz um movimento... Alegria inesperada, desilusão imediata! A lancha recuava. Era uma brisa que a repelia. Em todas as experiências a lancha recuava com extrema condescendência: brisa ou corrente tudo a levava, mas para trás. Para diante, não ia. Pegava-se! O Arsenal tinha feito uma lancha a vapor que só podia avançar — puxada a bois. O País riu durante um mês. O Arsenal roeu a humilhação, encetou a espécie caíque. Ainda o havemos de ver, no género construção em madeira, cultivar — o palito!
A nossa glória, inquestionavelmente, é a Estefânia. Parece que poucas nações possuem um vaso de guerra tão bem tapetado! O orgulho daquele navio é rivalizar com os quartos do Hotel Central. E um salão de Verão surto no Tejo. E no Tejo realmente dá-se bem. No mar alto, não! Aí tem tonturas. Não nasceu para aquilo: um navio é um organismo, e como tal pode ter vocações: a vocação da Estefânia era ser gabinete de toilette. E pacata como um conselheiro. E uma fragata do Tribunal de Contas! Por isso quando a quiseram levar a Suez, quantos desgostos deu à sua Pátria! quantas brancas fez à honra nacional! É verdade que os cabos novos, da Cordoaria Nacional (sempre tu, ó terra do nosso berço!) quebraram como linhas, e ninguém lhes pode contestar que tivessem esse direito. A marinhagem também não quis subir às vergas (opinião respeitável, porque a noite estava fria). Alguns aspirantes choraram de entusiasmo pela Pátria. O capelão quis confessar os navegadores.
O caso foi muito falado nesse tempo. Mais celebrado que a descoberta da Índia.
Essa só teve Camões que naufragou; — a viagem da Estefânia teve o Sr. O. Vasconcelos que arribou! Tanto é semelhante o destino dos que cultivam o ideal! O facto é que desde então brilha no Tejo, tranquila, reluzente e vaidosa — a Estefânia, corveta mobilada pelos Srs. Gardé e Raul de Carvalho.
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domingo, 27 de julho de 2025
terça-feira, 11 de março de 2025
RECORDAÇÕES
sábado, 21 de setembro de 2024
domingo, 9 de junho de 2024
sexta-feira, 19 de março de 2021
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
MEMÓRIA. CULTURA. PATRIMÓNIO
Ermida de Sto António, quinta do Pátio d'Água
Esta Ermida foi erigida na segunda metade do século XVI. Em 1774 foi remodelada, mas foi fortemente danificada em 1775. Foi reedificada em 1789. Como por todo o país aconteceu, foi danificada e profanada a partir de 1834. Entre 1940 e 1953, por iniciativa do comandante Santos Fernandes, a casa da Quinta do Pátio d'Água e a Ermida de Sto António foram tratadas sob projecto do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro por ele elaborado em 1919. Em 2017 depois de uma profunda reabilitação, a Ermida foi devolvida aos cidadãos do Montijo.
AC
domingo, 28 de junho de 2020
(Excertos do artigo, sublinhados meus)
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O homicídio do afro-americano George Floyd pela polícia de Mineapolis desencadeou uma onda de legítimo anti-racismo que devia ser controlado pela posição correcta e objectiva dos poderes políticos, da ciência e da civilidade, e não aproveitado abusivamente por ideologias.
O que parece a alguns ser prioritário é vandalizar, ..............
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Não volto a discutir assuntos que já estão gastos sem verdadeiramente se terem debatido. Mas recordo ainda uma experiência pessoal e deixo uma breve consideração de ordem científica e cultural.
Há algum tempo perguntaram-me se a minha Universidade deveria retirar o título de doutor honoris causa a Francisco Franco, que lhe foi concedido em 1949, tal como fez a Universidade Santiago de Compostela. A minha resposta imediata foi “não”, pois a História não se apaga, mas explica-se e compreende-se criticamente.
Não sei se por cá há mais ou menos racismo do que noutros países — houve seguramente (a meu ver) menos anti-semitismo depois de derrubado o monstro da Inquisição —, mas o que importa é contribuir de forma autêntica, e não através de falsos combates, para que ele desapareça, em todas as formas que subsiste. E são muitas, com certeza.
domingo, 12 de janeiro de 2020
Há 365 dias por ano, de vez em quando 366.
Há dias de Sol, dias de chuva, dias sombrios, dias nublados.
Há dias que nos correm muito bem, outros cheios de problemas laborais ou de saúde ou familiares.
Para os reformados como eu há dias que nos fazem pensar mais sobre as coisas da vida.
Este Sábado 11 de Janeiro foi um desses dias.
O tempo corre, parece que foi ontem, mas passaram seis anos que a nossa amiga nos deixou. Seis anos.
Havia que ocupar o tempo, sair cedo, para que não nos lembrássemos logo das 1900 horas, a celebração da missa.
Saímos cedo, Alentejo abaixo, Sol lindo, andar a pé, Nikon a ajudar.
Almoçámos excelentemente. Restaurante de 12 lugares apenas, belíssimo restaurante, não barato, mas foi excelente.
Depois passear bastante a pé, recordar o Giraldo, a Diana mas muito mais, muito mais.
Celebrou-se, 1900 horas, rostos sombrios, naturalmente.
O abraço pesado.
Depois jantámos, frugalmente, rapidamente, e basicamente acabámos a noite em sossego, espiritualmente merecido, com concerto, com peças várias, muitas de Elgar.
Passaram seis anos.
O tempo voa, mas não é esquecida.
Voltando ao almoço, brindámos à saúde dos nossos, à nossa, e bebemos em memória dela.
Não bebemos do tinto que estava junto a um canto e mostro na fotografia, nem de outras boas marcas espalhadas e à vista.
Escolhi um belíssimo tinto, Zagalos.
Passaram seis anos. A vida tem partes muito duras.
AC
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
(Vou hoje continuar com pequenas histórias da vida)
Havia um senhor que um dia, muitos anos atrás, aconselhou que não se fizesse uma determinada coisa de uma certa maneira.
O chefe, que tanta vez o considerava muito e ouvia, como de repente resolvia em outras ocasiões rastejar perante um filho da mãe que na altura era o chefe dele, à frente desse seu colaborador entendeu perguntar pelo intercomunicador a esse filho da mãe como devia ser a tal coisa.
Do outro lado, o filho da mãe, que para lá de pesporrente era um ignorante, deu resposta seca como queria que se fizesse, sem a menor noção de regras de, cortesia, relacionamentos formais em sociedade. Claro que veio a dar grossa chatice.
Chatice havida, ainda por cima entrando ao barulho um outro filho da mãe que toda a vida foi um presunçoso e velhaco, tentaram lixar quem estava mais abaixo, concretamente o tal senhor de quem se dizia, nos gabinetes dos que o consideravam, "ter o nariz empinado".
Valeram-lhe 3 coisas:
1º - ele nunca me calou perante injustiças, e nunca aceitou desaforos, fossem lá de quem fossem incluindo hierarquicamente acima dele;
2º - a amizade desinteressada de homens da mesma profissão que estavam no gabinete do nº 1 da organização;
3º - e decisivo, um homem honesto e decente, grosso modo como que um nº 3 da organização, embora ás vezes também se deixando engravidar pelo ouvido, e que teve uma atitude profissional de grande dignidade, que nunca foi esquecida pelo tal senhor; no gabinete do chefe que ás vezes rastejava, só os dois e sem o dono do gabinete pois foi mandado sair, ficou então a saber os passos todos da telenovela, incluindo a já referida conversa e orientação transmitida/ recebida pelo intercomunicador.
O tal senhor desta história estava seguro de tudo e, claro, quem devia ser responsabilizado era o chefe do chefe e nº 2 da organização mas, como sempre acontece em muitas organizações e instituições em Portugal, nunca se responsabiliza o chefe da organização ou o seu nº 2.
A coisa morreu ali, naquela tarde, tão tonta era.
AC


























