Os AMIGOS, a AMIZADE
Os amigos revelam-se
Pode ser esclarecedor recordar que o termo latino para a amizade, amicitia, deriva da raiz am, que no latim popular designa "mãe" (amma).
A etimologia da amizade reenvia-nos, assim, não para uma qualquer experiência casual, mas para a memória daquela afeição primeira que estrutura silenciosamente a existência.
Por isso, na sua espantosa leveza e sem alardes, a amizade dialoga com coisas muito fundas dentro de nós: faz-nos reviver o primeiro amor com que fomos (ou não fomos) amados; toca as nossas feridas, mesmo as que não conseguimos verbalizar; transmite-nos confiança para sermos o que somos e como somos; estimula-nos a progredir vida fora.
Nem todas as nossas amizades chegam a tomar consciência da extraordinária viagem interior que as mobiliza.
Porém, mesmo quando a amizade parece simplesmente prosaica, é este programa que realiza, pois há sempre um instante em que os verdadeiros amigos se revelam como aqueles que estão dispostos a acompanhar-nos aconteça o que acontecer.
Não esperamos nada dos nossos amigos, e essa franqueza é fundamental. Mas, não esperando nada, esperamos tudo, na medida em que a sua existência nos permite existir.
A doçura da amizade é equivalente a esse seu rigor mais infrangível: o meu amigo é este próximo que não deixa de ser distante.
Mas é também o distante que sabe tornar-se próximo e intimo. Por isso, não é a posse que conta na amizade, mas a feição, a dádiva atuada no desprendimento.
(José Tolentino de Mendonça)
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Ao olhar a realidade da vida este texto dá que pensar.
Olho o presente, contabilizo o passado no que a amizades diz respeito.
Pessoas conhecidas tenho imensas.
No plano profissional conheço dezenas e dezenas dos acima do curso de formação, e tenho também presente muitos dos 3 cursos abaixo do meu. É muita gente melhor, já menos pois a lei da vida tem ceifado muita gente, ainda que resistam uns quantos acima dos 90 anos.
No plano social conheço gente que nunca mais acaba. Só no âmbito da medicina e da enfermagem e como aqui por mais de uma vez referi conheço directamente muita gente e superficialmente uns quantos por intermédio daqueles.
Quando reflito seriamente quanto a amigos, quanto a amizades, e olhando os últimos parágrafos do texto do Cardeal, amigos amigos tenho talvez uns quatro ou cinco pois já desapareceram dois que me eram muito próximos.
Amigos amigos militares terei também 4 ou cinco.
Refiro-me portanto aqueles que nem "dou por eles", de quem nada espero e tudo espero.
Mas creio que posso dizer com segurança que para além destes tenho vários que além de a espaços me manifestarem estima e consideração são daqueles que estariam por mim se necessário.
Infelizmente, mas é a realidade da vida, e a começar pelos que se formaram comigo, amigos sérios de amizade profunda conto dois.
Não me comovo com palavreado oco que esporadicamente aparece.
As amizades não se medem em almocinhos.
E o mesmo se aplica no plano social como referi já, amizades profundas são poucas.
Há muito convívio, confraternização, almoços, telefonemas, mas . . . . .
Quanto à família, primos, cunhados, sobrinhos, é o mesmo.
Firme, como rocha, os filhos e os netos, e a "trave mestra" que comigo os construiu.
Bom dia. Bom Sábado, bom fim de semana.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. Boa sorte.
António Cabral (AC)