19 MAIO 1973, 2340 HORAS
Hoje, 19 de Maio de 2026, pelas 2340 horas, fará 53 anos que, quando o meu navio (para onde em 29OUT1971 fui mandado para cumprir 21 meses na guerra de então, exercendo o cargo de oficial imediato, que é equivalente a 2º comandante no Exército) navegava em ocultação total de luzes e em postos de combate/bordadas, fui/ fomos atacámos por bombordo no rio Cacheu, no Norte da Guiné, hoje Guiné-Bissau.
Como outros, que estávamos no exterior do navio (eu na asa da ponte), tive muita sorte. Muitos estilhaços passaram perto de mim e cravaram-se acima da minha cabeça na armação metálica de suporte da lona cobrindo o exterior da ponte.
Estava uma noite de espectacular luar.
Morreu um comando africano das dezenas que transportávamos, junto a quem rebentou o primeiro e único projéctil/ granada lançado pelos então guerrilheiros do PAIGC.
Houve feridos, um incêndio, várias explosões de munições da peça da proa, e o navio teve danos vários, inclusive dois pequenos rombos abaixo da linha de água que depois de algum tempo a limitação de avarias de bordo estancou a entrada de água..
Passadas semanas, um relatório da DGS (sucessora da PIDE), confirmou a morte de todo o grupo de guerrilheiros atacantes.
Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores junto ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio (as peças de 40 m/m, bazuca, e metralhadoras pesadas) e de todo o armamento ligeiro do pessoal que estava no exterior (comandos africanos, fuzileiros) e que terá durado para aí um minuto e pouco no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona.
Não era de esperar o contrário, pois tinham que infiltrar-se pelas densas árvores junto ao rio, e ainda que sem serem vistos de bordo, a reação de fogo do navio (as peças de 40 m/m, bazuca, e metralhadoras pesadas) e de todo o armamento ligeiro do pessoal que estava no exterior (comandos africanos, fuzileiros) e que terá durado para aí um minuto e pouco no máximo, varreu com aço literalmente toda a zona.
Como se viu no local na manhã seguinte ao ataque, uma zona enorme quase circular (diâmetro de talvez 6 a 7 metros) de árvores zurzidas, sem folhagem, sem ramos pequenos, sem casca. Tudo branco. O tempo voa, passaram 53 anos!
Eu não esqueço.
E recordo, com emoção, todos os que estavam comigo, e que não vejo há muitos anos.
Recordo, também, todos os que connosco conviveram naquelas paragens Africanas, de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. Mas sobretudo não sabem respeitar.
Não respeitam os que como eu andaram na guerra e que felizmente regressaram quase sem sequelas.
Andam para aí muitos que não esquecem nada, porque quase nada ou mesmo nada sabem. Mas sobretudo não sabem respeitar.
Não respeitam os que como eu andaram na guerra e que felizmente regressaram quase sem sequelas.
Mas acima de tudo não respeitam nem os milhares de portugueses que regressaram de África com sequelas nem os familiares dos muitos que tombaram pela Pátria. E vergonhosamente, ainda há mortos que jazem em África.
Esquecem muitos além disso, o que a CRP estabelece, e o que está em letra de lei na legislação que enquadra a Defesa Nacional e a sua componente militar.
Dever de tutela, respeito pela lei, verticalidade, honestidade intelectual, respeito pela história do País, estes e outros valores são lixo para a “gentinha” de todas as cores que sucessivamente desgraça o País.
Os tempos são outros, a realidade do País é diferente, as missões, os meios designadamente os recursos humanos tem que se conformar ás realidades do presente, e a instituição militar que é o pilar militar da defesa nacional (NÃO É A DFESA NACIONAL) deve estar SEMPRE subordinada aos poderes democráticos legitimamente eleitos.
Dever de tutela, respeito pela lei, verticalidade, honestidade intelectual, respeito pela história do País, estes e outros valores são lixo para a “gentinha” de todas as cores que sucessivamente desgraça o País.
Os tempos são outros, a realidade do País é diferente, as missões, os meios designadamente os recursos humanos tem que se conformar ás realidades do presente, e a instituição militar que é o pilar militar da defesa nacional (NÃO É A DFESA NACIONAL) deve estar SEMPRE subordinada aos poderes democráticos legitimamente eleitos.
Poderes democráticos que devem olhar e acautelar o nosso futuro.
Creio deplorável muitas posturas observadas em relação ás Forças Armadas.
António Cabral (AC)
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