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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

EXEMPLOS    de    DESPOVOAMENTO

Despovoamento em Portugal, um exemplo, dentro do Concelho de Idanha-a-Nova. Concretamente sobre a aldeia de Monsanto, a freguesia de Monsanto, a aldeia propriamente dita e os lugares à volta do monte (Carroqueiro, Adingeiro, Eugénia, Lagar Maria Martins, Torre, Relva, Monsantel, Devesa, Carro Quebrado, Cidral, etc.), que pertencem à freguesia. 

Daí que, localmente, os que vivem à volta do monte e portanto da aldeia de Monsanto lá em cima digam há décadas - vamos lá acima à vila!

Tendo por base os censos de 1950 e 2011, a freguesia de Monsanto sofreu em 61 anos uma redução populacional de 215,28 %. A aldeia propriamente dita, no cimo, reduziu nesse período 154.45 %.

Alguns exemplos:

Monsanto - 628 pessoas em 1960, 97 em 2011

Carroqueiro - 422 em 1960, 90 em 2011

Lagar Maria Martins - 302 em 1960, 59 em 2011

Eugénia - 205 em 1960, 103 em 2011

Relva - 494 em 1960, 191 em 2011

Em 2025 os números estão piores.

Lá em cima, na aldeia de Monsanto, residentes permanentes creio que já estão abaixo de 60.

À volta do monte, em vários locais, algum aumento populacional se verificou, com o regresso de reformados e uns quanto estrangeiros que têm comprado quintas.

E é isto, senhores titulares de órgãos de soberania, para vossa vergonha, ainda que eu saiba que o que vos assenta pelo menos nos últimos 35/ 40 anos é a descarada ausência de vergonha na cara quando não, uma descarada ausência de tudo.

António Cabral (AC)

domingo, 11 de maio de 2025

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Os protagonistas das eleições actuais são quase todos bem-talhados e adequados aos tempos que correm. E característicos das eleições que temos. O Chega, uma fabulosa energia de claque de futebol feita de fanatismo e de reflexos condicionados
O PSD (ou a AD), uma eficaz e sub-reptícia máquina de influências, o mais capaz de confundir clientes com eleitores
O PS, um sindicato desnorteado e sem destino, que parece ter negado o futuro, quando apenas queria esquecer o passado. 
A IL, de uma pureza impecável, a caminho da beatitude
O PCP, nervoso e tenaz à procura de não desaparecer da história
O Bloco, já sem graça, com o seu ar de superioridade das avenidas, de mãos nos bolsos e dogma bem oleado. 
O Livre, um neófito envelhecido, aparentemente imprescindível
O PAN, que quanto mais conhece os animais, mais gosta da política.

Que pensam estes nossos partidos, candidatos a mandar em Portugal e em nós todos, do destino da Europa, periclitante como nunca, ameaçada pela Rússia, marginalizada pela América, cobiçada por África e pelo Islão e desprezada pela China?

Que pretendem eles fazer com a Justiça portuguesa, cada vez mais desorganizada e injusta?

Que se preparam realmente para fazer com os grandes serviços públicos ou as grandes empresas nacionais, umas miseravelmente vendidas, outras estranhamente desmanteladas, outras ainda entregues aos mais desvairados traficantes de influências?

O Estado português, já agora a nação portuguesa, ou o país e a sua população, se quiserem, raramente estiveram tão dependentes, tão frágeis, tão vulneráveis como hoje
Quem o diz é designado por céptico e pessimista, fanático do “bota-abaixo” e descrente da pátria. 
Mas é garantido que esse tem mais razão do que uma mão cheia de burocratas, de “influenciadores” e de caciques. 
Quem se ocupa realmente dos caminhos de ferro, dos portos, do mar e dos rios? 
Quem está de facto a tratar dos aeroportos e da companhia de aviões? 
Quem se encarrega com força e solidez da energia do futuro

Quem vai tentar voltar a dar um módico de dignidade e de autonomia, ou de afirmação do interesse nacional, nas telecomunicações, na produção e na distribuição de energia
Quem vai tentar reconstruir ou construir alternativas autónomas à energia, às telecomunicações, aos cimentos, às celuloses, à madeira, à metalurgia e a outros sectores que demonstravam, pelo menos parcialmente, alguma solidez?

Para além do miserável oportunismo de última hora, que entendem fazer para elaborar, pôr em prática políticas de população e de imigração necessárias para a economia, dignas de uma nação antiga e orgulhosa, próprias de uma cultura, crentes nos direitos humanos, guardadoras das liberdades e respeitadoras do sentido de humanidade?

Para além de distribuir subsídios, ratear subvenções, fornecer descontos e isentar de impostos, alguém tem um plano, um projecto, uma intenção, uma ideia de como se cria riqueza, como se reforça a economia, como se formam gerações de profissionais, como se criam cientistas, como se dá liberdade a empresários?

É ou não verdade que a vida urbana, nas grandes cidades portuguesas, se deteriorou muito nos últimos anos, talvez últimas décadas? 
Que a situação na saúde e nos serviços públicos decaiu significativamente? 
Que o funcionamento da Justiça se danificou, parece que sem emenda? 
Que as oportunidades para os jovens diminuíram? 
Que o tráfico de pessoas e de trabalhadores aumentou sem controlo nem limites? 
Que os transportes públicos, sobretudo citadinos, se transformam em zona de perigo e incómodo? 
Que os riscos de cair na pobreza não diminuem? 

Alguém é capaz de negar, factos e números na mão, este declínio, este progresso adiado? 
Se assim é, por que razão os partidos e os candidatos não se sentem mobilizados para abandonar o “cliché” banal e o palavreado automático e para se sentirem empenhados em dar e procurar o melhor? O mais sensível? O mais sério? O mais sólido? Em vez do mais ligeiro, o mais fátuo, o mais ilusório e o mais enganador?

Há quem não confesse, nem sob tortura, em quem vai votar. 
É compreensível: não quer ser culpado.

(António Barreto, Público, 10.5.2025
) (sublinhados da minha responsabilidade)

Claro como água.

Mas desde Marcelo (que não está em campanha, mas acha sempre que muito do acima descrito é exagero, até porque somos os melhores dos melhores), a Melo, Ventura, Mortágua, Rocha, Luís, Pedro, Raimundo, Rui, Real, as questões enunciadas (faltam algumas muito importantes), querem o poder pelo poder, mordomias.

Servir a sociedade, melhorar a sociedade, desenvolver, modernizar?
Isso é treta. 
Servirem-se dos cargos, isso sim.

Toca mas é de tentar ganhar o poder, para ganhar acesso a banquetes, a  subsídios para casa para viver em Lisboa (tendo casa na capital mas dando a casa em Trás-os-Montes ou outro local distante), a um avião Falcon, a reunião em Bruxelas, ou uma ida a cumprimentar Zelensky, etc.

António Cabral (AC)

sábado, 22 de abril de 2023

É ISTO OU NÃO ?

" . . . . A discussão sobre a criação de um imposto sobre a riqueza como medida visionária imediata para reduzir igualdades tem tido desenvolvimentos interessantes.

Há, no entanto, uma questão central que convém clarificar.

Os impostos não servem para distribuir rendimento, os impostos servem para financiar o Estado.

Se o Estado decidir aplicar o resultado da colecta de impostos no apoio aos pobres e deserdados, pode ser que isso resulte em alguma distribuição de rendimento, mas não é o imposto que faz essa redistribuição, é a decisão de aplicar recursos em políticas de apoio aos pobres e deserdados (por exemplo, não há redistribuição socialmente útil se o Estado gastar ineficientemente os recursos de que dispõem, essa é uma das razões pelas quais é criminosa a passividade com que olhamos para usos ineficientes dos recursos que os contribuintes entregam ao Estado) . . . . . (Henrique Pereira dos Santos)
AC

domingo, 31 de outubro de 2021

PAZ,    GUERRA,    PAZ

Não é pelo facto de estarmos formalmente em paz que podemos abandonar conceitos de defesa e de segurança.

Tal como não é por os carros serem hoje mais seguros que devemos esquecer as boas regras da condução.

Tal como não é por haver vacinas para praticamente tudo que devemos ser descuidados com a nossa saúde e segurança física.

Ah, a propósito de vacinas para quase tudo, infelizmente não há para tudo. 

Não existem, por exemplo, para afastar os energúmenos que nos infernizam a vida e nos entram em casa através das TV e Internet. Infelizmente, não há vacinas de decência e dignidade para inocular a gentalha habituada a servir-se em vez de servir a sociedade.

AC