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quinta-feira, 7 de março de 2019

AINDA TANCOS e a CPI
Muito se tem escrito sobre este desgraçado tema, infelizmente, eu próprio me atrevi por mais de uma vez a tecer algumas considerações e colocar-me a mim mesmo diversas interrogações.
Não vou repetir-me.
Tenho lido, algum tempo depois do acontecido, as declarações/ excertos do que se vem passando na CPI (comissão parlamentar de inquérito à telenovela Tancos). E ainda bem que não é à porta fechada. 
Praticamente tudo o que li até agora me estarreceu. 
Ou não é de estarrecer tudo o que tem saído das bocas de Generais, Coronéis, Tenentes -Coronéis? 
Tenho até pena que não tenham chamado para ser ouvidos outros militares que tenham servido em Tancos, como Sargentos e Cabos. Li agora no DN uma súmula da prestação do ex-CEME General Rovisco Duarte. 
Mais estarrecido fiquei (sublinhados a cores da minha responsabilidade).

Desse texto do DN retive o seguinte:
> 
... acabou por tornar público uma realidade do Exército marcada pela inação, passividade, resistência e mesmo desobediência ao longo da cadeia de comando.
> ....que acabaram também por ser um ajuste de contas com os dois tenentes-generais (do seu curso de 1976) que se demitiram em protesto contra a exoneração dos comandantes responsáveis pela segurança dos paióis - revelaram um "homem de ação" e com uma longa carreira em funções de comando que se mostrou incapaz de aceitar um ambiente de "deixa andar" em que um dos seus cultores era, segundo o ex-chefe do Exército, o então comandante das Forças Terrestres, Faria Menezes,
> .....Preparar o envio para o Afeganistão de um regimento diferente daquele que o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) tinha determinado
>....garantir ao CEME que não tinham sido nomeados para a República Centro-Africana (RCA) militares alvo de processos (devido à morte de dois recrutas dos comandos) que afinal estavam nomeados - e acabaram por ser retirados à última hora da força, 
>....ter de "dar um murro na mesa" porque oficiais queriam implementar medidas diferentes das aprovadas para o antigo Instituto de Altos Estados Militares, em Pedrouços
> ...A vontade do comandante de uma unidade em querer ter um paiol próprio para os operacionais na inativação de engenhos explosivos - que exigia 300 mil euros - quando tinha um "a 300 metros"
>... havia graves falhas no apoio a essas tropas, que eram reportadas pelo comando das Forças Terrestres (CFT) como sendo menores e resolúveis - mas que levaram o CEME a ir ao terreno e declarar, perante o que viu e ouvir, que iria "haver sangue quando chegar a Portugal",
>....o levaram a dizer que a lealdade e solidariedade corporativas - alegadamente presentes nas ações de Faria Menezes - só são aceitáveis se "dentro da legalidade e da legitimidade".
> .....O melhor retrato dessa realidade resultou do estado a que chegaram os paióis de Tancos, tanto em termos de segurança como das instalações e que poderiam ter sido resolvidas pelos comandantes das unidades locais e pelos comandantes das Forças Terrestres e da Logística: ausência de telefones (quando bastava uma meia hora para estender fios), torre de vigia com vidros partidos e sem lâmpadas a funcionar, falta de desmatação, vedação com buracos, ausência de rondas....
>.......Quis provocar um choque e acabar com a cultura do deixa andar" no Exército, pois mesmo podendo ser injusto com alguns dos visados beneficiava-se o ramo.

Depois de ler isto, não é compreensível que qualquer cidadão comum fique estarrecido?

Das duas uma: ou o que o General Rovisco Duarte disse na CPI corresponde à dura realidade como por exemplo - uma cultura e ambiente de deixa andar - ou - desobediência a ordens superiores - ou não corresponde.
Retrata ou não o Exército? Convinha apurar.
Será que depois das declarações do ex-CEME os deputados vão requerer uma acareação entre os generais que já compareceram na CPI?
Aposto que tal não vai acontecer.

O Exército é um dos três ramos das Forças Armadas.
A instituição militar é uma instituição pilar do País, tem que ser respeitada, MERECE ser respeitada. 
Mas também convinha muito que alguns dos seus servidores se dessem ao respeito.
Pelo que parece, há anos que é capaz de já não ser assim.
LAMENTÁVEL. Um quadro que é assim difícil de defender.

AC


sábado, 13 de outubro de 2018

PUMM !!! (3)
Azeredo Lopes já não é formalmente ministro, desde esta sexta-feira 12 de Outubro, que deve ter parecido uma sexta-feira 13.
António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, que se pelam pelo rigor, dizem que a apresentação da carta de demissão, aceite com grande pesar (!!), foi da tarde de 12 de Outubro. Adiante.
Saiu o ministro mas nada está resolvido.
Apesar de ter havido já alguns a falar nos ladrões não há ladrões identificados em em relação a outra fase, se conhece publicamente uma tal avó; tudo indica ter havido pois uma trapaça inacreditável na cena do aparecimento de material na Chamusca.

A minha velhota vizinha na aldeia, a "tia Celeste", perguntou-me (convencida que sei mais do que sei de facto destas coisas) - "Oh sr António, como é que a gente pode acreditar nestes malandros todos"?
E é de facto isto.
O que souberam todos eles, desde o nº 1 da hierarquia Constitucional?
Começaram, muito tarde, a imolar-se alguns, para ver se os portugueses não se venham a aperceber como tudo isto anda podre, podridão que não é de agora.
Demitiu-se mas, que confiança podem inspirar certos outros responsáveis, militares e civis, que por aí continuam ?
Não me venham dizer que isto é um ataque às instituições.

Falta vir a ser confirmado, provado, com rigor jurídico mas, se de facto preto no branco, a história de memorandos ou relatórios, ou reuniões que houve mas que sim mas talvez não também, mostrarem um cheiro nauseabundo, que confiança merecem esses intervenientes?
Ou, por serem generais do Exército e titulares de orgãos de soberania, automaticamente é tudo "palavra sagrada", à António Costa?
 Gostava de ser mosca para observar a angústia que provavelmente assalta pessoas ilustres e dignas como os Exmos generais do  Ramalho Eanes ou Loureiro dos Santos, só para citar dois.
Quando um advogado diz publicamente coisas óbvias e aponta dúvidas e escândalos acerca de um envolvido na telenovela, provavelmente à maioria das pessoas não ocorre o que acontece muitas vezes.

Basta que uma reunião não fique registada num determinado gabinete ou assessoria, para formalmente se poder dizer que não aconteceu.
Basta que um documento não seja registado nos circuitos administrativos legais para alguém pode dizer que não teve conhecimento de nada. Só tem conhecimento do que formalmente lhe chega.
À justiça o papel de deslindar estas coisas.
Como há muitas décadas sei que os bebés não chegam de Paris no bico da cegonha, quando nestas coisas vêm a público grandes proclamações institucionais, grandes defesas de instituições clamando a necessidade imperiosa do respeito que lhes é devido (e muito bem sem margem para dúvidas), fico logo de pé atrás, muito desconfiado, e com a certeza que a malandragem já está em modo de controlo de danos senão mesmo em estado de emergência.

No caso, desconfio que possa ter havido ao longo do tempo frases destas - "sabe, aquela coisa está uma grande embrulhada" - "sabe, temos que aguardar, para não causar mais alarme" - "sabe, apesar do segredo de justiça, parece que eles andavam a não cumprir a lei, e o pior é que sempre foi assim que faziam, corporativismos, sabe" - "temos que aguardar, a ver se chega ao fim do mandato", "sabe, estou a tentar tudo por tudo para o aguentar", "sabe, no plano legal e jurídico isto entra por zonas terríveis, crimes vários, e está já incontrolável, vai seguir para a frente"

Demitiu-se, porque, como é costume em Portugal, a norma é não  ser o de cima que corre com o debaixo, porque é chato, é o porreirismo nacional. É a treta de sair do palácio acompanhando o condenado há horas sentenciado. Qu nunca mais vai defender.
Com esta demissão, vão desejar em Belém e S.Bento que se tentem esquecer muitas coisas. Desejavelmente que já não doa a mais ninguém, porque é chato, chato para a estabilidade, chato porque se tinham de escolher outras chefias civis e militares. Há que evitar, até porque no limite não houve nada de muito especial no nosso País.
Até já andam aí alguns a escrever que houve pressão silenciosa dos militares para Azeredo sair. Não faço ideia. Embora haja quem se regozije com o regresso da responsabilização? O quê?
Escreve-se por aí que Azeredo saiu sem se saber se Marcelo agiu. 
Esta é boa, claro que não agiu, o ministro demitiu-se, nem Costa nem Marcelo queriam isso, NÉ ???

Escrevem alguns que a autoridade do Estado está de rastos.
Eu concordo em absoluto, mas é desde há muito tempo, como digo há muito tempo. Gostava de ver agora a cara de alguns que me diziam anos atrás - talvez não seja tanto assim como dizes.
Concretamente, o processo Tancos está por deslindar, o 2º processo do aparecimento/ encobrimento está igualmente por clarificar, embora existam indícios pestilentos.
Nada devia parar, como dizia Marcelo, mas aposto que querem que pare. Sabem que se abanam muito as árvores, cai muita fruta podre.
Vamos aguardar
AC