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sexta-feira, 20 de março de 2026

RECORDANDO  ADRIANO MOREIRA

(entrevista por Anabela Mota Ribeiro)

Bom dia.
Bom início de fim de semana.
Saúde e boa sorte

AC

quarta-feira, 18 de março de 2026

Recordando ADRIANO MOREIRA em 1987
Este homem lúcido que lá por ter sido ministro de Salazar por algum (pouco) tempo pois ficará para sempre célebre - mudou de política, mudou de ministro - coisa que deve ter irritado o ditador, era tudo menos fascista apesar do que disseram uns quantos patetas.

Adriano Moreira recordou em 1987 um estudioso que em 1949 referiu -  a Rússia estalinista não absorveu apenas as tendências ditatoriais de um socialismo de batalha, de origem ocidental, mas é absolutamente fiel às próprias linhas de força da sua formação histórica isolacionista, orientalista, imperialista e absolutista.

AC

quarta-feira, 2 de julho de 2025

REVISITANDO  ARQUIVOS

Porque é que o seu discurso está muito mais esquerdista do que eu imaginaria?

Porque você tem uma imaginação pequena. Vamos lá ver. Nasci numa família muito pobre. Sei muito bem como é que vivem os pobres. 
Descrevi isso num livro de memórias que publiquei. Éramos felizes – engraçado. Havia uma solidariedade. O que fiz [politicamente] não obedece a esquerda ou a direita. Obedece à escala de valores que aprendi em criança. 
Uso muitas vezes a expressão: os valores são o eixo da roda. 
A roda corre todas as paisagens. 
O eixo acompanha a roda, mas não anda. 
Quando fui presidente do CDS, disse: “Este partido tem que assumir a obrigação em relação aos pobres”. Parece-lhe muito de direita

Adriano Moreira

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

O  EIXO  E  A  RODA

O eixo acompanha a roda, mas não anda. (Adriano Moreira)

Pois é, e quantos ligam a isto?

AC 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

AINDA sobre ADRIANO MOREIRA
Porque é pública, transcrevo esta (para mim) extraordinária apreciação sobre um homem. (sublinhados da minha responsabilidade)
Quem a ler com toda a atenção perceberá que, para lá do umbilical pai-filho, não se escondem coisas. 
É meu entendimento que Adriano Moreira, ao longo da sua vida, foi um grande pensador, de grande elevação intelectual, doido pelo ensino e pela Academia, sempre coerente e intelectualmente honesto e independente, entendeu fazer e não fazer, aderir e não aderir, afrontar poderes se entendesse necessário, mas decidiu sempre pela sua cabeça e assente nos seus valores e na sua visão do mundo, visão do que lhe parecia serem os interesses e jogos de influência das potências.
Nessa visão creio que ambicionava que África e designadamente as nossas então colónias/ províncias ultramarinas ficassem na esfera do  Ocidente.
Nessa visão creio que Adriano Moreira compreendia perfeitamente o importante e decisivo papel que a educação teria no desenvolvimento daqueles que hoje são países independentes.
A crítica e as opiniões devem ser sempre acolhidas, debatidas, argumentadas, mas sempre respeitadas, mesmo quando delas se discorde totalmente.
Para mim, Adriano Moreira não foi Salazarista e/ou Marcelista, não passou a vida a justificar dois anos do seu longo trajecto. 
Como não se justificou porque aderiu ao CDS e o chefiou num curto período.
E pelo menos por tudo isto, parece-me incorreto considerar que esteve do lado errado ou do lado certo da história. 
Essas definições deixo-as aos controladores das mentes, aos politicamente (in) correctos, aos das modas, aos que adoram reescrever factos do passado.
António Cabral (AC)
 
FILHO de UM HOMEM VELHO

Sou filho de um homem velho, e esse homem velho chama-se Adriano Moreira. Quando era pequeno - já o meu pai era velho -, o meu pai explicou-me, com a frontalidade trasmontana que lhe era característica, que eu ia deixar de ter pai muito cedo. Cresci marcado por este medo, que condicionou muitas decisões que tomei.


Em 2011, aceitei a inevitabilidade (da falta de controlo sobre o momento) da sua da morte, e decidi ir viver para Moçambique, consciente de que lhe poderia acontecer alguma coisa enquanto lá estivesse, ou de que já pouco o gozaria no meu regresso. Voltei em 2013 e, depois disso, tive ainda mais nove anos de pai. Este homem velho viveu até ser mesmo muito velho.

No dia em que parti para Moçambique, concebi esta carta. Guardei-a na minha memória até este momento em que, de certa forma, a imprimo.


É esmagador ser-se filho da figura pública do Adriano Moreira, por boas razões, mas esta carta é sobre o meu pai, e não sobre o Académico que teve duas passagens pela política.

O casamento dos meus pais é uma das histórias mais bonitas que pode haver sobre compromisso - entre meios sociais, interesses e gerações.


Este compromisso teve dois motores: a inteligência do meu pai (sempre e em tudo na vida, racional e institucionalista) e, antes disso, a pujança emocional e força interior da minha mãe, que se projeta em tudo o que faz.

A minha mãe é apaixonada - literalmente, apaixonada - pelo meu pai desde os tempos da faculdade. E dedicou a vida a este amor, que tem muito pouco paralelo. Foi esta mãe que, sobretudo na minha adolescência, funcionou como a lente que me permitiu ver melhor o pai que tinha. Nesse processo, apercebi-me de que a dimensão pessoal do meu pai era ainda superior à dimensão da figura pública.


Neste momento em que se multiplicarão os escritos e as homenagens à figura pública, sinto necessidade de trazer a público o meu testemunho sobre o meu Pai, o que acaba também por ser a minha forma de homenagem. Faço-o a título pessoal.

O meu Adriano Moreira:

O meu pai nasceu pobre. Era filho de um polícia e de uma costureira e lutou muito para chegar onde chegou. Era, literalmente, um self made man. Esta origem teve consequências e manifestações várias, que são o ponto de partida da minha admiração.

O meu pai encarava com naturalidade o facto de ter nascido pobre. Descrevia as limitações com que vivia e a vida na aldeia, e até as dinâmicas rico-pobre ali vigentes, de forma absolutamente factual/sociológica - sem lamentar a pobreza; sem invejar a riqueza. Mais importante, orgulhava-se da sua origem. Era transmontano de coração, e sempre lembrou - a nós e ao mundo - de onde vinha.

A relação que o meu pai tinha com a sua origem teve impacto na vida pessoal, mas teve também um impacto decisivo no seu pensamento político, com tradução em ideias muito simples: não é preciso limitar o sucesso de cada um, mas sim compensar as diferenças entre os vários pontos de partida, para que todos tenham oportunidade de sucesso; meritocracia, temperada com humanismo cristão. Lembro-me bem da primeira vez em que o meu pai me falou sobre a diferença entre igualdade à partida e igualdade à chegada...

Não tendo tido sorte no meio social (do ponto de vista do poder de compra, etc.), teve, no entanto, sorte nos pais: os meus avós, apesar do tempo em que viveram e do meio a que pertenciam, incentivaram e suportaram os estudos do meu pai (e da irmã...) até à faculdade. O meu pai não perdia uma oportunidade para lembrar - novamente, o orgulho na sua origem - que devia tudo aos meus avós, sem conseguir perceber, quando olhava para trás, como isso tinha sido possível. Passou os últimos tempos de vida preso a este pensamento e admiração, insistindo connosco para que não nos esquecêssemos que devíamos tudo ao meu avô, "António Moreira, sub-chefe da Esquadra de Campolide".

O meu pai explicava, a propósito da idade com que casou, que (para além de precisar da pessoa certa...) sentia que só poderia casar quando tivesse capacidade para sustentar uma família e os próprios pais. O meu pai era, por tudo isto, um homem profundamente agradecido!

Ao nível pessoal, este homem que nasceu pobre acabou por se casar com uma pessoa de um meio social bastante diferente, convivendo e vendo os seus filhos serem expostos a um ambiente que nada tinha que ver com o seu ponto de partida. E adaptou-se, com naturalidade: deu o que pôde aos filhos; deu o que nunca teve aos filhos - sempre e apenas com a preocupação de que não banalizássemos a nossa sorte à partida (isso sim, incomodava-o bastante).

Mas a generosidade foi, ainda antes disso, dirigida à minha mãe. O meu pai conseguiu sempre manter na esfera da minha mãe tudo o que lhe era querido, e onde não pôde manter, conseguiu parecido - tudo, em nome do respeito pela ligação umbilical da (família da) minha mãe a sítios, a lugares, a memórias; sempre, com máxima hospitalidade para todo o Clã Lima Mayer; em grande medida, com prejuízo para os seus próprios gostos e prioridades. O meu Pai era um homem profundamente generoso!

O meu pai era, também, um homem justo e decente. Ético. Seja na esfera pessoal ou profissional, tenha ou não estado certo se e quando decidiu, guiou sempre os seus processos de decisão por um imperativo de justiça e decência. Agia de acordo com a sua consciência; punha as questões de princípio acima de tudo o resto; fazia o que acreditava ser o mais correto.

Desta característica resultava outra, relacionada: o desprendimento. Com isto refiro a capacidade de aceitar, com dolo necessário ou eventual, as consequências negativas de decisões tomadas em nome dos seus princípios e do seu sentido de justiça. Porque esse é o verdadeiro teste de caráter. 
Foram-lhe conhecidas muitas decisões de princípio, mas é interessante cruzar cada decisão com o contexto pessoal em que foram tomadas: o processo-crime contra um Ministro da Defesa, logo no início da sua vida profissional - acabou preso, depois de tanto esforço e privação para tirar o curso...; a demissão de Ministro do Ultramar, por não conceder na visão que tinha para a África - com a consequência da perda de estatuto de jovem estrela do regime; a proteção ao irreverente Bispo da Beira, em Moçambique (forte defensor dos direitos dos indígenas e do respeito pela diversidade de culto), pela via da publicação de artigos de opinião no Jornal da Beira - criando à PIDE o constrangimento de censurar um jornal onde escrevia um antigo Ministro, sem poder antecipar as consequências; o confronto com o pequeno Ministro da Educação e a consequente demissão de Reitor, para proteger o ISCSP - voltando oficialmente as costas ao regime no verão em que nascia o seu primeiro filho; e até, numa fase mais recente, a sua demissão de Presidente do Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior, por discordar das políticas de educação que estavam a ser adotadas - renunciando a um dos cargos que mais gostou de exercer, com adequação perfeita ao seu perfil e estatuto e que representava, dada a fase de vida em que já se encontrava, uma das últimas oportunidades que tinha para se manter no jogo
A questão de princípio, neste caso, levou-o ao ponto de, já Senador, aceitar participar num programa de televisão a partir da plateia, para ter a oportunidade de expressar publicamente a sua divergência da política seguida pelo então ministro responsável pelo ensino superior (convidado no referido programa), que tinha idade para ser seu filho.

Este episódio pode não ter tido a importância de outros, mas marcou-me porque o vivi em casa, já universitário, e pude testemunhar o seu caráter e personalidade com os meus próprios olhos.
O meu pai era, para terminar, um grande pai de família. Tinha um amor profundo por cada um de nós, e um profundo respeito pela maneira de ser de cada um - de cada traço de personalidade, de cada idiossincrasia.

Sendo um homem que acreditava nas instituições, vivia a sua família de forma profundamente institucional. Preocupava-se com a minha mãe e connosco, antecipava e geria todos os cenários, incluindo o da sua partida.

Quando nasceu a minha primeira filha, disse-me, contrastando com o ambiente de euforia: "parabéns, nasceu-te uma responsabilidade até ao fim da tua vida". Quatro filhos depois, revisito esta conversa com muita regularidade...

Ironicamente, dada a força da sua personalidade e a diferença de idades, o meu pai cedo aceitou que a nossa família tivesse uma organização de base matriarcal, e era o primeiro e maior admirador da minha mãe. 
Sempre que estávamos sozinhos, gostava de me falar sobre isso, e salientava traços de personalidade da minha mãe e episódios concretos: o perfil de bombeiro da família; o altruísmo e a força interior; a capacidade que tinha de ler o coração de cada um dos filhos; a forma incondicional como arrancou para o Brasil no pós 25 de abril, largando uma família que na realidade é um clã, sem ter qualquer perspetiva de regresso, etc., etc., etc., etc...

O meu pai viveu demais, infelizmente, porque viveu o suficiente para perder um filho, o que foi um golpe fatal: porque, para além da dor da perda, isso aconteceu em contraciclo com o momento que, coletivamente, atravessávamos, e evidenciou que não é possível gerir e antecipar todos os cenários... Foi aqui que o meu pai percebeu que as coisas já não estavam na sua mão, o que acabou por ser fonte de tranquilidade - porque o medo que tinha da morte vinha do sentido de responsabilidade que tinha sobre nós.

Seis meses depois, assumiu a sua última responsabilidade - levar a filha mais nova ao altar -, após o que entrou, finalmente, em Tempo de Vésperas, tendo vivido até ao fim tranquilo, sem medo do que o esperava, a falar-nos dos seus pais e a fazer declarações diárias de amor à minha mãe.

Este, foi o meu Adriano Moreira.

João Moreira

domingo, 23 de outubro de 2022

ADRIANO  MOREIRA

NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL 23 de outubro de 2022

Falecimento do Professor Adriano Moreira

A Ministra da Defesa Nacional evoca o Professor Adriano Moreira, personalidade central da academia e da vida política portuguesas no século XX, atravessando dois regimes e marcando gerações de estudantes, de investigadores, de políticos, e também a instituição militar.

Permanecerão para benefício de todos os portugueses os seus trabalhos nas áreas do Direito, das Relações Internacionais e da Ciência Política, bem como a sua ação cívica e política, o seu humanismo, o seu pensamento sobre a Língua Portuguesa e sobre o papel de Portugal no contexto Atlântico.

Distinguido pelos três ramos das Forças Armadas e com as mais elevadas condecorações da República, contribuiu para aproximar o universo civil e o militar. Adriano Moreira será sempre o primeiro Doutor Honoris Causa do Instituto Universitário Militar (título que lhe foi atribuído em presença em julho passado), instituição de que foi um impulsionador e embaixador, além de professor. Também o Instituto da Defesa Nacional não esquece os seus contributos para o pensamento sobre Defesa, um legado inspirador para a análise de um momento especialmente complexo que o mundo atravessa.

Pelo seu inestimável contributo ao País, nas múltiplas dimensões de uma vida longa e preenchida, lembramos o Professor Adriano Moreira e endereçamos à sua família sentidas condolências.

Ministério da Defesa Nacional | Tel.: +351 213 034 500 | imprensa@mdn.gov.pt www.defesa.gov.pt

Este é o comunicado da tutela da Defesa Nacional a propósito do passamento do Professor Adriano Moreira.
Já o Presidente da República sublinhara no seu curto depoimento sobre o desaparecimento de tão ilustre figura que, entre outras coisas fora - professor de civis e militares.

Já hoje aqui deixei umas breves palavras, sentidas, acerca deste meu concidadão que agora nos deixa. 
Mas quero acrescentar mais alguma coisa, e começo por dizer que era homem de elevadíssimo nível político. 

E como muitas vezes acontece, difamação corria por aí mas, finalmente, na SIC desmentiram aquilo que de há tempos circulava sobre a sua responsabilidade na reabertura do execrável Tarrafal.

Quem com ele conviveu não esquecerá. 
Eu convivi pouco, mas não o esquecerei.
Uma das primeiras coisas que dele ouvi numa aula e que já antes aqui reproduzi - o eixo acompanha a roda mas não anda - nunca mais esqueci. Nem aquilo a que ele se referia e desenvolveu.

Muitos no país lhe devem, mas designadamente a Instituição militar deve muito ao Professor Adriano Moreira. 

Foi decisiva a sua acção para o reconhecimento formal das Ciências Militares e para a criação do Instituto Universitário Militar.
O actual Instituto Universitário Militar é um estabelecimento de ensino superior plenamente inserido no Ensino Superior do país. 

Descanse em paz Senhor Professor Adriano Moreira.
António Cabral (AC)

ADRIANO  MOREIRA,  Bragança,  Grijó
Bragança tem uma riqueza cultural e científica que a maior parte do País não conhece (Adriano Moreira)

A fotografia acima, foi tirada no Largo Professor Doutor Adriano Moreira

AC

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

AS FORÇAS ARMADAS e PORTUGAL

"Não pode amenizar-se a evidente crise das Forças Armadas, designadamente reduzindo a questão a um problema de salários degradados em comparação com outras carreira estaduais…….

Em cada variação histórica da relação do quadro permanente com o contingente, a articulação  implicou dificuldades…………..

Tal perspectiva foi mais formal que efectiva, porque a presença sempre transitória dos conscritos nunca pode desafiar a superioridade qualitativa do quadro permanente…………..

Na complexa área da segurança, cujas incertezas estão a ser duramente pagas por povos Europeus, são os quadros permanentes das Forças Armadas que assumem a obediente responsabilidade institucional, ao mesmo tempo que devem interiorizar o que será o novo conceito estratégico nacional……………"

(Adriano Moreira, "As Forças Armadas", DN, 13 JUL 1999)

O meu melhor amigo militar, que é de Marinha, mostrou-me o artigo a que agora aludo e de que retirei os trechos supra, um longo artigo que para mim é evidente trouxe na altura para a luz do dia inquietações sobre as Forças Armadas, que se arrastam e, naturalmente, sobre o país. Mas, alguém, a sério, se inquietou, se questionou? Alguma coisa foi seriamente ponderada?

A população portuguesa está-se borrifando para tudo o que seja "tropa"(expressão habitualmente usada com o objectivo de denegrir). Querem lá saber. Então se acicatados por exemplo por certos aldrabões de escolas de Lisboa e Coimbra e seguidores, oh…oh!!!!!

A população portuguesa, o cidadão comum, não lê e se algum lê não quer saber e passa à frente do que alguns disseram em 18 de Julho de 2019 e se há coerência e dignidade intelectual com o dito em 19 de Setembro de 2020. Ou coerência e dignidade, simplesmente! Os 99,9999% dos portugueses não quer saber de serviços de informações ou, de associações secretas ou, se as mais altas instâncias do Estado (civis e militares) eventualmente mentem à sociedade seja a propósito dos combustíveis, dos incêndios, da habitação, dos impostos, da justiça, do caudal no Tejo, das Forças Armadas.

A degradação da Instituição Militar, das Forças Armadas, é um contínuo, desde há muitos anos. Por três razões: políticas, ético-profissionais e materiais, e por esta ordem. E há responsáveis, vários, em todos os partidos sem excepção, a saber, concretamente vários dos sucessivos titulares de órgãos de soberania, certos pensadores dos partidos e que muito poucos os conhecem, e algumas das chefias militares passadas e actuais.

E pelas razões que os que têm coluna vertebral intacta sabem, as verdades absolutas, direitinhas, nunca aparecem à luz do dia, nem os seus verdadeiros autores, sabendo-se no entanto quem são quase todos eles. Não aparecem os cozinhados. Não aparecerão. E é interessante, ou lamentável, constatar quem fica calado perante o que se passa, só porque, é um juízo pertinente face a silêncios, são os da sua cor.

Ao olhar o número e qualidade dos "actores" que teceram e tecem certas malfeitorias nada espanta, pois o seu trajecto é bem conhecido mas, lá está, 99,9999 % da malta não quer saber de cursos e mestrados e doutoramentos de certas criaturas ou, de plantações para ervanárias ou, negócios de armamento ou, negócios de combustíveis ou, que uns quantos escrevinhadores avençados e conhecidos papem rotineiramente uns almoços e jantares à borla e assistam a conferências umas mais públicas outras mais reservadas. 

De uma coisa estou seguro. Agora, com este provisório inquilino do gabinete no 7º andar, com este agora todo poderoso CEMGFA, com este Primeiro - Ministro, com este Presidente da República mais o seu irmão gémeo fardado, dentro de, no máximo dois anos,
 os verdadeiros e gravíssimos problemas das Forças Armadas, a tal situação insustentável periodicamente salientada (insustentável há décadas!) terão resolução rápida. 

Recordando o essencial dos problemas:
> não acabarão as Forças Armadas, nem por decisão interna nem por pressão exterior designadamente de certos países da UE; 
> a história da guarda costeira da UE é apenas um dos "rabos de fora", nada de preocupar, a que por cá praticamente ninguém liga a não ser uma certa instituição;
> a Marinha terá rapidamente definida e executada a substituição de navios e helicópteros; 
> o Arsenal do Alfeite será definitivamente um estaleiro de construção naval e reparação e de acções de manutenção quer dos navios da Armada, quer das embarcações da Autoridade Marítima e da GNR;
> a lei de programação militar será finalmente cumprida;
> os complexos problemas inerentes à assistência na doença dos militares das Forças Armadas serão solucionados;
> as questões inerentes aos efectivos militares serão resolvidas;
> os ex-combatentes verão finalmente solucionadas todas as questões por que se batem há décadas;
> os problemas inerentes ao Instituto de Acção Social das Forças Armadas serão resolvidos;
> o sistema retributivo dos militares e as pensões terão, finalmente o adequado tratamento, e diminuída a disparidade de vencimentos face a outras categorias profissionais;
> serão aprovadas as alterações legislativas necessárias à melhoria da atractividade da carreira militar por parte da juventude, deixando de ser basicamente um convite para pernoitar em quartéis para observação de estrelas á noite. 

Naturalmente, o que acima escrevo tem ironia q.b. 
Porque a realidade é, que a recente reforma (!?) aplaudida por Belém, por S.Bento e ainda mais entusiasticamente no Restelo, não passa de fruto de incompetência, de arrogância de egos sobranceiros e vaidosos de quem soube/ sabe viver e que tratou da vida quando se aperceberam que a coisa não lhes estava a correr muito bem, e da governamentalização das Forças Armadas, a que vários malandros se prestaram ajudar, dando assim mais um passo dentro do quadro global traçado há quase 3 décadas por figurões de partidos conhecidos e com beneplácito escondido da parte de outros, que apenas muito gesticulam.

Como sempre tem acontecido, nada se esclarecerá com rigor.
Estou a imaginar quão preocupados andam 99,9999 % dos meus concidadãos com a importância de instituições e designadamente com a Militar, com as Forças Armadas que são fiéis aos valores da Nação e pilar decisivo da nossa sociedade.

Nem as ideias são delitos nem as opiniões são crimes.
Estou farto de doutores nas TV, de conhecedores, de heróis (??), de cúmplices, de manobras, de leviandades, de infâmias. 
Farto da descarada ausência de vergonha na cara dos bem falantes mas, sempre, sem palavra honrada. 

António Cabral (AC)

terça-feira, 1 de setembro de 2020

ADRIANO  MOREIRA,  Bragança,  Grijó
Bragança tem uma riqueza cultural e científica que a maior parte do País não conhece (Adriano Moreira)
AC

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ADRIANO MOREIRA
"Mudou de política, acaba de mudar de ministro"
Creio que foi mais ou menos esta a frase de Adriano Moreira a Salazar, numa fase relevante da vida política nacional décadas atrás.
Todos temos defeitos e qualidades. Todos os seres humanos. O diacho é a questão das proporções.
O ilustre Professor Adriano Moreira não foge à regra, naturalmente.
Mas ainda que eu seja um dos vários suspeitos ao pronunciar-me sobre ele, ainda assim continuo a tê-lo como um homem decente.
E estou muito descansado, de que não estou enganado.
Só um ser decente, esclarecido, intelectualmente honesto, como milhões de portugueses, aponta em primeiro lugar as qualidades indispensáveis a quem se quer dedicar à causa pública: ser autêntico, ser fiel a princípios, traçar políticas que sejam apreendidas pelos cidadãos.
AC