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sexta-feira, 3 de abril de 2026

PORTUGAL,    EUROPA,    UE
Apetece-me começar pelo Convento de Cristo, emblema maior (creio) da cidade de Tomar. 
É uma verdadeira unidade histórica e artística. 
Um projecto de ocupação de espaços, com estilos arquitectónicos experimentados em Portugal, e que vão do século XII ao XVIII. 
Gótico, Manuelino. 
Exuberância única.
Ordem dos Templários, depois, Ordem de Cristo.

A Charola, Claustro do Cemitério, Capela dos Portocarreiros, Claustro de Lavagem, Os Espaços Manuelinos, Claustro de Santa Bárbara, Claustro da Hospedaria, Claustro de D.João III, Corredor das Celas, Claustro da Micha, Claustro dos Corvos, Antiga Casa dos Capítulo, Claustro das Necessidades, Portaria e Sala dos Reis, Aqueduto dos Pegões, Refeitório. 
É isto, deslumbrante.

Nem é preciso recuar muito no tempo e na história para verificar na sociedade portuguesa uma muito vincada tradição religiosa. 
No século XVI Portugal foi um dos países Europeus que reforçou a sua identidade católica e romana.
Práticas, vivências, ritos, romarias, expressões do sagrado.

Pode ponderar-se a religiosidade popular, a religião administrada.
Crentes, indiferentes, não crentes.
Entre a imensa bibliografia existente sobre Portugal, a religião na sociedade portuguesa através dos séculos, a questão da religiosidade, uma me merece realce: 
O Dicionário de História Religiosa de Portugal.

Creio inquestionável, para lá de alterações diversas a partir do início do século XX e não desconhecendo o intolerável abuso prosseguido designadamente por Salazar (uma só moral, uma só religião), que na sociedade portuguesa sempre existiu um factor religioso determinante, e maioritariamente católico.

Mas sempre existiram dinâmicas outras, minoritárias embora. 
Um dos exemplos, entre outros, que se pode referir é o passado nas Beiras (que conheço relativamente bem) onde sempre existiram sinais de aproximação entre ritualidades judaicas e cristãs. 
Belmonte e áreas próximas constitui exemplo típico.
Num tema complexo há religiosidade popular e há a igreja católica romana.

Entre muitas coisas mais, e passada que estão três meses de mais uma época Natalícia, tivemos  de novo as chamadas boas festas, o Natal, tradicionalmente a consoada a 24 de Dezembro, a missa do galo, tradicionalmente reunião da família, SIM da FAMÍLIA, FAMÍLIA.

Naturalmente, (naturalmente para mim), algumas coisas se foram alterando, há uns anos apareceu o pai Natal e as prendas.
Quando a minha idosa mãe (100 em 8JUL passado) era pequenita não havia pai Natal.

Mudou também, creio, a percentagem dos assumidos católicos que assistem regularmente aos actos de culto.
Mas onde quero chegar é que, e no respeito pelo outro que seja diferente de nós e designadamente na fé, porque carga de água não se há-de celebrar essa época que remonta a muito lá para trás?

Porque não hei-de continuar a ter uma árvore de Natal em casa quando ainda por cima há mais de 35 anos que não é de pinheiro natural, e portanto, respeito pelo ambiente e pela natureza?

Porque carga de água se quer (alguns) remover tudo o que se refere às tradições e ritos cristãos, como presépio na rua junto da igreja, etc.?

Porque carga de água devo desprezar, deixar de ouvir por exemplo as cantatas de Natal de Fernando Lopes Graça, um vulto enorme da nossa cultura? 
Ou as excelentes peças de música erudita de compositores diversos apropriadas ao Natal ?

Porque carga de água se estão a passar certas coisas (para mim inacreditáveis) em Portugal como aconteceu recentemente em certos locais no nosso país como aconteceu também em vários países da chamada Europa Ocidental? 
Cancelar isto e aquilo que era tradicional, para não ofender, ou como cautela por causa de atentados?

PORQUÊ ?
Porque pode ofender outros com fé diferente?
Mas a nossa fé e a fé deles têm de ser igualmente respeitadas.

Mas então ao virem para outros países, as sociedades de acolhimento têm de se descaracterizar para não os incomodar?

A seguir à questão de fé, os países de acolhimento também devem ponderar começar a integrar na legislação nacional por exemplo normas da "Sharia" e etc?

Salvo melhor opinião,  MULTICULTURISMO a existência de pessoas de outras culturas a viver em fraternidade aqui em Portugal. 

Deve significar o respeito integral pelas nossas leis, pelas nossas tradições, pelas nossas romarias, pelo nosso modo de vida. 
Quem chega tem de respeitar a organização do país, a lei, e sujeitar-se como todos nós às normas e regras vigentes. 
Que não têm de ser alteradas. 
E quem chega e tem fé diferente não têm que passar a ir à missa! E as manifestações do seu culto devem ser RESPEITADAS.

As questões de fé têm de ser respeitadas. 
Mas parece-me inaceitável não respeitarem a minha. Desrespeitam-na ao forçarem mudar, cancelar.
A minha fé não é melhor ou superior a outras, é apenas diferente. 
Todas têm de ser respeitadas

Sociedades pluriculturais coexistiram em todas as épocas. 
E assim deve continuar.
Multiculturismo é, também, resistir à homogeneidade cultural. 
Não se tem de passar a ser budista, ortodoxo, muçulmano, xintoísta, ou cristão, etc.

Mas a celebração do Natal, por exemplo, incomoda?
Até aos anos 90 do século passado, em Portugal, incomodou os portugueses agnósticos e ateus, ou os estrangeiros que sempre cá viveram? Francamente!

Na Síria, Irão, Iraque, Líbano, Egipto, Arábia Saudita, Indonésia, etc. alteram alguma coisa porque possam existir umas centenas de cristãos a lá residir? 
NÃO, obviamente que não alteram, não cancelam nada.
Não deixam de praticar o que lhes é tradicional e está na fé deles há séculos.

Em cada país, as leis internas têm de ser respeitadas. 
Respeitadas por todos, os do país, e os estrangeiros visitantes, turistas, residentes, venham a ter ou não nacionalidade do país que escolheram para viver. 

E quem o escolhe para viver de futuro, deve aprender a língua do país. É a minha opinião.

É só isto, e não tem nada a ver com o execrável (opinião pessoal naturalmente) Ventura e seus centuriões.

António Cabral (AC)

domingo, 22 de março de 2026

O  CIDADÃO

O cidadão verdadeiro, integro, cumpridor, decente, tem:

dignitas - dignidade,

gravitas - seriedade

honestas - honestidade

simplicitas - simplicidade


E não digo mais . . . isso mesmo, pintassilgos não são pardais!

Bom dia.
Tenham um bom Domingo.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Este é o templo da inteligência e eu sou o seu sumo-sacerdote. Vencer não é convencer. 
Para convencer há que persuadir e para persuadir necessitaríeis de algo que vos falta: razão e direito na luta.
(Miguel de Unamuno)

AC

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

D E C Ê N C I A

Para um processo de verdadeira decência assim deve ser:


- A Ética - deve comandar a Política

- A Política - deve comandar o Direito

- O Direito - deve comandar a Economia


Há muitos arrotos de Ética Republicana mas, em Portugal, na realidade, como estamos de decência?

Bom dia. Bom início de fim de semana.

Saúde e boa sorte.

AC

sábado, 8 de fevereiro de 2025

CONVÉM   IR   REPETINDO


ÉTICA

Andam  por aí uns inchados e umas inchadas com a ética republicana  sempre na boca. 

Alguns, referem apenas - Ética!

Sobretudo os da ética republicana, com vocalizações sempre coladas com a insuportável superioridade moral que, com regularidade, factos vários os/ as vão desmascarando.

Marques Mendes anunciou a sua candidatura para Presidente da República. Muita ética.

Não bateu no peito mas quase, e só faltou dizer com estas palavras -comigo agora é que vai haver ética.

Talvez ainda não seja demasiado tarde para lhes voltar a recordar que para a ÉTICA concorrem, a integridade, a responsabilidade, a transparência, o respeito, a lealdade, a cidadania, a decência, a honestidade intelectual, o rigor, a verdade, o cumprimento escrupuloso da lei.

E recordar, também, que para um verdadeiro processo de decência, 

- a ética deve comandar a política,
- a política deve comandar o direito,
- e o direito deve comandar a economia!

Terrivelmente simples, mas não aplicam!

Daqui se percebe bem porque estamos como estamos!

E, claro, agora aparecem os éticos vários que nunca tiveram nada a ver com o que hoje se vê por aí.

E não digo mais, pintassilgos . . . isso mesmo, não são pardais!

António Cabral

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

ÉTICA

Andam  por aí uns inchados e umas inchadas com a ética republicana  sempre na boca.

Talvez ainda não seja demasiado tarde para lhes voltar a recordar que para a ÉTICA concorrem, a integridade, a responsabilidade, a transparência, o respeito, a lealdade, a cidadania, a decência, a honestidade intelectual, o rigor, a verdade.

E recordar, também, que para um processo de decência, 

- a ética deve comandar a política,
- a política deve comandar o direito,
- e o direito deve comandar a economia!

Por aqui, também, se pode perceber porque estamos como estamos!

E não digo mais, pintassilgos . . . isso mesmo, não são pardais!

António Cabral

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

ESTÃO a VER, EU JÁ TINHA DITO.
ESTÁ TUDO BEM porque ACABOU BEM
TODOS AMIGUINHOS.
 
Assim dá gosto, ficar com a certeza de que o professor procurou informar-se com as Forças Armadas (terá sido porque a mana Mortágua o colocou em cheque publicamente?) sobre “o que se tinha passado” no incidente (não, nada de incidente, foi de certeza um equívoco, um mal entendido) entre militares e o ministro Paulo Rangel em Figo Maduro.

Claro que o PM também lhe comunicou o que se tinha passado.

E, portanto, nada de dramatização, eu já tinha dito, foi de certeza um momentâneo equívoco, de segundos.

Ah, de acordo com o que se lê por aí, Marcelo Rebelo de Sousa terá confessado que tudo é coincidente e que até corresponde a situações similares que já viveu no mesmo lugar.

Catita. Até porque os militares (quais?) quando questionados sobre se havia alguma razão de queixa, terão admitido que “houve equívocos” mas terão dito que não havia razões de queixa. 

"A mim o que me chegou foram versões muito coincidentes que minimizaram o problema. Eu fiquei esclarecido que não encontrei uma versão que fosse muito diferente uma da outra e que fossem muito graves.” Obrigadinho Presidente.

E é isto. Falta de chá, em pequeninos, depois na adolescência, depois na formação que sempre se tem no início das carreiras, dá nestas coisitas!

António Cabral (AC)

Adenda:
Como cidadão tenho péssima impressão do concidadão Paulo Rangel.

No presente, ele e outros, porque titulares de órgãos de soberania, estão momentaneamente numa posição social/ protocolar acima da minha.

Numa eventual situação em que eu estivesse na presença de um deles (Marcelo, Rangel, outros) nunca lhes estenderia a mão para os cumprimentar. Esperaria que o fizessem.

É que eu aprendi uma coisa há muitas décadas: espera-se que seja, o mais velho, o de maior posição social, uma senhora, a esticar a mão para cumprimentar.

Mas as pessoas educadas, cumprimentam sempre os outros.

E a este propósito conheço muito bem quem (oficial da Marinha, já com relevante antiguidade na altura), à porta dos Jerónimos, em 1996, no desempenho das suas funções, aguardava a chegada de dezenas de convidados para uma cerimónia, por ordem protocolar designadamente das principais figuras do Estado e, nomeadamente, presidentes de tribunais, primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República e Presidente da República.

E a cada um deu as boas vindas e cumprimentou militarmente, com continência.

Jorge Sampaio, um Homem decente e educadíssimo, foi o único que se abeirou desse militar, parou na frente dele, e esticou-lhe a mão para o cumprimentar, com vigor, e um sorriso que acompanhou um sonoro - bom dia sr comandante! e recebeu de volta - bom dia sr Presidente.

Diferenças!

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

RARAMENTE . . . 

. . . homem de palavra fácil e personalidade sempre agradável, de sorrisos e esgares exagerados ou de plástico como diz o povo, raras vezes é homem de bem.

Porque raio me fui lembrar disto?

Bom dia, boa 5º Feira. Saúde.
AC

quinta-feira, 11 de julho de 2024

PLENAMENTE DE ACORDO
(SUBLINHADOS DA MINHA RESPONSABILIDADE)

(Euclides Damaso)Procurador-geral adjunto jubilado, ex-diretor do DIAP de Coimbra e ex-procurador-geral distrital de Coimbra

Joana Marques Vidal (in memoriam)

Intuitiva e dinâmica, a primeira mulher a ocupar o cargo de procuradora-geral saía do gabinete e ia ao encontro da equipa, sempre de modo afável e simples. O brilho dos seus olhos vai fazer-nos falta.

Morreu hoje Joana Marques Vidal, mas o seu nome ficará para sempre ligado à história do Ministério Público. Desde logo porque foi a primeira mulher a ocupar o cargo de procuradora-geral da República. Mas também porque, após longa carreira nessa magistratura, desempenhou o cargo cimeiro com uma energia e uma inspiração dificilmente igualáveis.

Intuitiva e dinâmica, a todos galvanizou para o alcance de objetivos que soube traçar e prosseguir, não se isolando. Saía do gabinete e ia ao encontro da sua equipa, que eram todos os magistrados e funcionários do Ministério Público. Não houve recanto do país judiciário que não percorresse, Procuradores com quem não falasse, assunto que não analisasse e discutisse com afã, comunicando com inteligência e empatia e elevando assim o prestígio do Ministério Público e da Justiça em geral a níveis incomuns. E sempre de modo afável e simples, sem poses majestáticas, porque a sua grandeza era toda interior.

Liderou uma equipa dirigente, a que tive a honra de pertencer, onde o diálogo era aceso e do confronto de ideias chispavam soluções, por vezes plasmadas em Diretivas, que marcaram de forma indelével a história judiciária do País na década passada.

Não vou agora dizer que foi perfeita. Ninguém é perfeito e muito menos nesta ingrata arte em que a matéria é de tal modo volátil que não raro se confunde o objeto com a própria sombra. Mas nunca, numa história de séculos, estivemos tão perto de realizar a quimera da igualdade dos cidadãos perante a Lei.

O brilho dos seus olhos, pura manifestação do entusiasmo que foi apanágio de toda uma geração marcada pela utopia que emergiu logo depois de Abril, vai fazer-nos falta!

E acrescento eu, Serviu, não se serviu!

AC

segunda-feira, 24 de junho de 2024

COMO É POSSÍVEL?
Como é possível gente séria e decente estar na política e prestar-se a isto?

Esta interrogação encontrei-a num postal de um blogue e é colocada acerca das nossas recentes eleições, primeiro as legislativas antecipadas e a seguir as Europeias.

E é colocada a propósito sobretudo do partido socialista e concretamente quanto ao caso da lista às legislativas ter determinadas figuras/ "estrelas" que o autor considera gente séria e decente e, depois, essa mesma gente anuir a ser colocada nos lugares elegíveis para as Europeias. 

Com este "arranjo", subiram à Assembleia da República, "figuras" secundárias que ocuparam os lugares que as "estrelas do partido" tinham ganho na AR, e vazios ficaram porque as "estrelas" foram ganhar melhor para a Bélgica, ganhar curriculum, e aguardar tempo para um dia voos mais altos aqui na "Tugolândia".

O autor questiona portanto estes jogos de bastidores e apresenta um livro recente francês sobre a destruição da política que grassa em França.
E lembra que depois muitos se queixam dos populistas e da extrema direita.

E, por cá, a decência e a seriedade já quase "foram"!

Como sempre respeito a opinião de outrem. 
Pessoalmente e quanto às estrelas que o autor evoca, Temido, Assis, Catarina Mendes, sou de opinião divergente.
E apenas porque me recordo bem dos discursos que as criaturas foram fazendo. Por exemplo, o de Assis sobre o 25 de Novembro!

Tenham uma boa semana.
A minha começa com funeral esta manhã, de um dos meus melhores amigos que descansa finalmente.
Saúde.
António Cabral

domingo, 2 de junho de 2024

Tão democrata que ela é
(sublinhados da minha responsabilidade)
Creio que perseguir objectivos subversivos, mesmo através de meios pacíficos, deve ser ilegal. A lógica dos princípios democráticos não deixa lugar no nosso sistema para partidos que propõem abolir a democracia, mesmo pela via pacífica do voto.” 
Esta frase, publicada em 1955 nos “Anais da Academia Americana de Ciência Social e Política”, exprimia uma ideia popular no seu tempo. Era, por exemplo, o pensamento que estava na base de uma famosa lei do ano anterior chamada Communist Control Act, assinada pelo Presidente Eisenhower, que ilegalizava o Partido Comunista dos Estados Unidos da América. 
O autor da frase era o sociólogo americano de origem holandesa Ernest van den Haag - conhecido, entre outras coisas, por ser favorável à segregação racial nas escolas devido, cito novamente o pensamento do ilustre autor, “à inferioridade intelectual genética” dos alunos negros. 

Isto de ser intolerante com os intolerantes, curiosamente, é muitas vezes proposto por intolerantes. Não admira. Quando dizemos que é preciso ser intolerante com os intolerantes estamos a revelar intolerância, donde decorre que devemos ser intolerantes connosco.
É um problema difícil, e a líder parlamentar do PS, Alexandra Leitão, deu na semana passada um contributo importante para a sua solução aqui mesmo, no Expresso. 
Foi num texto chamado, precisamente, ‘O paradoxo da tolerância’. Bibliografia: um meme. 

A leitura do texto deixa claro que Alexandra Leitão estudou atentamente uma banda desenhada que circula na internet, e que faz um resumo de uma ideia do filósofo Karl Popper. 
O artigo de Alexandra Leitão termina citando: “Como defendeu Karl Popper na sua obra ‘A Sociedade Aberta e os seus Inimigos’, a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. 
Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles.” 

É verdade. 
De facto, a citação encontra-se no livro “A Sociedade Aberta e os seus Inimigos”. Alexandra Leitão identifica bem a origem da frase, até porque isso também é referido no meme. 
O que o meme não refere é, por exemplo, que a frase figura numa nota de rodapé. 
Nada contra as notas de rodapé nem contra a expressão de ideias importantes em notas de rodapé. Sucede apenas que as notas de rodapé têm letras mais miudinhas, e talvez isso provoque algum cansaço no leitor. Pode ser que isso explique a razão pela qual o meme também não refere que a frase que se segue àquela que Alexandra Leitão cita é esta: “Com esta formulação não pretendo, por exemplo, dizer que devemos sempre suprimir a expressão de filosofias intolerantes.” 

Reparem que não é uma ideia que surge num capítulo diferente daquele em que está a frase colhida por Alexandra Leitão, nem noutro ponto da vasta obra de Karl Popper. É mesmo a frase seguinte. 
Ou seja, Alexandra Leitão foi muito pedagógica
Mostrou às crianças e jovens que não se deve tentar estudar obras complexas através da leitura da sua versão em banda desenhada.

Que queria, então, dizer Karl Popper? Proponho que continuemos a ler o texto, lamentando embora que ele, na versão original, não seja acompanhado de bonecos. Diz assim: “Contanto que possamos contrariar [os discursos intolerantes] com argumentos racionais e mantê-los sob o escrutínio da opinião pública, a sua supressão seria extremamente insensata.” 

É possível que a expressão “extremamente insensata” seja demasiado grande, ou demasiado aborrecida, para caber num quadradinho, e fosse perturbar a admirável brevidade do meme. 
Mas é pena, porque assim estamos perante o fenómeno estranho e, creio, inédito de haver uma coisa a circular na internet que apresenta a realidade de forma imprecisa e meio distorcida. Espero que seja uma vez sem exemplo.

Mas afinal, em que ocasião defende Popper a intolerância com os intolerantes?
Continuemos: “No entanto, devemos reclamar o direito a suprimi-lo [o discurso intolerante], se necessário através da força; pois pode facilmente acontecer que eles [os intolerantes] não estejam preparados para nos enfrentar ao nível do debate racional, mas comecem a renunciar ao próprio debate; podem proibir os seus seguidores de ouvir argumentação racional, por ser esta enganadora, e ensiná-los a responder a argumentos com a força de punhos ou de pistolas.” 

É quando isso acontece, isto é, quando os intolerantes recorrem à violência, que, diz Popper, “devemos reclamar o direito a, em nome da tolerância, não tolerar os intolerantes”. E conclui dizendo: “Devemos proclamar que qualquer movimento que pregue a intolerância”, ou seja, que defenda a substituição do debate pelas armas, “está fora da lei, e considerar criminoso o incitamento à intolerância e à perseguição, do mesmo modo que consideramos criminoso o incitamento ao homicídio, ao sequestro ou à reinstauração da escravatura”. 
É uma ideia bastante simples e sensata. 
Mas Alexandra Leitão não parece percebê-la - nem que lhe façam um desenho

Ricardo Araújo Pereira escreve de acordo com a antiga ortografia

AC

sexta-feira, 5 de abril de 2024

YOU HAVE ENEMIES ?
GOOD !
THAT MEANS YOU'VE STOOD FOR SOMETHING SOMETIME IN YOUR LIFE !

(atribuído a Winston Churchill)
AC

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

DECÊNCIA

Cada vez que passo os olhos pelos órgãos de comunicação social, e particularmente quando me dou ao trabalho de saltitar entre canais TV, cada vez que me acontece ouvir certos palradores, mais observo a gritante falta de gestos de decência na vida pública.

Trágico.

AC

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

LEMBREI-ME   DISTO
"In the early 1950's, the threat of Communism created an air of paranoia in the United States and exploiting those fears was Senator Joseph McCarthy of Wisconsin. However, CBS reporter Edward R. Murrow and his producer Fred W. Friendly decided to take a stand and challenge McCarthy and expose him for the fear monger he was. However, their actions took a great personal toll on both men, but they stood by their convictions and helped to bring down one of the most controversial senators in American history".

Lembrei-me disto a propósito da nossa vida contemporânea, nacional e global.
Ao longo da minha vida e particularmente da profissional, recordei várias vezes este passado, um triste passado dos Estados Unidos.

Sofre-se, por vezes, mas ter a razão antes do tempo é uma coisa que mais tarde suscita sentimentos diferentes, gozo, tristeza.

Mas é bom nunca vergar a espinha. Assim tem sido por aqui.
AC

domingo, 18 de junho de 2023

PRIORIDADES
"O Presidente da República disse hoje não ver qualquer "problema político específico" na escala do primeiro-ministro na Hungria, onde assistiu a um jogo de futebol com Viktor Orbán, sublinhando que os dois países são aliados na União Europeia".

Salvo melhor opinião, um dos mais graves problemas de Portugal sempre foi, é, e continua a ser, a não definição de clara lista de prioridades.
Em Portugal a casa nunca está arrumada.

Quais são os problemas mais prementes, mais aflitivos, deste cada vez mais mal tratado país?

Não creio que seja, nem de longe nem de perto, a questão do desvio do avião Falcon pago pelos impostos dos contribuintes portugueses para o sr António Costa ir ver um jogo de futebol.

Isto dito, permita-se-me umas palavras sobre este episódio, que define bem quer Costa quer Marcelo, quer muitos outros do mesmo calibre.

Começo por Marcelo.
Se o jogo tivesse sido num país não UE e não NATO, já havia problema político específico?
Não vê problema específico, mas mal que pergunte, problema em termos gerais?
Adiante, que com esta criatura não vale a pena perder muito tempo.

Agora Costa.
Está-lhe na massa do sangue. 
E a este propósito, recordo algumas tiradas suas muito iradas para alguns deputados do tipo - não lhe admito que . . . !
A criatura encrespou-se algumas vezes por outros directamente o questionarem no campo dos princípios e dos valores. 
Mas não passa uma semana no máximo uma quinzena, sem que surja algo que nos tira dúvidas (se as houvesse) sobre o calibre desta criatura, sobre princípio, valores, decência.

Não era preciso mais este episódio para se perceber de que tipo de criatura estamos a falar.
Para este senhor com s minúsculo, é completamente inaceitável que alguém questione que se gastaram mais uns quantos litros de combustível, que o avião tenha feito mais horas, que mais esforço tenha caído sobre a tripulação, mais taxas aeroportuárias, etc.

À custa do erário público, satisfazer um capricho pessoal, seja por vício de futebol, seja para ir fazer campanha pessoal sobre o seu futuro, não se trata de problema político específico, trata-se no mínimo de uma questão de decência. Neste caso, indecência.

Vale a pena recordar aos srs Marcelo e Costa e outros do mesmo calibre, a diferença enorme que existe entre os eleitos que se servem dos cargos, e os eleitos que servem a sociedade.
A famosa fórmula - Servir e não, SERVIR-SE!
António Cabral (AC)

quarta-feira, 31 de maio de 2023

NÃO ERA PRECISO 
TAP. Marcelo esclarece que falou com primeiro-ministro mas sem o nomear. O chefe de Estado especifica que a pessoa com quem falou é "a mesma que declarou na Assembleia da República no dia 24 de maio que tinha conversado com o Presidente da República no dia 29 de abril e que não tinha então abordado o assunto SIS", referindo-se ao primeiro-ministro.

Não era preciso mais um eloquente exemplo a somar a tantos antes deste, para ter a certeza da desfaçatez com que esta gente trata os cidadãos.
Para esta gente, Portugal é o seu brinquedo e os portugueses nem bonecos da Playmobil são.

Não merecem uma grama de respeito.
António Cabral


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

EÇA  e  o  RIGOR

Ensinem a uma cambada que por aí anda desde há décadas, que se deve procurar ser rigoroso, falar verdade, e quando se erra reconhecer o erro com dignidade, dar a mão à palmatória, corrigir, proceder sempre com honestidade intelectual. 
Ser digno, e assim merecer ser respeitado.

AC

domingo, 5 de fevereiro de 2023

CIDADÃO  COM  COLUNA  VERTEBRAL

Aos que estranhem o título, respeitosamente lembro que anda por aí muiiitaaaaaaaa gente que no lugar da coluna vertebral tem silicone, plasticina, gel, borracha, para se dobrarem com facilidade !

Um cidadão verdadeiro, com coluna vertebral tem:

dignitas - dignidade

gravitas - seriedade

honestas - honestidade

simplicitas - simplicidade

E fico por aqui.

AC