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sexta-feira, 3 de abril de 2026

PORTUGAL,    EUROPA,    UE
Apetece-me começar pelo Convento de Cristo, emblema maior (creio) da cidade de Tomar. 
É uma verdadeira unidade histórica e artística. 
Um projecto de ocupação de espaços, com estilos arquitectónicos experimentados em Portugal, e que vão do século XII ao XVIII. 
Gótico, Manuelino. 
Exuberância única.
Ordem dos Templários, depois, Ordem de Cristo.

A Charola, Claustro do Cemitério, Capela dos Portocarreiros, Claustro de Lavagem, Os Espaços Manuelinos, Claustro de Santa Bárbara, Claustro da Hospedaria, Claustro de D.João III, Corredor das Celas, Claustro da Micha, Claustro dos Corvos, Antiga Casa dos Capítulo, Claustro das Necessidades, Portaria e Sala dos Reis, Aqueduto dos Pegões, Refeitório. 
É isto, deslumbrante.

Nem é preciso recuar muito no tempo e na história para verificar na sociedade portuguesa uma muito vincada tradição religiosa. 
No século XVI Portugal foi um dos países Europeus que reforçou a sua identidade católica e romana.
Práticas, vivências, ritos, romarias, expressões do sagrado.

Pode ponderar-se a religiosidade popular, a religião administrada.
Crentes, indiferentes, não crentes.
Entre a imensa bibliografia existente sobre Portugal, a religião na sociedade portuguesa através dos séculos, a questão da religiosidade, uma me merece realce: 
O Dicionário de História Religiosa de Portugal.

Creio inquestionável, para lá de alterações diversas a partir do início do século XX e não desconhecendo o intolerável abuso prosseguido designadamente por Salazar (uma só moral, uma só religião), que na sociedade portuguesa sempre existiu um factor religioso determinante, e maioritariamente católico.

Mas sempre existiram dinâmicas outras, minoritárias embora. 
Um dos exemplos, entre outros, que se pode referir é o passado nas Beiras (que conheço relativamente bem) onde sempre existiram sinais de aproximação entre ritualidades judaicas e cristãs. 
Belmonte e áreas próximas constitui exemplo típico.
Num tema complexo há religiosidade popular e há a igreja católica romana.

Entre muitas coisas mais, e passada que estão três meses de mais uma época Natalícia, tivemos  de novo as chamadas boas festas, o Natal, tradicionalmente a consoada a 24 de Dezembro, a missa do galo, tradicionalmente reunião da família, SIM da FAMÍLIA, FAMÍLIA.

Naturalmente, (naturalmente para mim), algumas coisas se foram alterando, há uns anos apareceu o pai Natal e as prendas.
Quando a minha idosa mãe (100 em 8JUL passado) era pequenita não havia pai Natal.

Mudou também, creio, a percentagem dos assumidos católicos que assistem regularmente aos actos de culto.
Mas onde quero chegar é que, e no respeito pelo outro que seja diferente de nós e designadamente na fé, porque carga de água não se há-de celebrar essa época que remonta a muito lá para trás?

Porque não hei-de continuar a ter uma árvore de Natal em casa quando ainda por cima há mais de 35 anos que não é de pinheiro natural, e portanto, respeito pelo ambiente e pela natureza?

Porque carga de água se quer (alguns) remover tudo o que se refere às tradições e ritos cristãos, como presépio na rua junto da igreja, etc.?

Porque carga de água devo desprezar, deixar de ouvir por exemplo as cantatas de Natal de Fernando Lopes Graça, um vulto enorme da nossa cultura? 
Ou as excelentes peças de música erudita de compositores diversos apropriadas ao Natal ?

Porque carga de água se estão a passar certas coisas (para mim inacreditáveis) em Portugal como aconteceu recentemente em certos locais no nosso país como aconteceu também em vários países da chamada Europa Ocidental? 
Cancelar isto e aquilo que era tradicional, para não ofender, ou como cautela por causa de atentados?

PORQUÊ ?
Porque pode ofender outros com fé diferente?
Mas a nossa fé e a fé deles têm de ser igualmente respeitadas.

Mas então ao virem para outros países, as sociedades de acolhimento têm de se descaracterizar para não os incomodar?

A seguir à questão de fé, os países de acolhimento também devem ponderar começar a integrar na legislação nacional por exemplo normas da "Sharia" e etc?

Salvo melhor opinião,  MULTICULTURISMO a existência de pessoas de outras culturas a viver em fraternidade aqui em Portugal. 

Deve significar o respeito integral pelas nossas leis, pelas nossas tradições, pelas nossas romarias, pelo nosso modo de vida. 
Quem chega tem de respeitar a organização do país, a lei, e sujeitar-se como todos nós às normas e regras vigentes. 
Que não têm de ser alteradas. 
E quem chega e tem fé diferente não têm que passar a ir à missa! E as manifestações do seu culto devem ser RESPEITADAS.

As questões de fé têm de ser respeitadas. 
Mas parece-me inaceitável não respeitarem a minha. Desrespeitam-na ao forçarem mudar, cancelar.
A minha fé não é melhor ou superior a outras, é apenas diferente. 
Todas têm de ser respeitadas

Sociedades pluriculturais coexistiram em todas as épocas. 
E assim deve continuar.
Multiculturismo é, também, resistir à homogeneidade cultural. 
Não se tem de passar a ser budista, ortodoxo, muçulmano, xintoísta, ou cristão, etc.

Mas a celebração do Natal, por exemplo, incomoda?
Até aos anos 90 do século passado, em Portugal, incomodou os portugueses agnósticos e ateus, ou os estrangeiros que sempre cá viveram? Francamente!

Na Síria, Irão, Iraque, Líbano, Egipto, Arábia Saudita, Indonésia, etc. alteram alguma coisa porque possam existir umas centenas de cristãos a lá residir? 
NÃO, obviamente que não alteram, não cancelam nada.
Não deixam de praticar o que lhes é tradicional e está na fé deles há séculos.

Em cada país, as leis internas têm de ser respeitadas. 
Respeitadas por todos, os do país, e os estrangeiros visitantes, turistas, residentes, venham a ter ou não nacionalidade do país que escolheram para viver. 

E quem o escolhe para viver de futuro, deve aprender a língua do país. É a minha opinião.

É só isto, e não tem nada a ver com o execrável (opinião pessoal naturalmente) Ventura e seus centuriões.

António Cabral (AC)

domingo, 5 de abril de 2020

quarta-feira, 1 de abril de 2020

segunda-feira, 23 de março de 2020

P E N T A T E U C O
Pentateuco abrange e designa a primeira parte da Bíblia, que foi dividida em cinco partes/ livros, Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuterónimo.
Os "70 ou 72" assim arrumaram e organizaram, dando os nomes em função do assunto.
Génesis, a origem, por narrar a origem do mundo e do homem e ainda do povo Hebreu.
Êxodo, porque cobre sobretudo a saída do Egipto.
Levítico, por se ocupar da regulamentação do culto então confiado à tribo de Levi.
Números, trata do recenseamento do povo e dos Levitas.
Deuterónimo, o livro que encerra vertentes da lei.
Já os Judeus designaram cada livro pelas primeiras palavras de cada um e ao conjunto chamaram "TORA", a lei.
AC

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

CONCORDO,  MAS.......
Papa: "Não há violência que possa ser religiosamente justificada"
Mas ia jurar que é exactamente o que acontece há séculos, violência atrás de violência, grande parte da qual tendo por trás questões de fé.
Basta por exemplo olhar agora para os últimos 30 a 40 anos, em várias partes de África, Ásia, Médio e Extremo Oriente, para ver que a coisa não está muito diferente. 
AC

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Laicidade
Vital Moreira não perde uma para desancar António Costa e quejandos; por exemplo o secretário da Defesa no Domingo estava com ar muito laico. O que Vital Moreira não refere é que António Costa nunca iria deixar o palco apenas para o PR. Que se lixe a coerência, o laico, importa o votozinho.
AC
Laicidade
Publicado por Vital Moreira
Pior do que a instrumentalização religiosa da política é a instrume
ntalização política da religião.
Quando ela é feita por não crentes, ao abuso junta-se a hipocrisia política.

Adenda
Para além de ser um óbvio contrassenso, a ideia de que, apesar de o Estado ser laico, o poder político pode participar em cerimónias religiosa é puro farisaísmo político. Por este andar, ainda vamos voltar a ver o Estado a encomendar missas de ação de graças e a mandar benzer as obras públicas...

Adenda 2
Quando a esquerda se satisfaz com resultados económicos e sociais, o resultado é o esquecimento dos valores que sempre lhe deram sentido, como a laicidade, em nome da neutralidade religiosa do Estado e da igual condição de todos os cidadãos independentemente das suas opções religiosas.

Adenda 3
Como sempre, as "facadas" na laicidade foram dadas em nome do "respeito pelos sentimentos religiosos do povo". Mas o maior desrespeito dos sentimentos religiosos de quem os tem consiste em pensar que eles precisam do paternalismo religioso do Estado ou do aproveitamento oportunista do poder político.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A propósito da liberdade de consciência, de religião e de culto
A CRP, no nº 4 do seu artº 41º estipula - "As igrejas e as outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto".
No nº 5 do mesmo Artº estipula-se a liberdade de ensino de qualquer religião.
Parece-me correcto, nada contra.
Acrescento, que eu saiba, a esmagadora maioria da população portuguesa é católica, Basta viajar pelo Continente e pelas ilhas para verificar a imensidão de igrejas que estão implantadas.
Portanto, formalmente, separação das confissões religiosas do Estado.
A meu ver isto devia impedir que os governos e ou as câmaras municipais entrassem com um cêntimo que fosse para manutenção de igrejas.
Naturalmente, como a vida não é preto e branco, nada me repugna que em determinadas circunstâncias a igreja católica portuguesa seja ajudada aqui ou ali na manutenção de alguns templos. Para além disso, alguns são majestosos monumentos, património muitas vezes único. Acho portanto muito bem.
Falo assim de uma necessária avaliação equilibrada das coisas e caso a caso, e que não deve ser a norma. Parece-me adequado, dado o lastro da nossa história.
Quando falo da manutenção das igrejas, não coloco à parte eventuais necessidades de apoio à mesquita em Lisboa, etc.
Mas já me parece que será desrespeitar totalmente a CRP, e com grande estrondo, uma eventual construção de igreja ou de uma mesquita a cargo do Estado, representado seja por quem for. 
À luz da CRP, creio bem que o OE não deve contemplar rubricas para esse fim.
Mas, pelos vistos, parece que também nesta matéria os políticos desavergonhados que temos prosseguem, inchados e balofos, com o seu populismo, a sua cobardia, a sua inultrapassável pouca vergonha. Cumprir a CRP? Ah...ah...ah.....
AC
(actualizado ás 1810)