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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CATÁSTROFE
PACOTE de APOIOS,  RESULTADOS
Onde estão os Resultados?

A 28 de Janeiro passado começou a desabar sobre Portugal uma catástrofe das piores até hoje.
Começou a desabar sobre centenas de milhar de portugueses uma TRAGÉDIA incalculável.

Creio que a 26 de Janeiro se estimava já com segurança a chegada de horríveis tempestades, comboios de chuva, e outras coisas com nomes estranhos.
Explicações científicas várias, que pouco ou nada dizem a 99,5 % dos portugueses.

A partir dessa data desabaram realidades brutais, como inundações brutais, cheias brutais, destruições brutais, desabamentos e desmoronamentos vários por todo o lado, mortes trágicas de vários portugueses, telhados desaparecidos, telhados parcialmente destruídos, casas arrasadas, empresas/ fábricas/ armazéns/ edifícios diversos arrasados ou parcialmente destruídos, animais mortos, estradas parcial ou completamente destruídas, bens das pessoas totalmente destruídos, etc. etc. etc. etc.

A 2 de Fevereiro passado ou seja 7 dias depois, o governo formalmente em exercício de funções anunciou um pacote de apoios para pessoas e empresas no valor de 2,5 mil milhões de Euros.
O governo anunciou também a criação da uma Estrutura de Missão liderada pelo autarca Paulo Fernandes. 
Uma estrutura a juntar às anteriores, a juntar a estudos, a juntar a grupos de trabalho, a juntar a comissões, a juntar a "task forces", a juntar ao esterco habitual. O costume!

No dia 8 de Fevereiro António José Seguro passou de cidadão candidato a Presidente da República eleito.
Na noite vencedora, no seu discurso de vitória, que globalmente me pareceu um discurso equilibrado, o Presidente eleito declarou que logo que empossado irá ver se os apoios começaram de facto a chegar às pessoas.

Nas vésperas de 8 de Fevereiro, Luís Montenegro anunciou o número de empresas que já tinha acedido / que já se tinham inscrito para os apoios.

Em 11 de Fevereiro o Presidente eleito começou a trabalhar em Queluz certamente com pelo menos dois objectivos: 
- fazer convites, construir/ estruturar as suas casas civil e militar,
- ir anotando tudo o que se está a passar no país, com o governo, com os partidos de oposição, com as instituições, e delinear as suas acções designadamente para as primeiras semanas como Presidente, e lá para 6 de Março começar a esboçar o discurso de posse.

Em 11 de Fevereiro, todos os políticos excepto os do PSD, começaram a clamar - onde estão os apoios passados que estão 9 dias sobre o anúncio do pacote de apoios?

Em 11 de Fevereiro, todos os políticos excepto os do PSD se regozijaram com o pedido de demissão da inarrável ministra da administração interna. 
Todos eles se regozijaram com a evidência por eles detectada de que o governo falhou, está a falhar. 
Quanto a alguns quase me fica a sensação que se regozijaram com as desgraças alheias e o falhanço do Estado/ governo/ proteção civil.

Em 11 de Fevereiro, começaram a ser mais verbalizados na praça pública as iras as zangas e as perguntas como, onde estão os resultados? 
Quem é que já recebeu os apoios prometidos, qual o valor pago e executado? 
Quantas casas já foram reconstruídas? 
Ou quantas empresas já aderiram ao lay off simplificado? 
Quantos empregos foram preservados? 

Estas respostas são necessárias, dizem alguns. Serão.
Perguntas certamente legítimas vindas até de pessoas usualmente moderadas (incluindo jornalistas como Luís Rosa) na apreciação das coisas, pondo de lado ideologias e sectarismos.

Esta é a cronologia até 11 de Fevereiro, dia em que um dique no Mondego colapsou.

De 11 de Fevereiro até ao presente houve a angústia em Coimbra e para jusante, que não se concretizou, começou a chover menos, as populações angustiadas a confirmar as enormes perdas.

Agora alguma observações.

Já o escrevi aqui antes, creio que o governo reagiu tarde, e presumo que sobretudo por responsabilidade directa da senhora ex-MAI, mas Luís Montenegro devia ter tido mais "olho". É formalmente o primeiro responsável. Parece que se esquece muito disso.

Outras observações:
* Marcelo e governo nitidamente atarantados com a dimensão da tragédia a que os acontecimentos em Alcácer do Sal Leiria Coimbra e Montemor-o-Velho deram acrescida dimensão; daí, também, distribuir garrafas de vinho com "obrigado".

* a presidente da Câmara de Coimbra mostrou-se nesses momentos  avassaladores uma competente dirigente, sem papas na língua,  moderada, assertiva, pragmática.

* os seus camaradas de partido, Carneiro, Delgado Alves, Brilhante, e outros devem ter ficado irritadíssimos com o que ela disse, com frontalidade, acerca da acção e colaboração do governo.

* os seus camaradas de partido como um certo Pinto ainda mais irritados devem ter ficado quando ela disse que o Exército e os fuzileiros a contactaram directamente logo de início.

* a fazer fé em dois ex-bastonários da ordem dos engenheiros em que um deles foi até dirigente máximo do importante mas esvaziado LNEC, e se não me engano em reproduzir o que ouvi da boca deles, em 2001 a extinção do Instituto da Água é capaz de ter sido errada.

* mais errado ainda outra coisa, que a "obra" do Mondego (dezenas e dezenas de Km de diques e outras infra-estruturas), não tenha uma gestão idêntica à existente por exemplo em Alqueva; pior ainda, que rupturas de 2021 não tenham originado uma avaliação séria de todo esse sistema.

* eloquente que no "sistema" muitos dos ditos sifões estejam basicamente inoperacionais porque entupidos!

* pelas notícias, há já uma lista imensa de pedidos de ajuda no âmbito dos apoios para já definidos; mas a realidade é que as coisas demoram tempo. As seguradoras a fazer a análise da activação dos seguros, demora desesperante mas creio que não deve ser fácil fazer esses relatórios, pois por exemplo, um telhado destruído porque era antigo suportado em vigas de madeira, é razoável que seja recuperado com  estrutura de metal leve como actualmente se faz em muitos casos e, portanto, é necessário quantificar custos e verificar se a casa aguenta a nova estrutura.

* O que quero dizer com o exemplo acima é que é forçosamente  demorado fazer a avaliação técnica para recuperar com os materiais  actuais casas, armazéns, estufas, fábricas, muros etc.

* A destruição (nada comparável com as tragédias que são triste notícia há mais de 15 dias nas TV) que tenho observado em partes dos concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova é elevada, em muros, postes, sinalética diversa, cablagens de comunicações, linhas de transporte de energia, danos e buracos em ruas e estradas, arvoredo, propriedades agrícolas. 

* A contabilização final/ total dos prejuízos do Minho ao Algarve será certamente monstruosa.

Finalmente e por agora, a burocracia no Estado é de facto coisa terrível, tremenda mas, por outro lado tem ensinamentos curiosos: houve quem estivesse em calamidade há pouco mais de 15 dias, mas a calamidade já passou.

Não levem a mal, mas não por ser Carnaval, não levem a mal porque é Portugal

António Cabral (AC)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Coimbra, MOSTEIRO de SANTA CLARA-a-NOVA

Visitei-o em 2019. Fabuloso. Património formidável.

Novamente ALAGADO. Infelizmente. Um simplório diria - são pedras!

De facto, comparado com o que se está a passar nas zonas de Coimbra e Montemor-o-Velho aí sim, dramas horríveis para centenas /milhares de portugueses. Oxalá os diques no Mondego não estoirem

AC

INCOERÊNCIA  e  os  sem VERGONHA
Abateu-se sobre imensas regiões de Portugal Continental uma tragédia desenhada pela mãe Natureza. Começou a 28 de Janeiro p.p., continua no dia de hoje, prosseguirá mais uns dias.
Consequências? Terríveis! 
Consequências que perdurarão não por meses, porventura anos.

Creio que não estou enganado: antes de 25 de Abril de 1974 o caudal do Mondego e do Douro por exemplo não estavam relativamente controlados por barragens e diques como no presente.

Idem para certos diques no Tejo, que minimizam inundações a jusante de Abrantes e Santarém. E barragens.

A realidade é que a situação é tão gravosa que se coloca neste momento o risco sério de diques no Mondego colapsarem. COLAPSO.

Mesmo com barragens e diques, se a mãe Natureza se zanga  anormalmente os resultados são maus apesar de todo o esforço em controlar as águas.
Porque falta muita coisas e a hidrologia.
Porque designadamente o Douro e o Tejo nascem em Espanha, país vizinho com o qual apesar de tudo parece haver protocolos e  procedimentos harmonizados connosco para a operação coordenada das barragens nas épocas em que a natureza fica demasiado zangada.

Mesmo com anos de maior controlo dos caudais, as zangas iradas da natureza não se compadecem com as bacoradas dos humanos e no concreto com as bacoradas de muitos portugueses, responsáveis (formalmente) diversos e nomeadamente titulares de órgãos de soberania e cidadãos comuns.

A começar em alguns concidadãos, ignorantes, arrogantes, e inconscientes, que entendem que - no meu terreno faço o que me apetece, construo onde me apetecer.
"Maria, olha aqui, a poucos metros da água podemos fazer uma casinha, ficamos com uma vista porreira, posso pescar e depois se podermos compramos um barquito à vela!

Licença camarária? PDM? Etc. Era só o que faltava.

"Zé, tá li um fiscal"  . . . . 

A questão dos PDM e do papel das autarquias no edificado português devia ser avaliado no âmbito do que creio vai ser trabalhado face à catástrofe que se abateu sobre Portugal.

Voltando às barragens, a construção de barragens sempre tem sido depois do 25 de Abril um tema "querido" dos "fracturantes" e dos "inconsequentes".
Algumas dessas criaturas chatearam anos a fio. 
Só patetas, burros, ignorantes, insensíveis (deveria escrever sem empatia?) ou gente movida por interesses obscuros defende barragens.
Creio que essa posição é profundamente errada, mas registei essas posições e continuo a delas discordar.

Pessoalmente creio que foi uma medida acertada não construir a barragem que destruiria o vale do Coa.
Mas estou convicto de que o país devia ter mais barragens, nomeadamente para retenção de águas, e concretamente em certas áreas do Alentejo e no Algarve.
Admito, como sempre, estar a ver mal o assunto.

Repugna-me o que tem sido defendido por certa gente.
Mas repugna-me mais ainda o imobilismo de anos dos poderes públicos e nomeadamente do PS sempre pronto a imobilizar-se perante os das fracturas. 

AC

sábado, 7 de fevereiro de 2026

INFORMALIDADE, SECTARISMO, FINGIMENTO
António José Seguro - Aconteceu a tragédia a partir de 28 de Janeiro p.p. Seguro praticante deixou de fazer a campanha clássica, começou a aparecer pouco, aqui e ali, sem convocação esmagadora da comunicação social, mas obviamente a comunicação social sabia, estava avisada e, provavelmente, solicitada para que que fossem poucos. Além disso, Seguro passou a andar quase sem "Entourage".
Fez muito bem, na minha opinião.

Luís Montenegro - Penso que não imaginou a dimensão da tragédia. Não sei se minimizou as coisas ou não. Ele, conselheiros, assessores, ministros e secretários de Estado. 
A sensação que tenho é que se demorou na reação. 
Depois, Montenegro apareceu em dois ou três locais, apercebeu-se da dimensão da tragédia, presumo que pelo menos ele sobrevoou muitas das zonas alagadas, sobrevoou Leiria, Montemor-o-Velho, Alcácer do Sal, etc.
Pelo que me apercebi, Montenegro fez nas últimas horas pelo menos uma visita surpresa isto é, sem convocar imensa comunicação social, deve ter avisado em cima da hora.

André Ventura - Comparativamente, ainda aumentou mais os números. Não vale a pena perder tempo.

Marcelo Rebelo de Sousa - com aquele seu ar compungido que não duvido seja verdadeiro e sentido, tem andado por zonas da destruição. Ao princípio dando facadas no governo, nas últimas parece que manifestando satisfação por medidas anunciadas pelo governo.

EU - sou apenas um comum e simples concidadão reformadíssimo.
Na minha qualidade de avô já não tenho grandes possibilidades para aventuras de solidariedade para ir para zonas atingidas tentar ajudar, pois a idade já recomenda cuidados com o frio as chuvadas etc. 
É a realidade da vida, respeitar as condições de vida, ter atenção às minhas possibilidades físicas. 
Em espírito sofro com o que vejo pelas TV. No espírito estou um bom bocado macerado.

Olho para o que acontece e olho para estas 4 pessoas acima. 
Em regra quase não vejo TV. 
Infelizmente a mãe natureza levou-me a ver alguma TV desde 28 de Janeiro, a gastar tempo relevante a ouvir e ver trágicas notícias. 
E a ouvir barbaridades e vacuidades, e a assistir ao desespero e angústias de concidadãos. Corta fortemente o coração.

Admitindo como sempre que posso estar a ver tudo mal, que posso estar a ser injusto,  considero que Seguro, legitimamente, continuou a fazer campanha, mas alterou o formato, fazendo rodear-se de quase zero "Entourage", e pouca comunicação social.
Do meu ponto de visto, decentemente, e considero que fez bem, e não tem andado pelos sítios mais devastados, pois terá tempo para isso como Presidente da República.

André Ventura, como digo acima, prosseguiu na mesma senda. Passo à frente.

Luís Montenegro, legitimamente, como PM, andou nas últimas horas a visitar um ou outro local, sem aparato de séquito, o que fez bem. Nestas coisas, em Portugal como em qualquer outro país no chamado mundo Ocidental, o poder aparece sempre, passeia muito, é a política do século XX em diante. Nuns casos há exageros, em outros não tanto. Cá e lá fora.

Isto dito, para a esquerda caviar dos salões e dos corredores do poder, o que refiro sobre a alteração que Seguro promoveu e bem após 28 de Janeiro é louvável e nenhum jornalista andou atrás dele.

Estas chamadas visitas surpresa de Luís Montenegro porque foi referida por alguma comunicação social isso já leva uma canelada com comentários do tipo - jornalismo amigo ou feliz.

Claro que em tudo isto não há sectarismo algum, NÉ ?

AC

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

TRAGÉDIA, CALAMIDADE, DESGRAÇA, MISÉRIA

A calamidade foi definida para aqui.

Mas a realidade é INFELIZMENTE bem mais trágica.

Os danos (e vamos ver as consequências por mais dias de tempo mau) com incidência maior naquelas zonas, mas por toda a parte do Continente face, 

às chuvadas, 

às descargas de barragens, 

aos rios e ribeiras transbordados, 

às casas alagadas e destruídas, 

às fábricas destruídas, 

aos carros e outras viaturas destruídos,

aos edifícios do Estado danificados, 

a mais desabamentos e crateras em estradas, 

à incúria, desleixo e irresponsabilidade (autarquias) em se construir em zonas baixas perto de água, ou em zonas perto de arribas (i.e. Caparica), 

à incompetência de muitos que não só os governantes,

são de certeza incomensuravelmente superiores ao que hoje 5FEV podem parecer.

Basta pensar em todos os locais atingidos ainda hoje por cheias e inundações, em todos os locais onde a ventania prossegue, onde no âmbito hortícola, agrícola e empresarial há devastações enormes (i.e. Alcácer do Sal, distrito de Castelo Branco).

Mas como diz uma inarrável criatura - "gastem o dinheiro do mês de Janeiro e esperem que chegue ajuda".

AC