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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Incêndios: Seguro pede mais prevenção e Neves diz que reparos são alerta para pensar e corrigir.
Primeiro, o Presidente da República falou, na Guarda, sobre incêndios, a seguir, o ministro da Administração Interna reagiu, em Mirandela. 

António José Seguro insistiu na necessidade de reforçar a prevenção e a capacidade de resposta das autoridades e dos meios de socorro perante os incêndios. 

Mas criticou, sobretudo, a inacção dos sucessivos governos desde 2017. Disse que “muito ficou por fazer” na sequência dos incêndios desse ano e defendeu uma acção mais eficaz na prevenção e na resposta a situações de emergência.

Oh Costa, já viste como ele é injusto sobretudo para contigo, que apenas governaste (??) entre início de 2016 e as eleições em 2024, ou estou enganado?

AC

domingo, 26 de julho de 2026

COM  AS  TRAGÉDIAS  DOS  INCÊNDIOS  POR  CÁ  E  NOUTROS  PAÍSES  NA  EUROPA  CADA  ANO  QUE  PASSA  MAIS  CONFIRMA  O  ESTADO  EM  QUE  ESTAMOS  QUANTO  A  ALTERAÇÕES  CLIMÁTICAS  E LEMBREI-ME  DISTO.


AC

quinta-feira, 9 de julho de 2026

INCÊNDIOS  À  PORTUGUESA

A propósito do que depois de 1974 ano após ano nos "assalta" cada vez mais, Henrique Pereira dos Santos (HPS) voltou a dar uma opinião sobre o assunto.

Dizem-me décadas de experiência de vida que é difícil alguém ter 100 % de razão em determinado assunto.
Salvo melhor opinião estou convencido de que HPS tem razão em muitos aspectos inerentes ao "mundo" dos incêndios.

Uma das vertentes que aborda é a história das ignições noturnas. Poderá ser exagerada a culpabilidade deles para todos os incêndios, mas o historial dos últimos anos mostra que incêndios nocturnos ocorreram com ignições separadas, pouco espaçadas no tempo e espaço, passado pouco tempo de se estar a começar a combater num local. 

Sublinho a vermelho outros aspectos em que me parece HPS tem alguma razão.

António Cabral (AC)


A COLIGAÇÃO (HPS), 08 jul. 2026
É a coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo que tem mantido um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos

Imaginemos que um Ministro da Administração Interna, de qualquer governo ou partido, olhando para as previsões meteorológicas, se estava nas tintas para o esquizofrénico esquema de alertas que usamos e, falando com quem sabe do assunto, resolvia dirigir-se ao país, dizendo qualquer coisa deste tipo:

Dentro de dois dias entra vento forte de Nordeste e Leste que está associado a condições especialmente favoráveis à progressão do fogo, de maneira que nas regiões tal e tal, onde o FWI previsto é tal e tal,
qualquer incêndio que ocorra, havendo combustível, rapidamente está para lá da capacidade de extinção.

Pedimos especial cuidado para evitar o uso do fogo, quer intencional, quer resultando do trabalho normal que vai havendo,
mas sabemos que não há maneira de eliminar todas as ignições.

Assim sendo, e durante X dias em que se prevê que o vento esteja forte a muito forte e estas condições se mantenham,
haverá, inevitavelmente, fogos incontroláveis, provavelmente de grandes dimensões.

Durante esta crise de incêndios, que provavelmente será muito séria, os instrumentos de gestão que temos são muito escassos, exigindo informação, preparação, disciplina e, em muitas circunstâncias, a consciência de que o essencial não é atacar frentes de fogo que estão para lá da capacidade de extinção, mas trabalhar as laterais e oportunidades de redução de combustível no percurso previsível do fogo.

Estas oportunidades podem estar a vários quilómetros das frentes de fogo, para dar tempo para se executarem as operações de redução de combustível que permitam, quando a frente aí chega, reduzir a sua intensidade e permitir o ataque, tentando controlar projecções.

Nem sempre será possível ter êxito e é provável que haja incompreensão das populações afectadas pela progressão da frente de fogo ao verificar a ausência de combate imediato e a concentração dos recursos em áreas que, aparentemente, estão longe dos locais em que parece que seriam necessários, mas este tipo de actuação é o único passível de gerar resultados em condições meteorológicas e de acumulação de combustível como as que se verificam, havendo instruções muito claras de evacuação de todas as pessoas que se prevê que possam ficar em risco com a progressão das frentes de fogo.


O ministro teria dito o que deveria ser dito, mas nas semanas seguintes deixaria de ser ministro, tal seria o clamor que se levantaria contra um ministro que em vez de dizer inanidades sobre ignições nocturnas, comportamentos das populações, posicionamento de meios, reforço de meios aéreos, heroicidade dos bombeiros, esforço altruísta de tantos homens e mulheres, aumento dos milhões alocados aos fogos, resolvesse descrever a realidade com a consciência de que o fogo, em algumas circunstâncias, progride de uma forma que está para lá na nossa capacidade de o controlar, quaisquer que sejam os meios que tenhamos à nossa disposição.

A oposição política, o poder autárquico, as associações de bombeiros e o meio mediático cairiam em cima do ministro com o argumento de que aos ministros não cabe arranjar desculpas para o falhanço do Estado na gestão de incêndios, cabe é resolver os problemas das pessoas.

E é a mesma coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo, que tem permitido o crescimento impressionante dos recursos que todos os anos o país dedica ao assunto, sem qualquer evidência de que esse aumento de recursos tenha qualquer relação com os resultados que vão sendo obtidos.

É esta coligação que tem mantido, quase sem alterações, um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos e que se poderia ilustrar com uma história cuja veracidade e rigor não sei aferir, mas que, se for inventada, terá sido por quem conhece bem o meio.

Proporcionou-se uma viagem de troca de experiências com bombeiros canadianos na gestão de fogos, esperando-se que as chefias portuguesas dos bombeiros conseguissem absorver conhecimento e técnica de combate a fogos florestais num dos países com melhores desempenhos nessa matéria, até por ter, incêndios de dimensões inimagináveis em Portugal.

Quando perguntados sobre o seu grau de satisfação com o que teriam aprendido com os canadianos, a resposta foi lapidar: havia uma satisfação muito grande com a quantidade de coisas que tinham ensinado aos canadianos.

Como não avaliamos o suficiente e temos a certeza de ser os melhores do mundo (“nunca um incêndio ficou por apagar”, nas imorredoiras palavras de Jaime Marta Soares), vai mesmo demorar muitos anos antes que seja possível outra doutrina, outro modelo político, de gestão de fogos florestais em Portugal.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

17  JUNHO  2017 

Nesta data começaram os trágicos incêndios de Pedrogão Grande.

A maioria dos meus concidadãos liga pouco ou nada a muitas das  realidades da nossa sociedade, a designada vertente interna.

Estou convencido que a esmagadora maioria dos meus concidadãos estará mais interessada na bola do que ponderar este dia e o que daí para cá aconteceu e o que foi modificado.

Aconteceu, por exemplo, que os incêndios continuaram nesse e nos anos seguintes.

Aconteceu que nesse primeiro e trágico incêndio perderam a vida dezenas de concidadãos, dezenas de famílias ficaram destroçadas e, se não estou errado, a culpa voltou a morrer solteira.

Aconteceu a mudança forçada da patética MAI que existia em 2017.

Aconteceu que Marcelo então PR tirou muitas fotografias e foi muito fotografado com pessoas que sofreram perdas irreparáveis.

Aconteceu que Marcelo e Costa continuaram amicíssimos e daí segundo mandato de Marcelo.

Aconteceu que houve muitas promessas e criação de pelo menos uma comissão para estudar a coisa.

Aconteceram várias coisas, com os meios aéreos, a contratação e a sua fiabilidade.

Aconteceu que, SURPREENDENTEMENTE, o SIRESP falhou rotundamente.

Aconteceu que o SIRESP nunca mais falhou . . . perdão, parece que voltou a falhar variadas vezes. Parece até que não pára de falhar.

Aconteceu que Marcelo cumpriu o 2º mandato sem se demitir, como a  dada altura se temeu (???).

Aconteceu que o chefão dos bombeiros durante anos a fio saiu, e o ex -ASAE tomou o seu lugar.

Aconteceu que o SIRESP . . . ah, já tinha escrito.

Aconteceu que quanto a meio aéreos nunca mais até hoje  . . . . não, afinal parece que subsistem problemas, dívidas, dúvidas, processos etc.

Aconteceu que Costa continuou a tratar da vidinha como sempre fez.

Aconteceu . . . ACONTECE que o presente é completamente diferente, do de 2017, NÉ ?  

POIS . . . . 

Bom dia, tenham uma boa 4ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

sábado, 10 de janeiro de 2026

A PROPÓSITO de INCÊNDIOS e POLÍTICOS 

Na sequência dos incêndios de 2017, um bom amigo integrou um grupo de investigadores e estudiosos sobre o nosso território, e estudaram o assunto. Depois de muitas reuniões, estudos e visitas, redigiram um manifesto. 

Presumo que os governos de Costa e seguintes pouco lhe têm ligado. As últimas notícias dizem-me que prossegue a rebaldaria sobre contractos para aeronaves para combater incêndios e até se fala nas notícias em cunhados conhecidos. O costume.

Este meu bom amigo entendeu voltar a ler o manifesto para o qual contribuiu, e resolveu republica-lo na sua conta de "Facebook", face ao que se vai e não vai passando e face aos mega projectos de centrais fotovoltaicas. O meu amigo passou-mo (só tenho este modesto blogue) por correio electrónico e aqui fica. 

Sublinhados são da minha responsabilidade.

António Cabral (AC)


Incêndios, territórios e fragilidade económica e social:
Pensar o país inteiro


Este texto constitui o contributo de um conjunto de investigadores de várias
disciplinas que se dedicam a estudar a sociedade portuguesa dando especial
atenção às questões dos territórios, da floresta, da agricultura familiar, do
desenvolvimento dos espaços rurais, da administração pública e da
responsabilidade social e política. Ele resulta de uma mesa-redonda pública
realizada na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra no dia 3 de
novembro de 2017.

O que motivou esta reflexão foi a convicção de que os incêndios que têm
flagelado o país (em particular os deste ano de 2017) exigem uma tomada de
consciência clara da ligação entre a tragédia e a crescente fragilização e
deslaçamento de grande parte do espaço nacional, dos seus modos de vida e das economias que aí existem. Estamos perante um fenómeno complexo,
multidimensional, revelador de diversos problemas: das economias agrícolas, da floresta, dos espaços rurais, da paisagem, dos territórios não-urbanos, dos
próprios territórios dos núcleos urbanos fragilizados.


As propostas que aqui se apresentam reclamam uma ação integrada e estrutural
centrada nos meios rurais e na floresta, na agricultura,na paisagem e no
robustecimento das próprias economias de pequena e média escala urbana. Por isso, exige-se uma alteração radical do modo como o país tem tratado o seu
território, orientando-nos agora para a sua reconstituição como sujeito dotado
de capacidades produtivas e articulado entre si pela ação pública. 
E consequentemente assumem importância excecional os Programas Operacionais
do Portugal 2020, incluindo o PDR, que têm de ser chamados para o
financiamento das ações com efeitos a médio e longo prazos.

1. Intervir perante a urgência com sentido de longo prazo
O fogo em fúria transbordou da floresta e arrombou-nos as portas, não só em
locais remotos, mas em espaços urbanos de média dimensão, colhendo vidas e
meios de vida, florestas e matos, campos de cultivo e equipamentos fabris. Que
mais é preciso para despertar o país de uma prolongada complacência com
tendências económicas e demográficas tidas como inelutáveis de concentração
em polos de competitividade a par do abandono em territórios tidos como
marginais?

Se há catástrofes capazes de acordarem as consciências e o sentido da
responsabilidade coletiva, a que ocorreu este ano tem de ser uma delas. Os riscos
são demasiado visíveis para serem ignorados. A destruição pode impelir parte
significativa das populações diretamente afetadas, mais conscientes das
proporções do perigo e privadas de meios de vida, a procurarem refúgio em
zonas urbanas, supostamente mais protegidas. O impacto de curto prazo pode
assim somar-se cumulativamente às causas estruturais que estão na origem da
catástrofe, dificultando ainda mais as respostas de médio e longo prazos que
pressupõem sempre o povoamento do território.

Ao agir em consonância com aquilo que o sentido de responsabilidade exige, é
portanto essencial combinar duas linhas de ação: por um lado a intervenção
reparadora de urgência, capaz de regenerar – reerguer casas, fábricas e
equipamentos sociais, reflorestar terrenos, evitar danos colaterais, contendo
desta forma novos refluxos demográficos; e por outro lado a ação reformadora
de tempo mais longo, orientada para a correção de vieses estruturais locais
passiveis de solução e para a adaptação a alterações de alcance global,
nomeadamente climáticas.

2. Não há solução sem haver pessoas
O Portugal democrático criou uma visão redutora de urbanização e explorou-a
perigosamente. Deixou progredir a ideia de que tudo se podia basear em cada
cidade e que cada uma se bastava a si mesma. Descuidou-se a provisão pública
de serviços de bem-estar no meio rural e noutros pequenos meios e não houve
investimento criterioso. A melhoria da vida, da saúde, do trabalho e da educação,
assim como a facilidade de transporte ou o direito a férias e ao justo lazer não
foram relacionadas com a agricultura e com as outras atividades em espaço
rural.


Ora, as aldeias, os lugares ou mesmo casas isoladas não são sobejos
demográficos, dados sem significado. Esses concidadãos que nelas vivem, afinal,
quem são? São os “resistentes por opção”, os que tendo poder de escolha
optaram por ficar entre os seus e, desde então não mudaram o trajeto de vida.
São ainda os “resistentes por falta duma aberta”: filhos da terra presos por
amarras e que até agora não ousaram a fuga. Por fim, são também os “neo-
resistentes”, os recém-regressados à terra na qual nasceram ou cresceram. Após
a saída para a cidade (no país ou fora deste) e depois duma vida de muito
trabalho e pouco lazer, retornam à aldeia-raiz, da qual nunca se desligaram
afetivamente.

Ignorar esta gente que teima ficar onde ora está – in loco no meio rural - e
menosprezar novos moradores só agravará o risco social dos incêndios e cavará mais depressa a sepultura do país inteiro.
Reclama-se, pois, que as políticas públicas usem em todo o seu ciclo (da
concepção à avaliação) metodologias de ação que tenham em conta a perceção
dos problemas por parte dessas pessoas e que interpretem as resistências como
sinais de alerta para detetar e prevenir efeitos negativos de que não se tem
consciência.

3. Organização florestal, modelos de silvicultura e associativismo: a
sustentabilidade da floresta

A floresta está indubitavelmente no centro dos problemas e das ações a
desencadear. A propriedade privada e a sua fragmentação em unidades de
exploração de pequena dimensão, nomeadamente no Norte, Centro e em parte
do Sul do país, são predominantes. A rentabilidade negativa de muitos espaços
florestais para os seus proprietários explica grande parte do seu “abandono”,
situação que se tem vindo a agravar desde meados do século passado, embora
esses espaços continuem a gerar um benefício social positivo devido aos serviços
ambientais que prestam à comunidade e que a contabilidade negativa da sua
exploração não regista.


Do reconhecimento destes factos decorrem prioridades de políticas públicas
muito precisas, designadamente as que reorganizem a produção florestal através
do fomento de formas de gestão agrupada e que valorizem a multifuncionalidade
dos espaços florestais apoiando os produtores que se organizem nesse sentido. .
A tal finalidade devem afectar-se verbas do Fundo Florestal Permanente, através
de contratos-programa de médio prazo (sujeitos a avaliação independente),
complementados com recursos das autarquias locais, dos produtores florestais e
doutros agentes. O envolvimento ativo das autarquias, desejavelmente ao nível
intermunicipal, é essencial para a promoção dessas formas de gestão agrupada e
do papel positivo que elas devem desempenhar na execução de Planos Diretores
Municipais e de Planos de Defesa da Floresta Contra Incêndios.

Os contratos-programa fomentadores da gestão florestal agrupada devem
incentivar a capacidade de planeamento estratégico e participativo das
organizações que os promovam, e devem ser integradores das medidas de apoio
nesta área (ex. sapadores, ZIF, certificação, cadastro, fitossanidade,
aconselhamento técnico, formação e investigação, etc.).
A isto deve juntar-se a resolução dos estrangulamentos legais que permitem a
eternização das heranças indivisas e de formas de divisão da propriedade
dificultadoras da gestão ativa dos terrenos; assim como a disponibilidade de
instrumentos de natureza legal, fiscal e outros que evitem situações,
judicialmente comprovadas, de propriedades cujos donos são desconhecidos ou,
se se conhecem, têm comportamentos que prejudicam esse esforço coletivo.

4. Uma agricultura familiar sustentável: a base produtiva de territórios
vivos

Portugal tem um território muito diversificado e uma agricultura plural
constituída por um mosaico de sistemas agrícolas. A agricultura familiar tem
relevante expressão social, económica e territorial, pois representa 97% do
número total das explorações, ocupa 56% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU),
contribuiu com 42% para o Valor da Produção Total (VPT) e tem peso muito
expressivo nas Beiras, em Trás-os-Montes, no Minho e no Algarve, regiões de
baixa densidade que têm perdido população e com baixos índices de
conhecimento profissional e técnico. São também estas regiões que têm maiores áreas ardidas.


O Ministério da Agricultura dos sucessivos governos tem encarado a agricultura
familiar como uma agricultura residual, inviável do ponto de vista económico,

concedendo-lhe um apoio financeiro de natureza social, no fundo, uma política
sem perspectivas de desenvolvimento. A situação atual é de rotura, pois não é
possível encontrar soluções viáveis nas regiões em que predomina a agricultura
familiar com o modelo dominante de desenvolvimento que tem como referencial
a grande exploração - política que privilegiou cerca de 3% das explorações
existentes (as explorações de grande dimensão económica) onde se concentra a
maior parte dos investimentos e dos apoios aos produtores.

Existem alternativas, como bem o demonstram exemplos de regiões de outros
países europeus, onde a modernização da agricultura familiar aumentou a
produção, a sua valorização e melhorou as condições de vida dos agricultores,
investindo prioritariamente em inovação e investigação agrária aplicada, na
oferta de inovações técnicas e institucionais adaptadas a essas explorações,
suportada por financiamentos públicos.
O desenvolvimento da agricultura só é possível com a coabitação de dois
modelos, o da grande exploração e o centrado na agricultura familiar. A questão
é eminentemente política, pois está em causa a repartição dos financiamentos
públicos, dos investimentos, dos pagamentos aos produtores e dos modelos de
organização territorial e setorial para apoio ao desenvolvimento.

5. A floresta, o ecossistema vital e a valorização ambiental
Precisamos de uma floresta que assegure equilíbrio entre a função económica de produtividade silvícola e a conservação dos múltiplos recursos que formam o nosso ecossistema vital. São bens essenciais e muitos serviços que não
valorizamos: a qualidade do ar, a água, o solo que é o substrato da vida. Cuidar e
valorizar os ecossistemas florestais é condição de riqueza do país e qualidade de
vida dos portugueses, importando promover as espécies nativas e a composição
diversa da floresta.

Propomos um programa integrado de apoio às aldeias, cada uma delas entendida como uma comunidade; a adoção de novos modelos de governação, formal e informal, que aproximem as decisões públicas das pessoas e que propiciem
soluções mais integradas para os problemas específicos destes espaços socio-
territoriais; uma aposta persistente na sensibilização e formação das
comunidades para a prevenção das situações de risco; um compromisso pela
edificação de uma outra floresta, apoiada em novos modelos de silvicultura, na
conversão em paisagens diversificadas e na valorização dos matos e incultos; a
valorização energética da biomassa, que deve beneficiar do Plano nacional de
biorrefinarias proposto pelo governo no âmbito da reforma florestal

Por sua vez, às outras produções dos espaços rurais não é possível competir com as lógicas de distribuição e mercado que lhes são impostas. As pequenas
economias de escala local são assim condenadas às margens da viabilidade e as
explorações agrícolas remetidas ao abandono. O contexto daí resultante não
motiva a fixação de novos agentes. Importa transferir conhecimento e estimular
a inovação nos espaços rurais, tendo por base novas produções, novos modelos e
técnicas produtivas e uma base comercial mais justa para os respetivos produtos
e serviços.
É necessário que a contratação de fornecimento de bens e serviços que tenham
origem nos espaços rurais seja equacionada e formatada de forma diferente por
todas as entidades públicas que deles façam uso.

6. Refazer um território nacional deslaçado: escolher uma ordem
territorial e pensar o país inteiro

Temos de saber sob que ordem territorial se está a viver e que uso de território
se está a fazer. Esta é uma escolha essencial que tem de ser clarificada, não
podendo ser subtraída à consciência pública. As deliberações fundamentais
contidas no PNPOT-Programa Nacional da Política de Ordenamento do
Território, tomadas na Assembleia da República por unanimidade, têm sido
sistematicamente ignoradas ou contrariadas.
Os incêndios desde há muito e especialmente este ano, puseram a nu a enorme
fragilização de muitos territórios do país, de diferente natureza, e a crise
profunda da articulação e da solidariedade territorial em Portugal. As
comunidades rurais, as pequenas aglomerações urbanas e até as cidades médias
tornaram-se objetos esquecidos da política pública, que se refugiou em meras
medidas de descentralização para a escala municipal ou intermunicipal, ao
mesmo tempo que se afirmou um modelo de desenvolvimento unipolar, de
escala metropolitana e assente na concentração de recursos humanos, em grande parte precários e com baixos salários. Na nossa contemporaneidade, o país nunca foi tão desigual do ponto de vista socioterritorial.


Precisamos agora de garantir que se olha para o país inteiro – não apenas com a
razão da solidariedade, mas também como condição de eficiência. Para que se
possa ficar a viver e a trabalhar em economias que o próprio território organiza e
desenvolve é necessário fortalecer a malha urbana e articular as infraestruturas,
olhar para os espaços que habitualmente designamos rurais e vê-los como
lugares onde se pode desenvolver a produção e a valorização dos seus recursos e
dos seus habitantes, assumir a importância de haver interlocutores políticos de
escala regional e não apenas municipal ou intermunicipal, reconfigurar a
administração pública para que ela própria exista para o território e para agir em
nome dele. Chama-se a isto, desde há muito, desenvolvimento integrado.

7. Uma administração para o território: ação pública e capacitação
institucional

A administração pública está hoje mais desligada do território e dos seus
problemas. Múltiplas mudanças na organização e na vocação dos serviços
desconcentrados desfizeram a proximidade necessária e a organização de
competências técnicas e profissionais em sedes institucionais de base regional.
Prevaleceu a ideia de que à política pública bastava pôr recursos financeiros a
circular, difundir princípios e normativos (em geral de natureza europeia), e
definir as condicionalidades a que os atores devem obedecer para serem
“elegíveis” ou excluídos. Ora, continua a haver necessidade de conceber,
coordenar, executar e avaliar políticas de desenvolvimento dos territórios, sendo
essa uma missão da administração pública, tendo em conta as suas
potencialidades e os objetivos que o país lhe atribui.


O Estado não pode apenas descentralizar missões difíceis. Tem ele próprio de
assumir intervenções territorialmente integradas, fixar competências e
capacidades institucionais, definindo-se os níveis apropriados (NUTS II ou NUTS
III) de coordenação das ações relevantes. É neste contexto que podem ser bem
estabelecidas e reforçadas, a articulação e a maior cooperação entre o Governo e
as Câmaras Municipais.

16 Novembro 2017
- Agostinho Carvalho, Prof. Universitário (Jubilado)
- Américo Carvalho Mendes, Prof. Associado Católica Porto Business School;
Presidente Associação Florestal do Vale do Sousa
- António Covas, Prof. Universidade Algarve
- António Louro, Presidente Forum Florestal
- Armando Carvalho, Engº Florestal
- Helena Freitas, Profª Universidade Coimbra; ex-Coordenadora da Unidade de
Missão para a Valorização do Interior
- João Guerreiro, Prof. Universidade Algarve
- José Castro Caldas, Investigador Centro Estudos Sociais (UC)
- José Portela, Prof. UTAD (Aposentado)
- José Ramos Rocha, Engº Agrónomo; Gestor de empresas
- José Reis, Prof. Faculdade Economia (UC); antigo Presidente CCRC
- Manuel Brandão Alves, Prof. ISEG (UL) (Aposentado)
- Pedro Bingre Amaral, Prof. Insituto Politécnico Coimbra
- Pedro Hespanha, Investigador Centro Estudos Sociais (UC)
- Victor Louro, Engº Silvicultor; antigo Presidente Comissão N. Combate à
Desertificação

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

QUANTAS TROVOADAS SECAS FALTAM ?

Quantas mais trovoadas secas faltam para atear mais incêndios em Trás-os-Montes?

Enfim !

AC

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

DEMAGOGIA SECURITÁRIA
Eduardo Dâmaso
António Silva Ribeiro, ex-chefe máximo das Forças Armadas, explicou neste jornal, há dias, de forma cristalina, o que deve ser feito na gestão e comunicação política dos incêndios. É espantoso que tanto bom senso, conhecimento e racionalidade não faça parte dos manuais políticos. Também há dias, Carlos Farinha, diretor-adjunto da PJ e um dos mais especializados investigadores na matéria, há mais de 30 anos, disse uma coisa evidente que, no entanto, não é praticada: é aconselhável não legislar em cima das tragédias. Ninguém descarta a possibilidade de rever as penas dos incendiários, medidas de segurança e prevenção incluídas. Mas quem anda a gritar pelos 25 anos de prisão, como se fosse a panaceia que vai resolver o problema dos fogos, bem sabe que isso não é verdade. Deveria saber que a percentagem dos fogos causados por incendiarismo não chega aos 25 por cento. Deveria saber que, muito mais importante, é enfrentar os interesses ligados à contratação dos meios aéreos. Como se viu nas últimas buscas da PJ em maio, envolvendo empresas de gente com manifesta influência política ou oriundas do processo da máfia dos fogos, em Espanha. É aí, também na prevenção, na política florestal e na preparação do dispositivo, que é imperioso colocar músculo. Não na demagogia securitária, para português ver.

Um bom amigo remeteu-me este texto que já tem uns dias. No CM salvo erro.
Concordo genericamente com este texto.
Mas tenho algumas dúvidas.

Não é nada espantoso que passem décadas e muita coisa não esteja nos manuais políticos.
Desde logo a questão essencial - servirem-se dos cargos para que foram eleitos e nomeados, em vez de servirem a sociedade.

A gestão e comunicação política dos incêndios continua um desastre.

Discordo liminarmente que apenas 25% dos casos tenha origem em fogo posto. Ser difícil comprovar, encontrar nos matos os restos dos artefactos incendiários, não justifica esse número, e a persistência de ignições à noite ajuda a negá-lo.
Ou estou enganado?

Quanto aos demagogos e mentirosos que andam aí a fazer videos para se mostrar a transportar garrafas de água, o cerne da questão está do desastre de décadas de inação e políticas erradas dos sucessivos governos. Acresce a questão cultural /educativa que mais facilmente permite a crendice.

António Cabral

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Quase um terço dos incêndios começou durante a noite
Pelas 19 horas havia 75 ocorrências que juntavam 1349 operacionais. Calor deixa vários distritos sob aviso vermelho. Autarca de Vila Real diz que bombeiros estão cansados e pede mais meios.

Há dias era isto.
Hoje, nesta noite de 18 para 19 de Agosto?

AC

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

 


Visto da minha casa na aldeia de Monsanto.
Não, não são os de agora. São equivalentes, é de 2017.

Muitas semelhanças.
Incêndios brutais.
Muitas interrogações quanto a, meios de combate, coordenação  a nível governamental, coordenação a partir da proteção civil, coordenação no terreno, contratos para os aéreos, atitudes dos titulares de órgãos de soberania, etc.

Outras semelhanças? O mesmo tipo de gente, formalmente de cor diferente.

Outras diferenças?
Não tem havido, fotografias de Marcelo a abraçar idosos destroçados, nem sensatez e respeito por parte da governança.

Isto dificilmente tem conserto.

AC

domingo, 17 de agosto de 2025

sábado, 5 de outubro de 2024

Carta de Perigosidade de Incêndio Rural nunca entrou em vigor
A 13 de outubro de 2021 foi publicado o Decreto-lei nº 82/2021 que estipulava que “a cartografia de risco de incêndio rural compreende a carta de perigosidade de incêndio rural e a carta de risco de incêndio rural” e tinha como objetivo dividir em cinco classes (muito baixa, baixa, média, alta e muito alta) o território de Portugal continental, revelou o Diário de Notícias
.

Presumo que nunca entrou em vigor.
Aparentemente e entre outras razões, por contestação dos municípios.
A carta terá sido criada pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e teve apoios de grupos ambientais.

Enfim, é Portugal, não faz mal. 
Enquanto isso vendem-se cada vez mais casas entre 1,5 e 3,5 milhões de Euros, por exemplo no Norte.
Quem as compra? Isso, adivinharam!

É Portugal, não faz mal.
AC

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

PORTUGAL. INCÊNDIOS. AUTARQUIAS.

Voltando a isto.
A época estava a correr mais ou menos bem.
Alguns imaginavam que não haveria o dramatismo e tragédia de outros anos. Mas não.
Mau? Não, péssimo, e mais uma vez foi o costume.

Após 2017 o papagaio-mor anunciou que se demitiria se mais alguma vez sobreviesse tragédia semelhante. Creio que foi isto.
Uma "barata" andou mais que "barata tonta" até ser despedida.
O Intrujão-mor, por sua iniciativa directa ou por iniciativa de algum dos seus, mandou criar grupos, investigações, estudos, etc.
Resultados?

Na proteção civil muitas coisas foram acontecendo desde então.
Agora, entre outras recriminações (justas, injustas, demagógicas,  despropositadas) o inarrável ex-ASAE exigiu cabeças imoladas. 
Pelo menos uma. É capaz de não estar completamente fora da razão.
ETC.

Património destruí
do, hectares ardidos, mortes, feridos, figurões nos funerais. O costume.
 
Calamidade foi decretada, a somar às calamidades dos sucessivos deputados, governos, presidentes (da República e de câmaras municipais), juízes, forças de segurança.
Há danos irreparáveis. Tragédia humanas, outra vez.

A vida para as sumidades (???) gira à volta das sondagens, do clientelismo, da eleição seguinte, das eleições autárquicas e das legislativas. 
Corruptela nacional!

Vivem nas suas bolhazinhas!
Vivem em, Lisboa, Cascais, Quinta da Marinha, Porto, Coimbra, nos "resorts", nos condomínios, frequentam os bons sítios, as praias que ainda não sendo privadas tentam que o venham a ser, visitam as boas lojas (ourivesarias, marcas de automóveis "mais baratas", indumentária, antiquários, leiloeiras).

Falam muito em estratégia.
Falam muito em reformas.
Anunciam muito.
Falam muito.

E muito se tem aprendido, certo?

Por exemplo, e agora que há dias fiz mais uma ida à Beira-Baixa, é de ficar vaidoso e contente ao ver como estão por exemplo, as orlas de várias estradas nacionais e municipais. 

Dá gosto, é com regozijo poder registar o esforço e dedicação de autarcas diversos no cumprimento da lei quanto a limpezas, daquilo que é o combustível para os fogos, que arderia facilmente se não tivessem existido tais esforços e dedicação.

Foi tudo limpinho até final de Maio passado como manda a lei e tudo verificado pela GNR, verificado também nas propriedades privadas e, CLARO, em terrenos camarários, como se pôde comprovar na altura (31 Maio) e de que agora ainda se observam sinais evidentes desse excelente trabalho.

Ah, entretanto, como diz o povo, lá fizeram mais um número, de helicóptero, para "epater les Bourgeois". 
Portugal, pois claro.
AC

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

IRADOS, EXCITADOS MAS, com RAZÃO?
Do video . . . 
. . . . . o que anda a fazer . . . não faz nada . . . 5 anos depois não fizeram nada . . . . incompetência . . . o que vocês fazem . . . . . . . o Pinho . . . .
AC

sábado, 21 de setembro de 2024

INCÊNDIOS. RIGOR. ISENÇÃO.
Quando alguns escrevem que "Montenegro reinventa a roda e cria equipa de investigação que já existe" no meu entendimento estão a escrever com verdade. Nesta frase.
Porquê?
Porque do passado já existem grupos de trabalho ou coisa parecida envolvendo representantes pelo menos da PJ, GNR e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Formalmente "há muito que existe uma infra-estrutura de combate e investigação montada para investigar as causas dos fogos".
A PJ com os agentes do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, investigam as causas dos incêndios florestais. Investigam.

Luís Montenegro "admitiu criar uma «equipa especializada em aprofundar com todos os meios a investigação criminal à volta dos incêndios florestais".

Obviamente, que é Luís Montenegro o culpado "por os agentes do SEPNA/GNR «lutarem com falta de meios para o exercício das suas funções de investigação criminal, como se verifica por exemplo com a falta de botas ignífugo, cujo prazo de validade de cinco anos, está largamente ultrapassado, e sem que a GNR proceda à entrega de novas botas».

Adivinhem quem governou (???) de finais de 2015 a 10 de Março passado!

Quem escreve tão apressadamente coisas como as que acima reproduzo faz esse exercício por puro ódio ideológico. Esquece, rigor, verdade e isenção. Isso não interessa para nada como dizia o engenheiro (???) Sócrates.

Começo pelo homem agora na residência oficial de S. Bento.

Parece-me evidente que um estadista antes de anunciar uma dada medida devia ter pelo menos a competência mais o bom senso de mandar investigar se do governo cessante ou governos anteriores havia estruturas, mecanismos, organizações, que andassem a tratar de investigações sobre os incêndios florestais. 

Creio indesmentível que o não fez. Lamentável, e diz bem de como continuamos, e continuamos MAL.

Em 2021 parece ter sido "injectado" novo fôlego na equipa SEPNA / PJ / ICNF, um renovar de actividades/ objectivos, devendo os esforços dessa equipa continuar até ao final de 2025.

Mas voltando aos apressados a atirar-se ao actual PM basicamente porque sim, não deixa de ser igualmente muito lamentável que:

- não se insurgissem insistente e reiteradamente no passado pelas deficiências como as por exemplo acima apontadas e que tem um único culpado, António Costa e os seus governos; não tiveram tempo para virar a página por exemplo das botas para a GNR,

- que não se insurjam para que sejam publica e integralmente conhecidas as conclusões sobre os incêndios florestais de 2023, 2022, 2021, 2020, 2019, 2018, 2017.

É como estamos, é como continuamos, infelizmente.
António Cabral (AC)

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

ENTRE MUITAS OUTRAS COISAS . . . . 

Aqui está um eloquente exemplo de civismo (???) , de ausência de formação/ educação/ respeito, do Portugal contemporâneo.

Uma boa 6ª Feira, cuidem-se, saúde e. . . . muita pachorra para aturar isto tudo.
E mais não digo, . . . isso mesmo, . . . . pintassilgos não são pardais!
AC
 

A  PROPÓSITO  DE  INCÊNDIOS 

Duas notas breves:

- Em 2017 deram-se grandes tragédias, com os terríveis incêndios que mataram dezenas e dezenas de pessoas; particularmente três fotografias dessa época me ficaram na memória: duas, os abraços de Marcelo a um idoso em lágrimas e outra num abraço de consolação em que ampara a cabeça do então secretário de Estado da Administração Interna também  em lágrimas, e uma outra foto de uma barata tonta de ténis em zonas certamente ainda mornas. 
Barata tonta que ali o reafirmou como em outras ocasiões, mas há doutos da sua cor sem cartão do clube que muito a apreciam. Estão no seu legítimo direito.

- Para lá das imagens pungentes, trágicas, aterradoras com que as TV nos martelam, imagens que repetem à exaustão mesmo algumas de há três dias, "aprecio" o ar pungido de alguns responsáveis perante os dramas nos seus concelhos. 
Numa balança coloco o ar pungido que não é certamente fingido, mas no outro prato da balança coloco o que não fizeram nos seus mandatos (sim, lembrem-se que a regra é conseguirem lá estar 12 anos seguidos), quanto à limpeza de matos e bermas das estradas, quanto às casas clandestinas que deixam erigir, quanto ao abandono de terras e quando ainda ao cadastro nos seus territórios.

AC

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

OLHO . . . . OUÇO . . . . .

Acabei o pequeno almoço, estou com a chávena do café acabado de tirar, são 0930 quando olho o televisor, aqui sentado em casa, na aldeia, onde vim para em dois dias tentar resolver algumas pequenas tarefas de manutenção.

Olho o televisor e, saltitando entre os vários canais de notícias, observo, sem espanto, os inúmeros sinais de país do terceiro mundo. 

Idosos atarantados, olhares perdidos, pânico em muitos olhares, mangueiras de regar o quintal a querer apagar chamas, batidas nas chamas com arbustos, agentes da GNR a correr para um lado e logo a correr no sentido inverso, um civil camião tanque de água a ligar mangueiras, pessoas a fugir, baldes de água atirados para uma casa que ardeu completamente e continua a arder só com paredes exteriores de pé. 

Impotência generalizada.

Muitas imagens ilustram muito bem o estado de manutenção de florestas, matos, estradas, aldeias. Um abandono generalizado, descuido generalizado, tristeza generalizada, caos generalizado, "excelente" ordenamento territorial.

Olho pelas janelas e aqui o céu está carregado de nuvens, oxalá a meteorologia amaine e acabe por ser uma ajuda no sentido de menor calor e vento.

Ouço as notícias, calamidade formal anunciada para vários concelhos, mas a calamidade está um pouco por todo o lado, calamidade a cair em cima dos mais desfavorecidos, dos desterrados no interior há décadas abandonado, calamidade vergonhosa em muitas bocas que gostam de nos continuar a enganar.

Ouvi as notícias no rádio do carro quando ontem à noite vinha para aqui, e entre outras ouvi que iam escutar um por um das várias agremiações os ditos eurodeputados, e mal comecei a ouvir a Temido mudei logo para a música da Antena 2.

O costume, portanto.

Tenham uma boa 4ª Feira, cuidem-se, saúde.

António Cabral (AC)

terça-feira, 17 de setembro de 2024

PORTUGAL
O costume.
Os incêndios. 
O costume.
A miséria, a tragédia.
O costume.
Os negócios com os incêndios.
O costume.
Como em 2017 com os "rosáceos", supervisionam!
O costume.
Não devem tardar umas declarações do papagaio-mor.
O costume.
Desgraçado Portugal.
O costume.
AC

Isto acima escrevi há mais de 30 horas.
Estou sentado no sofá, acabado de almoçar, em casa, uma bela Lasanha.
E estava aqui a pensar, haverá neste momento algum distrito onde porventura não esteja alguma coisa a arder?

Lembrei-me do Algarve.

Será que os pirómanos, perdão, as alterações climáticas já repararam nisso?
Toca a atear fogos pela calada da noite, perdão, oh alterações climáticas provoquem lá um incendiozito! Só mais um!
AC 

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

O  COSTUME
E arde, arde, arde, arde, arde, arde, . . . . não devem tardar as explicações e irritações do senhor ex-ASAE e outros do mesmo calibre, e entretanto . . . oh Europa venham cá ajudar.

E isto com uma estimativa de que fogos com este vento seriam dois dias.
Se fossem mais dias . . . .

A pedido da minha mulher vim à sala olhar o televisor: imagens dantescas e obviamente identificativas de país do terceiro mundo.

Claro que os ditos "importantes" (????) falam (e mentem), comportam-se e levam a vidinha à moda de 1º mundo desenvolvido, 
É Falcon para lá e para cá, almocinhos e jantarinhos à conta de todos nós, aberturas de anos disto e daquilo, e inaugurações, e encerramentos disto e daquilo, vacuidades e imbecilidades sem fim à vista.

Entretanto, enquanto lhes servem ou não a "Vichyssoise" nos palácios e nas pomposas salas de jantar perto dos gabinetes, arde e arde e arde e arde e, infeliz e tragicamente, pessoas a falecer devido aos incêndios.

O Portugal do Marcelo, do Barroso, do Augusto, do Pedro, do António, do Rodrigues, do Tavares, do António, do César, do Lopes, do Mário, da Mariana, da Martins, do Raimundo, do André, de tantos do mesmo calibre em que só na semântica são distintos.

Aguardemos.

Cuidem-se, saúde, tenham o melhor dia possível.
AC