Caso remonta a novembro de 2025, quando Rui Cristina afirmou não destinar qualquer quantia para dar habitação a "cidadãos locais pertencentes a uma determinada etnia". Autarca diz que é "perseguição".
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Caso remonta a novembro de 2025, quando Rui Cristina afirmou não destinar qualquer quantia para dar habitação a "cidadãos locais pertencentes a uma determinada etnia". Autarca diz que é "perseguição".
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
L I X O
Não sei que já estaria assim há mais tempo.Mas está assim há 11 dias.
É bem no centro de Altura, concelho de Castro Marim, bem pertinho da chamada rua das lojas.
É Castro Marim, é Alcochete, é Almada, é Montijo, é Lisboa, é Costa da Caparica, é . . . . . não é preciso continuar, pois não?
Saúde, o Euromilhões da vida.
AC
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
A nossa Constituição (CRP) tem no seu Título VIII as normas sobre o poder local/ autarquias locais, cuja existência dá também corpo à organização democrática do Estado, existência que visa a prossecução de interesses próprios das populações respectivas.
Como referi no início, em vez de reservas às autarquias locais deve é haver escrutínio rigoroso e ISENTO. Ideologicamente ISENTO.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
A propósito do que depois de 1974 ano após ano nos "assalta" cada vez mais, Henrique Pereira dos Santos (HPS) voltou a dar uma opinião sobre o assunto.
É a coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo que tem mantido um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos
Imaginemos que um Ministro da Administração Interna, de qualquer governo ou partido, olhando para as previsões meteorológicas, se estava nas tintas para o esquizofrénico esquema de alertas que usamos e, falando com quem sabe do assunto, resolvia dirigir-se ao país, dizendo qualquer coisa deste tipo:
Dentro de dois dias entra vento forte de Nordeste e Leste que está associado a condições especialmente favoráveis à progressão do fogo, de maneira que nas regiões tal e tal, onde o FWI previsto é tal e tal, qualquer incêndio que ocorra, havendo combustível, rapidamente está para lá da capacidade de extinção.
Pedimos especial cuidado para evitar o uso do fogo, quer intencional, quer resultando do trabalho normal que vai havendo, mas sabemos que não há maneira de eliminar todas as ignições.
Assim sendo, e durante X dias em que se prevê que o vento esteja forte a muito forte e estas condições se mantenham, haverá, inevitavelmente, fogos incontroláveis, provavelmente de grandes dimensões.
Durante esta crise de incêndios, que provavelmente será muito séria, os instrumentos de gestão que temos são muito escassos, exigindo informação, preparação, disciplina e, em muitas circunstâncias, a consciência de que o essencial não é atacar frentes de fogo que estão para lá da capacidade de extinção, mas trabalhar as laterais e oportunidades de redução de combustível no percurso previsível do fogo.
Estas oportunidades podem estar a vários quilómetros das frentes de fogo, para dar tempo para se executarem as operações de redução de combustível que permitam, quando a frente aí chega, reduzir a sua intensidade e permitir o ataque, tentando controlar projecções.
Nem sempre será possível ter êxito e é provável que haja incompreensão das populações afectadas pela progressão da frente de fogo ao verificar a ausência de combate imediato e a concentração dos recursos em áreas que, aparentemente, estão longe dos locais em que parece que seriam necessários, mas este tipo de actuação é o único passível de gerar resultados em condições meteorológicas e de acumulação de combustível como as que se verificam, havendo instruções muito claras de evacuação de todas as pessoas que se prevê que possam ficar em risco com a progressão das frentes de fogo.
O ministro teria dito o que deveria ser dito, mas nas semanas seguintes deixaria de ser ministro, tal seria o clamor que se levantaria contra um ministro que em vez de dizer inanidades sobre ignições nocturnas, comportamentos das populações, posicionamento de meios, reforço de meios aéreos, heroicidade dos bombeiros, esforço altruísta de tantos homens e mulheres, aumento dos milhões alocados aos fogos, resolvesse descrever a realidade com a consciência de que o fogo, em algumas circunstâncias, progride de uma forma que está para lá na nossa capacidade de o controlar, quaisquer que sejam os meios que tenhamos à nossa disposição.
A oposição política, o poder autárquico, as associações de bombeiros e o meio mediático cairiam em cima do ministro com o argumento de que aos ministros não cabe arranjar desculpas para o falhanço do Estado na gestão de incêndios, cabe é resolver os problemas das pessoas.
E é a mesma coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo, que tem permitido o crescimento impressionante dos recursos que todos os anos o país dedica ao assunto, sem qualquer evidência de que esse aumento de recursos tenha qualquer relação com os resultados que vão sendo obtidos.
É esta coligação que tem mantido, quase sem alterações, um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos e que se poderia ilustrar com uma história cuja veracidade e rigor não sei aferir, mas que, se for inventada, terá sido por quem conhece bem o meio.
Proporcionou-se uma viagem de troca de experiências com bombeiros canadianos na gestão de fogos, esperando-se que as chefias portuguesas dos bombeiros conseguissem absorver conhecimento e técnica de combate a fogos florestais num dos países com melhores desempenhos nessa matéria, até por ter, incêndios de dimensões inimagináveis em Portugal.
Quando perguntados sobre o seu grau de satisfação com o que teriam aprendido com os canadianos, a resposta foi lapidar: havia uma satisfação muito grande com a quantidade de coisas que tinham ensinado aos canadianos.
Como não avaliamos o suficiente e temos a certeza de ser os melhores do mundo (“nunca um incêndio ficou por apagar”, nas imorredoiras palavras de Jaime Marta Soares), vai mesmo demorar muitos anos antes que seja possível outra doutrina, outro modelo político, de gestão de fogos florestais em Portugal.
sábado, 4 de julho de 2026
CENTENAS
Além das casas e prédios e fábricas e outras infra-estruturas desgraçadas por sucessivos temporais e incêndios e cheias, são centenas as situações em aldeias, vilas e cidades à vista de toda a gente e em particular dos autarcas como o da fotografia.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Às vezes a PJ engana-se.
Entra na casa errada, no prédio errado, no andar errado, na porta errada. Acontece. Um inspetor põe “supermercado” no GPS, vira à esquerda onde devia virar à direita e, quando dá por ela, está dentro da sede nacional do Partido Socialista com um mandado de busca. Quem nunca?
Mas é preciso reconhecer grandeza. O PS colaborou.
E isto, num país tão pouco colaborante, deve ser sublinhado. Porque o normal seria receber a PJ de caçadeira durante as buscas. Colaborar é um gesto de elevação republicana. A PJ entra na sede, pede documentos, computadores, acessos, papéis, talvez uma sala, e o partido, em vez de declarar guerra ao Estado de Direito, faz o impensável: deixa.
É bonito.
Também importa sublinhar que a sede foi alvo de buscas, mas o partido não é visado. A sede, sim. O partido, não.
A sede é que estava ali, parada, suspeita, cheia de paredes. A sede talvez tenha tomado iniciativas próprias. Talvez uma impressora tenha começado a imprimir documentos em nome da autonomia do toner. Talvez um computador, radicalizado por anos de reuniões da Comissão Nacional, tenha decidido guardar ficheiros. Talvez uma gaveta tenha escondido os papéis sem informar o secretário geral.
As sedes são perigosas. Começam por albergar pessoas e, quando se dá por elas, já estão metidas em processos.
O partido, coitado, limita-se a habitar a sua sede nacional, uma entidade independente, selvagem, com vida própria e propensão para a criminalidade.
Ainda assim, enfrentando a própria sede, o partido colaborou!
O PS é muito forte nesta arte de separar o corpo da alma. A sede é o corpo. O partido é a alma. Não tem nada a ver com a sede. Como também não tem nada a ver com José Sócrates, António Costa, Duarte Moral, Manuel Pinho, Miguel Coelho, Costa Gomes, Patrocínio Azevedo e etc. Muitos etc, caso contrário atingiria o limite de caracteres.
A polícia pode entrar nos edifícios e nas pessoas, mas a alma mantém-se juridicamente perfumada. O PS é uma entidade incorruptivel que não tem nada a ver com as pessoas corruptas que, por mero acaso do destino, vão sempre parar aos lugares de topo.
É possível, naturalmente, que tudo não passe de um equívoco. Uma ida à morada errada. Um daqueles enganos em que, por mero acaso, a morada errada coincide com a sede nacional de um partido que, por mero acaso, tem alguma utilidade para uma investigação. São coincidências. A vida democrática é rica em coincidências, sobretudo quando as coincidências vêm acompanhadas por inspectores.
Mas sejamos justos: quem abre a porta à polícia merece reconhecimento. E isso o PS fez.
Quando se tem mandado judicial à frente, há várias opções. Pode-se colaborar. Pode-se colaborar com semblante grave. Pode-se colaborar emitindo um comunicado. E pode-se colaborar sublinhando, com a dignidade de quem separa finamente a poeira do entulho, que não se é visado. Ou então ir buscar a caçadeira. Mas até o PS tem limites. Ali o crime é branco, da cor do colarinho.
A sede, essa, talvez devesse arranjar advogado. E já agora emitir um comunicado a dizer que o visado é o PS e não as suas paredes.
🎻🎻😂🤣
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde renuncia ao mandato depois de polémica com gastos pessoais com dinheiro público
Isaac Braga renunciou ao mandato depois de uma reportagem da RTP ter revelado que foram gastos 30 mil euros das contas da Junta de Freguesia em tabaco, restaurantes, perfumarias ou num hotel.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
A APROVEITAREM-SE, ou NÃO . . . . .
Coloca-se mais uma vez a questão de saber, perceber, se SIM ou Não há uns quantos a aproveitarem-se da tragédia alheia.
Olhemos a factos transmitidos pelas TV, reparemos em atitudes e declarações, de governantes, de militares, de autarcas, de gente diversa.
Temos um candidato a PR transportando garrafas de água. Patético.
Temos justas e duras críticas de autarcas a atitudes como a acima referida.
Temos um candidato a acusar tudo e todos sobre o que nunca aconteceria na sua 4ª República!
Temos elites a manifestar o seu apoio a Seguro.
Temos elites a convidar Seguro para ir ouvir a declaração de apoio.
Temos um candidato a PR a ter postura razoável ao visitar locais atingidos pela tragédia, com poucos jornalistas atrás (não é muitos é alguns) vincando que não está a fazer política, nem campanha, apenas a cumprir a sua obrigação de cidadão! Estou por isso certo que se não fosse candidato a PR também teria vindo das Caldas da Rainha logo na primeira hora e comparecer em Leiria e outros locais para cumprir a sua obrigação de cidadão.
Temos . . . . . não passamos disto!
Desgraçados de nós cidadãos comuns. Desgraçado Portugal com esta gentalha!
AC
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
AC
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
São recentes, substituíram os "monos" anteriores à volta dos quais se amontoava sempre imenso lixo (caixas de papelão e caixas de esferovite, saco de lixo, caixas de madeira e de plástico, etc.) mas, como se mostra na fotografia (tem quase dois meses) com cidadãos exemplares (???) que por cá existem o resultado é sempre este.
O trabalhão que dá espalmar as caixas de cartão e meter no contentor . . . etc. . . . é muito melhor deixar ao ar livre, não é ?
Ou alertar a CM de que têm imenso material para deitar fora e esperar pela recolha de monos e etc.
Não há autarquia que se salve com os alarves que por aí proliferam.
Com a completa falta de civismo e falte de respeito pelo ambiente e pelos outros.
AC
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
AUTARQUIAS e AUTARCAS
Estas fotografias são de chamados bancos de jardim mas estes estão colocados juntamente com outros ao longo da marginal em Alcochete e que é banhada pelo Tejo.quinta-feira, 6 de novembro de 2025
ALDEIA MAIS PORTUGUESA DE PORTUGAL
O concurso - aldeia mais portuguesa - teve lugar em 1938.
A aldeia de Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova, venceu na final com (salvo erro) Paul.
Mais tarde, uma delegação da aldeia foi recebida pelo então PR Óscar Carmona e receberam o prémio - o Galo de Prata, de que uma réplica, maior, de metal, está no topo da Torre de Lucano ou do Relógio.
Muitas décadas depois, a aldeia da Beira-Baixa que ficou para sempre conhecida como a mais portuguesa de todas (talvez um pouco exagerado, na minha opinião, e estou à vontade, há décadas que para lá vou) num destes próximos três / quatro anos (juntamente com outras aldeias e cidades do distrito de Castelo Branco) pode passar a ficar conhecida como a que ainda consegue "espreitar" pelo meio de milhares de painéis solares que os negociantes do "verde", da "electricidade limpa", da "transição energética", da "energia limpa e renovável", da "energia mais acessível e económica" e da "inovação e sustentabilidade" se preparam para instalar ao longo de Km e Km, de hectares e hectares desde, supõe-se, zonas do concelho da Guarda passando por outras da Covilhã, Fundão e Idanha-a-Nova.
Do pouco que é público, (creio que há consulta pública até 20 de Novembro próximo), será porventura deficiência minha mas não encontrei pareceres, ou recomendações, ou preocupações formais e públicas por parte das câmaras municipais da Guarda, Covilhã, Fundão, Castelo Branco, Idanha-a-Nova quanto a este projecto - Central Solar Fotovoltaica Sophia.
Quando olho para a Europa de Ursula e Costa, e as orientações e directivas e ditames da comissão Europeia, só vejo cada vez mais negócios por trás de tudo, imposições de electrificação limpa como para os carros, enquanto todo o mundo e designadamente África, Índia, China, Rússia, Canadá, México, Brasil e EUA estão como estão.
Parece que temos na Europa de salvar o planeta.
Apenas nós!
Falar de árvores e animais é supérfluo?
E de pessoas, as poucas que já existem na maior parte dos lugares da Beira-Baixa?
Ao olhar para as previsíveis consequências deste projecto - Central Solar Fotovoltaica Sophia - PARECE!
Guterres brama pela redução da temperatura até ao final deste século.
Ora, do pouco que se sabe e, parece, os próprios promotores deste projecto isso mesmo creio que não desmentem, uma das consequências da instalação do projecto será uma subida apreciável da temperatura ambiente nas zonas onde os painéis forem implantados.
Que negócios escuros estão por trás disto?
Que personalidades conhecidas estão por trás disto?
Porque estão (parece-me) calados os autarcas dos concelhos indicados?
Que significa o silêncio do, Expresso, Observador, Público, Diário de Notícias, Sol, Jornal de Notícias, RTP, SIC, TVI, CNN, NOW, CMTV?
Neste momento, nesta fase, parece legítimo afirmar-se:
- aí está a habitual ausência de debate público
- aí está a habitual tentativa de silenciamento das pessoas
- aí está a tentativa de manipulação da opinião pública
- aí está a habitual prevalência de poderes instalados e dos interesses particulares sobre o interesse público e o interesse das comunidades
- aí está o habitual atentado aos recursos
- aí está a habitual ausência de defesa das pessoas por parte do Estado que é materializado no governo/ governos
- aí está o habitual e estranho silêncio da comunicação social dita de referência.
Os ministérios, do Ambiente, das Infra-Estruturas, da Coesão Territorial, da Economia, e a Agência Portuguesa do Ambiente, não têm nada a ver com isto?
António Cabral (AC)
terça-feira, 4 de novembro de 2025
sábado, 26 de julho de 2025
O vereador da CDU e ex-presidente da Câmara acusa o executivo socialista de “péssima gestão”. Aponta o dedo à política de “licenciamento de condomínios de luxo” no concelho e diz que a oposição não tem acesso à revisão do PDM
Luís Miguel Franco vai voltar a sentar-se na bancada da CDU na primeira reunião de câmara do próximo mês, em Alcochete, depois de ter suspendido o mandato de vereador por um ano. Em entrevista a O SETUBALENSE e à Rádio Popular FM, o comunista arrasa o segundo mandato da gestão socialista liderada por Fernando Pinto e reduz os méritos do mandato anterior à herança deixada pela CDU. Diz que a situação financeira da autarquia é “altamente preocupante”, apesar de não haver obra para mostrar. Deixa críticas à estratégia de actuação do PS na Educação e na Habitação, e adianta que ninguém sabe nada sobre a revisão do Plano Director Municipal.
Por que suspendeu o mandato e para quando tem previsto o regresso à bancada da CDU?
Ainda tenho o mandato suspenso por razões académicas, estou a fazer o curso de doutoramento em Direito, mas a suspensão do mandato cessará no dia 31 de Julho e, portanto, penso que na primeira reunião de câmara de Agosto estarei disponível para exercer as minhas funções de vereador.
Não teme que essa paragem possa ter defraudado expectativas entre o eleitorado da CDU?
Não me parece. Em primeiro lugar, porque nas eleições de 2021 o eleitorado de Alcochete foi claro no seu sentido de voto e atribuiu uma maioria muito robusta ao PS; por outro lado, também nós enquanto pessoas vamos criando novos objectivos nas nossas vidas, que temos de prosseguir e concretizar. Facto é que estou de regresso com um pensamento muito claro em relação ao que é benéfico e ao que tem de ser feito em Alcochete, porque neste momento as populações do concelho têm termos de comparação entre o trabalho realizado por gestões de maioria CDU e o trabalho realizado em dois mandatos de maioria do PS. (…) Que se faça a comparação entre o que foi realizado durante os meus mandatos em relação a estes quase dois mandatos completos de gestão destes eleitos do PS para se concluir, e é a minha conclusão, que a diferença é absolutamente abissal.
Conseguiu acompanhar a par e passo neste interregno a actualidade do município? Sente condições para avaliar o trabalho que tem sido desenvolvido neste mandato?
A questão é saber o que efectivamente foi feito neste mandato por esta maioria do PS. Arrisco a dizer que nada foi feito e que a comparação entre o primeiro mandato do PS e o atual mandato é abissal. Por uma razão essencial: é que no mandato de 2017 a 2021 foi realizada muita obra, porque os projectos estavam concluídos, as candidaturas estavam apresentadas e aprovadas. Por herança de trabalho efectuado por mim e por quem me acompanhava na gestão da Câmara Municipal de Alcochete. E houve obras feitas em que só bastava executá-las. E foram muitas, desde escolas, requalificação de equipamentos públicos, de rede viária e com uma situação económica e financeira absolutamente estável. A Câmara teve momentos nesta gestão já do PS com saldos de tesouraria na ordem dos 10 e dos 12 milhões de euros. Entretanto, transitámos para o actual mandato e sem obra feita, com zero de obra feita, a Câmara apresenta saldos de tesouraria de 3 milhões de euros. Para onde está a ser disponibilizado o dinheiro?
Para onde?
Péssima gestão de recursos. Vou dar um exemplo: durante este ano, a Câmara está a gastar cerca de 400 mil euros em contratos de prestação de serviços com entidades exteriores ao município, para a manutenção dos espaços verdes, ao invés de investir no recrutamento de novos trabalhadores que a título permanente possam executar essas tarefas. Por outro lado, a questão das descentralizações financeiras no âmbito da Educação poderá estar a criar problemas.
E depois não se percebe como é que se transita de uma situação tão estável do ponto de vista financeiro para uma situação que começa a assumir contornos de alguma aflição. E essa aflição é denunciada pelo facto de, muito recentemente, o município ter contraído um empréstimo na ordem dos 2 milhões de euros, para executar obras que custarão cerca de 90 ou 100 mil euros. Alcochete está numa situação em que não existe obra para executar, não existe sequer planeamento estratégico, o concelho perdeu visibilidade na Área Metropolitana de Lisboa. A acrescer a estes factores altamente negativos, está numa situação de dependência dos actos de licenciamento relacionados com operações urbanísticas e isso é altamente preocupante.
Isso não acontece em todos os municípios?
Não, não é em todos. O desenvolvimento urbanístico é inevitável, existem pretensões de edificação que devem ser acolhidas e têm de ser acolhidas. O problema é o modelo que se pretende e o que se verifica é que Alcochete criou atractividade. Criou também procura em termos de habitação variada, mas não há oferta para alguns segmentos da população. E provavelmente estaremos a assistir a um contexto em que quem nasceu em Alcochete, quem há muito tempo resolveu residir em Alcochete, quem ainda vive em casa dos pais terá muitas dificuldades em adquirir uma casa própria, porque os valores do mercado em Alcochete são absolutamente desastrosos e impossíveis de sustentar.
Falava há pouco na contratualização externa para a higiene urbana. É recorrente ouvir-se isso da CDU, mas onde é oposição. Onde é poder também recorre a serviços externos. Parece um contrassenso…
Mas nem sequer estou a falar da recolha dos resíduos, estou a falar da higiene e limpeza urbanas e, em particular, da gestão dos espaços verdes. Não sou fundamentalista, concedo que um município recorra a serviços externos para alguma gestão. Mas estamos a falar do concelho de Alcochete, com uma dimensão, quer em termos territoriais quer populacionais, completamente diferente. Para Alcochete, 400 mil euros em 2024 somente para a gestão dos espaços verdes, diria que corresponde a um valor que resvala para algum adjectivo que me abstenho de referenciar. Não me parece sequer adequado.
De zero a 10, que nota atribui a esta gestão liderada por Fernando Pinto?
Recupero o que disse há pouco. Enquanto no primeiro mandato houve, e bem, um aproveitamento dos projectos que tinham transitado do mandato anterior – em que fui presidente da Câmara – e as obras necessárias para o desenvolvimento do concelho foram executadas, neste mandato três anos decorreram sem que nada fosse feito.
Não reconhece nenhuma obra a este executivo?
A única obra de relevo realizada durante este mandato teve a ver com a conclusão da requalificação do acesso nascente a Alcochete, que corresponde à execução de um projecto deixado por mim na Câmara Municipal e com fundos comunitários aprovados em 2017. Quando olhamos para o meu último mandato, em termos de relevância, se compararmos estes mandatos com, por exemplo, uma única obra de requalificação da frente ribeirinha que nós executámos, nem me atrevo a atribuir uma nota quantitativa à gestão desta maioria do PS. Esperava-se muito mais de uma Câmara Municipal que em tempos não muito distantes teve um enorme desafogo financeiro e que neste momento está numa situação preocupante.
A gestão PS acena com a bandeira da área da Educação e aponta 6 milhões de euros de investimento realizado no parque escolar. Isto não lhe parece obra?
Mas os 6 milhões de euros correspondem a que obras?
Por exemplo à requalificação da Escola do Samouco…
Houve uma ampliação, mas provavelmente teria tido uma opção política diferente. Falta muita visão estratégica aos actuais eleitos do Partido Socialista. Havia uma carta educativa que definia as estratégias e as obras a desenvolver. Esse documento foi alterado. Mesmo não discordando das obras de requalificação, o que importa perceber é quantas crianças mais foram acolhidas na Escola do Samouco e depois olhar mais longe para o contexto global do concelho e perguntar: então aquele projecto absolutamente estruturante, que tinha a ver com a construção de mais um centro escolar na freguesia de Alcochete, não foi executado por que razão?
Que leitura faz, ao dia de hoje, da Estratégia Local de Habitação (ELH) de Alcochete?
Não há nada para dizer. Não há concretizações do que quer que seja. Há um objectivo de aquisição de terrenos para a construção de habitação social, penso eu de 50 casas até 2026. A gestão do PS em Alcochete também pode ser criticável, e é criticável, pelo facto de somente apresentar objectivos de concretização, sem que essa concretização algum dia venha a ocorrer.
Mas tem ideia das necessidades do município em termos daquilo que está plasmado na ELH e aquela que é a verdadeira realidade dessas mesmas necessidades, em termos de números?
Em termos de números está desajustado. E temos de ter a percepção clara de que a oferta pública, em Alcochete, se algum dia vier a concretizar-se, e desejo que sim, além de ser insuficiente também tem de ser complementada com políticas públicas de desenvolvimento urbanístico. Porque se o município continuar a dar preferência a condomínios de luxo, que vão pululando, muito dificilmente encontraremos soluções para que, em complemento da oferta pública, as pessoas também possam aceder à oferta privada para comprarem ou arrendarem casas.
Mas nos seus mandatos de presidente da Câmara não aprovou empreendimentos de luxo?
Aprovei um, que permitiu, além dos apartamentos turísticos, a construção de um hotel e assim ampliar a oferta turística hoteleira em Alcochete. Além disso, permitiu requalificar mais um segmento da frente ribeirinha. Se compararmos esse modelo de políticas do município em relação ao outro modelo que foi implementado já durante o primeiro mandato do PS, vamos chegar à conclusão de que não há comparação possível.
O que pode e deve o município fazer para retirar vantagens do futuro aeroporto?
Recordo que Alcochete tem um plano estratégico…
… Todos os municípios têm.
Sim. Importa saber se o plano estratégico está a ser concretizado ou não. Em Junho de 2017, eu ainda como presidente da Câmara, consegui que este plano estratégico, Alcochete 2030, fosse aprovado por unanimidade quer na Câmara, quer na Assembleia Municipal. Na minha opinião, o plano estratégico não está sequer a ser seguido, é um documento que para a actual gestão do PS não tem qualquer utilidade. Mas além do plano estratégico, recordo-me de uma das críticas que me foram formuladas logo nos alvores do primeiro mandato desta gestão do PS: não ter conseguido aprovar e fazer entrar em vigor a revisão do Plano Director Municipal [PDM]. É um facto que decorridos sete anos não existem notícias, informações, o que quer que seja, que permita perceber em que momento o novo PDM entrará em vigor.
Consultou o processo?
O problema é que nem sequer a disponibilização do processo se verificou. O processo, ninguém conhece, eu não conheço, duvido que algum vereador, nomeadamente da CDU, conheça o que está a ser proposto em termos do PDM. E isso, além de alguma opacidade, não é muito adequado no plano democrático. Eu teria disponibilizado a proposta de plano para que os eleitos pudessem também formular as suas propostas. Teria promovido encontros com as populações no sentido de também recolher as suas visões subjectivas. Não se vislumbra em que momento é que o novo PDM possa estar em vigor. E com um problema acrescido: o PDM já integra as necessidades de desenvolvimento que decorrem da construção do novo aeroporto nas proximidades do concelho? Não sabemos.
Tem acompanhado o processo de instituição da Comunidade Intermunicipal Península de Setúbal?
Não.(…) Mesmo no âmbito da região de Setúbal há assimetrias. Portanto, o que não compreendo, e não tenho conhecimento, é de que forma essas assimetrias poderão estar a ser concertadas, avaliadas para a fixação de um critério objectivo [para acesso aos fundos comunitários]. Porque, repare-se, assim como Almada ou Seixal não se comparam com Oeiras, Alcochete não se compara nem com Almada nem com o Seixal. Para os municípios mais pequenos importaria pensar a possibilidade de se construir critérios para que os municípios da região de Setúbal pudessem ser discriminados positivamente. Para que também os pequenos municípios como Alcochete possam ser competitivos, sendo ainda mais discriminados positivamente comparativamente a outros, quer na região de Setúbal quer no todo da Área Metropolitana de Lisboa.
Sempre disse que nunca se candidataria a outra câmara que não a de Alcochete. Mantém essa afirmação?
Mantenho. Vou retomar o meu mandato, vou exercer as funções até ao final do mandato. E neste momento nada mais se perspectiva relativamente ao futuro. E, portanto, em Alcochete sim. Tenho uma paixão, um amor enorme por Alcochete.
Mas mantém-se disponível para voltar a ir a votos em Alcochete, em 2025, se for desafiado pelo PCP?
Não gostaria de dar uma resposta daquelas muito genéricas. Mas haverá um processo de auscultação interna e externa. O partido tomará a decisão de convidar quem muito bem entender. Neste momento, se me perguntarem se eu acho provável o meu regresso, direi que não. Mas, não sei o que acontecerá no futuro. Se o meu partido me apresentar um convite, naturalmente terei de reflectir. Neste momento é muito prematuro estarmos a equacionar o futuro. Será provável? Acho que não. Será impossível? Bom, os impossíveis só o são até deixarem de o ser.
sábado, 12 de julho de 2025
sexta-feira, 16 de maio de 2025
O ainda presidente da Câmara Municipal de Gaia, de processo em processo, de recurso em recurso, acabou por ter uma condenação "basicamente definitiva" do Tribunal Constitucional, confirmando a perda de mandato por condenação pelo crime de peculato por uso indevido de um carro do município a que vinha presidindo. (deve ser o único . . . )
Portanto, a criatura sente-se injustiçada, e vai mais um recurso e, julgaria um cidadão comum - se se sente inocente, se ainda há lugar a mais recursos, então há que aguardar, certo?
quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
O prolixo ministro Castro Almeida considera “criminoso” passar aos autarcas “um atestado de corrupção”, refutando as críticas à lei dos solos, a tal que Marcelo promulgou, apesar de lhe apontar “entorses significativos”. O mínimo que se pode dizer é que este ministro tem andado distraído. Portugal está cheio de “entorses significativos” em matéria de urbanismo, mas não os viu. Quer ver a corrupção pela manipulação da lei dos solos? Vá a Monte Gordo, Gaia, Sintra, Amadora, Cascais, Lisboa, Portimão, Albufeira, Faro, vá à Madeira, percorra o Litoral e constate as aberrações construídas por décadas de predomínio de patos-bravos sobre o próprio poder político, autárquico ou não. Castro Almeida sabe bem que as relações entre o financiamento político e o dinheiro da construção civil são um pântano, um pequeno segredo de polichinelo do regime. Sabe muito bem que a história de Portugal deveria ter um capítulo escrito por empreiteiros como José Guilherme, A. Santo, Eduardo Rodrigues, Vieira. Como, de resto, Salgado bem sabia. O problema não são os autarcas, mas um sistema de cumplicidades que tem envenenado a confiança dos cidadãos nas boas vontades de alguns dos tais ‘melhores’ que estão na política.
segunda-feira, 25 de novembro de 2024
Manuel Silva
Morador
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
. . . . . .
Se continuarmos com esta atitude com laivos de Estado Novo de “coitadinhos dos pobrezinhos”, dando-lhes sistematicamente o peixe sem sequer criarmos regras que os ensinem ou obriguem a pescar, estamos a alimentar pessoas irresponsáveis e, no limite, manipuladoras do sistema. E quanto mais se desenvolver este modelo maior será a revolta de quem trabalha e é deserdado destes apoios, mais ainda quando a Saúde e a Educação públicas funcionam mal.
Neste momento devíamos estar a debater as brechas dos apoios sociais e de como as podemos combater. Devíamos estar a tentar perceber se os apoios chegam a quem precisa ou se estão a ser usados por quem menos precisa.
Ricardo Leão pode não ter sido feliz na formulação que usou, quer no caso das casas como no caso das refeições para as crianças. Mas foi ao encontro das preocupações de munícipes que veem as autarquias a apoiar algumas pessoas que conhecem bem e sabem que não precisam, que usam o sistema. Quem vive no Parlamento em Lisboa pode ter dificuldade em perceber isso.










