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quinta-feira, 9 de julho de 2026

INCÊNDIOS  À  PORTUGUESA

A propósito do que depois de 1974 ano após ano nos "assalta" cada vez mais, Henrique Pereira dos Santos (HPS) voltou a dar uma opinião sobre o assunto.

Dizem-me décadas de experiência de vida que é difícil alguém ter 100 % de razão em determinado assunto.
Salvo melhor opinião estou convencido de que HPS tem razão em muitos aspectos inerentes ao "mundo" dos incêndios.

Uma das vertentes que aborda é a história das ignições noturnas. Poderá ser exagerada a culpabilidade deles para todos os incêndios, mas o historial dos últimos anos mostra que incêndios nocturnos ocorreram com ignições separadas, pouco espaçadas no tempo e espaço, passado pouco tempo de se estar a começar a combater num local. 

Sublinho a vermelho outros aspectos em que me parece HPS tem alguma razão.

António Cabral (AC)


A COLIGAÇÃO (HPS), 08 jul. 2026
É a coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo que tem mantido um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos

Imaginemos que um Ministro da Administração Interna, de qualquer governo ou partido, olhando para as previsões meteorológicas, se estava nas tintas para o esquizofrénico esquema de alertas que usamos e, falando com quem sabe do assunto, resolvia dirigir-se ao país, dizendo qualquer coisa deste tipo:

Dentro de dois dias entra vento forte de Nordeste e Leste que está associado a condições especialmente favoráveis à progressão do fogo, de maneira que nas regiões tal e tal, onde o FWI previsto é tal e tal,
qualquer incêndio que ocorra, havendo combustível, rapidamente está para lá da capacidade de extinção.

Pedimos especial cuidado para evitar o uso do fogo, quer intencional, quer resultando do trabalho normal que vai havendo,
mas sabemos que não há maneira de eliminar todas as ignições.

Assim sendo, e durante X dias em que se prevê que o vento esteja forte a muito forte e estas condições se mantenham,
haverá, inevitavelmente, fogos incontroláveis, provavelmente de grandes dimensões.

Durante esta crise de incêndios, que provavelmente será muito séria, os instrumentos de gestão que temos são muito escassos, exigindo informação, preparação, disciplina e, em muitas circunstâncias, a consciência de que o essencial não é atacar frentes de fogo que estão para lá da capacidade de extinção, mas trabalhar as laterais e oportunidades de redução de combustível no percurso previsível do fogo.

Estas oportunidades podem estar a vários quilómetros das frentes de fogo, para dar tempo para se executarem as operações de redução de combustível que permitam, quando a frente aí chega, reduzir a sua intensidade e permitir o ataque, tentando controlar projecções.

Nem sempre será possível ter êxito e é provável que haja incompreensão das populações afectadas pela progressão da frente de fogo ao verificar a ausência de combate imediato e a concentração dos recursos em áreas que, aparentemente, estão longe dos locais em que parece que seriam necessários, mas este tipo de actuação é o único passível de gerar resultados em condições meteorológicas e de acumulação de combustível como as que se verificam, havendo instruções muito claras de evacuação de todas as pessoas que se prevê que possam ficar em risco com a progressão das frentes de fogo.


O ministro teria dito o que deveria ser dito, mas nas semanas seguintes deixaria de ser ministro, tal seria o clamor que se levantaria contra um ministro que em vez de dizer inanidades sobre ignições nocturnas, comportamentos das populações, posicionamento de meios, reforço de meios aéreos, heroicidade dos bombeiros, esforço altruísta de tantos homens e mulheres, aumento dos milhões alocados aos fogos, resolvesse descrever a realidade com a consciência de que o fogo, em algumas circunstâncias, progride de uma forma que está para lá na nossa capacidade de o controlar, quaisquer que sejam os meios que tenhamos à nossa disposição.

A oposição política, o poder autárquico, as associações de bombeiros e o meio mediático cairiam em cima do ministro com o argumento de que aos ministros não cabe arranjar desculpas para o falhanço do Estado na gestão de incêndios, cabe é resolver os problemas das pessoas.

E é a mesma coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo, que tem permitido o crescimento impressionante dos recursos que todos os anos o país dedica ao assunto, sem qualquer evidência de que esse aumento de recursos tenha qualquer relação com os resultados que vão sendo obtidos.

É esta coligação que tem mantido, quase sem alterações, um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos e que se poderia ilustrar com uma história cuja veracidade e rigor não sei aferir, mas que, se for inventada, terá sido por quem conhece bem o meio.

Proporcionou-se uma viagem de troca de experiências com bombeiros canadianos na gestão de fogos, esperando-se que as chefias portuguesas dos bombeiros conseguissem absorver conhecimento e técnica de combate a fogos florestais num dos países com melhores desempenhos nessa matéria, até por ter, incêndios de dimensões inimagináveis em Portugal.

Quando perguntados sobre o seu grau de satisfação com o que teriam aprendido com os canadianos, a resposta foi lapidar: havia uma satisfação muito grande com a quantidade de coisas que tinham ensinado aos canadianos.

Como não avaliamos o suficiente e temos a certeza de ser os melhores do mundo (“nunca um incêndio ficou por apagar”, nas imorredoiras palavras de Jaime Marta Soares), vai mesmo demorar muitos anos antes que seja possível outra doutrina, outro modelo político, de gestão de fogos florestais em Portugal.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Portugueses 

Como sabem, eu cancelei passeios, não ando a tratar da vidinha, ando por aqui, estou presente.

Agora é tempo de combater os incêndios, não me venham com historietas de responsabilidades, do que não foi feiro desde 2017, e de que faltam meios. O que é importante é não andarem para aí ao calor, a operar tractores, alfaias agrícolas e outra maquinaria, tudo originador de faíscas. Já me bastam as ignições dos cabos eléctricos e os raios disparados do céu. 

Agora é tempo de acabarem com as vossas negligências, porque eu estou por aqui.

AC

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Entre o ANEDÓTICO o HILARIANTE e o TRÁGICO
> O OE2018 não cobre integralmente a verba para refeições de reclusos, mas ninguém vai passar fome
> Bruxelas diz que melhoria de défice não resulta de medidas do governo
> Não se fala de Tancos na NATO....(que contentamento)
> Tiago Brandão Rodrigues irá lutar radicalmente para defender os professores
> Rendas de casas não param de aumentar em LX e Porto
> Pelo menos cães e microfones incomodam o novo MAI
> Ministro do ambiente esperava melhores resultados do trabalho feito para tratar a poluição no rio Tejo
> Alguma coisa correu mal (Ministro da Saúde)
> Marcelo considera que Maria Cavaco Silva foi madrinha de todos os portugueses durante pelo menos 20 anos (endoideceu??)
> larguíssimas centenas de milhões para combate aéreo aos fogos
> Aluna que publicou video da lagarta na comida alvo de processo disciplinar
> as instituições só sobrevivem e afirmam a sua pujança, se souberem respeitar-se e dar-se ao respeito, todos os dias, ........pela credibilidade das suas lideranças (PR, Marcelo rebelo de Sousa)
AC

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

MAIS EXEMPLOS TRISTES, AGO 2017, INCÊNDIOS

Três, das dezenas de fotografias por mim tiradas em Agosto passado, da porta da minha casa na aldeia, mais para o fim da tarde, olhando a Gardunha e a Estrela.
AC

sábado, 5 de agosto de 2017

QUEM LIMPA?  QUANTO CUSTA?  CAPACIDADE?

Mais um ano que está a ser trágico. 
Dizem-me - ah, o Sul de Espanha França e Itália estão com problemas idênticos. Pois!!!
Não sou especialista, não sou bombeiro, não integro a estrutura da ANPC, menos ainda as estruturas partidárias, ou ONG's dedicadas à agriculta florestas agro-pecuária e afins.
Não sou de "achismos", mas muita coisa me faz espécie, e há muito anos. 
Procuro pensar, mas uma coisa tenho a certeza, este é um dos maiores problemas da sociedade portuguesa e sendo-o, e arrastando-se há décadas, acho muito estranho que não o ataquem a sério.
Ou se calhar não é nada estranho.
O que conheço neste âmbito?
Muito bem a Beira-Baixa, razoavelmente a Beira-Alta, o Minho, o Alentejo, algumas regiões dos Douros's, o Algarve, o Ribatejo. 
Isto para dizer que tenho uma noção exacta e muito concreta das enormes diferenças de regime de propriedade no Portugal Continental. 
Acrescento que tenho uma noção muito exacta das transformações graduais e, na minha perspectiva trágicas, no plano sócio-económico e inerente despovoamento do território. Noção muito concreta desde 1969.

Andam por aí uns farsantes sem nenhuma vergonha na cara que se vangloriam de apagarem mais de 80% dos incêndios em menos de hora e meia. Dizem por aí que 1% garante 90% dos grandes problemas, mas eles andam e continuam ufanos e contentes.
Dizem-me que em Mação foi há algum tempo colocada no terreno uma logística piloto aparentemente com resultados positivos. Mas este ano Mação ardeu violentamente, outra vez.
Ouço dizer aos governantes que as ajudas estão já no terreno. Ouço autarcas das zonas afectadas a dizer que não é bem assim.
A legislação  determina limpezas de matas e florestas, 50 mts à volta de casas, 10 mts à volta de estradas. Vê-se por todo o País que nada disto ocorre. 
À boa maneira da demagogia da patética actriz, devem faltar fiscais!!!!

As fotografias supra são de Julho passado, mostrando uma pequeníssima parte daquilo que em 1969 era uma pujante quinta, bem explorada, dando lucro, muita fruta, vinho, aguardente, etc.
Dizia-me em 2007 a velhota vizinha na aldeia - "o avô da sua senhora não era dos piores patrões". Senti um ligeiro arrepio na espinha. Sim, sei bem que as condições laborais eram más.
A realidade da vida ditou a herança desta e outras por vários, o abandono, o desaparecimento de quem lá trabalhava por morte e mudança de ares. Mas a terra está lá, agora com um a tentar diminuir o matagal, que não vos mostro.
Os pomposos, como Costa, Capoulas, Cristas, palram muito, mas não me encantam.

Neste âmbito existem múltiplos factores e problemas conhecidos mesmo para um leigo em agricultura, agro-pecuária, floresta.
Regime de propriedade muito variado, a questão das espécies arbóreas (pinheiro, eucalipto, carvalho, castanheiro, sobreiro, cerejeira, azinheiro, etc), o tema cadastral das propriedades, a prevenção que devia ser executada do fim do Outono ao início da Primavera, a reforma da floresta, a gestão da paisagem, a actividade de produção florestal e inerente rentabilidade, biomassa e necessárias centrais de tratamento, gestão de matos, indústria da celulose/ do papel, logística de combate aos incêndios, etc.
Também não é preciso ser licenciado para perceber que combater um incêndio numa cidade não é o mesmo que no campo e é certamente diferente nos processos nos meios nas técnicas e na formação. 
E sobretudo, deve haver ou não continuação de respeito pela propriedade privada? E não urge estabelecer regras para o País em que se ponderem os minifúndios e etc, mas em que os beneficiários venham a suportar os custos dos benefícios que resultarem do ordenamento a definir?  

Porque arde tanto?
Não sei bem. Mas não sendo especialista, e usando a sabedoria popular inerente a qualquer cidadão simples, é fácil concluir que 99,99% dos incêndios não começam por causa de trovoadas secas, downbursts, reflexos de janelas.
Certamente que a esmagadora maioria dos incêndios é provocado por mão humana, fogo posto. Sim, uma pequena percentagem por maluquinhos mesmo, maluquinhos que acham piada ás chamas e  filhos da **** que são pagos para tal.
Ah, prove isso que está a dizer.
Bem, eu não posso nem me compete provar nada mas, de acordo com o que é noticiado há anos, cada ano prendem dezenas e dezenas de pessoas. O que lhes aconteceu? Molduras penais? Juízes a mandar para casa e a dar sempre outra oportunidade?

Eu não estou a insinuar nada mas vamos lá a ver:
> Como está a legislação? não é pornograficamente branda?
> É só garantias, e todos os anos derretemos milhões dos nossos impostos a engordar.........QUEM?
> E todos os anos a destruir património?
> Não se devia olhar para isto a sério?
> Das dezenas e dezenas pirómanos apanhados ao longo dos anos, nenhum foi com a boca na botija? O que lhes aconteceu? Não existe aí nada para ponderar, alterar?
> Será que não há também uns problemas à volta de terrenos de caça? Invejas? 
> E a venda da madeira queimada?
> Não se devia investigar a sério esta história dos negócios e contratos das aeronaves?
> Não se devia investigar quem está por trás dos fornecedores de material para combater incêndios incluindo tudo o necessário para equipar homens?
> Não seria de passar a pente fino, digamos desde há 30 anos, os concursos e toda a gentinha que se reclama de nunca estar a ferir o código deontológico profissional?
> Quem beneficia do quê?
> E que tal olhar para certas revistas ligadas ao sector?
> E a questão da Força Aérea?
> Tanta estrutura, tantos "boys" e "girls" na ANPC, tanta PJ, tanta proteção civil local, regional, nacional, tantos bombeiros e associações e ligas dos mesmos, tanto helicópterozinho pequenino a combater chamas, tanto SIRESP, tanto dinheiro a escorrer para tanto lado e NADA, continua-se a NADA SE FAZER?

"Ah, na AR estão a resolver agora, finalmente, o problema".
DESGRAÇADO PAÍS,  desgraçados de NÓS.

Eu sei que, infelizmente, entre muitas outras coisas faltam cabras para ajudar na limpeza de pastos.
Mas cheira-me que há  é  ****ões a mais.
Como dizia o outro - Portugal é um País demasiado pequeno para se roubar tanto.

António Cabral (AC)

sábado, 1 de julho de 2017

PERGUNTAS POR RESPONDER
No meu post de 20 de Junho passado, na sequência da tragédia iniciada a 17 de Junho, coloquei várias das muitas possíveis perguntas que se podem fazer mesmo que isso desagrade a muita gente, e designadamente ao PR, ao locatário de S.Bento ao governo e PS e à maioria dos autarcas de todas as cores.
Depois de assistir ao Expresso da meia-noite terminado há pouco, onde gostei de ouvir sobretudo três dos convidados (vereador de Mação, o técnico à sua esquerda e o representante de uma associação) verifico que boa parte das minhas perguntas não são assim tão descabidas.
E quem ande pelo "deserto interior" como eu ando, facilmente percebe as realidades, e lembra-se depois dos finórios que almoçam na "lanchonete" da AR e tratam de tudo e mais alguma coisa fracturante ou não, com os resultados que estão à vista.
Há mais que dois Países, que não as grandes cidades e o litoral por um lado e o resto por outro.
Quando se fala em abandono do Tejo para cima é bem verdade.  Mas do Tejo para baixo a coisa também não está famosa.
Legislar para um país que não existe é típico de Capoulas e outros de todos os partidos.
> Sabem quantas pessoas vivem em Penamacor?
> Quantas em Portalegre ? (por acaso capital de distrito)
> Sabem as indústrias a funcionar/ laborar em Tomar?
> Sabem quantos funcionários da Camara Municipal de Idanha-a-Nova vivem na cidade ou mesmo no concelho respectivo?
Fico por aqui. 
Não, não fico, digo mais uma: essa coisa das ZIFs em que concelhos vai conseguir ser aplicada?
Com a minha experiência de andar por aí faço uma pequena ideia.
Claro que por exemplo o ministro Capoulas calcorreia muito mais o País do que eu, só à feira de Santarém (durou 9 dias) deste ano terá ido 5 vezes, ao que dizem.
AC