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sábado, 10 de janeiro de 2026

A PROPÓSITO de INCÊNDIOS e POLÍTICOS 

Na sequência dos incêndios de 2017, um bom amigo integrou um grupo de investigadores e estudiosos sobre o nosso território, e estudaram o assunto. Depois de muitas reuniões, estudos e visitas, redigiram um manifesto. 

Presumo que os governos de Costa e seguintes pouco lhe têm ligado. As últimas notícias dizem-me que prossegue a rebaldaria sobre contractos para aeronaves para combater incêndios e até se fala nas notícias em cunhados conhecidos. O costume.

Este meu bom amigo entendeu voltar a ler o manifesto para o qual contribuiu, e resolveu republica-lo na sua conta de "Facebook", face ao que se vai e não vai passando e face aos mega projectos de centrais fotovoltaicas. O meu amigo passou-mo (só tenho este modesto blogue) por correio electrónico e aqui fica. 

Sublinhados são da minha responsabilidade.

António Cabral (AC)


Incêndios, territórios e fragilidade económica e social:
Pensar o país inteiro


Este texto constitui o contributo de um conjunto de investigadores de várias
disciplinas que se dedicam a estudar a sociedade portuguesa dando especial
atenção às questões dos territórios, da floresta, da agricultura familiar, do
desenvolvimento dos espaços rurais, da administração pública e da
responsabilidade social e política. Ele resulta de uma mesa-redonda pública
realizada na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra no dia 3 de
novembro de 2017.

O que motivou esta reflexão foi a convicção de que os incêndios que têm
flagelado o país (em particular os deste ano de 2017) exigem uma tomada de
consciência clara da ligação entre a tragédia e a crescente fragilização e
deslaçamento de grande parte do espaço nacional, dos seus modos de vida e das economias que aí existem. Estamos perante um fenómeno complexo,
multidimensional, revelador de diversos problemas: das economias agrícolas, da floresta, dos espaços rurais, da paisagem, dos territórios não-urbanos, dos
próprios territórios dos núcleos urbanos fragilizados.


As propostas que aqui se apresentam reclamam uma ação integrada e estrutural
centrada nos meios rurais e na floresta, na agricultura,na paisagem e no
robustecimento das próprias economias de pequena e média escala urbana. Por isso, exige-se uma alteração radical do modo como o país tem tratado o seu
território, orientando-nos agora para a sua reconstituição como sujeito dotado
de capacidades produtivas e articulado entre si pela ação pública. 
consequentemente assumem importância excecional os Programas Operacionais
do Portugal 2020, incluindo o PDR, que têm de ser chamados para o
financiamento das ações com efeitos a médio e longo prazos.

1. Intervir perante a urgência com sentido de longo prazo
O fogo em fúria transbordou da floresta e arrombou-nos as portas, não só em
locais remotos, mas em espaços urbanos de média dimensão, colhendo vidas e
meios de vida, florestas e matos, campos de cultivo e equipamentos fabris. Que
mais é preciso para despertar o país de uma prolongada complacência com
tendências económicas e demográficas tidas como inelutáveis de concentração
em polos de competitividade a par do abandono em territórios tidos como
marginais?

Se há catástrofes capazes de acordarem as consciências e o sentido da
responsabilidade coletiva, a que ocorreu este ano tem de ser uma delas. Os riscos
são demasiado visíveis para serem ignorados. A destruição pode impelir parte
significativa das populações diretamente afetadas, mais conscientes das
proporções do perigo e privadas de meios de vida, a procurarem refúgio em
zonas urbanas, supostamente mais protegidas. O impacto de curto prazo pode
assim somar-se cumulativamente às causas estruturais que estão na origem da
catástrofe, dificultando ainda mais as respostas de médio e longo prazos que
pressupõem sempre o povoamento do território.

Ao agir em consonância com aquilo que o sentido de responsabilidade exige, é
portanto essencial combinar duas linhas de ação: por um lado a intervenção
reparadora de urgência, capaz de regenerar – reerguer casas, fábricas e
equipamentos sociais, reflorestar terrenos, evitar danos colaterais, contendo
desta forma novos refluxos demográficos; e por outro lado a ação reformadora
de tempo mais longo, orientada para a correção de vieses estruturais locais
passiveis de solução e para a adaptação a alterações de alcance global,
nomeadamente climáticas.

2. Não há solução sem haver pessoas
O Portugal democrático criou uma visão redutora de urbanização e explorou-a
perigosamente. Deixou progredir a ideia de que tudo se podia basear em cada
cidade e que cada uma se bastava a si mesma. Descuidou-se a provisão pública
de serviços de bem-estar no meio rural e noutros pequenos meios e não houve
investimento criterioso. A melhoria da vida, da saúde, do trabalho e da educação,
assim como a facilidade de transporte ou o direito a férias e ao justo lazer não
foram relacionadas com a agricultura e com as outras atividades em espaço
rural.


Ora, as aldeias, os lugares ou mesmo casas isoladas não são sobejos
demográficos, dados sem significado. Esses concidadãos que nelas vivem, afinal,
quem são? São os “resistentes por opção”, os que tendo poder de escolha
optaram por ficar entre os seus e, desde então não mudaram o trajeto de vida.
São ainda os “resistentes por falta duma aberta”: filhos da terra presos por
amarras e que até agora não ousaram a fuga. Por fim, são também os “neo-
resistentes”, os recém-regressados à terra na qual nasceram ou cresceram. Após
a saída para a cidade (no país ou fora deste) e depois duma vida de muito
trabalho e pouco lazer, retornam à aldeia-raiz, da qual nunca se desligaram
afetivamente.

Ignorar esta gente que teima ficar onde ora está – in loco no meio rural - e
menosprezar novos moradores só agravará o risco social dos incêndios e cavará mais depressa a sepultura do país inteiro.
Reclama-se, pois, que as políticas públicas usem em todo o seu ciclo (da
concepção à avaliação) metodologias de ação que tenham em conta a perceção
dos problemas por parte dessas pessoas e que interpretem as resistências como
sinais de alerta para detetar e prevenir efeitos negativos de que não se tem
consciência.

3. Organização florestal, modelos de silvicultura e associativismo: a
sustentabilidade da floresta

A floresta está indubitavelmente no centro dos problemas e das ações a
desencadear. A propriedade privada e a sua fragmentação em unidades de
exploração de pequena dimensão, nomeadamente no Norte, Centro e em parte
do Sul do país, são predominantes. A rentabilidade negativa de muitos espaços
florestais para os seus proprietários explica grande parte do seu “abandono”,
situação que se tem vindo a agravar desde meados do século passado, embora
esses espaços continuem a gerar um benefício social positivo devido aos serviços
ambientais que prestam à comunidade e que a contabilidade negativa da sua
exploração não regista.


Do reconhecimento destes factos decorrem prioridades de políticas públicas
muito precisas, designadamente as que reorganizem a produção florestal através
do fomento de formas de gestão agrupada e que valorizem a multifuncionalidade
dos espaços florestais apoiando os produtores que se organizem nesse sentido. .
A tal finalidade devem afectar-se verbas do Fundo Florestal Permanente, através
de contratos-programa de médio prazo (sujeitos a avaliação independente),
complementados com recursos das autarquias locais, dos produtores florestais e
doutros agentes. O envolvimento ativo das autarquias, desejavelmente ao nível
intermunicipal, é essencial para a promoção dessas formas de gestão agrupada e
do papel positivo que elas devem desempenhar na execução de Planos Diretores
Municipais e de Planos de Defesa da Floresta Contra Incêndios.

Os contratos-programa fomentadores da gestão florestal agrupada devem
incentivar a capacidade de planeamento estratégico e participativo das
organizações que os promovam, e devem ser integradores das medidas de apoio
nesta área (ex. sapadores, ZIF, certificação, cadastro, fitossanidade,
aconselhamento técnico, formação e investigação, etc.).
A isto deve juntar-se a resolução dos estrangulamentos legais que permitem a
eternização das heranças indivisas e de formas de divisão da propriedade
dificultadoras da gestão ativa dos terrenos; assim como a disponibilidade de
instrumentos de natureza legal, fiscal e outros que evitem situações,
judicialmente comprovadas, de propriedades cujos donos são desconhecidos ou,
se se conhecem, têm comportamentos que prejudicam esse esforço coletivo.

4. Uma agricultura familiar sustentável: a base produtiva de territórios
vivos

Portugal tem um território muito diversificado e uma agricultura plural
constituída por um mosaico de sistemas agrícolas. A agricultura familiar tem
relevante expressão social, económica e territorial, pois representa 97% do
número total das explorações, ocupa 56% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU),
contribuiu com 42% para o Valor da Produção Total (VPT) e tem peso muito
expressivo nas Beiras, em Trás-os-Montes, no Minho e no Algarve, regiões de
baixa densidade que têm perdido população e com baixos índices de
conhecimento profissional e técnico. São também estas regiões que têm maiores áreas ardidas.


O Ministério da Agricultura dos sucessivos governos tem encarado a agricultura
familiar como uma agricultura residual, inviável do ponto de vista económico,

concedendo-lhe um apoio financeiro de natureza social, no fundo, uma política
sem perspectivas de desenvolvimento. A situação atual é de rotura, pois não é
possível encontrar soluções viáveis nas regiões em que predomina a agricultura
familiar com o modelo dominante de desenvolvimento que tem como referencial
a grande exploração - política que privilegiou cerca de 3% das explorações
existentes (as explorações de grande dimensão económica) onde se concentra a
maior parte dos investimentos e dos apoios aos produtores.

Existem alternativas, como bem o demonstram exemplos de regiões de outros
países europeus, onde a modernização da agricultura familiar aumentou a
produção, a sua valorização e melhorou as condições de vida dos agricultores,
investindo prioritariamente em inovação e investigação agrária aplicada, na
oferta de inovações técnicas e institucionais adaptadas a essas explorações,
suportada por financiamentos públicos.
O desenvolvimento da agricultura só é possível com a coabitação de dois
modelos, o da grande exploração e o centrado na agricultura familiar. A questão
é eminentemente política, pois está em causa a repartição dos financiamentos
públicos, dos investimentos, dos pagamentos aos produtores e dos modelos de
organização territorial e setorial para apoio ao desenvolvimento.

5. A floresta, o ecossistema vital e a valorização ambiental
Precisamos de uma floresta que assegure equilíbrio entre a função económica de produtividade silvícola e a conservação dos múltiplos recursos que formam o nosso ecossistema vital. São bens essenciais e muitos serviços que não
valorizamos: a qualidade do ar, a água, o solo que é o substrato da vida. Cuidar e
valorizar os ecossistemas florestais é condição de riqueza do país e qualidade de
vida dos portugueses, importando promover as espécies nativas e a composição
diversa da floresta.

Propomos um programa integrado de apoio às aldeias, cada uma delas entendida como uma comunidade; a adoção de novos modelos de governação, formal e informal, que aproximem as decisões públicas das pessoas e que propiciem
soluções mais integradas para os problemas específicos destes espaços socio-
territoriais; uma aposta persistente na sensibilização e formação das
comunidades para a prevenção das situações de risco; um compromisso pela
edificação de uma outra floresta, apoiada em novos modelos de silvicultura, na
conversão em paisagens diversificadas e na valorização dos matos e incultos; a
valorização energética da biomassa, que deve beneficiar do Plano nacional de
biorrefinarias proposto pelo governo no âmbito da reforma florestal

Por sua vez, às outras produções dos espaços rurais não é possível competir com as lógicas de distribuição e mercado que lhes são impostas. As pequenas
economias de escala local são assim condenadas às margens da viabilidade e as
explorações agrícolas remetidas ao abandono. O contexto daí resultante não
motiva a fixação de novos agentes. Importa transferir conhecimento e estimular
a inovação nos espaços rurais, tendo por base novas produções, novos modelos e
técnicas produtivas e uma base comercial mais justa para os respetivos produtos
e serviços.
É necessário que a contratação de fornecimento de bens e serviços que tenham
origem nos espaços rurais seja equacionada e formatada de forma diferente por
todas as entidades públicas que deles façam uso.

6. Refazer um território nacional deslaçado: escolher uma ordem
territorial e pensar o país inteiro

Temos de saber sob que ordem territorial se está a viver e que uso de território
se está a fazer. Esta é uma escolha essencial que tem de ser clarificada, não
podendo ser subtraída à consciência pública. As deliberações fundamentais
contidas no PNPOT-Programa Nacional da Política de Ordenamento do
Território, tomadas na Assembleia da República por unanimidade, têm sido
sistematicamente ignoradas ou contrariadas.
Os incêndios desde há muito e especialmente este ano, puseram a nu a enorme
fragilização de muitos territórios do país, de diferente natureza, e a crise
profunda da articulação e da solidariedade territorial em Portugal. As
comunidades rurais, as pequenas aglomerações urbanas e até as cidades médias
tornaram-se objetos esquecidos da política pública, que se refugiou em meras
medidas de descentralização para a escala municipal ou intermunicipal, ao
mesmo tempo que se afirmou um modelo de desenvolvimento unipolar, de
escala metropolitana e assente na concentração de recursos humanos, em grande parte precários e com baixos salários. Na nossa contemporaneidade, o país nunca foi tão desigual do ponto de vista socioterritorial.


Precisamos agora de garantir que se olha para o país inteiro – não apenas com a
razão da solidariedade, mas também como condição de eficiência. Para que se
possa ficar a viver e a trabalhar em economias que o próprio território organiza e
desenvolve é necessário fortalecer a malha urbana e articular as infraestruturas,
olhar para os espaços que habitualmente designamos rurais e vê-los como
lugares onde se pode desenvolver a produção e a valorização dos seus recursos e
dos seus habitantes, assumir a importância de haver interlocutores políticos de
escala regional e não apenas municipal ou intermunicipal, reconfigurar a
administração pública para que ela própria exista para o território e para agir em
nome dele. Chama-se a isto, desde há muito, desenvolvimento integrado.

7. Uma administração para o território: ação pública e capacitação
institucional

A administração pública está hoje mais desligada do território e dos seus
problemas. Múltiplas mudanças na organização e na vocação dos serviços
desconcentrados desfizeram a proximidade necessária e a organização de
competências técnicas e profissionais em sedes institucionais de base regional.
Prevaleceu a ideia de que à política pública bastava pôr recursos financeiros a
circular, difundir princípios e normativos (em geral de natureza europeia), e
definir as condicionalidades a que os atores devem obedecer para serem
“elegíveis” ou excluídos. Ora, continua a haver necessidade de conceber,
coordenar, executar e avaliar políticas de desenvolvimento dos territórios, sendo
essa uma missão da administração pública, tendo em conta as suas
potencialidades e os objetivos que o país lhe atribui.


O Estado não pode apenas descentralizar missões difíceis. Tem ele próprio de
assumir intervenções territorialmente integradas, fixar competências e
capacidades institucionais, definindo-se os níveis apropriados (NUTS II ou NUTS
III) de coordenação das ações relevantes. É neste contexto que podem ser bem
estabelecidas e reforçadas, a articulação e a maior cooperação entre o Governo e
as Câmaras Municipais.

16 Novembro 2017
- Agostinho Carvalho, Prof. Universitário (Jubilado)
- Américo Carvalho Mendes, Prof. Associado Católica Porto Business School;
Presidente Associação Florestal do Vale do Sousa
- António Covas, Prof. Universidade Algarve
- António Louro, Presidente Forum Florestal
- Armando Carvalho, Engº Florestal
- Helena Freitas, Profª Universidade Coimbra; ex-Coordenadora da Unidade de
Missão para a Valorização do Interior
- João Guerreiro, Prof. Universidade Algarve
- José Castro Caldas, Investigador Centro Estudos Sociais (UC)
- José Portela, Prof. UTAD (Aposentado)
- José Ramos Rocha, Engº Agrónomo; Gestor de empresas
- José Reis, Prof. Faculdade Economia (UC); antigo Presidente CCRC
- Manuel Brandão Alves, Prof. ISEG (UL) (Aposentado)
- Pedro Bingre Amaral, Prof. Insituto Politécnico Coimbra
- Pedro Hespanha, Investigador Centro Estudos Sociais (UC)
- Victor Louro, Engº Silvicultor; antigo Presidente Comissão N. Combate à
Desertificação

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

P R O T E S T O

Protesto pela Floresta do Futuro

O que era esperado continua a acontecer. A destruição de áreas rurais, comunidades e territórios continua após décadas de avisos, de pareceres, de discussões, de traições e desprezo. O estado de degradação da floresta portuguesa continua a ser condição fundamental para a catástrofe: abandono, monoculturas industriais, espécies invasoras, degradação dos serviços de protecção e vigilância, desinvestimento no interior. Em cima disto, a seca engole o país devido à crise climática e o calor torna tudo mais frágil. Os incêndios que ocorreram este ano em Odemira, Proença-a-Nova, Monchique, Cadaval, entre outros, são a manifestação disto. Em ciclos cada vez mais curtos o nosso país está exposto a incêndios catastróficos que têm responsáveis.

Olhamos para o futuro e não podemos ignorar que o que está a acontecer é exactamente o que governos e celuloses impuseram: mais monoculturas, mais eucaliptos, mais incêndios, mais abandono, despovoamento, alterações climáticas, desertificação e perda de biodiversidade. Mais monoculturas de eucaliptos, invasoras e espécies de crescimento rápido com apetência pelo fogo substituem a floresta autóctone, acelerando este ciclo. E o clima muda, fica mais quente, mais seco, com secas, verões mais longos e menos dias de chuva. O deserto está a ganhar. Esse também é o plano dos governos e das celuloses. Não têm outro plano e rejeitam qualquer alternativa.

As medidas que não revertem este ciclo, aceleram-no. Precisamos de floresta como a primeira barreira contra a seca e desertificação. Para isso temos de mudar a paisagem. Não daqui a décadas, agora. Temos de responsabilizar as celuloses que nos trouxeram até aqui, a The Navigator Company e a Altri Florestal, e os governantes que lhes estenderam a passadeira - de todos os partidos. Não as travaram e entregaram-lhes o futuro do nosso país. Não podemos aceitar mais isto. As celuloses têm de pagar a destruição do passado e a atual.

Responsabilizamos também as empresas portuguesas que continuam a agravar a crise climática, como a Galp e a EDP, que planeiam continuar as suas atividades destruidoras e extrativistas durante décadas, lucrando como nunca e rejeitando os cortes de emissões necessários para travar o caos no clima. É urgente assegurar as necessidades das pessoas, o equilíbrio ambiental e a saúde pública e não os negócios de sempre.

Precisamos menos ignições e menor área ardida. Isso significa ter um cadastro florestal total do território nacional, e o que está abandonado tem de ser assumido pelo Estado. A áreas abandonadas têm de ser geridas, não pelas estruturas caquéticas atuais, mas por uma instituição criada para o efeito. O rumo seguido durante décadas no mundo rural em Portugal foi feito em oposição aos pequenos proprietários e à diversificação rural, agrícola e florestal, mantendo propositadamente preços baixos e pobreza permanente. Uma floresta de futuro tem de ser construída com intervenção direta do estado, mas de um estado que rejeite ficar nas mãos de uma indústria devastadora para o país, como é a das celuloses.

Temos de deseucaliptizar Portugal. Precisamos de tirar 700 mil hectares de área de eucaliptal no país esta década - que corresponde fundamentalmente ao que tem sido abandonado - e transformar essas áreas em floresta e bosque resiliente que aguente o futuro mais quente e mais seco que a crise climática produziu. Temos fazer isto acontecer para travar o deserto.

No dia 3 de Setembro saímos à rua, em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Odemira, na Figueira da Foz, em Viseu, em Oliveira do Hospital, em Arganil, na Sertã, no Cartaxo, em Proença-a-Nova, em Vila Nova de Poiares, ... e em outros territórios porque as promessas e os remendos dos últimos anos nunca cortaram a lógica que nos trouxe até aqui e que nos levará, se não nos rebelarmos, a abdicar do território em que vivemos para que se torne uma zona incapaz de sustentar populações, incapaz de defender vidas. Saímos à rua por um futuro muito além da lógica redutora dos ciclos económicos e políticos. Basta
.

Li isto, duas vezes, calmamente.
Sublinhei algumas partes.

Antes de mais, não sou silvicultor, agrónomo, não tenho acções de nenhuma empresa, não sou proprietário de extensões de eucaliptos/ sobreiros/ castanheiros/ pinheiros/ nogueiras/ oliveiras/ vinhas/ outros produtos agrícolas. 
Sou co-proprietário, com a minha mulher e respectivos irmãos, de um terreno de 0,752 hectares (junto da aldeia de Monsanto, que era da minha sogra, à venda desde 2010, e que ninguém compra apesar do preço ridículo que pedimos há anos), em que mais de metade tem penedos e pedras, numa extrema está um velho palheiro meio desmoronado, e o restante tem talvez 3 a 4 dezenas de eucaliptos que, quando já estão mais crescidos, são cortados em toros pequenos para juntar ao azinho e outras espécies, para gáudio das nossas lareiras na invernia da Beira-Baixa.
As ervas, folhas, e mato são rapados de dois em dois anos para prevenção de incêndios.

Isto dito, e apesar da vivência de décadas com as quintas (e seus problemas, antes e depois do 25ABR74) de um primo direito (engenheiro agrónomo) da minha falecida sogra, e ter um amigo muito conhecedor do mundo agrícola e florestal e dos mercados abastecedores e do ministério da agricultura logo a partir de 1974, em bom rigor não percebo NADA de florestas e agricultura.

Mas sei de experiência própria, vivida, o que é abandono, nas Beiras, Trás-os-Montes, Alentejo e Algarve. 
Sei bem o que é fuga de pessoas para a orla costeira, por exemplo no respeitante às Beiras.

Soube de algumas consequências da chegada dos primeiros fundos da Europa - oh António, a vinha da "Pereira" continua a dar bom vinho mas eles dão-me mil contos para a arrancar . . . .
Conheço o caricato de um velhote daqui da aldeia já não ter conseguido identificar/ encontrar uma pequena quinta que a família terá para os lados de Vila Velha de Ródão.
Sei bem onde havia vigilância das florestas e sei o que há agora (Beira-Baixa)
E podia continuar o dia todo, sem parar!

Pessoalmente, entendo que há muito que protestar, sobre as nossas florestas, sobre o nosso mundo agrícola, e muito mais na sociedade portuguesa. 
Fico pela floresta e pelo mundo agrícola.

Indo ao protesto a que alude o radical cartaz supra.
Reparei que, como em relação a tantas outras coisas e temas em Portugal, houve grande alarido a anunciar mais um protesto mas, depois, como em relação às touradas, ficam-se quase só pelas touradas no leito!
Imagens e notícias sobre os grandes protestos?
Que proporção entre os anúncios mediáticos e a concretização? Hummmm!

A desertificação, a fuga das pessoas para a orla costeira, o abandono do trabalho agrícola porque nomeadamente não pago como devia ser, são tudo aspectos que têm origens.

Mas quando continuamos apenas com folclore de uns grupinhos que querem decidir da minha felicidade, quando o designado mais alto magistrado da Nação continua com as crescentes parvoíces e irritações, quando todos querem é falar para um microfone, não vejo como se altera o que respeita à floresta. Floresta para a qual as políticas deixam muito a desejar, mas há anos!

A luta de certos grupos de pressão cuja expressão/ representatividade  na sociedade é muitas vezes mais que de duvidosa expressão, conduz rigorosamente a NADA de palpável. 

E a nada de positivo conduzem as acções e inações e compadrios dos poderes públicos, os actuais, e os anteriores.
Não saímos disto.
AC

quinta-feira, 20 de julho de 2023

SALVO MELHOR OPINIÃO . . . 
É eloquente da tragédia em que se transformou Portugal.
Já foi um país a sério.
AC

Há um alargadíssimo consenso sobre o diagnóstico negativo relativo à gestão dos dois terços do país que não corresponde a áreas urbanas e agrícolas.

E há também um razoável consenso sobre a falta de resultados positivos das políticas públicas que pretendem dar resposta a esse problema.
……… 
O governo, o Estado e a sociedade reconhecem a falta de resultados do que tem sido feito.

Ora se criam estruturas de missão para o interior ou ministérios da coesão, ora se proibem ou limitam as actividades que se escolhe em cada momento como bode expiatório, ora se despeja dinheiro em soluções milagrosas.

Já foram os madeireiros e a compra de madeira queimada, já foi a actividade imobiliária, já se perseguiram os proprietários absentistas, ultimamente tem sido o eucalipto, enfim, vai variando a actividade, mas não a intervenção administrativa de condicionamento.

Do lado das soluções milagrosas, já foram as ZIFs, as redes de faixas de gestão de combustível, o financiamento de gabinetes florestais municipais, Planos de Ordenamento Florestal, enfim, o Céu é o limite para a invenção de novas soluções milagrosas para resolver de uma penada um problema complexo de economia que se agrava há décadas.

Uma das últimas soluções milagrosas assenta numa ideia que alguns consideram nova: transformar a paisagem que existe na paisagem que deveria existir, de acordo com as opiniões de pessoas que dão conselhos sobre o que os outros devem fazer melhor, pessoas que, por acaso, nunca fizeram, elas próprias, melhor

Resumindo, alguém achou muito inovador torrar milhões a tornar realidade utopias.

. . . . . 
Certo, certo é que desde 2018, logo depois do incêndio de Monchique, em que foi lançada esta utopia de transformação da paisagem, formalizando-se numa matriosca de estratégias, planos de ordenamento, planos de acção, etc., já se consumiram uns milhões, já se comprometeram para o futuro próximo mais outros milhões e prometeram-se para o futuro mais longínquo ainda mais milhões, mas no terreno, até agora, nada, nada, nada, nem mesmo na única área em que se conseguiu aprovar um plano: Monchique.
. . . . . 
A única transformação visível, até ao momento, é a transformação habitual, a transformação de dinheiro de todos os contribuintes em dinheiro de alguns prestadores de serviços, o principal dos quais, o Estado.
. . . . . . 
Henrique Pereira dos Santos

domingo, 26 de fevereiro de 2023

CREIO QUE É UMA VISÃO LÚCIDA, SENSATA
. . . . .
"Para fazer uma boa governação é fundamental ouvir quem está no terreno, mesmo tendo consciência de que não vamos conseguir resolver todos os problemas em simultâneo". . . . 

O problema, o pior, é depois a realidade, as acções, as inações, a demagogia, a propaganda.
Opinião pessoal, naturalmente, o período do ano passado foi mais equilibrado no que respeita ao flagelo incêndios, melhor, mas continua a cena da (des) organização, dos helicópteros, da não gestão da floresta, da inexistência de cadastro do território, do governo PS não saber muito bem ou mesmo nada o que tem, e ter muito desleixo e incompetência entre portas.
Aguardemos por Maio/ Junho.
AC

sexta-feira, 3 de abril de 2020

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Populus alba
Não, não tem nada a ver com populismo.
É o termo científico do Choupo-branco.
AC

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Populus nigra
Não, não tem nada a ver com populismo nem racismo.
É apenas o nome científico do Choupo-negro
AC

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

SAMBUCUS  NIGRA
Não, não tem nada a ver com racismo.
É o nome científico do salgueiro branco
AC

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Chapéus há muitos,...e Quercus também
Não, não me estou a meter com uma organização ambientalista.
Mas existem muitas quercus: "canariensis", "coccifera", "faginea",
"pyrenaica", "rivas-martinezii", "robur", "suber", "rotundifolia".
Estamos no campo das espécies indígenas que cobrem o nosso território.
AC

quarta-feira, 21 de março de 2018

domingo, 5 de novembro de 2017

COISAS  CONTEMPORÂNEAS (3)
Toca a recordar uma coisa contemporânea, e curiosa, e do princípio deste ano.
Mas começo mais uma vez pela tragédia de meio deste Outubro que colocou ainda mais a nu a desgraça nacional no que respeita, a não existir ordenamento do território, floresta e matas muito ao abandono, muitos matos, muitos baldios. Muito desconhecimento sobre quem é proprietário do quê. Muita incompetência, muito nepotismo, muito amiguismo, muita desfaçatez, muita provável corrupção e clientelismo.
Ouvem-se emoções, comoções, o governo reuniu naquele Sábado e sacou de um rol de medidas, e o PR veio inevitavelmente dizer que vão no bom sentido, mas agora aparecem rumores de que desconfia cada vez mais. E ouvem-se críticas violentas aos eucaliptos. Outros os defendem, outros apresentam discursos e soluções que parecem consistentes e ligados à terra, ao mundo rural, ao que é urgente de facto inverter.

A terminar esta espécie de introdução recordo ainda que, por exemplo (são só 3), seja sobre este tipo de tragédia, ou seja sobre a banca, ou seja sobre a sempre eterna indefinição do que devia o País ter quanto a Forças Armadas, aparecem sempre uns "santos" a dizer que não é hora de prender, apontar culpados do passado, bodes expiatórios, etc, mas sim olhar em frente.
Direi apenas, é já muito tarde continuar a não ter um desígnio para o País, é trágico que tenham sido destruídas vidas humanas e é urgente, portanto, tentar que este governo (porque é o que está em funções, aqui, hoje,  não posso ir chamar um anterior para governar) tome juízo e faça o que um governo deve fazer, servir a sociedade. 
SERVIR e não, SERVIR-SE
Mas esta coisa nacional de nunca se tratar como devem ser tratados os culpados pelas desgraças, roubalheiras e pouca-vergonhas, dá que uns bandidos se continuem a rir na nossa cara, e os bens deles nunca os perdem. Vão para o Panamá, o Luxemburgo do Juncker, Malta, etc. Ou acreditam que eles não têm lá fora o essencial do que foram tirando de cá? Lembram-se do pantomineiro que vive na miséria porque só tem uma velha mota de água?

A coisa contemporânea do princípio do ano é o anúncio da disponibilização de uns quantos milhões de euros para melhorar a produtividade do eucalipto. O PM António Costa que tem sempre na ponta da língua aquela chapa - é absolutamente essencial - esteve meses atrás na Figueira da Foz.
As celuloses, que parecia na altura prepararem-se para investir forte, iriam ter 18 milhões disponibilizados para investimentos que gerassem a melhoria da produtividade do eucalipto.
Também apontou o PM o caminho para uma melhor gestão, melhor ordenamento, melhores condições para exploração de terrenos.

Com isto tudo que se tem passado agora, como será a história desses 18 milhões? Será que no frenesim daquele conselho de ministros especial num Sábado, os pés estariam assentes no chão, as emoções dominadas, o pensamento a sério virado para com muita urgência criar todas as condições para todas as autarquias poderem passar a iniciar o cadastro que nunca fizeram? E olharem à recuperação urgente das debilitadas economias que existiam na parte do País agora devastada?
Quantos milhares de ovelhas e cabras morreram? Como se repõe?
E pastores? Fico por aqui, a lista é infindável. Isto é trágico e o OE actual neste momento vale pouco mais que ZERO. 
Aprovado na generalidade. Aguardemos a especialidade.

De acordo com alguns, devo estar a exagerar, estava quase tudo certamente em ordem neste País e,  concretamente no mundo rural. Mundo por onde tenho andado mais intensamente de 2007 para cá.
Boa noite e boa sorte, como se dizia num certo tempo
Aguardemos o que será a concretização de tudo o que foi pomposamente anunciado. Mas estou muito desconfiado. 
E não é por o dinossauro da liga dos bombeiros se mostrar já desagradado, o que se esperava, dados os antecedentes.
António Cabral

domingo, 22 de outubro de 2017

Para lá da cortina de fumo
jornalista MANUEL CARVALHO 14/08/2016 
"O que mais espanta no clamor que se ergueu com os fogos florestais não é a comoção nem a revolta; é mesmo o espanto. Um espanto que diz muito sobre PortugalO que mais espanta no clamor que se ergueu com os fogos florestais não é a comoção nem a revolta; é mesmo o espanto. Um espanto que diz muito sobre Portugal. O país modelo da falta de memória, o exemplo da incapacidade de aprender com erros próprios, o monumento à arte de viver de expedientes – seja o ouro do Brasil ou a amizade de um secretário de Estado –, o país que tem um banco público aflito instalado num edifício megalómano digno de Ceausescu, que adora o efémero vistoso e odeia o trabalho de fundo dos bastidores. A floresta arde descontroladamente porque, uma vez mais, nos preocupamos mais com o aparato dos Kamov do que com a limpeza das matas, nos entretemos mais com os “teatros de operações” do que com o esforço duro e silencioso de criar aceiros ou limpar caminhos rurais. Continuamos a ser como uma mulher de casaco de peles que enverga por baixo um reles vestido de chita. Espanto? O melhor é recordar o que Sá de Miranda escreveu, já há 500 anos: “Pasmado e duvidoso do que vi, m'espanto às vezes, outras m'avergonho”.

Os sublinhados/ bolds são da minha autoria.
Conhecendo alguma coisa da vida, como é o meu caso já com muitas décadas em cima, e ainda que muitos dos homens da minha profissão não acreditem quando digo que não me espanto há muitos anos, não me espanta de facto nada do que vem acontecendo no meu País, há muitas décadas. 
Muitos acham um tremendo exagero quando eu digo que a nossa sociedade está a desmoronar-se. 
Às vezes afirmo até que está muita coisa podre. "Estás muito azedo", é a frase que algumas vezes alguns amigos me endereçaram no meio do calor da sua amizade.
As negociatas que andam por aí, há décadas, não espantam. 
Basta conhecer, por exemplo os episódios ao longo dos últimos 6 anos respeitantes ao material que devia ser instalado junto de uma determinada antena.
Basta conhecer algumas pessoas, e o quanto ficam inchadas por usar boina e terem uns galões, e muitos microfones e câmaras de TV à frente da cara.  
Inchadas com o seu temporário poder funcional.
A soberba, a pesporrência, a ausência de vergonha na cara, não são monopólio do actual PM. 
Basta, entre outras coisas, apreciar os chutos de certos vaidosos incompetentes do interior até à capital.
O que o jornalista acima disse, há mais de um ano, continua ou não 100 % actual?
Eu digo SIM, e cada vez m' avergonho mais.
António Cabral  (AC)

sábado, 5 de agosto de 2017

QUEM LIMPA?  QUANTO CUSTA?  CAPACIDADE?

Mais um ano que está a ser trágico. 
Dizem-me - ah, o Sul de Espanha França e Itália estão com problemas idênticos. Pois!!!
Não sou especialista, não sou bombeiro, não integro a estrutura da ANPC, menos ainda as estruturas partidárias, ou ONG's dedicadas à agriculta florestas agro-pecuária e afins.
Não sou de "achismos", mas muita coisa me faz espécie, e há muito anos. 
Procuro pensar, mas uma coisa tenho a certeza, este é um dos maiores problemas da sociedade portuguesa e sendo-o, e arrastando-se há décadas, acho muito estranho que não o ataquem a sério.
Ou se calhar não é nada estranho.
O que conheço neste âmbito?
Muito bem a Beira-Baixa, razoavelmente a Beira-Alta, o Minho, o Alentejo, algumas regiões dos Douros's, o Algarve, o Ribatejo. 
Isto para dizer que tenho uma noção exacta e muito concreta das enormes diferenças de regime de propriedade no Portugal Continental. 
Acrescento que tenho uma noção muito exacta das transformações graduais e, na minha perspectiva trágicas, no plano sócio-económico e inerente despovoamento do território. Noção muito concreta desde 1969.

Andam por aí uns farsantes sem nenhuma vergonha na cara que se vangloriam de apagarem mais de 80% dos incêndios em menos de hora e meia. Dizem por aí que 1% garante 90% dos grandes problemas, mas eles andam e continuam ufanos e contentes.
Dizem-me que em Mação foi há algum tempo colocada no terreno uma logística piloto aparentemente com resultados positivos. Mas este ano Mação ardeu violentamente, outra vez.
Ouço dizer aos governantes que as ajudas estão já no terreno. Ouço autarcas das zonas afectadas a dizer que não é bem assim.
A legislação  determina limpezas de matas e florestas, 50 mts à volta de casas, 10 mts à volta de estradas. Vê-se por todo o País que nada disto ocorre. 
À boa maneira da demagogia da patética actriz, devem faltar fiscais!!!!

As fotografias supra são de Julho passado, mostrando uma pequeníssima parte daquilo que em 1969 era uma pujante quinta, bem explorada, dando lucro, muita fruta, vinho, aguardente, etc.
Dizia-me em 2007 a velhota vizinha na aldeia - "o avô da sua senhora não era dos piores patrões". Senti um ligeiro arrepio na espinha. Sim, sei bem que as condições laborais eram más.
A realidade da vida ditou a herança desta e outras por vários, o abandono, o desaparecimento de quem lá trabalhava por morte e mudança de ares. Mas a terra está lá, agora com um a tentar diminuir o matagal, que não vos mostro.
Os pomposos, como Costa, Capoulas, Cristas, palram muito, mas não me encantam.

Neste âmbito existem múltiplos factores e problemas conhecidos mesmo para um leigo em agricultura, agro-pecuária, floresta.
Regime de propriedade muito variado, a questão das espécies arbóreas (pinheiro, eucalipto, carvalho, castanheiro, sobreiro, cerejeira, azinheiro, etc), o tema cadastral das propriedades, a prevenção que devia ser executada do fim do Outono ao início da Primavera, a reforma da floresta, a gestão da paisagem, a actividade de produção florestal e inerente rentabilidade, biomassa e necessárias centrais de tratamento, gestão de matos, indústria da celulose/ do papel, logística de combate aos incêndios, etc.
Também não é preciso ser licenciado para perceber que combater um incêndio numa cidade não é o mesmo que no campo e é certamente diferente nos processos nos meios nas técnicas e na formação. 
E sobretudo, deve haver ou não continuação de respeito pela propriedade privada? E não urge estabelecer regras para o País em que se ponderem os minifúndios e etc, mas em que os beneficiários venham a suportar os custos dos benefícios que resultarem do ordenamento a definir?  

Porque arde tanto?
Não sei bem. Mas não sendo especialista, e usando a sabedoria popular inerente a qualquer cidadão simples, é fácil concluir que 99,99% dos incêndios não começam por causa de trovoadas secas, downbursts, reflexos de janelas.
Certamente que a esmagadora maioria dos incêndios é provocado por mão humana, fogo posto. Sim, uma pequena percentagem por maluquinhos mesmo, maluquinhos que acham piada ás chamas e  filhos da **** que são pagos para tal.
Ah, prove isso que está a dizer.
Bem, eu não posso nem me compete provar nada mas, de acordo com o que é noticiado há anos, cada ano prendem dezenas e dezenas de pessoas. O que lhes aconteceu? Molduras penais? Juízes a mandar para casa e a dar sempre outra oportunidade?

Eu não estou a insinuar nada mas vamos lá a ver:
> Como está a legislação? não é pornograficamente branda?
> É só garantias, e todos os anos derretemos milhões dos nossos impostos a engordar.........QUEM?
> E todos os anos a destruir património?
> Não se devia olhar para isto a sério?
> Das dezenas e dezenas pirómanos apanhados ao longo dos anos, nenhum foi com a boca na botija? O que lhes aconteceu? Não existe aí nada para ponderar, alterar?
> Será que não há também uns problemas à volta de terrenos de caça? Invejas? 
> E a venda da madeira queimada?
> Não se devia investigar a sério esta história dos negócios e contratos das aeronaves?
> Não se devia investigar quem está por trás dos fornecedores de material para combater incêndios incluindo tudo o necessário para equipar homens?
> Não seria de passar a pente fino, digamos desde há 30 anos, os concursos e toda a gentinha que se reclama de nunca estar a ferir o código deontológico profissional?
> Quem beneficia do quê?
> E que tal olhar para certas revistas ligadas ao sector?
> E a questão da Força Aérea?
> Tanta estrutura, tantos "boys" e "girls" na ANPC, tanta PJ, tanta proteção civil local, regional, nacional, tantos bombeiros e associações e ligas dos mesmos, tanto helicópterozinho pequenino a combater chamas, tanto SIRESP, tanto dinheiro a escorrer para tanto lado e NADA, continua-se a NADA SE FAZER?

"Ah, na AR estão a resolver agora, finalmente, o problema".
DESGRAÇADO PAÍS,  desgraçados de NÓS.

Eu sei que, infelizmente, entre muitas outras coisas faltam cabras para ajudar na limpeza de pastos.
Mas cheira-me que há  é  ****ões a mais.
Como dizia o outro - Portugal é um País demasiado pequeno para se roubar tanto.

António Cabral (AC)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

INCÊNDIOS
Depois da fase mais aguda dos incêndios, Mação, Gavião, Sertã, Nisa ou seja, três dias depois de iniciados/ incendiados, ao fim da tarde, da aldeia, via-se uma extensa e brutal nuvem de fumo. Objectiva, 500.
AC

sexta-feira, 30 de junho de 2017

DO  PORTUGAL QUE VAI DESAPARECENDO
Aqui deixo um exemplo, bem ilustrativo.
António Cabral (AC)

sábado, 24 de junho de 2017

UM EXEMPLO,  ENTRE DEZENAS DE MILHARES
A propósito das tragédias iniciadas à oito dias, vieram-me à memória coisas várias, e a minha indignação a crescer. 
Lembro a A23 cortada nos incêndios de 2003 e os desvios que todos tivemos então que cumprir, recordo as minhas fotografias, ás centenas e centenas, ilustrativas deste degradado e desgraçado Portugal.
Deixo aqui um exemplo, dos menos relevantes, daquilo que se passa por todo o País, não é uma aldeia pequenina, mas pode ver-se claramente que as árvores estão junto das estradas, árvores rodeiam casas. Não publico as confrangedoras.
Legislação relativa a espaços entre árvores, distâncias a casas e infra-estruturas, distâncias ás estradas,.....POIS!
Qual o presidente de Câmara que impõe, respaldado na lei, o cumprimento da dita? E os presidentes de juntas de freguesia, em que alguns nem mandar tapar um buraco na estrada da aldeia são capazes de fazer cumprir, mesmo quando informados cara a cara? Quais os agentes das forças de segurança a actuar de moto próprio ou por determinação superior? Quais foram os ministros que desencadearam a obrigatoriedade do cumprimento da legislação em vigor? Arrisco, NENHUM, por mais que uma patética criatura anos a fio nisto, venha gritar nas televisões.
Quais as câmaras que têm actualizadas as áreas do seu concelho, no que respeita a propriedade, cumprimentos da legislação diversa? Não cobram receitas de taxas e impostos?
Mas agora é que vai ser, TUDO, mas mesmo TUDO
Valentes políticos e excelsos titulares de órgãos de soberania, que fingem nunca ter sido chefes de partidos,  nunca terem feito pareceres, nunca terem sido deputados, nunca terem assessorado, nunca terem saltado das cadeiras públicas para as privadas e retornado aquelas, enfim, a pouca vergonha e lata enorme estampadas nas caras destas poucas centenas sempre conluiadas e que se governam para aí há trinta anos e nos desgraçam paulatinamente, e que deviam ter tido agora alguém daquelas zonas desgraçadas a borrar-lhes os fácies com as cinzas dos incêndios.
Portugal está muito doente, cada vez mais, mas fingem que não.
AC



quarta-feira, 21 de junho de 2017

EM RESPEITO 
Pelos meus concidadãos. Muito particularmente pelos tragicamente  ceifados, pelos feridos, pelos mais desprotegidos em aldeias, onde alguma coisa conheço. 
E nada, mas mesmo nada, têm a ver com Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, etc.
A primeira que conheci, algures no Verão de 1955, foi Alcafache, a SE de Viseu, onde estive salvo erro cerca de 15 dias; a quinta não tinha electricidade. 
Depois, particularmente a partir de 1969, conhecendo boa parte da Madeira Porto Santo e as ilhas dos Açores, calcorreei sobretudo pelo Continente. As rodas e os sapatos andaram por exemplo (lista infindável, em mapas apontamentos e fotografias, já tenho alguma idade), Soajo, Brufe, Pitães das Júnias, Arcos (entre Montalegre e Chaves), Rio de Onor, Lamas de Mouro, Ínsua, Granjal, Ucanha, Alfaiates, Vila da Ponte, Sortelha, Eugénia, Monsanto, Medelim, Idanha-a-Velha, Paul, Candal, Gondramaz, Lavacolhos, Tinalhas, Bemposta, Proença-a-Velha, Flor da Rosa, Barranco do Velho, Cachopo, Alte, Ciborro, Amieira, Lentiscais, Foz do Cobrão, Juncal, etc, etc, etc.
Em algumas, não vi ninguém (i.e. Arcos), em outras só residentes idosos (i.e. 3 no Juncal).
Ainda hoje lá não devem ter chegado, a WEB Summit, emissões do Prós e Contras, as presidências abertas (dos anteriores PR), as múltiplas coisas do Portugal "faz de conta moderno", nem as preocupações dos CEO em mudar o nome dos respectivos bancos e...........também........etc.
Enquanto puder, saúde e financeiramente, irei calcorreando, e comparando esse Portugal real com o descrito nos discursos patéticos.
António Cabral  (AC)