Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
• Henrique Pereira dos Santos • 31 Dezembro 2019
Um destes dias, a propósito da gestão de uma propriedade, falavam-me no controlo de matos sem gradagem, sem mobilização do solo, só com corta mato. Naturalmente, perguntei as razões para não se usarem ovelhas, que fariam o mesmo serviço, estrumavam o solo, nas gastariam energias fósseis e talvez ainda dessem rendimento.
A primeira parte da resposta é um clássico: não há pessoal. Na verdade, o que esta resposta quer verdadeiramente dizer é que o rendimento da criação de ovelhas não é tão atractivo que permita pagar melhor, o que torna o trabalho de pastor menos competitivo face às alternativas.
São os produtores de pinhão que se queixam das quebras por causa das doenças, mas também dos roubos de pinha, são os produtores de cortiça que vêem as pilhas diminuir, são os empreiteiros florestais que não podem deixar as máquinas no monte sem ficarem sem gasóleo, são os produtores de regadio que vêem ser roubados os metais dos sistemas de rega, são os produtores de cereja a começar a vedar e fiscalizar as áreas de produção, são os produtores de azeitona a queixar-se de um dia acordarem sem a azeitona no olival, são as castanhas que se evaporam, a juntar aos já citados roubos de gado e muitos outros.
No outro dia, à procura de uma estrada, passo pelo posto da GNR de uma grande aldeia, e resolvo pedir indicações. O posto estava fechado, bati à porta, apareceu um agente a quem pedi indicações debalde: “não sou de cá, amigo, não faço ideia de onde será essa estrada, com a falta de pessoal, aos fins-de-semana mandam para aqui pessoal de fora só para o posto não estar fechado, de maneira que eu não conheço esta zona”.
Bem me explicava outro proprietário que às duas da manhã tinha visto umas luzes no outro lado da albufeira, e tinha ligado para a GNR, mas com a falta de pessoal, só conseguiram ir ver o que se passava três horas depois, inutilmente, claro.
E, no entanto, este é o Estado que passa a vida a falar na valorização do interior – Portugal deve ser o único país do mundo em que o interior começa a uns vinte quilómetros da costa – tem até umas secretarias de Estado catitas espalhadas por aqui e ali, fala dos milhões que os contribuintes europeus despejam nessas tais regiões da convergência territorial.
O problema é grande parte do dinheiro chegar através de autarquias que pagam festas de Verão, piscinas, auditórios vazios, empresas inviáveis, pensando que estão a resolver os problemas do interior.
É o mesmo Estado que tinha uma missão para a valorização do interior – depois passou a secretaria de estado, vai agora num ministério da coesão territorial – que apresentou umas dezenas largas de medidas para valorizar o interior e de que cito apenas uma: “Projeto de difusão de espetáculos produzidos e coproduzidos pelo Teatro D. Maria II visando alcançar territórios onde a oferta teatral é ocasional ou irregular”.
A sensação com que fico é a de que todos estes milhões, organismos, estudos, planos e afins, são como um fogo-de-artifício com que se tapa o essencial: na sua missão básica de garantir a segurança de pessoas e bens, o Estado tem recuado muito para lá do aceitável, deixando ao abandono as pessoas que continuam empenhadas em criar riqueza nas suas regiões.
E, para juntar insulto à injúria, o Estado usa os escassos recursos da GNR para perseguir os malandros que não cumprem as leis iníquas e absurdas de defesa da floresta contra incêndios, em vez de se empenhar em, primeiro, assegurar a segurança de pessoas e bens, depois, estar lá quando as pessoas precisam para as conhecer, apoiar e ajudar nas vidas difíceis que levam.
Se o Estado se preocupasse mais com as pessoas, e menos em garantir o gigantismo de autarquias, que muitas vezes são o principal agente social e económico de cada concelho, absorvendo grande parte dos recursos em actividades muito pouco eficientes, cumpriria bem melhor a sua missão.
O mundo rural agradeceria, de bom grado, melhor e maior segurança para as suas actividades quotidianas, pagamento da gestão de serviços de ecossistema e racionalidade na gestão do fogo. Estou convencido de que facilmente abdicaria dos milhões gastos em ideias geniais e nas acções e projectos simbólicos que visam assinalar o amor acrisolado do Estado pelo mundo rural, para ter um módico de decência no relacionamento do Estado com os agentes económicos e sociais do mundo rural.
domingo, 21 de setembro de 2025
ISTO É PORTUGAL
Caminhem sobre estas tábuas, MAS CUIDADO, muitas estão a abanar, muitas têm alguns parafusos desapertados e bem salientes, "nada perigoso" para idosos e crianças que, naturalmente, são menos atentos e cautelosos a andar e olhar com atenção o que pisam.quarta-feira, 17 de setembro de 2025
ISTO TAMBÉM É PORTUGAL
Isto é no pontão em Alcochete. Que eu saiba, da responsabilidade da Administração do Porto de Lisboa (APDL).Está assim há mais de 3 anos (pinturas, corrosão) e há mais de um ano quanto ao que se vê no video.
Quando das obras na marginal D. Manuel, há mais de 10 anos, em que foi ganho ao rio uma relevante área, o pontão foi então beneficiado, candeeiros novos etc.
Mas em Portugal é assim, em vez de, com uma periodicidade (sei lá, semestral, anual) definida, as infraestruturas serem verificadas/ inspecionadas e mantidas em bom estado, passam anos a degradar-se e um dia, empreitada geral.
Desleixo, incúria, irresponsabilidade, e muito mais adjectivação é possível invocar. Como sociedade estamos assim e não mudamos.
AC
sexta-feira, 4 de outubro de 2024
PORTUGAL. INCÊNDIOS. AUTARQUIAS.
Voltando a isto.Património destruído, hectares ardidos, mortes, feridos, figurões nos funerais. O costume.
A vida para as sumidades (???) gira à volta das sondagens, do clientelismo, da eleição seguinte, das eleições autárquicas e das legislativas. Corruptela nacional!
Por exemplo, e agora que há dias fiz mais uma ida à Beira-Baixa, é de ficar vaidoso e contente ao ver como estão por exemplo, as orlas de várias estradas nacionais e municipais.
quinta-feira, 18 de abril de 2024
domingo, 6 de agosto de 2023
E MANUTENÇÃO ??
Deve ter cerca de dez anos que existe, a caminho da praia dos moinhos, Alcochete.
Não me recordo de algum dia ter visto manutenção nestas madeiras. Caminham, lentamente, para o desastre.
Faz pena.
AC
domingo, 26 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 22 de julho de 2022
COISAS EXTRAORDINÁRIAS
Reveladoras da fiscalização de uma câmara municipal relativamente a espaços junto de áreas públicas, reveladoras da "categoria" de certas pessoas/ proprietários.
Deixo um exemplo. Há sete anos esta coisa com aspecto de viatura estava no mesmo exato local, na mesma exacta posição. Mas via-se todo, a natureza ainda não o tinha começado a comer.
Parte da vegetação e do canavial não só comem parte da viatura como transbordam para a via pública.
AC
segunda-feira, 16 de maio de 2022
ÀS CENTENAS
Como o que mostro nas fotografias, há centenas e centenas e centenas de maus exemplos pelas cidades, vilas e aldeias deste cada vez mais maltratado país.
Não sou jurista, engenheiro civil, arquiteto, autarca, etc., mas há décadas que esta triste realidade permanece. Conheço casos que datam de pouco depois do 25 de Abril de 1974.
Podem vir dizer-me o que quiserem. Basta ler determinada legislação (variada) para perceber que a generalidade das câmaras municipais fecham os olhos, não querem maçadas, não querem perder os votozinhos!
De legislação, deixo um pequeníssimo exemplo:
Artigo 10º
Independentemente das obras periódicas de conservação a que se refere o artigo anterior, as câmaras municipais poderão, em qualquer altura, determinar em edificações existentes, precedendo vistoria realizada nos termos do artigo 51.o, § 1.o, do Código Administrativo, a execução de obras necessárias para corrigir mas condições de salubridade, solidez ou segurança, contra o risco de incêndio.
§ 1º Às câmaras municipais compete ordenar, precedendo vistoria, a demolição total ou parcial das construções que ameacem ruína ou ofereçam perigo para a saúde pública.
(Regulamento Geral das Edificações Urbanas)
A 2ª fotografia mostra uma degradação de décadas, em pleno centro de uma cidade, e em que o escombro da esquerda ardeu há décadas, e assim se mantém.
AC
quinta-feira, 18 de março de 2021
Agora, mais uma vez, autarcas de vários partidos impedidos por lei de concorrer outra vez senão seria o 4º mandato, concorrem a outras autarquias onde os respectivos partidos querem reganhar a câmara ou mantê-la.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
domingo, 5 de novembro de 2017
Toca a recordar uma coisa contemporânea, e curiosa, e do princípio deste ano.
Aprovado na generalidade. Aguardemos a especialidade.
E não é por o dinossauro da liga dos bombeiros se mostrar já desagradado, o que se esperava, dados os antecedentes.
António Cabral
domingo, 29 de janeiro de 2017
Boa tarde a todos os meus estimados, amigos, conhecidos, e desconhecidos, que me dão o gosto de visitar.
O que agradeço.
Entre outras relíquias nos meus milhares de fotografias, estive a olhar para alguns dos "destroços" nacionais, precisamente porque me lembrei desta coisa dos 30 (que já foram 31) monumentos em ruína que se diz deverão vir a ser recuperados. Parece que a geringonça quer abrir concursos para, no âmbito privado, e a ser-lhes pago quase por inteiro e a deles receber rendas simbólicas, conseguir reabilitação e fruição no âmbito turístico.
Não tenho certezas, pode haver aqui muita coisa discutível mas, deixar cair completamente o que ainda está parcialmente visível é capaz de não ser boa escolha.
Este é um dos muitos tristes exemplos como desde antes de 25 de Abril se tratou do nosso património. E nunca há responsáveis. "Houve um conjunto de circunstâncias que para isso contribuiu", ouve-se de uns quantos pantomineiros, que o afirmam sem se rir, com a maior cara de pau.
O 31º teve de sair da lista para não ofender o PCP.
Por mim, não tenho dúvidas nenhumas que não se deve autorizar seja o que for que mansamente fosse apagando o que ali se passou, em Peniche.
Mas, mal que pergunte, não seria possível, preservar grande parte do forte de Peniche e, designadamente, as celas onde amargaram Álvaro Cunhal e mais uns quantos e algumas áreas tristemente emblemáticas, e assim manter viva essa parte da história, mas afectar boa parte do forte para o que inicialmente se pensou?
Se calhar não era impossível.
Bom, quanto a destroços, por esse País fora conheço uma grande parte. Só há um castelo onde ainda não fui, pois quando estava programado ir, tive que atender a dever social triste.
Deixo aqui um exemplo de "destroço".
AC













