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domingo, 4 de janeiro de 2026

Aldeia de MONSANTO, Missa do Ano Novo 2026
(texto e imagem de um bom amigo, também aqui a passar uns dias, e também presente na missa)

Hoje, na Missa do Ano Novo, ao contar os 35 participantes fechei os olhos e recuei aos anos 60 e 70. Tempos em que a igreja se enchia de participantes, mulheres, homens e jovens. 
Revi familiares, grandes amigos e personagens desses tempos que alegremente, muito crentes, crentes ou meramente por tradição, participavam na missa e beijavam o menino cantando. 
O coro de mulheres e homens era extraordinário. Sorri, ao recordar o assento que era colocado ao dizerem “filho da virgem Maria”, de tal forma que parecia ao ouvido “filhó”.
Que saudades. 35 participantes, dos quais 8 eram homens. Que diferença.
Pensei que, se quisermos ter uma imagem do que é hoje o interior e o que lhe aconteceu, se mais não quisermos ver, basta ir a uma missa!
Aos resistentes que se mantêm no Território, aos seus descendentes e a todos os amigos de Monsanto, desejo um Ano de 2026 com muita saúde, alegria, paz e com votos de que consigamos, em conjunto, fazer algo para conservar, valorizar e promover o nosso território, designadamente travando as Mega Centrais
O que é isto perante as vacuidades transmitidas em certas mensagens, ou em certas declarações radiofónicas?
Nem "pintelhos" (Catroga dixit) ou como dizia o inarrável Sócrates - isso não interessa para nada.

Território harmonioso?
Ordenamento territorial?
Desenvolvimento equilibrado?
Fixação e desenvolvimento do interior?

Ná, toca é de deixar andar os filhotes queridos a tentar plantar nas Beiras e não só monstruosas centrais fotovoltaicas sem critério que não seja ganhar dinheiro e despovoar, qual território do 4º MUNDO!
AC

quinta-feira, 21 de abril de 2022

PORTUGAL

Um dos problemas persistentes, ainda em muitas regiões, e sinal de "grande e harmonioso desenvolvimento do país". 

Lembrei-me disto pois vem aí outra vez uma série de dias com chuva. 

Oxalá seja da boa, sem ser violenta, boa para a agricultura e reservas de água, e que não cause desgraças como a da figura.

AC

domingo, 22 de outubro de 2017

Para lá da cortina de fumo
jornalista MANUEL CARVALHO 14/08/2016 
"O que mais espanta no clamor que se ergueu com os fogos florestais não é a comoção nem a revolta; é mesmo o espanto. Um espanto que diz muito sobre PortugalO que mais espanta no clamor que se ergueu com os fogos florestais não é a comoção nem a revolta; é mesmo o espanto. Um espanto que diz muito sobre Portugal. O país modelo da falta de memória, o exemplo da incapacidade de aprender com erros próprios, o monumento à arte de viver de expedientes – seja o ouro do Brasil ou a amizade de um secretário de Estado –, o país que tem um banco público aflito instalado num edifício megalómano digno de Ceausescu, que adora o efémero vistoso e odeia o trabalho de fundo dos bastidores. A floresta arde descontroladamente porque, uma vez mais, nos preocupamos mais com o aparato dos Kamov do que com a limpeza das matas, nos entretemos mais com os “teatros de operações” do que com o esforço duro e silencioso de criar aceiros ou limpar caminhos rurais. Continuamos a ser como uma mulher de casaco de peles que enverga por baixo um reles vestido de chita. Espanto? O melhor é recordar o que Sá de Miranda escreveu, já há 500 anos: “Pasmado e duvidoso do que vi, m'espanto às vezes, outras m'avergonho”.

Os sublinhados/ bolds são da minha autoria.
Conhecendo alguma coisa da vida, como é o meu caso já com muitas décadas em cima, e ainda que muitos dos homens da minha profissão não acreditem quando digo que não me espanto há muitos anos, não me espanta de facto nada do que vem acontecendo no meu País, há muitas décadas. 
Muitos acham um tremendo exagero quando eu digo que a nossa sociedade está a desmoronar-se. 
Às vezes afirmo até que está muita coisa podre. "Estás muito azedo", é a frase que algumas vezes alguns amigos me endereçaram no meio do calor da sua amizade.
As negociatas que andam por aí, há décadas, não espantam. 
Basta conhecer, por exemplo os episódios ao longo dos últimos 6 anos respeitantes ao material que devia ser instalado junto de uma determinada antena.
Basta conhecer algumas pessoas, e o quanto ficam inchadas por usar boina e terem uns galões, e muitos microfones e câmaras de TV à frente da cara.  
Inchadas com o seu temporário poder funcional.
A soberba, a pesporrência, a ausência de vergonha na cara, não são monopólio do actual PM. 
Basta, entre outras coisas, apreciar os chutos de certos vaidosos incompetentes do interior até à capital.
O que o jornalista acima disse, há mais de um ano, continua ou não 100 % actual?
Eu digo SIM, e cada vez m' avergonho mais.
António Cabral  (AC)