CAVACO (e) SILVA (CS) e a HISTÓRIA
O actual governo, o PSD, entenderam homenagear o ex- Primeiro Ministro e ex- Presidente da República.
Como lembrou Francisco Pinto Balsemão no seu livro "Memórias" o homem que mais tempo esteve no poder público em Portugal perdeu há muitos anos o "e".
CS esteve 10 anos como PM, três governos. Foi PR 10 anos.
Como todos nós tem defeitos e qualidades.
Para muitos da esquerda, sobretudo avermelhados e os rosas tipo Leitão CS só tem defeitos e nada fez bem feito.
Para muitos à direita do PS só terá qualidades.
Salvo melhor opinião ambos estão errados.
CS não fez tudo bem como PM, e ele próprio o confessou, MAIS UMA VEZ. Lembrou que os governos falham algumas vezes e cometem erros. Mas fez muitas coisas bem e, creio, Portugal começou nessa altura a ser olhado de forma diferente e respeitado. Sabe-se o que desenvolveu, sabe-se o que devia ter feito melhor, ou não ter feito.
CS não fez tudo bem como PR. Pessoalmente creio que foi demasiado rígido e distante, criou a sensação de isolamento e distanciamento das pessoas. Esfinge foi título bem aplicado.
CS não fez tudo bem como PM, e na cerimónia de homenagem que agora lhe prestaram afirmou que os erros e as falhas dos governos não devem ser escondidos.
Fez bem em lembrar isso.
Mas, até por uma questão de honestidade intelectual e como ensinamento para os presentes, quando falou do momento mais difícil que enfrentou como PM e que foi antes do Natal de 1990, podia ter elaborado um pouco mais sobre isso e, particularmente sobre a demissão repentina apresentada pelo então poderoso ministro da Defesa Nacional (MDN). Que o colheu de surpresa.
Esse importante político do PSD não está entre nós há vários anos. Se estivesse também nada diria publicamente sobre o assunto.
Mas sabem alguns que esse então MDN queria pôr ordem nas Forças Armadas, reorganizar, queria rever carreiras e vencimentos, e estava-se mais perto de chegarem meios modernos, designadamente para a Marinha.
Alguns sabem que CS não queria, e NÃO QUIS, dotar o ministério com o orçamento compatível e importante para reorganizar a instituição militar.
O orçamento requerido não foi contemplado, e o MDN disse-lhe imediatamente, fique com a sua que vou imediatamente embora.
E foi! E CS, de súbito, ficou com um berbicacho enorme entre mãos, coisa que nunca lhe passou pela cabeça pudesse vir a acontecer por parte daquele importante dirigente do PSD, e antigo e forte aliado.
Deu voltas à cabeça e pensou que o ministério de repente sem timoneiro poderia ser agarrado por um afável ex-governador civil do Porto (creio que não estou errado).
Creio que o homem nem 3 meses durou no lugar. Não recordo data exacta, mas algures em Fevereiro de 1991 já Fernando Nogueira era MDN. Tenho a certeza, fui por ele recebido nessa altura no seu gabinete do 7º andar do edifício ao Restelo, onde funciona o MDN e o EMGFA (Estado-Maior General das Forças Armadas).
Claro que esse demissionário ministro e homem forte do governo de então cortou relações com CS durante muitos anos. O apaziguamento chegou tarde.
Naturalmente, CS não iria contar estas coisas publicamente. Talvez tenha relatado alguns detalhes durante o beberete.
Mas é bom que muitas coisas se venham a saber na esperança, ainda que ténue, de que a política nacional possa gradualmente ser menos rançosa!
Tenham um bom Sábado.
Saúde e boa sorte.
AC
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