terça-feira, 7 de outubro de 2025

INCÊNDIO

Não, não me vou referir a incêndios deste ano nem anteriores.

Em Setembro de 1975, a Embaixada de Espanha, o chamado Palácio Palhavã sofreu atentados e acabou por ser incendiadaLembrei-me disto ao passar hoje por lá.

Eram tempos em que o PCP (que não controlava totalmente as ruas) e as várias franjas esquerdistas (esquerdalhada, como habitualmente designo) pululavam as ruas na maior complacência e passividade das forças policiais e do então existente COPCON ,em que Otelo Saraiva de Carvalho tinha papel determinante. 

Irresponsabilidade e impunidade totais, nas ruas e não só, furor revolucionário absoluto.

Sabe-se hoje que os pedidos dos representantes espanhóis às autoridades nacionais para acautelarem a segurança das instalações espanholas (Embaixada e consulados) como era nosso dever caíram em saco roto.

Vivia-se em Lisboa um clima deplorável de agitação descontrolada nas ruas, por razões políticas internas, a que se somou durante esse mês de Setembro as reações violentas e manifestações orquestradas de recriminação pela grave e de facto criticável situação política em Espanha, particularmente depois do atentado a Carrero Blanco.

Protestos crescentes contra as representações espanholas, claramente organizadas. Alucinação completa nas ruas, num ambiente deplorável, basicamente incontrolável, crescente, particularmente depois dos moderados do MFA terem obtido a maioria no conselho da revolução na sequência da assembleia do MFA em Tancos.

Na região militar de Lisboa, a esmagadora maioria das unidades integrantes, era uma pura ficção, uma bandalheira monumental.

O COPCON começou a ser esvaziado com a criação do AMI. Paralelamente, e designadamente nos comandos, e para os comandos, começaram desde 8 da Agosto de 1975 a ser recrutados e angariados antigos combatentes da guerra em África. Começara a programação do que culminaria em 25NOV75.

O anti-Espanha, o antifascismo, a revolução, a euforia revolucionaria completamente tresloucada e alienada, protestos descontrolados, irresponsabilidade e vandalismo gratuitos e inqualificáveis, prosseguiram em crescendo pelo mês fora. 

Para gáudio absoluto de uma série de canalhas ligados a grupelhos sendo que, como acontece muitas vezes na história, alguns deles viriam mais tarde a ter notoriedade na cena política nacional. Para nossa desgraça, opinião pessoal, naturalmente.

O incêndio custou bem caro aos bolsos dos contribuintes, entre eles, eu.

Como de costume, os que na altura promoveram e capitanearam os deploráveis episódios e atentados às representações espanholas culparam estrangeiros pela barbárie. Eles, inocência absoluta, nem nunca haviam pegado em tochas. Nem existem fotografias de certos rapazolas a dirigir a maltosa!

O costume.

AC

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