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segunda-feira, 29 de junho de 2026

PORTUGAL  -  EUA  -  PORTUGAL

Portugal e os EUA nas duas guerras mundiais:
a procura do plano bi-lateral
Socorrendo-me sobretudo de um estudo de José Medeiros Ferreira (JMF, Doutor em História Institucional e Política, infelizmente já não entre nós) de que acima mostro o início, voltei a debruçar-me sobre aspectos das relações entre o nosso país e os EUA, particularmente quanto à questão dos Açores / base das Lajes.

De algum modo conexo com isso há a questão/ criação da Fundação Luso-Americana sediada em Lisboa, cuja criação creio não assentar exactamente na narrativa habitualmente divulgada, nem quanto aos créditos de que alguns importantes se reclamavam. 
Dos dois ou três que assistiram à conversa inicial num certo gabinete, poucos são os vivos que (como é muito costume) não falam e deixam que continue a narrativa que, tanto quanto saber, não é completamente exacta.

Mas vamos ao que antecede o presente
E o presente a que me refiro é o conjunto de episódios e declarações anteriores e subsequentes aos aviões americanos que recentemente estacionaram nas Lajes para os bombardeamentos sobre o Irão.

O que antecede é exactamente o que o estudo de JMF aborda e explica e é muito interessante.
E que devia ser tido em conta no tempo contemporâneo.
Mas que, de uma ponta a outra, creio que ou desconhecem ou. . . 

No decreto referido na página da segunda fotografia havia um 4º artigo sobre o direito ao comércio (sobretudo comércio marítimo) lícito da potência declarada como neutral, direito sobretudo consagrado na Conferência de Paris de 1856 que terminou com a guerra da Crimeia.
Portugal usou largamente este direito.

Um aspecto interessante /curioso é o do reconhecimento imediato da I República por parte dos EUA.
O reconhecimento aconteceu mal a Constituinte proclamou o regime como Republicano. Aliás, havia uma instrução do Departamento de Estado dos EUA para tal acontecer logo que a Constituinte confirmasse o regime.
A 3 de Agosto de 1911 o representante dos EUA apresentou credenciais ao nosso Presidente da República.

O Reino Unido demorou mais tempo a reconhecer a I República.

Em 25 de Julho de 1917 chegaram 5 navios de guerra americanos à ilha de S. Miguel.
A este acontecimento seguiram-se depois outros, e outros pedidos americanos.
Mas o governo nacional de então antes de dar respostas aos EUA envolveu nos assuntos o Reino Unido.
É um aspecto interessante da diplomacia nacional.

Data portanto da I GG o início de concessão de facilidades nos Açores aos EUA.
A diplomacia nacional ao tempo de Salazar geriu as respostas às pretensões americanas da mesma maneira que décadas atrás, envolvendo sempre o Reino Unido nos assuntos.

JMF explica que com a chegada da II GG os Açores vão ser encarados pelas potências marítimas de duas formas:
- como fronteira entre o "perturbador continental" e as potências marítimas,
- ou, mais tarde, como zona de articulação entre as margens do Atlântico.

Neste âmbito, JMF recorda as memórias de Churchill e as suas várias descrições sobre o esforço de guerra, e concretamente sobre os comboios marítimos e as rotas diferentes tomadas em função designadamente da cobertura aérea disponível ou não.
Os americanos foram os primeiros a apreciar a importância dos Açores para a sua aviação.

JMF recorda também o papel de Humberto Delgado em apoio aos estudos americanos e ingleses para escolha/ definição da localização das diferentes facilidades, por exemplo pistas / aeroportos.

JMF explica um certo atraso verificado na implementação das facilidades nos Açores. 
Isso deveu-se ao facto das potências marítimas quererem primeiro assegurar-se da impossibilidade da Alemanha nazi invadir a Península Ibérica. 
Daí a guerra no Norte de África, e as vitórias dos aliados. 
Com derrota nazi ficou claro um certo enfraquecimento do poderio nazi.
Ocorrem por outro lado intensas negociações com Lisboa em 1943.

As facilidade concedidas na ilha de Sta Maria ficaram ligadas ao problema de Timor-Leste ocupada pelos japoneses.
A negociação diplomática para a cedência da Base das Lajes foi sobretudo feita com Londres mas veio a ser Washington a mais decisivamente utilizar as facilidades na ilha.

Em 28 de Novembro de 1944 foi assinado um acordo Portugal-EUA para a construção de um aeroporto na ilha de Sta Maria. 
Conexo com isto, acordado que os EUA garantiria que Timor -Leste regressaria à posse de Portugal.

Durante a II GG os Açores foram encarados também como um "teatro de refúgio".
As facilidades nos Açores tiveram características que se mantiveram depois da guerra.

Os Açores sempre foram encarados pelos EUA depois da II GG como importante base. 
Um estudo militar americano de 19 de Outubro de 1945 incluiu os Açores no conjunto das "Primary Base Áreas" a estabelecer em várias partes do planeta.

Em 2 de Junho de 1946 o aeroporto de Sta Maria regressou ao controlo português.
Em 3 de Julho de 1947 iniciaram-se conversações oficiais para a continuação de facilidades na base das Lajes.
Em 5 de Janeiro de 1951 foi assinado um novo acordo.
Daí para cá sabe-se o fundamental do que se passou antes e depois de 1974.

Os presidentes americanos sucederam-se. 
O Congresso (Senado + Câmara de Representantes) teve maiorias diferentes ao longo do tempo.
A tecnologia aumentou e continua a aumentar a permanência no ar sem reabastecimento de aeronaves e "veículos não tripulados/ drones".

Os interesses americanos variaram alguma coisa ao longo dos últimos 80 anos.
A localização geográfica dos Açores é a mesma.

António Cabral (AC)

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

REINO  UNIDO,  ALIANÇAS,  AMIGOS de PENICHE

No início, Inglaterra e Portugal forjaram um tratado.
Fundamentalmente mais no interesse de Inglaterra, creio, face a "questiúnculas" com Castela. Foi assinado, creio, a 10 Julho de 1372, numa localidade do Norte, Tagilde.
Daí para cá temos, que eu saiba, além de 1372 temos 1373 quando o tratado foi ratificado. 
Temos o casamento de D. João I com Filipa de Lencastre que cimentou a aliança.
Em 1386 o tratado de Windsor. 
Em 1642 novo tratado, liberdade comercial total para os ingleses. 
Em 1661 assinado novo tratado de Paz e Aliança.
Provavelmente insuficientes os tratados anteriores, sai em 1703 o muito benéfico para Portugal o tratado de Methuen, com alargada liberdade comercial e tarifária, com abertura ao Brasil, etc.
Mais tarde e sempre na senda de genuína amizade, surgiram uns "problemazitos "em África, nada relevante, mesmo incluindo a célebre "questiúncula" sobre o "mapa cor de rosa" e o ultimato!
Século XX entrado, a questão da I GG onde começámos por apresar a pedido Britânico todos os navios alemães nos nossos portos.
Mais tarde, as facilidades concedidas por Portugal nos Açores e mais tarde ainda a grande ajuda Britânica no nosso relacionamento com a Índia de Nehru!
Mais perto do final do século XX tivemos outra vez os Açores abertos aos Britânicos durante a guerra deles com a Argentina.
Recentemente, Costa e Boris rabiscaram mais qualquer coisa!
E assim vai a mais antiga aliança do mundo. (*)
António Cabral
(*) não sei se Marcelo explicou tudo isto a Carlos III

quinta-feira, 6 de maio de 2021

ALGUMAS  E V O L U Ç Õ E S e EVENTOS

(fonte : The Economist)

Alguns eventos, tratados, guerras, evoluções ao longo do tempo, no período de 1843 a 2018. 

Interessante observar, por exemplo, a evolução no tocante a tratados no âmbito do comércio internacional, GATT, ASEAN, NAFTA, WTO. China aderiu àWTO apenas a seguir a 2000.

Interessante observar, por exemplo, crises agrícolas na Irlanda (Potato, Corn) algumas das razões para pensar nas crises políticas e sociais no seio da mesma Irlanda/ no seio do reino Unido, além das questões da posse das terras.

E as guerras, e as hecatombes, guerra civil americana, I GG, II GG, Coreia, Vietnam, colapso da URSS, Iraque. Não está referido, por exemplo, o Afeganistão e conflitos em África.
AC

sexta-feira, 24 de abril de 2020

UE,.......Ah......a....... SOLIDAREDADE
No meu longo post de ontem a propósito da UE, da Holanda, da solidariedade, na parte final do post atrevi-me a sugerir aos incautos que pensem nas questões internas dos países e designadamente na Alemanha. Concretamente lembrei o tribunal constitucional alemão.
Já aí estão notícias a falar no tribunal constitucional.
Não, não sou bruxo.
Basta apenas ter,
> algum interesse em estar informado, 
> algum interesse em história e nomeadamente da Europa, 
> algum interesse e esforçar-me por saber alguma coisa de relações internacionais, 
> algum interesse e esforçar-me por saber alguma coisa de geo-política e estratégia,
> algum interesse e esforçar-me por saber alguma coisa da história do meu País,
> e conhecer directamente e em muitos casos indirectamente mas com informação segura, uma série de canastrões que há décadas se servem e quase nada servem o País.
Oxalá eu me venha a enganar, mas uma coisa é idealizarem e concordarem no conselho europeu num determinado plano, outra bem diferente é chegar ao dia em que cada país abre as gavetas do dinheiro. 
Pode ser que todos façam o gesto para as abrir, mas não me admiraria que a Alemanha se calhar diga que perderam a chave da gaveta!
Sim, os tratados falam em solidariedade, e não falam na defesa dos interesses de cada País, isoladamente. Pois.
AC

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

9 OUTUBRO,  1261
Faleceu D. Dinis I. 
Sabemos que nem sempre muitas das coisas que se dizem e escrevem sobre o nosso passado histórico corresponderão inteiramente à realidade de outrora.
Ainda assim, parece que este rei terá sido um dos melhores da nossa história. 
Assinou o tratado de Alcanizes o qual fixou as fronteiras no Continente.
O português passou a ser a língua oficial na Corte.
Criou a primeira universidade portuguesa.
Preparou zonas para nós em pleno século XXI as podermos destruir num só dia.
AC

segunda-feira, 27 de junho de 2016

BREXIT? De Certeza? Olhe que não,...olhe que não!!!!
Poucos são "futurólogos". Eu também não.
Ainda assim, estão a aparecer sinais curiosos que me levam a arriscar um pequenino passo na "futurologia".
O UK não vai sair da UE.
Para as "lindas" elites do UK no fundamental querem é pagar muito menos para a UE isto é, querem ser um contribuinte líquido em muito menor escala e, em segundo lugar, querem ficar de fora em todos os aspectos relacionados com a imigração.
Por outras palavras, só querem bife do lombo e outras carnes e peixes de primeira qualidade. A UE e sobretudo os TUGAS e outros do Sul que fiquem com ossos espinhas peles e nervos, e ainda com os que chegam de África e da Ásia.
Sim porque, no UK, há décadas que têm milhões desses vindos do seu antigo império.
E que seria escandaloso expulsá-los agora.
Não me impressionam nada as tiradas tipo "agarrem-me senão vou-me a ele" dos patetas tipo Juncker ou o do cabelo encaracolado com "Grease" e que discursa no Eurogrupo.
Sinais de que, um pouco por todo o lado no UK, se está a ter maior consciência sobre as consequências do referendo, também não me emocionam por aí além.
Tenho lido muitos comentários e opiniões sobre o que aconteceu na velha Albion. Vários muito bem elaborados.
Poder nacional, riscos, ameaças, geopolítica, sei um pouquinho destes temas.
Num blogue é muito difícil  elaborar de forma estruturada e consistente. Não dá.
Uma coisa é, neste momento, indesmentível: o Reino Unido continua na Europa mas,..... a Inglaterra foi já corrida da Europa, e não foi preciso o senhor Juncker, Hollande, ou a senhora Merkel, foi a Islândia que se encarregou do assunto! Aguardemos pelos próximos episódios.
AC