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quinta-feira, 11 de junho de 2026

AÇORES, FA, SOBERANIA. . . a IMPORTÂNCIA 

O mundo está completamente do avesso.
Dizem alguns, está completamente maluco!

Assisti esta manhã pelo televisor às cerimónias na ilha Terceira, presididas pelo PR.

Uma militar da Força Aérea referiu (na resposta a jornalista sobre a importância dos Açores e se não devia haver mais militares das Forças Armadas (FA) nos Açores) haver ali cerca de 500 militares.

A esmagadora maioria dos portugueses foi habituada / mentalizada de que as Forças Armadas . . . . sim . . . . mas.
Passaram 52 anos sobre o 25 de Abril de 1974.
Passaram já 13 anos e continuamos a ter um super caduco CEDN (Conceito Estratégico de Defesa Nacional).
Passaram 50 anos sobre a estabilização da nossa Democracia, materializada com as várias eleições ocorridas em 1976.

Passaram décadas, passam anos, e continuamos a não ter em Portugal uma definição inequívoca sobre que FA Portugal deve ter.

O decrépito CEDN assistiu já, entre outras coisas, a acusações entre ministérios quanto à revisão do documento.
O decrépito CEDN assiste a projectados investimentos em material para as FA e a discussões sobre o substituto do velhinho F-16, como se não estivéssemos com guerras completamente diferentes do passado.

O decrépito CEDN assiste (provavelmente de olhos esbugalhados e estarrecidos) às loas do PR sobre as FA que em parte são mais do que justificáveis mas não passa muito de uma versão mais decente da patética frase do antecessor - "os melhores dos melhores"

Como sublinhou o primeiro orador nas cerimónias da manhã - o poder é importante.

E para ter alguma poder creio que era indispensável ponderar que decisões estratégicas devem ser tomadas.
E sim, quase nada do presente tem a ver com aquilo a que muitos generais e almirantes estavam habituados.
E sim, quase nada do presente tem a ver com aquilo a que muitos comentadores, muitos ditos especialistas e muitos políticos viam acontecer. 
Não digo habituados porque a maioria sempre se habituou a não olhar para o assunto.

O Improviso é um típico da tugolândia. A continuar-se assim o desastre há muito anunciado chegará mais rapidamente.

O professor Monjardino afirmou que é preciso coragem, capacidade para compreender e reconhecer que está tudo imensamente mudado.

Questiono-me: os actuais titulares dos órgãos de soberania estarão mesmo a entender o mundo, o que se passa, será que têm capacidade para compreender e, em consequência, olhar seriamente para os nossos problemas e que papel para Portugal? E decidirem?

Como posso ter confiança em relação ao futuro? Com esta gente?

Fico por aqui, pensarei mais seriamente nisto mais à frente.

Ah, já me esquecia de uma outra e rápida nota.

Quando ouço jornalistas (a maioria verdadeiros pés de microfone) colocar questões sobre os meios militares alocados aos Açores dada a importância das ilhas, fico sem saber se hei-de rir, chorar ou ir vomitar.

Quer os papagaios militares quer os jornalistas quer certos especialistas quer uns quantos inarráveis políticos podiam explicar aos cidadãos como se mede a importância dos Açores.

Podiam começar por dizer que, relativamente a FA, uma medida da importância que os sucessivos Presidentes da República e os sucessivos governos e os sucessivos deputados sempre atribuíram aos Açores assenta por exemplo no facto de, em permanência no arquipélago, a Marinha ter apenas um meio naval, embora normalmente dizendo que se for necessário outros acorrerão.
Quanto à Força Aérea a situação pouco mais é que equivalente.

Não é preciso ter mais que o 4º ano de escolaridade para, olhando à extensão das ZEE e à jurisdição que temos sobre elas e à cobiça internacional, poder meditar sobre a realidade apontada no parágrafo anterior. 
E ir depois ao dicionário procurar o significado das palavras patético e ridículo.

Mas os discursos grandiloquentes como o de hoje do PR ficam sempre bem. 
E no fim houve certamente em Angra do Heroísmo um bom almoço, com os do costume. 
Aposto que o "farol" Carneiro também papou.
AC

quarta-feira, 23 de abril de 2025

(Continuação)

SEGURANÇA,  DEFESA,  GUERRA.

A propósito do tema supra, a propósito dos sobressaltos que vão por esse mundo fora e designadamente ainda mais depois de 20 de Janeiro deste 2025, a propósito das baratas tontas dos lideres (????) Europeus deste anão militar que é a União Europeia (UE), a propósito dos sucessivos dislates na vertente externa, a propósito dos sucessivos dislates na vertente interna onde incluo "pérolas várias e uma ex-MRPP que diz que os russos vêm por aí abaixo, a propósito de mais entrevistas e comentários de vários civis e militares, a propósito de vários dirigentes políticos e jornalistas e comentadores, tenho repescado vários textos de opinião dos muitos que ao longo dos anos tenho escrito e partilhado aqui no blogue e em outros locais.
E fui tecendo algumas considerações sobre o que se vai agora passando. 
No presente, é enorme a excitação de Ursula, de António Costa, de Macron, de Starmer. 
Das sucessivas reuniões dos conselhos Europeus diligentemente presididas por Costa têm saído  verdadeiros balões cheios de ar.
Negociações (????) entre EUA e Rússia ocorrem, teóricos acordos de cessar fogo também. Mas??
Aqui ficam mais umas palavras.

XADREZ  MUNDIAL. GEOPOLÍTICA. PODER.

MUNDO BIPOLAR.  SUPERPOTÊNCIA. Um TRIPÉ ?

Volto a este livro de Zbigniew Brzezinski (ZB) publicado em 1997, que comprei em Norfolk, EUA, em 1999.
Livro publicado, portanto, mais ou menos dois anos e meio antes da subida de Putin ao poder Russo.

O muro de Berlim, desmoronado/ derrubado, já estava lá para trás.
A URSS tinha implodido.

Para lá da fronteira Leste da Europa Ocidental reinava alguma confusão, alguma turbulência, algum desnorte, existiam novos países saídos da implosão da URSS. 
Por lá, nesse Leste, nessa Eurásia, muitos olhos ansiosos olhando pelo e para o futuro.
Quando da publicação do livro, a realidade mostrava que os EUA eram a superpotência, incontestada.
Passaram mais ou menos 27 anos!

Existem muitos outros livros mas, creio, este é um dos que, parece-me,  melhor explicava muito do nosso mundo mais afastado e perspectivava então bem o presente de então.

Mas a realidade da política externa dos EUA é coisa complexa.

Durante anos e anos Kissinger teve muita influência. Creio que muito do que aconteceu nas três últimas décadas do século XX teve "mãozinha" dele.
Admito que também na primeira década do século XXI ele pode ter tido conversas com os inquilinos da Casa Branca.

Mas muitos outros "gurus" foram aparecendo.
Kissinger e muito outros como ZB foram perdendo influência.

Depois da implosão da URSS e, concretamente no que respeita à Ucrânia, os EUA (estou convencido) trataram de lentamente apertar o cerco à Rússia. 
O alargamento da NATO foi um dos patamares.
Tudo o que levou à Praça Maiden, à revolta laranja, e muitas outras coisas, tiveram por exemplo mãozinha da Sra Nuland e do seu extremoso marido. Nada aconteceu por acaso.

Como referi em curto texto anterior muito aconteceu e se alterou entre 1997 e o presente.
O que se passa actualmente por parte dos EUA face à Rússia e à China não parece estar em conformidade com o que ZB sugeria deveria ser tido em conta.

Aguardemos.
AC

sexta-feira, 17 de março de 2023

PARA os INCHADOS de SOBERBA
Que se empanturram às refeições, que adoram as festanças mundiais, que andam à procura de emprego estrangeiro, que adoram andar no Falcon por exemplo a caminho de Bruxelas, Kiev, Canárias, que arrotam muitas postas de pescada e prometem hoje o que todos os anos anteriores já tinham prometido, sugiro que leiam alguma coisa e que alguém lhes explique o que são, prioridades, geopolítica, planeamento estratégico, geografia, honestidade intelectual e a diferença entre servir-se do cargo ou servir a sociedade.

Falam de guerra mas a todo o momento demonstram nada perceber do que é, defesa nacional, que defesa nacional engloba muitas componentes e muito para lá da componente militar.

Há livrinhos já traduzidos para português. Eu tenho muitos em inglês e que li há uns anos. A alguns volto de vez em quando. 
É o caso deste que li vai para 24 anos.
E quanto mais leio e estudo mais pequenino me sinto. 
Contrariamente aos inchados que, tudo visto e ponderado, deviam era ter vergonha na cara.

Já Confúcio terá definido - que um homem de palavra fácil e personalidade agradável mesmo com uma dicção horrível e comendo partes de palavras, raras vezes é homem de bem. Raras vezes!

Este livro (1997), que por exemplo Helmut Schmidt considerou (contracapa) dever ser lido e levado a sério por ser um livro intrigante e que contém análises e avaliações precisas, é um dos que bem explica o que aconteceu em 1990/1991 e o que se lhe seguiu e está à vista.

De facto, é a realidade, quer se goste ou não, os Estados-Unidos formularam e puseram em prática uma geoestratégia de longo prazo na Eurásia. 
Trataram de ponderar os seus interesses, e trataram de os defender. Como a China há muito planeou defender os seus interesses no mundo. Como a Rússia, depois da implosão da URSS planeia defender os seus interesses no mundo. INTERESSES!

A Europa, entre as patéticas intervenções de Michel e Borrel e o ar emproado mas vazio de realidade de Ursula, está a unir-se, cada vez mais forte ou vai lentamente rachando?

Que consequências resultam das posições por exemplo da Hungria, da Itália, dos Nórdicos, da Polónia? 
Como olha a Alemanha para o que vem dizendo e fazendo a Polónia e o seu crescente apoiantes americano?

Após a II GG não tardou a surgir a NATO e ficou célebre uma frase daí decorrente em termos realistas e que rezava mais ou menos assim:
- to allow Americans IN, Germans DOWN, Russians OUT.

Não tenho poderes de adivinhação, mas será se pretende que essa frase passe a ser substituída por:
- Americans IN everywhere, Germans DOWN, Polands UP, Russians DOWN, UE inoperative ?

AC

quarta-feira, 22 de junho de 2022

CLARINHO  COMO  ÁGUA
…… "To sum up: The strategy of any nation in the state system is - or should be - to oppose any state that seeks predominance since this  would constitute a threat to its security and national independence"….

Por brutal que possa ser, é a realidade prosseguida. 
Naturalmente, a todos os que se movem apenas por modas, comoções, emoções e moralismos isto, eventualmente, choca. 
Mas passa-se no planeta Terra, não em Marte ou Plutão. 
Integra doutrina, política externa, neste caso dos EUA.
Mas, Rússia, China, Brasil, Índia, Turquia, Israel, por exemplo, aplicam o mesmo. TODOS. De país para país, as diferenças assentam no poder militar.
AC

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A PROPÓSITO de INTERESSES, que SEMPRE HOUVE e SEMPRE  EXISTIRÃO no MUNDO
" Porque os interesses dos Estados, nas suas relações uns com os outros, nem sempre se harmonizam facilmente e com frequência divergem até ao ponto de colisão violenta, as forças armadas são, nessas circunstâncias, um último recurso a utilizar pelos detentores do poder político, se outras acções não tiverem produzido os efeitos desejados" (do livro branco da defesa nacional, MDN, 1986).
Realidade? Idílico? 
E se pensassem de uma vez por todas que já vai muito tarde definir que FA deve este pequeno País ter, antes de andarem em bicos de pés sem saberem o que deve ser decidido quanto a cooperações lá fora?
Que ridículas criaturas a darem-se ares de estadistas!
Neles e em outros como eles se deve malhar!
AC