Muito se tem escrito sobre este desgraçado tema, infelizmente, eu próprio me atrevi por mais de uma vez a tecer algumas considerações e colocar-me a mim mesmo diversas interrogações.
Não vou repetir-me.
Tenho lido, algum tempo depois do acontecido, as declarações/ excertos do que se vem passando na CPI (comissão parlamentar de inquérito à telenovela Tancos). E ainda bem que não é à porta fechada.
Praticamente tudo o que li até agora me estarreceu.
Ou não é de estarrecer tudo o que tem saído das bocas de Generais, Coronéis, Tenentes -Coronéis?
Tenho até pena que não tenham chamado para ser ouvidos outros militares que tenham servido em Tancos, como Sargentos e Cabos. Li agora no DN uma súmula da prestação do ex-CEME General Rovisco Duarte.
Mais estarrecido fiquei (sublinhados a cores da minha responsabilidade).
Ou não é de estarrecer tudo o que tem saído das bocas de Generais, Coronéis, Tenentes -Coronéis?
Tenho até pena que não tenham chamado para ser ouvidos outros militares que tenham servido em Tancos, como Sargentos e Cabos. Li agora no DN uma súmula da prestação do ex-CEME General Rovisco Duarte.
Mais estarrecido fiquei (sublinhados a cores da minha responsabilidade).
Desse texto do DN retive o seguinte:
> ... acabou por tornar público uma realidade do Exército marcada pela inação, passividade, resistência e mesmo desobediência ao longo da cadeia de comando.
> ....que acabaram também por ser um ajuste de contas com os dois tenentes-generais (do seu curso de 1976) que se demitiram em protesto contra a exoneração dos comandantes responsáveis pela segurança dos paióis - revelaram um "homem de ação" e com uma longa carreira em funções de comando que se mostrou incapaz de aceitar um ambiente de "deixa andar" em que um dos seus cultores era, segundo o ex-chefe do Exército, o então comandante das Forças Terrestres, Faria Menezes,
> .....Preparar o envio para o Afeganistão de um regimento diferente daquele que o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) tinha determinado,
>....garantir ao CEME que não tinham sido nomeados para a República Centro-Africana (RCA) militares alvo de processos (devido à morte de dois recrutas dos comandos) que afinal estavam nomeados - e acabaram por ser retirados à última hora da força,
>....ter de "dar um murro na mesa" porque oficiais queriam implementar medidas diferentes das aprovadas para o antigo Instituto de Altos Estados Militares, em Pedrouços,
> ...A vontade do comandante de uma unidade em querer ter um paiol próprio para os operacionais na inativação de engenhos explosivos - que exigia 300 mil euros - quando tinha um "a 300 metros",
>... havia graves falhas no apoio a essas tropas, que eram reportadas pelo comando das Forças Terrestres (CFT) como sendo menores e resolúveis - mas que levaram o CEME a ir ao terreno e declarar, perante o que viu e ouvir, que iria "haver sangue quando chegar a Portugal",
>....o levaram a dizer que a lealdade e solidariedade corporativas - alegadamente presentes nas ações de Faria Menezes - só são aceitáveis se "dentro da legalidade e da legitimidade".
> .....O melhor retrato dessa realidade resultou do estado a que chegaram os paióis de Tancos, tanto em termos de segurança como das instalações e que poderiam ter sido resolvidas pelos comandantes das unidades locais e pelos comandantes das Forças Terrestres e da Logística: ausência de telefones (quando bastava uma meia hora para estender fios), torre de vigia com vidros partidos e sem lâmpadas a funcionar, falta de desmatação, vedação com buracos, ausência de rondas....
>.......Quis provocar um choque e acabar com a cultura do deixa andar" no Exército, pois mesmo podendo ser injusto com alguns dos visados beneficiava-se o ramo.
Depois de ler isto, não é compreensível que qualquer cidadão comum fique estarrecido?
Das duas uma: ou o que o General Rovisco Duarte disse na CPI corresponde à dura realidade como por exemplo - uma cultura e ambiente de deixa andar - ou - desobediência a ordens superiores - ou não corresponde.
Retrata ou não o Exército? Convinha apurar.
Será que depois das declarações do ex-CEME os deputados vão requerer uma acareação entre os generais que já compareceram na CPI?
Aposto que tal não vai acontecer.
O Exército é um dos três ramos das Forças Armadas.
A instituição militar é uma instituição pilar do País, tem que ser respeitada, MERECE ser respeitada.
Mas também convinha muito que alguns dos seus servidores se dessem ao respeito.
Pelo que parece, há anos que é capaz de já não ser assim.
LAMENTÁVEL. Um quadro que é assim difícil de defender.
AC
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