terça-feira, 26 de março de 2019

MERCEEIRO, MERCEARIA, INVENTÁRIO
O merceeiro Silva era um daqueles tipos sebosos, mas com a mania de ser um espertalhaço, modernaço, e que ninguém o enganava.
Engano aqui, mais uma quarta de manteiga acolá, o gordo e seboso homem andava desconfiado que o empregado palmava material.
Vai daí - oh Quim, hoje, depois das 6 da tarde, vais verificar o que temos nas prateleiras, quero contas certinhas, saber o que tenho neste momento.
Assim foi.
O madraço Quim meteu mãos à obra, mas calaceiro como era, a verificação não correu muito bem
Ora vamos lá a saber, como estamos de inventário, suspirou Silva.
O Silva começou a ler as folhas escritas a lápis, folhas um bocado amarrotadas, uma ou outra até com marca de gordura.
Leu, ........tanto de, açúcar, farinha, batatas, arroz, grão, feijão, espaguete, azeite, ..........
Gritou - oh QUIM, que porra é esta?
O quê sô Silva?
Oh QUIM, eu vejo aqui quantidades sobre tudo, ok, totais, mas nada descriminado, por exemplo, quanto de grão de bico seco, quantas latas de grão, quanto de açúcar amarelo, quanto açúcar branco, as marcas diferentes de farinha, as marcas de azeite, as marcas de margarinas e manteiga,........porra QUIM, assim não dá.......
Oh sô Silva, vai desculpar-me, o sô Silva não me mandou descriminar e, além disso, por acaso nem está tudo aí nas folhas, porque lá ao fundo, na última prateleira, aquelas latas de banha são muito pesadas, não lhes mexi, mas acho que por trás há lá coisas, penso que sabão amarelo e palha de aço.
Ai QUIM, que assim não chego a conclusões.......
..........
A vida triste de um merceeiro, e de uma mercearia, não é verdade........mas dizem-me que o Silva e o Quim dormem os dois muito bem, sem problemas de consciência.
AC

Ps: qualquer semelhança com coisas da vida real é absoluta coincidência.

Ps 1: quem se atrever a comparar o sitio indecoroso com uma mercearia assume a responsabilidade; acima só recordo coisas do passado, da mercearia em Paço de Arcos, no ido 1963.

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