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terça-feira, 25 de novembro de 2025

As crises cativadas
Quem escolhe a via das cativações orçamentais e das cativações na interpretação das crises renuncia interpretar a mudança da realidade efectiva das coisas, exerce o poder coberto por um manto diáfano de fantasia.

A FRASE...

"A venda ao exterior de activos valiosos da economia portuguesa continua animada."

Manuel Carvalho, Expresso, 28 de Dezembro de 2019

A ANÁLISE...

A cativação orçamental é a diferença entre o que está escrito no Orçamento e o que o Ministério das Finanças autoriza como despesa. O que se aprovou no Parlamento fica encoberto pelo manto diáfano da fantasia, e a realidade efectiva das coisas é o que o critério do défice determinar. Uma crise cativada é a diferença entre o que aconteceu na realidade efectiva das coisas, que deveria ser descrito e analisado para informar os eleitores do que é o seu campo de possibilidades efectivo, e o que se escolhe para dizer que aconteceu, cobrindo com o manto diáfano da fantasia o que não se quer reconhecer, para assim justificar as políticas que se apresentam aos eleitores para atrair o seu voto. É sempre demasiado tarde que se verifica que o que se apresentou como o virar de página das austeridades foi apenas o abrir a página das cativações.

Não se quis analisar a crise recessiva de 2008 como o resultado da incapacidade que os sistemas bancários e de supervisão revelaram para regular e reciclar o fluxo de capitais gerado pelo crescimento do comércio internacional e pela abertura das economias que foi estimulada pela oportunidade de acesso a essa oferta de capitais. Preferiu-se fixar a culpa nos banqueiros, quando o que aconteceu foi uma mudança de natureza dos movimentos de capitais, uma efectiva alteração da realidade efectiva das coisas - e depois disso nada mais voltará a ser como era. Não se quis analisar a crise de endividamento em Portugal em 2011, porque isso implicaria atribuir as responsabilidades a quem não quis perceber o que se passou depois de 2008 e continuou a decidir como se ainda estivesse no passado. Quando se está integrado numa zona monetária, como o dólar e o euro (mas como o iene do Japão não chegou a ser e o yuan da China ainda não é), deixa de ser possível ter uma política monetária nacional, a realidade efectiva das coisas passou a ser multinacional.

Quem escolhe a via das cativações orçamentais e das cativações na interpretação das crises renuncia interpretar a mudança da realidade efectiva das coisas, exerce o poder coberto por um manto diáfano de fantasia.

Joaquim Aguiar


(sublinhados da minha responsabilidade)

Tenham uma boa 3ª Feira.
Saúde e boa sorte.

AC

sábado, 18 de março de 2023

Do PÚBLICO
Helena Pereira,
17MAR23

A primeira crise de Gouveia e Melo na Marinha ou a Revolta na Bounty.
. . . . . . . . 
. . . . . . . . (sublinhados da minha responsabilidade)

Foi o próprio chefe do Estado-Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo, que a fez no discurso que dirigiu na quinta-feira à guarnição do Mondego. É a nossa Revolta na Bounty porque se trata de um acontecimento inédito no Portugal democrático, sem dúvida.
. . . . . . . .
2. Como comandante supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa teria de ter tido uma palavra sobre essa vertente disciplinar. Neste caso, Marcelo optou por falar apenas na questão financeira da manutenção dos navios, ficando aquém daquelas que são as suas responsabilidades.
Se há caso em que pode ser apontado à crítica de que actua mais como comentador do que como Presidente, este foi claramente um deles.
3. As dificuldades de suborçamentação dos ramos militares, . . . .  são uma evidência. . . . . . Há vários anos que o orçamento de Defesa é alvo de cativações, e o maior campeão foi Mário Centeno, que conseguiu ter excedente orçamental em 2019 à custa de várias poupanças, e uma delas foi na Defesa. Nesse ano, cativou 150 milhões de euros e apenas descativou 20% desse valor. É desse tipo de “artimanhas” que se está a falar.
4. Há, por isso, responsabilidades políticas. O Governo aprovou nesta quinta-feira, em Conselho de Ministros, a proposta de Lei de Programação Militar (LPM), que estabelece o investimento público em meios e equipamentos para as Forças Armadas para os anos de 2023 a 2034. Segundo nota do executivo, “o montante global de investimento ascende a 5.570 milhões de euros, o que representa um crescimento de 17,5 por cento face à lei em vigor (mais 830 milhões de euros)”. Deste montante, quanto vai ficar disponível? Ou o acréscimo de 17,5 por cento corre o risco de ainda vir a ser anulado quando se perceber a execução orçamental?

5. Há também responsabilidades das hierarquias militares ao longo dos anos. Na ânsia de serem medalhados, os oficiais superiores vão pactuando com sucessivos cortes orçamentais para lá do limite do que seria razoável. O único chefe militar que teve coragem de chamar a atenção para o problema foi o almirante Vieira Matias, que ameaçou mandar parar todos os navios para poupar no combustível.
6. O que aconteceu no Mondego é uma humilhação para as Forças Armadas. Depois do triste espectáculo que o assalto a Tancos revelou sobre a segurança dos quartéis, torna-se difícil levar a sério a política de Defesa para o país. Afinal, quais são as prioridades e onde é que é possível efectivamente poupar sem atingir as áreas nevrálgicas da soberania?

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Neste artigo da jornalista Helena Pereira está muito do que se tem passado em Portugal quanto às Forças Armadas, e em que não há nenhum partido isento de culpas. Os que nunca foram governo apesar de declarações pomposas e gongóricas ou a apoiar por trás certos movimentos, foram sempre coniventes na AR apesar dos seus protestos tímidos.

A culpa maior é do PS, PSD e CDS, sendo o PS quem mais governou nos últimos 30 anos. O escrito em 3., 4. e 6. é eloquente e descreve de forma muito resumida a pouca vergonha nomeadamente do PS com que muitos pactuaram ao longo dos anos como educadamente se refere em 5., incluindo muitos que nos últimos anos têm confirmado a fórmula - sossegados no activo, muito agitados na reforma

António Cabral (AC)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Oh MINISTRO CENTENO, Oh Costa
Agora que grande parte dos TUGAS está anestesiado, afinfem aí com mais umas cativações, que o pessoal não nota.
AC

sexta-feira, 15 de março de 2019

BARATEAR as COISAS
Algures em 1965 e a propósito dos problemas em África, Salazar terá afirmado - ....temos de baratear a guerra, senão esgotamos-nos e não aguentamos....... !
No presente, andam a baratear diferentes sectores da vida nacional.
No passado, Salazar nunca quis dar a mão a torcer, pois embaratecendo-a ou encarecendo-a, a guerra nunca seria militarmente ganha.
No presente, os "artistas" que se sucedem, não querem dar a mão a torcer e reconhecer que isto continua a não estar bem.
Vão barateando o ensino e a educação, a máquina fiscal, a PJ, a saúde, e por aí fora.
Enquanto se vão governando e aos seus, dizendo "transparente" mas sobretudo "traz parente" e enganando uma maioria, maioria que se entretem com, palhaçadas televisivas, discursos da treta que nos dizem ser de Estado, futebolices, cançonetistas, Carnaval, e uma sucessão de casos levianamente agarrados por vários escribas do politicamente correcto.
Enquanto isto, casos vários colocados a nu em investigações jornalísticas nomeadamente na SIC e na TVI caem no esquecimento de quem tem a obrigação de combater as pouca vergonhas em sociedade. 
Assobiam para o lado! 
É também uma forma de baratear as coisas, neste caso no âmbito da justiça, onde uma das preocupações parece ser uma hipotética candidatura à Presidência da República.
AC

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

AHH,......ficou surpreendido.........coitadinho.........
Segundo se lê nos OCS o ministro do ensino superior ficou surpreendido porque o  ministério das finanças recusou o seu pedido de reforço orçamental! Ahhh, coitadinho, esqueceram-se de lhe dizer e explicar o que é uma página falsamente virada, cativações, compressão de despesa em tudo o que não favoreça votos.
Pois é, demita-se.....é melhor não, sempre há o carro, os cartões, etc
AC

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Mais exemplos BONS, verdadeiros tesourinhos, 
MDN,  MF,  GERINGONÇA
Estive a reler o DN de 8 de Outubro passado.
Muitas coisas engraçadas. Uma delas respeita ás indústrias de defesa, ao Arsenal do Alfeite (AA), à Marinha, e envolve a geringonça paralisante, e os seus ministérios das finanças (MF) e da defesa dita nacional (MDN).
Fala o jornalista em mistério.
Parece, parece que o jornalista se espanta com o silêncio do MF. Aceita o que uma fonte lhe terá dito - não senhor, não há cativações  nenhumas - mas a realidade parece ser que o AA continua a não poder mexer em verbas que aparentemente estariam já ao seu dispor.
Por outro lado, os costumeiros e crescentes atrasos no lançamento de necessários concursos internacionais. Onde é que eu já vi isto?
Outra coisa engraçada, segundo o DN (sei lá se é verdade) o porta-voz da Marinha terá informado que não tem informações que suscitem preocupações.
Mas se for verdade que o porta-voz falou, mal que pergunte, a Marinha poria os pontos nos "iis" nesta fase do campeonato no seio do MDN, e a aproximar-se a substituição do CEMGFA Pina Monteiro? Hum........ 

Outra coisa muito engraçada que o jornal traz - almirante Macieira Fragoso, ainda na reserva e na efetividade de serviço, vai ser presidente não executivo dos estaleiros da Naval Rocha, em Lisboa.
O que acho delicioso é, segundo o DN, haver como uma das principais razões para a escolha daquele almirante - a sua concordância com as orientações da tutela para o setor naval das indústrias de Defesa.

Eu, que sou um grande maroto, fico então com a sensação de que Macieira Fragoso já no passado recente concordava com as orientações da tutela para o sector naval das indústrias de defesa mas presumo, repito, presumo então, como discordava da tutela em quase tudo o resto ......................foi substituído como chefe da Marinha, e indigitado e nomeado outro oficial para o seu lugar.
O que parece ter dado na altura muita azia ao senhor.
Portanto, como diz um bom amigo - a azia passa com bons lugares, mesmo quando antes se levou um pontapé no traseiro!
Eu acho que o meu amigo continua com razão. E, claro, ele há feitios para tudo.
Esta geringonça acumula coisas "interessantes"
AC



sábado, 18 de fevereiro de 2017

OE, défice, contas públicas
Na tarde deste Sábado encoberto e manhoso, entre outras coisas, andei a pesquisar nos meus arquivos tudo e mais alguma coisa acerca do tema. Andando para trás, muito, e encontrei várias coisas.
Sempre nos temas, cortes, congelamentos, cativações.
Até tropecei numa área, a militar, e concretamente, uma tal famosa lei de programação militar, inventada há muitos anos com o confessado objectivo de apetrechamento e modernização dos meios materiais para as nossas Forças Armadas (FA).
Entre as muitas delícias, recordei artigos vários, sobretudo de generais conhecidos. Também, algumas frases soltas de certos inchados da vida, sempre palrando como trovões, sobretudo contra governos de cor que não a sua.
Tudo vasculhado a propósito do défice anunciado, do que teria sido atingido em 2016, o melhor de sempre da história democrática.
Cortes sempre houve, na saúde, educação, autarquias, por aí fora.
E descontrolo ainda mais, então no tempo do idolatrado PM António Guterres!!!!
Fica-me a sensação de que a equipa do MF e não só Centeno, terão controlado melhor os diferentes ministérios. E, naturalmente, cativaram muita coisa mas como são as esquerdas não há problema.
Mas a propósito de não haver agora problema, dei comigo a pensar, em certas notícias e muitos silêncios na área militar.
Deve estar tudo a correr muito bem, quanto a manutenção de viaturas blindadas, aviões, navios, etc. Nunca mais ouvi/ li certos generais. Engraçado.
Como é engraçado tudo isto, na vida política deste mal tratado País.
É que como tenho uns quantos mapas e coisas antigas, achei piada a certas coisas da tal lei de programação militar.
Assim é que eu gosto. Acalmia institucional.
A menos que uma das razões para os silêncios, além do governo ser, porventura, mais ou menos do agrado de muitos que costumam falar publicamente, seja andarem muito entretidos, e entre o aflito e o apressado, a conferir os materiais nos paióis, não vá andar a acontecer o mesmo que na PSP.
Entretidos, portanto, com meros actos administrativos!!!
AC