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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

 A  ECONOMIA

A passagem rotineira pelo DR dá-nos sempre delícias, e provas de como este desgraçado país caminha inexoravelmente para o cataclismo.

Agora que a propósito do OE se fala de novo em taxas e taxinhas e impostos, até ao dia em que taxarão o ar respirado, vale a pena tentar observar também a zona dos subsídios.
E não é fácil retirar conclusões definitivas.
 
No tempo da Troika tentaram acabar com várias fundações. Creio que acabaram com poucas. A quantidade de fundações que mama há conta dos dinheiros públicos é enorme.
 Além das fundações temos IPSS. Temos misericórdias. E é um nunca mais acabar.

Outro exemplo é a área dos resíduos e do lixo que mandam para cá para nós guardarmos e depois tratarmos. Vai parecendo que somos uma lixeira.

E o negócio dos detritos e dos resíduos e dos amiantos e da reciclagem é imensas vezes subsidiado.
E no meio desta lixeira monumental em que Portugal se vai tornando, falam-nos sempre em "economês", em economia linear, economia verde, economia circular, biogás, energias renováveis, etc. E o que eu adoro é ver falar que se está a incentivar, a dar incentivos? 
Importa-se de repetir?
AC

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

RECORDANDO
O  exemplo
A indústria portuguesa produz por ano 35 000 toneladas de resíduos não recicláveis, que precisam de ser incinerados. O Governo deu por isso pela primeira vez no fim de 1985, quando Carlos Pimenta estabeleceu por decreto as bases de uma política nacional de resíduos. Passaram cinco anos até o Governo abrir concurso para a construção de uma incineradora em Sines. O "povo" protestou e o Governo fugiu. Passaram outros cinco anos e, em 1995, Teresa Gouveia lá convenceu Estarreja a engolir a incineradora. Estava o problema resolvido? Não estava. Em 1997, José Sócrates abandonou o projecto de Estarreja e resolveu entregar a incineração dos resíduos a um consórcio de cimenteiras. Em 1998, esse consórcio propôs quatro sítios possíveis para a co-incineração: Outão, Alhandra, Souselas e Maceira. Elisa Ferreira escolheu Souselas e Maceira. O "povo" protestou e o Governo fugiu. Em 1999, Sócrates, já ministro, removeu o sarilho para uma comissão científica independente, a CCI, como se coubesse a uma comissão científica tomar decisões políticas. Este ano - 2000 - a CCI recomendou, em vez de Souselas e Maceira, Outão e Souselas. O "povo" protestou. Com Manuel Alegre à frente, os deputados de Coimbra prometeram fazer coisas terríveis. Vários cientistas arrasaram as conclusões da CCI. A oposição exigiu em coro que o assunto fosse imediatamente revisto. E agora o Governo, como sempre, hesita. Entretanto, os resíduos não deixaram de se acumular ao acaso. Em 15 anos, 15 anos, não se avançou um milímetro. O Estado pede aos portugueses trabalho, eficiência, dinheiro e sacrifícios - em nome da "modernização". Mas sucede que o exemplo do Estado corrompe a sociedade e é sem dúvida o principal obstáculo à "modernização".
Vasco Pulido Valente assina esta coluna ao sábado e domingo

AC

Ps: Recuperei este artigo de 2000, porquê?
Para lá do caso concreto, não é exemplo lapidar, do muito que continua a acontecer neste tão maltratado País onde, em bom rigor, somos nós os maltratados?
Quando não votam, quando votam nos governos que têm uma grande parte da escória dos governos Sócrates, estão à espera de quê?
Deu-se o 25 de Abril de 1974.
Daí para cá, ainda que se tenha progredido em muitas áreas, FELIZMENTE, o exemplo supra não está acompanhado de centenas de outros exemplos que fazem com que Portugal tenha os bloqueios actuais?