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domingo, 16 de agosto de 2026

O  AEROPORTO  OUTRA  VEZ

Li isto e achei curioso.
Aeroporto corre risco de ser inundado.
Relatório de empresa italiana especializada em Hidráulica alerta para o perigo da implantação sobre uma ribeira e uma área de represa. Vão ser construídos 21 quilómetros de canais para desviar a água: meia Veneza
.

Será que começa a haver mais gente que, finalmente, quer ver explicado bem explicadinho os contornos todos da projectada construção do NAL e em que os aquíferos são uma das questões complexas?

No nosso tempo contemporâneo existem processos e tecnologias para resolver praticamente todos os problemas, neste caso, os relacionados com o que a engenharia e a construção civil terão de enfrentar e resolver durante a construção do NAL.

Mas a questão dos aquíferos é primordial por duas razões:
* a questão dos recursos hídricos para todo o distrito de Setúbal e concretamente o fornecimento de água às populações,
* e o que implica de custos muito mais relevantes durante a construção e, depois, os custos de manutenção designadamente das pistas.

Assim, apetece-me recordar alguns dos meus textos antigos sobre este assunto. À frente recordados.

António Cabral (AC)

Ah . . . o  AEROPORTO

Escrevi há pouco tempo um texto sobre o projectado NAL/ novo aeroporto de Lisboa que, presentemente, se pretende seja instalado na zona do actual Campo de Tiro de Alcochete, onde periodicamente os aviões da Força aérea treinam/ treinavam.

E escrevi-o designadamente por causa do aquífero que existe também nas áreas do dito campo, um aquífero que se estima brutal. 

Problema de água que afectará certamente a construção da pista/ pistas como lá está explicado.

A Quercus refila sobre o assunto, e refere também os problemas e as eventuais consequências relativamente aos aquíferos no distrito de Setúbal. Se bem percebo, a Quercus refere explicitamente que o assunto precisa de ser mais aprofundadamente estudado.

Mas Pinto Luz que tal como o "outro"é mais rápido que a própria sombra, disparou mais uma vez.

E vai daí apresentou "obra", nada menos nada mais que o maior pacote de obras públicas de sempre, de fazer inveja aos países da UE tidos como mais avançados e desenvolvidos.

Naturalmente existirá quem tenha dúvidas sobre este projecto.
Se percebo bem, além do tonitruante Pinto Luz, a Vinci não estará completamente contra embora no passado recente tenha apresentado pareceres negativos. 

Haverá certamente quem considere ser erro estratégico a construção de um tal aeroporto. Mas a decisão política aí está.
Um projecto baratinho!

Uma outra coisa é certa: o NAL está a avançar e foi um governo PS que promoveu a Comissão Técnica Independente liderada por Rosário Partidário, comissão essa que propôs Alcochete.

O relatório técnico a que Pinto Luz deu a benção final  parece apontar para uma solução técnica a pensar em futuras expansões da infra-estrutura e aponta os diferentes problemas na área da mobilidade, sendo que a tal ponte será o problema mais complicado.

O que considero curioso, e repito o que por diversas vezes já escrevi, é não aparecer ninguém a seriamente questionar a existência de imensa água na zona, não apenas por questões ambientais e de fornecimento de água no distrito de Setúbal, mas sobretudo por razões técnicas de construção de pistas. 
Se isso é potencialmente custoso para a obra que aí virá. 
E manutenção futura.
De acordo com estudos que creio foram feitos em 1992, evidenciavam problemas de construção de pistas a partir de poucos metros de profundidade.
Ora a construção das pistas hoje em dia implica grande escavação, grande caixão a metros de profundidade.

Mas deve ser certamente um problema caricato, irrelevante.

A OTA foi afastada sobretudo exactamente pelos problemas complicados na perspectiva da construção das pistas devido à água.
Aqui é irrelevante? Irrelevante?

A ir para a frente o projecto, veremos os percalços encontrados e quão mais custará a obra.
Certamente "pintelhos" como dizia o Catroga!

Ah, já agora, há quanto tempo se fala do aeroporto?
António Cabral (AC)

NAL - AEROPORTO
Lê-se por aí que o novo aeroporto de Lisboa (Luís de Camões) com obras a iniciar em princípio em 2029 pode custar até 8,9 mil milhões (entre 7,9 e 8,9) e que será servido por comboio rápido de modo a ser de 20 minutos a viagem do aeroporto a Lisboa. Viagem numa terceira e nova travessia do Tejo, entre Chelas e Barreiro.

Pelo noticiado, esta nova infra-estrutura implica ainda a construção de novas acessibilidades, 250 km de novas vias rodoviárias, e requalificação de muitas outras.
Se percebi bem haverá também um túnel de ligação à futura linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. 

Naturalmente que todas as obras têm a envolve-las muitas questões técnicas, logísticas, alterações, etc. O aeroporto não fugirá a isso.

Interessante a margem de erro neste momento indicada, entre 7,9 e 8,9 ou seja, uma minudência de 1 milhão se fiz bem as contas. 

Entre outras, este processo tem tido coisas curiosas desde o início do consulado do insuportável e execrável Sócrates.

As várias hipóteses iniciais de localização do NAL e se bem recordo, passaram pelo menos por Ota, Rio Frio, Montijo e esta agora, aparentemente definitiva, que está quase toda dentro do concelho de Benavente e um bocadinho no de Alcochete.

Prendas várias terão andado no passado a comprar terrenos pelas áreas adjacentes das possíveis localizações, algumas dessas prendas bem conhecidas e algumas já não entre nós.

A Ota foi afastada porque tinha (dizia-se e creio ser real) muita água.
Bom, no chamado Campo de Tiro de Alcochete a partir de uns quantos metros abaixo da superfície também parece haver alguma água.
E certamente que há quem o saiba mas, curiosamente, nem um único jornalista falou nisso. Porquê esse silêncio?

Por isso republico um post antigo, de 2025
AC

A E R O P O R T O  -  NAL
O tempo vai passando e nos gabinetes e nos encontros/almoços de negócios as coisas vão sendo alinhavadas. Como de costume, como sempre foi e assim continuará. Tudo legal, tudo normal, tudo democrático, tudo dentro dos conformes como diz o povão, nada de coisas más.

Em tempos li algures isto:

Governo vai controlar desenvolvimento urbanístico na área do novo aeroporto. Objectivo do executivo é “evitar a ocorrência de alterações ao uso do solo que possam comprometer ou tornar mais onerosa a instalação do novo aeroporto”.

Na altura em que sobre isto falei considerei esta posição publicamente anunciada como fortíssima candidata à melhor piada do ano de 2025.

Recordo isto agora e outras coisas pois apercebi-me hoje que, através de uma carta aberta, algumas associações de moradores e juntas de freguesia terão proposto à ANA-Aeroportos de Portugal com cópia para o governo, uma deslocação da implantação das pistas deste planeado aeroporto. 
Uma deslocação de cerca de cinco quilómetros para Oeste fazendo-o coincidir com a localização da actual pista militar existente no chamado campo de tiro de Alcochete.

Do que li, a proposta basear-se-á em determinados estudos encetados por equipas especializadas com ligações às ditas associações locais.
Aparentemente, a aceitação desta proposta levará a uma redução de cerca de 70% do número de residentes afectados pelo ruído aeronáutico, com ganhos directos na saúde pública. 
Outro argumento é o de levar a concentração da infra-estrutura para solo público já afecto a uso aeronáutico militar, com a inerente redução de necessidades de expropriação.

O construção do novo Aeroporto de Lisboa (NAL) na área do Campo de Tiro de Alcochete (que na realidade está quase todo fora do concelho de Alcochete) tem diversas vantagens e inconvenientes, como aconteceria com outra qualquer eventual localização. Claro que há por exemplo impactos ambientais relevantes, como haveria noutra qualquer localização.

Sabe-se, há vários que sabem, há vários que continuam a esconder isso, que uns milhões de anos lá para trás, do Tejo a toda a grande península de Setúbal, dizem até alguns grande parte do actual distrito de Setúbal, era provavelmente um lago (pelo menos uma região que, no Período Terciário, seria um delta, que ligaria o Tejo ao Sado).

Dizem alguns que "hoje", lá por baixo, em toda esta extensa região há bastante mais que um Alqueva, haverá uma reserva de água brutal.

Por outras palavras e pensando em terrenos, sabe-se perfeitamente que no famoso Campo de Tiro de Alcochete, a esmagadora maioria do terreno é arenoso.
Por outras palavras, a penetração no terreno é muito mais fácil do que em outros terrenos.

Há quem tenha explicado que, com base sobretudo num estudo profundo que terá sido realizado em 1992, a construção de pistas de aviação aptas para receber aterragens dos monstros voadores do presente que andam pelas 250 toneladas, é uma coisa muito complicada tecnicamente, e é quase certo que necessidade e uma manutenção especial neste tipo de terrenos muito difíceis será sempre uma constante e caríssima. 

O nível freático é extremamente baixo.
Toda aquela imensa região é, sobretudo, areia e arenitos.
Diz quem sabe que, olhando a profundidades,

1) Aos 14 mts há um caudal de água de 60 m3, ininterruptos!
2) Aos 100  " " " " " " " " 150 m3 !
3) Aos 150  " " " " " " " " 250 m3 !
4) A partir daí, o caudal de água é quase ilimitado !

Construir portanto uma pista num terreno arenoso, para aguentar as tais 250 toneladas, implicará aquilo que tecnicamente se designa por "caixa", e é quase certo que não poderá deixar de ter pelo menos uns 10 metros de profundidade, com um dispositivo para estabilizar a areia constituído por troncos de cone em betão em todo o comprimento e largura da pista, e com os espaços entre eles a terem que ser cheios com brita e "touvenant", e por cima as massas de pavimento !

Como é que se pára um caudal de água que começa a aparecer logo aos 10/ 11 metros de profundidade sendo relevante aos 14??

Apenas uma coisa única na vida não tem solução: todos morreremos um dia.

Tecnicamente, a questão superficialmente abordada tem solução?

Terá certamente mas, mesmo para um leigo como eu que apenas sabe uns pózinhos "bebidos" de quem sabe, é por demais evidente que a construção de pistas naquela zona capazes de suportar operações contínuas dos actuais monstros do ar, será CARÍSSIMA, e que a sua manutenção CONSTANTE CARÍSSIMA SERÁ.

No presente praticamente tudo se resolve tecnicamente, a tecnologia e a engenharia isso permite. Tudo tem os seus custos e isto acima referido não será um drama existencial.

Mas o que acho notável nisto é que nenhum jornalista, nenhum político, nenhum engenheiro, nenhum analista, nenhum comentador, fale destas questões.
É que não se trata de algo poder custar mais 5 000 ou menos 5 000 Euros. É tão só um dado importante na questão geral NAL.

Que a ANA esteja calada que nem uma mula eu percebo, pois queria a extensão / complemento Montijo e, se esta hipótese estiver mesmo definitivamente excluída, como parece estar, quererá "abichar" o "seu" no NAL.

Agora, tudo calado, nem um pio? Fala-se em certas questões e não em outras? Eu acho esquisito, muito esquisito!

Para já juntas de freguesia e associações de moradores estão legitimamente preocupados com as questões de saúde dos residentes na área adjacente ao projectado NAL. 
Podem ficar descansados que o governo, este e os seguintes, garantirão o melhor para os cidadãos. Eles GARANTEM sempre.

Lembrem-se, desde Belém a S.Bento, desde ministérios a entidades outras, desde responsáveis diversos a . . . etc., em Portugal todos GARANTEM! 
Estejam portanto muito descansados!

António Cabral (AC)