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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

CULTURA

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

(António Gedeão)

AC

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

"Lágrima de Preta"

Encontrei uma preta
que estava a chorar, 
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos
as bases e os sais
as rogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

AC

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

CULTURA

POEMA DAS ÁRVORES

As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
. . . . . . . .
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
a crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós
e entretanto dar flores.

(António Gedeão)

AC


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

CULTURA
. . . . . . 
. . . . . . 
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

(António Gedeão, Pedra Filosofal)

Eu continuo a sonhar, até para ver se consigo espantar males.

AC

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

CULTURA

. . . . . . . 
. . . . . . .
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas, 
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
 . . . . . . . 
 . . . . . . .
(Poema da malta das naus - António Gedeão)

AC

domingo, 29 de setembro de 2024

C U L T U R A

Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
. . . . . . . .

Eu sonho, imensa vez.
Algumas vezes, são pesadelos, pois a vida tem-me dado e está terrivelmente a dar inquietações que bem dispensava.

Uma constante, sonho.
AC

sábado, 21 de setembro de 2024

CULTURA

Bom dia.

Tenham um bom Sábado.

Saúde.

AC


Aqui fica um trecho da "Luísa" e da sua calçada de Carriche, de António Gedeão

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

LÁGRIMA  PRETA

Os polícias dos costumes e do politicamente correcto estarão para mandar alterar o título destes versos?

AC