AC
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
sábado, 4 de outubro de 2025
CULTURA
Porque chega da conta o breve tempo.
Mas quem gastou sem conta tanto tempo
Como dará, sem tempo, tanta conta?
Não quer levar o tempo tempo em conta,
Pois conta se não faz de dar-se o tempo,
Quando só para a conta houvera tempo
Se na conta do tempo houvesse conta.
Que conta pode dar quem não tem tempo?
Em que tempo dará quem não tem conta?
Que a quem a conta falta, falta o tempo.
Agora sem ter tempo e sem ter conta
Sabendo que hei-de dar conta do tempo
Vejo chegado o tempo de dar conta.
Soneto de 1790 com o qual um frade administrador de uma fazenda de gado na ilha de Marajá (Estado do Pará – Brasil) respondeu ao Geral da Ordem, que o intimara a prestar contas em prazo de tempo por lhe ter constado que ele as não tinha muito regularizadas.
Copiado de um livro velho sem capa nem rosto, ignorando-se portanto o autor.
(publico como recebi)
AC
sexta-feira, 5 de abril de 2019
SONETO
Se me vem tanta glória só de olhar-te,
É pena desigual deixar de ver-te;
Se presumo com obras merecer-te,
Grã paga de um engano é desejar-te.
Se aspiro por quem és a celebrar-te,
Sei certo por quem sou que hei-de ofender-te;
Se mal me quero a mim por bem querer-te,
Que prémio querer posso mais que amar-te?
Porque um tão raro amor não me socorre?
Ó humano tesouro! Ó doce glória!
Ditoso quem à morte por ti corre!
Sempre escrita estarás nesta memória;
E esta alma viverá, pois por ti morre,
Porque ao fim da batalha é a vitória.
(Luís de Camões, Sonetos, texto integral, edição anotada, livros de bolso Europa-América, nº 106, Julho 1985)
AC
Se me vem tanta glória só de olhar-te,
É pena desigual deixar de ver-te;
Se presumo com obras merecer-te,
Grã paga de um engano é desejar-te.
Se aspiro por quem és a celebrar-te,
Sei certo por quem sou que hei-de ofender-te;
Se mal me quero a mim por bem querer-te,
Que prémio querer posso mais que amar-te?
Porque um tão raro amor não me socorre?
Ó humano tesouro! Ó doce glória!
Ditoso quem à morte por ti corre!
Sempre escrita estarás nesta memória;
E esta alma viverá, pois por ti morre,
Porque ao fim da batalha é a vitória.
(Luís de Camões, Sonetos, texto integral, edição anotada, livros de bolso Europa-América, nº 106, Julho 1985)
AC
sexta-feira, 18 de maio de 2018
SONETOS
Decomposição
"Eu não sou dos que a Pátria só adoram",
Como adora o regato a própria serra:
Deus numa gleba apenas não se encerra;
Se visita esses mundos, que demoram
De céu a céu, também cafres o imploram,
Mas deixai que uma lágrima sincera
Possam os olhos dar, olhando-a, à terra
Donde a primeira vez aos céus se foram.
Sim, ver-te, Portugal! eu choro ao ver-te!..
Como ao Leão gigante do Ocidente
Lhe cai a garra, e em nada se converte!..
Não é isto o que eu choro: o que me dói
É como aquela juba omnipotente
Em penas de pavão se decompõe!..
(Coimbra, Janeiro, 1863, Antero de Quental)
AC
Decomposição
"Eu não sou dos que a Pátria só adoram",
Como adora o regato a própria serra:
Deus numa gleba apenas não se encerra;
Se visita esses mundos, que demoram
De céu a céu, também cafres o imploram,
Mas deixai que uma lágrima sincera
Possam os olhos dar, olhando-a, à terra
Donde a primeira vez aos céus se foram.
Sim, ver-te, Portugal! eu choro ao ver-te!..
Como ao Leão gigante do Ocidente
Lhe cai a garra, e em nada se converte!..
Não é isto o que eu choro: o que me dói
É como aquela juba omnipotente
Em penas de pavão se decompõe!..
(Coimbra, Janeiro, 1863, Antero de Quental)
AC
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