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quarta-feira, 23 de junho de 2021

LIDO  POR  AÍ
(sublinhados da minha responsabilidade)
(Público, 19JUN2021, São José Almeida)
"Mas não deixa de ser estranho que o assunto seja enterrado, sob o argumento presidencial de que queria “todos focados” no jogo da selecção de futebol contra a Hungria, com que Portugal se iniciou no Euro 2020, na terça-feira.

O Presidente a armar, como fez domingo, ao visitar a Feira da Agricultura em Santarém, sobre o estado de emergência: “Já não voltamos para trás. Não é o problema de saber se pode ser, deve ser ou não. Não vai haver. Não vai haver. Comigo, não vai haver. Naquilo que depender do Presidente da República, não se volta atrás.”

Mas há uma dimensão nas declarações do Presidente, no domingo, que causa perplexidade e que impõe uma pergunta: terá Marcelo Rebelo de Sousa adquirido um alvará de irresponsabilidade?

Recordemos as palavras do Presidente: questionado ainda sobre a necessidade de novos confinamentos e perante os argumentos dos especialistas, respondeu: “É bom que os especialistas digam o que têm a dizer. Agora o país não é governado pelos especialistas, o país é governado por quem foi eleito para governar.” E, sem freio nas palavras, armou: “Os especialistas têm o seu dever e eu respeito, que é chamar a atenção para o juízo que as pessoas devem ter. O não voltar atrás exige das pessoas viverem à medida disso. Querem que não volte atrás, têm de ter bom senso no respeito das regras sanitárias. É função dos especialistas dizerem: ‘Não se esqueçam, não se esqueçam, não se esqueçam.’ E, de alguma maneira, pregar um certo susto.”

É verdade que os especialistas em Saúde Pública não são políticos e que quem governa em democracia são os eleitos. Mas os especialistas são cientistas e o seu conselho é necessário. Por isso se realizaram as reuniões do Infarmed. Não existem para meter medo, como se fossem bruxos.

Quanto aos cientistas não existirem para meter medo……
A jornalista devia saber, também, que ele tem esse e outros alvarás. 
E quanto ao juízo, bem……é melhor eu ficar por aqui.
AC

quinta-feira, 17 de junho de 2021

NÃO SE VAI FECHAR UM PAÍS
Este é o título de uma pequena notícia na TSF "online" atribuída ao virologista Pedro Simas. Que em acumulação com a sua profissão já aparece a fazer anúncios!
Aparentemente, temos presentemente o dobro dos casos ativos de Covid-19 que existiam há um ano e a mortalidade é, contudo, menos de um terço do que acontecia em junho de 2020.

Da pequena entrevista a Pedro Simas retirei o seguinte - "considera que o aumento do número de casos de Covid-19 motiva "cautela e prudência," mas não há motivos para esperar o pior, lembrando que "há uma grande diferença entre o verão passado e o momento atual. Estes números, quando associados à proteção que nós temos, por causa da vacinação, ainda não motivam uma reação de alarme".
No entender do virologista "o grande risco desapareceu, a vacinação funciona, portanto, o risco está praticamente eliminado. O risco que existe agora é haver uma percentagem muito pequena de pessoas que pode ter de recorrer às unidades de cuidados intensivos e pode morrer".
"Há uma grande diferença entre o verão passado e o momento presente."
Ainda assim, Pedro Simas insiste que "não se vai fechar um país quando o risco é muito reduzido, porque obrigar a um confinamento mais severo terá implicações na vida e na saúde muito nefastas. Há aqui um equilíbrio que tem de ser jogado".
O virologista sublinha "no caso de os números continuarem a subir e se chegarmos às linhas vermelhas nas unidades de cuidados intensivos, temos de recuar. Agora, eu acho que é muito pouco provável que se chegue aí porque temos um muro da imunidade que construímos até agora".
Vacinação "funciona", pelo que "o grande risco desapareceu".
Quanto à situação no concelho de Lisboa, Pedro Simas também não vê motivos para recuar: "A minha visão é que com o grau de vacinação que há não há motivo para recuar. Estes dados de Lisboa ainda não são preocupantes em termos de infeção, mas em termos de internamentos nas unidades de cuidados intensivos temos de estar muito atentos
.”

O tal muro de imunidade está conseguido com 25% da população com vacinação completa e 41% com uma dose apenas?
Sou eu que estou a ver mal, ou detecto aqui alguma incoerência?
Oxalá o defeito seja meu.
AC