quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O   PENICO

Este penico é nosso, é de louça, e está em excelentes condições de conservação (nunca terá sido usado para os fins próprios).

Está na cantoneira de castanho (ou carvalho? já não estou certo) mais antiga que temos, construída em 1971 juntamente com outro mobiliário (*), em Estremoz, por um senhor marceneiro de elevada simplicidade, dignidade, humildade, disponibilidade, afabilidade e simpatia. Um ARTISTA extraordinário. 

A cantoneira está na casa da aldeia como aliás quase toda a restante mobília fabricada nesse tempo. Capeto era o apelido, Francisco Mantas Capeto, faleceu há décadas.

Mas lembrei-me do penico ao pensar no que por cá vai, e no que lá por fora se passa.

E vai daí fui procurar nos milhares de fotografias arquivadas no computador e encontrei.

Voltando portanto ao penico.

Como disse, está em óptimas condições, está a ajudar a decoração num canto da sala na casa na aldeia.

Tem uma história que eu conheço.

Era da casa da irmã (já falecida) mais velha da minha falecida sogra, que vivia em Penamacor, num casarão imenso a dois passos do edifício da câmara municipal. 

A senhora não tinha filhos e quando o tio Júlio faleceu (marido) várias coisas ela passou logo para as irmãs; a maior parte do espólio e do património reverteu para as irmãs no seu passamento cerca de dois anos depois. 

Em vida, depois do tio Júlio nos deixar, entre outras coisas "cacei-lhe" este penico. Ela garantiu nunca ter servido os "propósitos". Acredito, pois estava numa salinha de uma outra casa dos tios com outras coisas a decorar o compartimento. 

Terá sido de um avô do tio Júlio que, dizia-se na família, gostava  apenas daqueles "célebres" penicos altos, de esmalte ou de zinco, com tampa de madeira. Autênticos sofás privados de um só lugar! 

Conheci um desses, em Portalegre, em casa da irmã mais velha da minha avó materna (eram sete salvo erro, e um irmão); terá sido algures cerca de 1957, era eu pequenito mas impressionou-me.

Este nosso penico de louça terá portanto pelo menos qualquer coisa como 120/ 130 anos. 

Tem uma outra história/ faceta: está de lado como se pode ver na fotografia, para não deixar dúvidas quanto a que objecto será. 

Durante muito tempo eu colocava-o assim mas, periodicamente, havia quem em casa o rodasse para não se ver a asa - António, para não se perceber o que é! 
Luta de muitos e longos meses!😎

Uma coisa é certa, é uma bela peça de louça, tem inestimável valor sentimental, pessoal, familiar. Há já bastante tempo que mostra orgulhoso a asa!

António Cabral (AC)

(*) recordo-me como se fosse hoje: Capeto construiu a cantoneira, a nossa (mesmo nossa) primeira cama de casal com um desenho fantástico, as duas mesas de cabeceira extremamente originais, a mesa da sala de jantar (o tampo tem uma espessura de praticamente 4,5 cm, tem de diâmetro 120 cm sendo duas meias luas pois pode levar ao meio  uma tábua de 45 cm), seis cadeiras com fundo e costas em cabedal a sério, uma pequena cómoda e dois varões para cortinados. Tudo, custou uns na altura não exactamente baratos 17,5 contos. Está quase tudo na aldeia.

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