segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

RENAULT CLIO,  MAI,  e  o  COSTUME

1. Tive um Renault Clio. Há muitos anos. Do primeiro modelo que apareceu em Portugal. Creio que foi em 1981.

Tive o primeiro que foi vendido na cidade onde vivo. Calhou ser assim, estavam dois na loja da Renault e nós íamos comprar o já bem usado Renault 5 do meu sogro, já muito doente, e por isso o carro estava na garagem há vários meses.

A "operação" era vendermos o nosso saudoso Renault 4, que vendemos, e entregávamos o dinheiro á minha sogra, e passávamos a andar com o 5

Eis que o meu sogro, bastante doente coitado, ficou angustiado ao saber que o 5 ia sair da garagem e passar a ser nosso, e em termos práticos ficava sem carro, ainda que nunca mais pudesse guiar como acontecia há meses.

Moral da história: um dia à tarde ficámos sem o 4 e à hora do jantar deparámos com a angústia do meu estimado e doente sogro ou seja, ficámos sem carro!

Aflitos fomos na manhã seguinte e bem cedo à Renault, e ao vendedor que era nosso conhecido explicámos o imbróglio de estarmos inesperadamente sem carro.

Ele lá arranjou as coisas. Depois de uns telefonemas conseguiu que de  outra loja Renault lhe enviassem outro Clio, e assim nós pudemos levantar logo nesse dia o Clio Verde escuro sem que a pessoa a quem estava prometido ficasse defraudada pois na manhã seguinte veio outro.

Perguntarão, mas o que é que o Clio de há décadas tem a ver com o MAI (Ministro da Administração Interna) ?

2. Eu explico um certo paralelismo que fiz/ faço.
Um paralelismo no âmbito das reações à nomeação de Luís Neves para MAI e publicamente conhecidas. 
Muito provavelmente desconheço ou não me apercebi de algumas.

Luís Neves, MAI, remete directamente para GNR, PSP, Protecção Civil, Bombeiros, e orgãos de comunicação social.
E remete ainda para os sindicatos e associações da GNR e da PSP que são vários, e remete para o ex-ASAE actual "patrão" dos bombeiros.

A síntese mais espremida de tudo o que me apercebi diz-me que, da parte dos sindicados e associações (ou pelo menos alguns) da GNR e PSP avançaram com a formulação - nomeação ATÍ
PICA - e referências a algumas reservas mas também um singelo optimismo.

Há quem aponte a Luís Neves ausência de força política. 

Apercebi-me que houve uma referência bastante crítica por parte de Fernando Negrão, homem do PSD de Setúbal, que agora não é deputado (o que o aborreceu?), antigo diretor-geral da PJ, e que também já foi ministro da Justiça do PSD.
Afirmou que o PM teima em escolhas esdrúxulas para o MAI.
Eu, como sou mauzinho, vejo nas críticas de Negrão recordações que terá de outros tempos. Será?

Haverá quem questione a passagem de um "polícia" para MAI, coisa que, defenderão alguns, não é próprio de uma democracia madura, consolidada.

O ex-director nacional da PJ é um homem licenciado em direito, com grande experiência profissional (desde 1995), conhece prioridades estratégicas, investigações sensíveis, tensões e guerras em vários departamento da pesada máquina do Estado, conhece certamente muitos podres de muita gente, sobretudo muitos dos que há anos andam na política ou seja, à mesa do OE.

Adicionalmente há certamente quem avance com a teoria de que o PM com esta escolha quis ver se conseguia travar a nova investigação sobre a sua casa. 

Haverá quem se interrogue porque aceitou Luís Neves ser nomeado (amanhã de manhã) MAI.

Haverá quem afirme que esta nomeação é mais uma confirmação de que a democracia está doente.

Haverá quem afiance que Montenegro fez uma escolha genial.

Haverá quem defenda que uma das razões porque o PM escolheu Luís Neves para MAI é que o ex-homem forte da PJ sabe gerir  informação, tem excelente relacionamento com muitos jornalistas.
De certeza que não vai dizer - estou a aprender!
Adicionalmente, porque Luís Neves tem profundos conhecimentos de muitos processos.

3. Deixando agora o campo das opiniões que de momento conheço sobre a nomeação que se concretizará às 1000 horas de 23 de Fevereiro, passo a uma meia dúzia de aspectos que me parecem relevantes.

Luís Neves conhece certamente razoavelmente bem várias questões no âmbito da segurança interna.
Tem certamente noção das questões salariais quer na PSP, GNR, Bombeiros.
Poderá não estar dentro dos vários temas e imbróglios da protecção civil mas é capaz de ter uma percepção global dos problemas mais agudos.
Por outro lado, se parece certo que sempre se movimentou bem no mundo da informação e da comunicação social, presumo que estará bem ciente de que o cargo que aceitou tem nesses domínios um dos seus grandes espinhos.
Em síntese, por mim, é uma escolha/ nomeação curiosa. 
Demonstra que nenhum político esteve disponível.
Aguardemos.

4. Mas, oh senhor António Cabral (não é - oh shor António), espere lá, não se vá embora.
Atão, o que é que tudo isto tem a ver com a história da sua mini-telenovela com o Clio que conseguiu "in extremis" comprar nos anos 80 do século passado??

Tem razão, peço que me perdoe, ia esquecendo.
Com o Clio que apareceu pela primeira vez em Portugal há muitas décadas (e não tem nada a ver com o Clio que hoje anda por aí)  houve até uns "outdoor" a anunciar a vinda do carro, sem o mencionar, e salvo erro era uma boneco gordo encarnado, mais ou menos do tipo do boneco da Michelin.

Portanto, fiquei com o Clio novo, a gasolina. Um carro utilitário, banalíssimo ainda que novo, dava para levar os dois miúdos, era engraçado, andava, não lhe chovia dentro, não gastava muito. Era obviamente um carro de classe média baixota, o que sempre mais ou menos fui.

Mas nas revistas dos automóveis, já não me lembro em qual, nas críticas menos simpáticas, poucas, uma das referências era que os espelhos retrovisores eram muito pequenos!

É um bocado isto, um certo paralelismo com o meu Clio de 80, que me ocorreu quando li observações de vários à nomeação de Luís Neves para MAI.

Não faço ideia se vai ter um desempenho, bom, razoável, médio ou mau. Mas vários dizem como aconteceu com o Clio de então, tem espelhos retrovisores pequeninos!

Como digo, aguardemos.

António Cabral (AC)

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