CATÁSTROFE. RECONSTRUÇÃO.
Um "comboio" atmosférico tratou de mostrar e com violência aos das bolhas de Lisboa, Cascais, Porto, Coimbra aquilo que Portugal é: um país pobre, desorganizado, sem rumo, e passam as décadas e não se toma juízo.
Não me interessam as estatísticas MACRO.
Não me interessam as vacuidades de MarceloRebelo de Sousa, Cavaco Silva, António Costa, Sócrates, Carlos César, Carneiro, Rui Moreira, Raimundo, as Leitão ou as Mortágua, Louçã, Tavares, Montenegro, Cotrim, os e as Mendes e um infindável etc.
As televisões encarregaram-se de nos mostrar duras realidades.
Realidades que nos estoiraram em casa, e me faz pensar se os tais desgraçados dos meus concidadãos que não vivem SOBREVIVEM não serão infelizmente mais dos sempre anunciados 2 milhões a estar num limbo trágico de pobreza.
Cheio de boas intenções está o inferno cheio.
Montenegro foi ontem cumprimentar em Queluz o presidente eleito e segundo se diz por aí mostrar-lhe o plano de intenções para acorrer a desgraças várias, que não se reduzem apenas à zona centro do país continental.
Como é habitual e é compreensível, os jornalistas tentam ouvir pessoas credenciadas tendo em vista a dita reconstrução. Também tentam ouvir muitos do Komentariado das bolhas.
Passando à frente dos conhecidos e arrogantes e vaidosos do Komentariado, há pessoas que se atrevem a recordar o que ao longo dos tempos foi sendo (mal) feito na construção de infra-estruturas as mais diversas, empresas e habitação.
E lá vem a realidade: o (des) ordenamento do território, o despovoamento, a retração de tudo e mais alguma coisa (agências bancárias, farmácias, centros de saúde, creches, hospitais, escolas, postos da GNR e esquadras da PSP, etc.), progressivo fim de rádios locais e pequena imprensa, a desindustrialização, a falta de barragens, ausência de política florestal, ETC.
Na sequência das catástrofes que atingiram o país creio que pouco se falou nos governos e nas autarquias quanto aos famosos PDM. Salvo, melhor opinião, está aqui um dos grandes nossos males. O que se deixa construir no plano da qualidade de materiais, o que se deixa construir onde não se devia deixar construir e, sobretudo, a pouca vergonha de sempre - terrenos rústicos > terrenos urbanos.
Que considerar?
Inventariação rigorosa das necessidades
Plano, definição de prioridades
Burocracia, leis, normas, regulamentos
Atribuição de meios materiais, humanos e financeiros
POIS!
Apenas alguns insignificantes e simples exemplos:
* telhados: todas (milhares) as estruturas de telhados em madeira vão ser subtraídas por exemplo por alumínio (material leve e resistente, para não esforçar a pressão sobre as paredes das casas)?
* as chaminés tombadas vão ser reerguidas com o mesmo tipo de construção?
* as (milhares) de casas (??) existentes em leitos de cheias e imensas muito danificadas vão ser abandonadas, e as pessoas movidas para habitação social pre-fabricada mas condigna a erigir rapidamente em locais próximos mas fora de leitos de cheias?
* a legislação sobre edificação diversa está já (URGENTE) a ser revista POR TODOS OS PARTIDOS com assento parlamentar e em colaboração com o LNEC e a associação de municípios, para não mais se deixar de construir sem todas as resistências anti-sísmicas, não mais se deixarem construir prédios em fileira todos encostados uns aos outros, para não mais se construir em leitos de cheias?
* que plano traçado para gradualmente substituir os postes de madeira por todo o país?
* que planeamento está a ser ponderado para gradualmente retirar todas as populações com habitação em leitos de cheias?
* eliminaram boa parte da burocracia para se poder reconstruir com rapidez? Não há um ministro para essa coisa que até se vangloriou com umas "boutades" e platitudes e vacuidades num fórum internacional recente?
Bom, fico por aqui. . . . a esperar . . . . . sentado, . . . . enquanto na Assembleia da República discutem coisas muito importantes, como questões fracturantes, ou as tiradas de Passos Coelho, ou enquanto no PS uns quantos andam a tratar de arranjar oponente a Carneiro e aos seus balidos 5.0, ou se Luís Neves deve ser já chamado à AR para se explicar porque aceitou ser MAI e se, sim ou não, já telefonou à família e gritou como aquele que gosta muito de andar por Cabo Verde - já sou ministro!
António Cabral (AC)
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