A propósito de coisas da vida e de sempre.
Na vida, em todas as sociedades à superfície terrestre, há muita coisa que acontece no recato dos escritórios, no recato dos hotéis, no recato dos salões reservados, no recato das propriedades privadas, no recato de certas associações reservadas, no recato dos palácios, no recato das sumptuosas habitações de certos senhores, no recato das alcovas, etc.
Por isso é difícil provar que ocorreu isto e aquilo.
Por isso se passam anos e séculos e as coisas sucedem-se.
Por isso alguns, hoje, quando acusados de algo, não explicam o que sempre foram fazendo, por exemplo como facilitadores.
E a propósito do que sempre se passou, temos por exemplo o assédio. O assédio praticado por uns quantos mas, no presente, também, o assédio praticado por umas quantas. Deixemo-nos de fantasias, de exclusivos.
O assédio sexual.
Indo até ao início dos anos 50 do século passado, por exemplo na Beira-Baixa, praticou-se até aí, de vez em quando, sem ser a norma mas casos, o direito de pernada?
Vem nos livros que isso terá sido um costume particularmente em voga na idade média, porventura praticado durante muito mais tempo, porventura até tempos contemporâneos.
Terá sido praticado muitas vezes no âmbito da escravatura.
Supostas tradições.
O "direito de pernada" concederia ao senhor feudal o direito de ter relações sexuais com a noiva de um servo na véspera noite de núpcias.
O "direito de pernada" concederia ao senhor feudal o direito de ter relações sexuais com a noiva de um servo na véspera noite de núpcias.
É norma isso ser considerado mito, sem provas históricas, e certamente que não terá havido norma legal em país nenhum.
O que não invalida que fosse frequentemente praticado. UM ABUSO!
Claro que não se consegue provar que na Beira-Baixa (ou em qualquer outra área do mundo) como insinuo acima, até muito tarde, tenha havido casos de recurso ao direito de pernada: um "senhor" poderoso ter relações sexuais com uma jovem humilde na noite anterior ao seu casamento.
Certamente casuístico, e obviamente um ABUSO repugnante, nunca um direito.
Certamente casuístico, e obviamente um ABUSO repugnante, nunca um direito.
Mas lá está, recorrendo aos espanhóis - não acredito em bruxas mas que há . . . há - e a realidade é que havendo como havia grandes senhoriais, proprietários de quase toda a região (Beira-Baixa), portanto os empregadores maiores na altura, não custa a crer que por vezes o mito possa ter sido ocasionalmente convertido em realidade.
Lembrei-me disto não propriamente pelo que décadas atrás ouvi de anciãos, mas particularmente por causa de um artigo de João Miguel Tavares (JMT) publicado em 7 de Fevereiro do corrente no jornal Público.
Sobre assédio sexual e o partido Iniciativa Liberal (IL).
JMT começa o artigo com a pergunta; "porque é que a IL admitiu agora que teve queixas por assédio sexual, nenhuma contra Cotrim de Figueiredo, não fez essa declaração/ confissão antes da primeira volta da eleições presidenciais?"
JMT não dá a explicação para o atraso de quase 3 anos da confissão da IL mas não é preciso ter mais que o 4º ano de escolaridade para tirar a conclusão óbvia.
JMT termina o artigo afirmando - Uma omissão mentirosa, acompanhada de ameaça judicial. É muito feio.
É uma educada e ligeira conclusão que acompanhou com - então a IL serve para quê?
Estamos no campo do costume: assédio sexual, mentira, opacidade, descarada ausência de vergonha na cara sempre da parte de quem mais pode.
Há dias, Margarida Davim escrevia na Visão - . . . "ele a mim nunca me fez nada", como se fosse preciso que o fizesse a todas para ser verdade que o fez a alguém" . . .
Direito de pernada?
Nunca houve, muito menos em Portugal, muito menos na Beira-Baixa.
Bom dia, bom início de semana.
Saúde e boa sorte
António Cabral (AC)
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