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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

PORTUGAL,  o Costume !
A propósito de interioridade, de abandono, de desenvolvimento, de litoralidade, de projectos, de ordenamento do território, de repovoamento, ETC., os sucessivos governos e os sucessivos deputados e muito em particular a partir de 1991, passaram/ passam o tempo com vacuidades, inações, inanidades, grandiloquência, e tiradas patéticas enquanto quase tudo empurram com a barriga.

Mas a realidade é o que é, olhe-se para PIB, dívida externa, PISA, agência de notação, falso excedente, vacas a voar, deixem-me trabalhar, virar as páginas, o que quiserem,

A realidade é que a sociedade portuguesa está esfrangalhada. A realidade é que Portugal está quase na cauda da Europa.
O resto é conversa da treta, conversa fiada, seja na tonalidade dos inarráveis Costa ou Guterres, na de Cavaco ou Montenegro ou Carneiro ou Brilhante, ou na ordinarice de Ventura e quejandos.

Estou a falar nisto sobretudo agora a propósito de um texto de um amigo, médico reformado, da Beira-Baixa, texto que com a devida vénia abaixo reproduzo e que aborda aspectos que reputo de muito importantes e sensíveis. 
Temo que se continue como de costume, mau grado este e outros alertas.

Portugal . . . . o costume!

Bom dia e bom início de semana.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

António Cabral (AC)


Atlântico, Centro-Ibérico Gateway pode transformar a região — mas só se começarmos hoje a preparar o território para o que queremos que aconteça amanhã.

A conjugação da Linha da Beira Baixa, da A23, do futuro IC31, da ligação a Espanha, da proximidade do Porto de Sines, da capacidade energética disponível, do aeródromo de Castelo Branco e do território livre para nova indústria abre uma oportunidade de escala pouco comum: transformar a Beira Baixa numa plataforma de ligação entre o interior português, o Atlântico e o mercado ibérico.

Não deve ser lida como mais um parque industrial, nem como um projeto exclusivo de Castelo Branco. A verdadeira oportunidade é um ecossistema logístico, industrial, energético e tecnológico regional, em que diferentes concelhos desempenham funções complementares.

· Não devemos esperar pela GAE

A eventual atribuição da GAE a Castelo Branco pode trazer capacidade financeira, investimento público e velocidade de execução. Mas há uma distinção fundamental: a GAE pode acelerar o Gateway; não deve determinar se a região se prepara para ele. Se a candidatura for aprovada, avançamos mais depressa; se não for, continuamos a avançar — porque a necessidade de melhorar a ferrovia, concluir o IC31, reforçar a energia, captar indústria e aproximar a região dos mercados ibérico e atlântico não desaparece com o resultado de um concurso.

A pergunta certa não é "e se ganharmos a GAE?", mas "o que temos de fazer agora para estarmos preparados se o investimento acontecer?"

· Uma plataforma não pode secar os concelhos vizinhos

Castelo Branco tem dimensão e serviços para atrair boa parte do crescimento — isso é positivo. Mas se todo o emprego novo vier acompanhado da concentração de habitação e serviços só na capital de distrito, corremos o risco de uma região que recebe investimento e continua a perder população nos concelhos em redor. A plataforma não pode ser um aspirador demográfico.

Ródão pode ter um papel ferroviário e industrial; Alcains pode consolidar a ligação logística à ferrovia; Castelo Branco pode concentrar serviços, tecnologia e comando; Fundão, Covilhã e Belmonte podem reforçar os seus sectores próprios; Idanha-a-Nova, Penamacor e os restantes territórios podem desenvolver agricultura, floresta, energia, turismo e acolhimento residencial. Não precisamos de um centro único — precisamos de uma rede.

· Uma segunda porta para a Extremadura espanhola Essa lógica de rede não termina na fronteira do distrito.

A Guarda tem hoje a ligação mais forte a Espanha, pela Linha da Beira Alta e por Vilar Formoso, servindo bem o eixo para Salamanca e o norte peninsular. A Beira Baixa pode desempenhar um papel complementar, não concorrente: servir diretamente o norte da Extremadura — Cáceres, Plasencia, o Vale do Jerte — que hoje só chega ao litoral atlântico através de um desvio de mais de cem quilómetros até Badajoz. Uma ligação direta a Castelo Branco aproxima esse território dos portos portugueses e abre, dos dois lados da fronteira, um mercado de exportação que hoje não tem porta natural. Não se trata de substituir o corredor já consolidado Lisboa-Badajoz-Madrid, mas de completar a rede ibérica: a Guarda como porta norte, a Beira Baixa como porta sul, cada uma a servir uma geografia distinta do interior peninsular.

· Reorganizar os transportes

A chegada de novos investimentos vai alterar profundamente os fluxos de trabalhadores, estudantes e mercadorias. Se mantivermos os transportes pensados para uma população dispersa e envelhecida, não estaremos preparados. Será preciso articular ferrovia, transporte coletivo, serviços a pedido e ligações aos polos industriais, com horários coordenados, paragens junto às zonas industriais e escolas, e bilhética comum entre municípios e operadores.

A Linha da Beira Baixa não deve servir só para mercadorias: deve permitir viver num concelho, trabalhar noutro e usar os serviços de toda a região. A tecnologia por si só não resolve nada sem esta rede pensada com antecedência.

· Quem vai construir tudo isto

Se avançarem em simultâneo o IC31, a plataforma e novas unidades industriais, será previsível uma necessidade significativa de mão-de-obra durante a construção — parte vinda de fora de Portugal, incluindo de países não europeus. Isto não deve ser apresentado como ameaça, mas também não deve ser ignorado: se chegarem centenas ou milhares de trabalhadores sem alojamento, transporte, saúde, formação e mediação linguística preparados, criamos um problema evitável. Se começarmos já a preparar a região, transformamos essa chegada em oportunidade.

Não se trata de construir dormitórios, mas comunidade: reabilitação de habitação devoluta, arrendamento acessível, alojamento próximo das obras com segunda vida planeada desde o início — habitação que passa depois a servir jovens trabalhadores ou famílias —, transportes coletivos, creches, saúde, formação e aprendizagem da língua. O que for construído para a fase de obra deve ficar preparado para a fase seguinte.

Não devemos esperar pela chegada dos primeiros milhares de trabalhadores para procurar casas, nem pela abertura das escolas para descobrir que faltam lugares. O planeamento tem de chegar antes da obra — e isso começa por levantar hoje quantas casas devolutas existem, que terrenos podem receber habitação, e que capacidade têm escolas e serviços de saúde.

· Mais do que logística A energia, a ferrovia, a rodovia, o território e a conectividade da região podem atrair atividades de maior valor acrescentado: baterias e armazenamento energético, hidrogénio verde, data centers, automóvel e mobilidade avançada, aeronáutica e drones, agroindústria e cadeia de frio, floresta e biomassa.

Não significa que tudo isto vá acontecer — significa que devemos criar as condições e perguntar diretamente aos investidores do que precisam, em vez de desenhar sozinhos o que pensamos que eles querem.

· O Estado também deve perceber a oportunidade

A Beira Baixa não está a pedir apenas mais uma estrada ou mais um subsídio — está a propor uma estratégia em que ferrovia, IC31, energia, indústria, logística, habitação, formação e transportes funcionem como um sistema. A GAE pode ser uma ferramenta poderosa para isso, mas mesmo sem ela há razões para avançar: uma ligação ferroviária, uma casa reabilitada ou um trabalhador qualificado não perdem valor por não haver uma determinada sigla ou programa de financiamento.

· A oportunidade é agora Durante décadas, o interior lutou contra a perda de população.

Podemos estar perante uma situação diferente: aprender a gerir crescimento. Mas crescer exige responsabilidade — preparar habitação, escolas, energia, conectividade e integração, e garantir que o crescimento não fica concentrado numa única cidade. A GAE pode ajudar. O Estado pode ajudar.

Os fundos europeus e os investidores privados terão um papel decisivo. Mas há uma coisa que ninguém fará por nós: preparar a região para o futuro que dizemos querer. Não devemos ter medo de crescer.

Devemos ter medo de crescer sem planeamento.

Castelo Branco, 13 de Setembro 2026 

João Manuel Próspero dos Santos

cirurgião reformado e ex-diretor clínico do Hospital Amato Lusitano, Castelo Branco; membro fundador (2009) do Núcleo da Beira Baixa da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico

quinta-feira, 21 de maio de 2026

 BOLACHA  do  DESERTO

muito fina, torrada
Óptima para acompanhar vários pratos de carne ou, simplesmente, partir com a mão uns bocados e comer sem mais nada.

AC

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A  PROPÓSITO . . . . . 
A propósito de coisas da vida e de sempre.

Na vida, em todas as sociedades à superfície terrestre, há muita coisa que acontece no recato dos escritórios, no recato dos hotéis, no recato dos salões reservados, no recato das propriedades privadas, no recato de certas associações reservadas, no recato dos palácios, no recato das sumptuosas habitações de certos senhores, no recato das alcovas, etc.

Por isso é difícil provar que ocorreu isto e aquilo.
Por isso se passam anos e séculos e as coisas sucedem-se.
Por isso alguns, hoje, quando acusados de algo, não explicam o que sempre foram fazendo, por exemplo como facilitadores.

E a propósito do que sempre se passou, temos por exemplo o assédio. O assédio praticado por uns quantos mas, no presente, também, o assédio praticado por umas quantas. Deixemo-nos de fantasias, de exclusivos.
O assédio sexual.

Indo até ao início dos anos 50 do século passado, por exemplo na Beira-Baixa, praticou-se até aí, de vez em quando, sem ser a norma mas casos, o direito de pernada?

Vem nos livros que isso terá sido um costume particularmente em voga na idade média, porventura praticado durante muito mais tempo, porventura até tempos contemporâneos.
Terá sido praticado muitas vezes no âmbito da escravatura.
Supostas tradições.

O "direito de pernada" concederia ao senhor feudal o direito de ter relações sexuais com a noiva de um servo na véspera noite de núpcias.
É norma isso ser considerado mito, sem provas históricas, e certamente que não terá havido norma legal em país nenhum.

O que não invalida que fosse frequentemente praticado. UM ABUSO!

Claro que não se consegue provar que na Beira-Baixa (ou em qualquer outra área do mundo) como insinuo acima, até muito tarde, tenha havido casos de recurso ao direito de pernada: um "senhor" poderoso ter relações sexuais com uma jovem humilde na noite anterior ao seu casamento.  

Certamente casuístico, e obviamente um ABUSO repugnante, nunca um direito.

Mas lá está, recorrendo aos espanhóis - não acredito em bruxas mas que há . . . há - e a realidade é que havendo como havia grandes senhoriais, proprietários de quase toda a região (Beira-Baixa), portanto os empregadores maiores na altura, não custa a crer que por vezes o mito possa ter sido ocasionalmente convertido em realidade.

Lembrei-me disto não propriamente pelo que décadas atrás ouvi de anciãos, mas particularmente por causa de um artigo de João Miguel Tavares (JMT) publicado em 7 de Fevereiro do corrente no jornal Público.
Sobre assédio sexual e o partido Iniciativa Liberal (IL).

JMT começa o artigo com a pergunta; "porque é que a IL admitiu agora que teve queixas por assédio sexual, nenhuma contra Cotrim de Figueiredo, não fez essa declaração/ confissão antes da primeira volta da eleições presidenciais?"

JMT não dá a explicação para o atraso de quase 3 anos da confissão da IL mas não é preciso ter mais que o 4º ano de escolaridade para tirar a conclusão óbvia.

JMT termina o artigo afirmando - Uma omissão mentirosa, acompanhada de ameaça judicial. É muito feio

É uma educada e ligeira conclusão que acompanhou com - então a IL serve para quê?

Estamos no campo do costume: assédio sexual, mentira, opacidade, descarada ausência de vergonha na cara sempre da parte de quem mais pode.

Há dias, Margarida Davim escrevia na Visão - . . . "ele a mim nunca me fez nada", como se fosse preciso que o fizesse a todas para ser verdade que o fez a alguém" . . . 

Direito de pernada
Nunca houve, muito menos em Portugal, muito menos na Beira-Baixa.

Bom dia, bom início de semana.
Saúde e boa sorte

António Cabral (AC)

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

 CAMINHADA  NOTURNA

Fresco a sério, pequena aragem. . . gelada, caminhada agradável.
Tenham um bom início de Janeiro.
Saúde, felicidades, boa sorte.
António Cabral

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

PRECIOSIDADES.  ANTIGUIDADES.
Não sei, com rigor, de quando datam (ano) estes canivetes.
Terão pertencido a avô do avô materno (falecido em OUT1972, com 82 anos) da minha mulher.
Um deles tem um elemento para cortar a ponta de charutos.
Duas das várias coisas "muito velhinhas" que estão na "minha" Beira-Baixa.

Tenham um bom início de semana.
Para este ano terminar, e que não me deixa saudades, faltam dois dias. 
Saúde, boa sorte.
AC
CAMINHADA  DIURNA
AC