Passaram bem mais de dez anos sobre o colapso do BES, sobre o fim de "Graças" da família Espírito Santo regressada a Portugal pelas mãos sobretudo "de bons amis".
Muito antes da recusa de Passos Coelho em 2014 para derreter milhões de €€€€€€€€ dos contribuintes para bóias de salvação ao tio Ricardo e quejandos houve desde o final da década de oitenta do século passado a construção / reconstrução de um império: GES (Grupo Espírito Santo).
Houve a construção de uma rede tenebrosa que se realimentava (BES, GES, Rioforte, Portugal Telecom, Lusomundo, ESCOM, ESCOM UK, BESI, BESA, Cimpor, ESFG, Tranquilidade, CGD, Suíça, Luxemburgo, ESEntreprizes, offshores variados como Panamá, Caimão, etc) (desde finais de anos 80/ início de anos 90 sec XX até 3 Agosto 2014).
Houve décadas para abocanhar todo o regime, abocanhar elites, políticos, chefias e gestores, quase certamente um abocanhar de alguns dos ex e actuais titulares de órgãos de soberania, jornalistas, certamente algum funcionalismo público e alguns servidores do Estado patamares portanto da pesadíssima máquina do Estado, jornalistas, etc.
Montagem de rede estratégica tentacular, tentáculos em tudo ISTO!
Durante décadas ajudou e foi ajudado.
Durante décadas houve decisões para o país para os mais diversos sectores do Estado, tomadas nos corredores e com a ajuda dos corredores, dos corredores onde se decide e nós nunca sabemos, e não se prestam contas. Houve imensos aliados.
Houve imensos aliados, que andam por aí, não morreram quase nenhuns.
Houve jantares e férias privados com casais conhecidos, houve pagamentos de estadias no estrangeiro, etc.
Depois de 2014, ficou o espanto dos cidadãos comuns, e ficaram registadas as declarações de certos personagens de que o BES era seguro e seguro era investir nele e satélites, e ficou a confirmação da existência de muita canalha que se alcandorou a vários patamares da máquina do Estado.
E ficaram as centenas de processos judiciais.
Depois de 2014 ficou ruína, indignação e milhares de portugueses lesados porque confiaram e enterraram poupanças em produtos vários como seguros e fundos e etc.
Depois de 2014 começou a perceber-se melhor por exemplo, quem foram certos colegas nas faculdades, pagamentos de liberalidades, as ocultações de dívidas, as operações ruinosas, as operações de duvidosa legalidade, o manto diáfano do Banco de Portugal, etc.
Mas continuou a não se saber por exemplo para onde voaram um dia uns célebres 5900 milhões de Euros.
Então, num dia de Abril de 2016 o jornal tido como a referência noticiou a existência de um saco azul para pagar avenças a muita gente como por exemplo, políticos, gestores, empresários, jornalistas, etc.
Que me recorde mas a deficiência será eventualmente minha, só registei indignação por parte de jornalistas.
E recordo ter lido que seriam oportunamente revelados os jornalistas avençados.
Que eu tenha reparado claro que nada foi revelado, nem de jornalistas nem de outro personagem.
Fossem jornalistas ou outros personagens avençados obviamente que o império com a cabeça BES pretendia, docilidade aqui e ali, "inside information" daqui e dali, influências aqui e ali, engenharia política e de negócios, etc.
A realidade é que depois de 2014 e da intervenção do governo de então e sobretudo do Banco de Portugal nasceram o Banco Bom e o Banco Mau.
Mas veio depois o Novo Banco, e mais a Lone Star, e mais pelo menos os 3900 milhões de Euros, e muitos etc.
Claro que os lesados lesados continuam, claro que a prescrição do Marquês aproxima-se e, claro, muito mais.
Era portanto importante conhecer os avençados.
Claro que os lesados lesados continuam, claro que a prescrição do Marquês aproxima-se e, claro, muito mais.
Era portanto importante conhecer os avençados.
Claro que se sabe de alguns nunca se podendo provar que o foram de facto.
Mas que houve boas estadias no estrangeiro houve.
Que houve muitos almoços e jantares privados com ou sem conhecidos casais houve.
E houve durante décadas até 2014 condicionamentos vários na vida do país decididos em certos lugares muito reservados.
Estes silêncios, estas ocultações servem propósitos claros.
Estes silêncios, estas ocultações servem propósitos claros.
Ou não?
E porque persistem?
O que se pode concluir de um jornal, do dono, de quem lá trabalha, quando anunciam coisas graves e passados mais de 10 anos continua tudo muito escuro?
Sugiro aos meus estimados leitores que leiam o "Estatuto Editorial" do Expresso.
Sugiro aos meus estimados leitores que leiam o "Estatuto Editorial" do Expresso.
António Cabral (AC)
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