29 OUTUBRO 1971
É hoje. SÃO JÁ 55 !
Passam 55 anos que para lá fui !
O tempo voa !
Parece que foi há dois meses, e lá estava este novinho rapaz no então aeroporto da Portela, a poucos minutos das 2300 horas, a preparar-me para embarcar no avião que me havia de transportar para Bissau, com curta paragem no Sal, Cabo Verde.
Bissau, para onde me mandaram para ir ser o imediato (uma espécie de 2º Comandante) num patrulha grande dos vários que por lá havia durante a guerra colonial/Ultramar.
Uma chamada comissão de serviço, de 21 meses (como salvo erro no Norte de Moçambique e Leste de Angola) de uma África paupérrima, desoladora. E de guerra. Guerra a sério, não era guerra de Solnado.
No meu navio tivemos vários feridos e um morto (comando africano, dos muitos que transportávamos quase todos no exterior do navio), consequência de um ataque sofrido /vindo da margem esquerda do rio Cacheu, na noite quase passagem de 19 para 20 de maio de 1973.
Eram 2340 horas quando o inferno se desencadeou. Parece que foi há meses.
Fui um dos vários felizardos, não morri, o ouvido esquerdo ficou afectado como hoje bem se nota. Fui felizardo pois não fiquei traumatizado. Dois a três meses depois do fim do pesadelo (28JUL1973) estava recuperado sem sequelas físicas e psíquicas, o ouvido havia de se dar por cansado e dorido cerca de dez anos depois.
Fui um felizardo pois cheguei inteiro ao contrário de muitos que foram feridos sérios e de muitos que nunca mais voltaram.
Os políticos TODOS, depois de 25 de Abril de 1974 não cuidaram de trazer para casa os restos mortais dos caídos em combate. Isto é um dos eloquentes exemplos daquilo em que em parte lamentavelmente se transformou Portugal: não cuida dos seus, dos mortos, dos feridos, dos desamparados. 3º MUNDO !
AC
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