quinta-feira, 29 de outubro de 2026

29  OUTUBRO  1971 

É  hoje.   SÃO  JÁ  55 !

Passam 55 anos que para lá fui !

O tempo voa !

Parece que foi há dois meses, e lá estava este novinho rapaz no então aeroporto da Portela, a poucos minutos das 2300 horas, a preparar-me para embarcar no avião que me havia de transportar para Bissau, com curta paragem no Sal, Cabo Verde.

Bissau, para onde me mandaram para ir ser o imediato (uma espécie de 2º Comandante) num patrulha grande dos vários que por lá havia durante a guerra colonial/Ultramar.

Uma chamada comissão de serviço, de 21 meses (como salvo erro no Norte de Moçambique e Leste de Angola) de uma África paupérrima, desoladora. E de guerra. Guerra a sério, não era guerra de Solnado.

No meu navio tivemos vários feridos e um morto (comando africano, dos muitos que transportávamos quase todos no exterior do navio), consequência de um ataque sofrido /vindo da margem esquerda do rio Cacheu, na noite quase passagem de 19 para 20 de maio de 1973.

Eram 2340 horas quando o inferno se desencadeou. Parece que foi há meses.

Fui um dos vários felizardos, não morri, o ouvido esquerdo ficou afectado como hoje bem se nota. Fui felizardo pois não fiquei traumatizado. Dois a três meses depois do fim do pesadelo (28JUL1973) estava recuperado sem sequelas físicas e psíquicas, o ouvido havia de se dar por cansado e dorido cerca de dez anos depois.

Fui um felizardo pois cheguei inteiro ao contrário de muitos que foram feridos sérios e de muitos que nunca mais voltaram.

Os políticos TODOS, depois de 25 de Abril de 1974 não cuidaram de trazer para casa os restos mortais dos caídos em combate. Isto é um dos eloquentes exemplos daquilo em que em parte lamentavelmente se transformou Portugal: não cuida dos seus, dos mortos, dos feridos, dos desamparados. 3º MUNDO !

AC

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