domingo, 25 de outubro de 2026

O  MINISTRO  NUNO  MELO  e  as  FA
Há dias, li umas declarações de Nuno Melo sobre efectivos militares e concretamente sobre o ingresso este ano na Escola Naval (EN), instituição de ensino militar onde se formam os oficiais da Marinha de Guerra, perdão, Marinha.

Como acontece para com todos os meus concidadãos respeito, SEMPRE, as declarações deste político e actual ministro da defesa nacional (DN) que, tal como todos os antecessores, não passa de simples ministro da "tropa".

A maioria das declarações políticas e outras como por exemplo sobre as Forças Armadas (FA) e defesa nacional (que não é a mesma coisa, as FA são apenas um dos pilares da DN, o pilar militar) no mínimo fazem-me sorrir ligeiramente, a maioria das vezes discordo delas, sobretudo as de natureza política. Respeito, mas discordo.

Voltando à EN, concretamente ao ingresso na EN, Nuno Melo mostrou-se ufano quanto ao número de candidatos à EN e palrou um pouco sobre isso.
E o "isso" tem designadamente a ver com efectivos, com carreiras de oficiais, com quadros de pessoal, com estatuto dos militares das FA assuntos que, arrisco dizer, devem ser quase mandarim para Nuno Melo.

Eu não percebo grande coisa do assunto no que respeita às questões técnicas da gestão de recursos humanos, da gestão de carreiras.
Mas entre os meus melhores amigos militares tenho quem disso saiba e a fundo.

Com a devida vénia, publico um texto de um desses meus melhores amigos militares e que muito prezo. 
É um texto clarinho para militar e civil perceber sem precisar de se fazer desenho.

AC

Li há dias algures que o Sr Ministro da Defesa Nacional anunciou, naturalmente muito convencido que estava a brilhar na opinião pública que o aplaudiria, que este ano o número de cadetes a admitir na Escola Naval seria o DOBRO. 

Como não deve fazer uma ideia mínima do que é gerir carreiras concebidas (mal) para durar 40 anos, não percebe que a sua afirmação configura a persistência da incompetência com que estas carreiras são geridas. 

A notícia correcta Sr Ministro, deveria ser que este ano as diversas classes de oficiais da Marinha, seria cada uma alimentada com efectivos de candidatos aos diversos cursos da Escola Naval dentro dos VALORES DE EQUILÍBRIO, o que por acaso até poderia configurar um aumento de candidatos em relação a anos anteriores, só por acaso o dobro. 

Os valores de equilíbrio são os que permitem manter depois alimentados os diferentes quadros especiais de forma harmoniosa ao longo dos anos (e não ao sabor dos humores ministeriais), permitindo um desenvolvimento adequado das carreiras de cada um dos oficiais. 

Em carreiras mal concebidas para durarem 40 anos, percebe-se instintivamente que alimentando os quadros à pazada, o que parece ser o caso, alguns dos futuros oficiais não serão promovidos daqui a anos, por terem à frente muitos camaradas que alimentarão de sopetão os quadros findos os cursos para que vão ser recrutados e que persistirão depois na ocupação das vagas nos postos superiores até passarem à reserva, por limite de idade ou por outro motivo. 

Os valores de equilíbrio dependem de muito factores e são difíceis de concretizar em cada ano, mas devem ser permanentemente tentados e adequados em anos posteriores. 

Dependem dos quantitativos de mancebos admitidos aos diversos cursos da Escola Naval, dependem da diferenciação etária dos candidatos porque a idade é factor determinante para as vagas futuras nos quadros por passagem à reserva por limite de idade, dependem das taxas de atricção na Escola Naval que é diferente por ano escolar, dependem da futura atricção por quadro especial, dependem da dinâmica de cada carreira que por sua vez depende dos efectivos globais fixados para os quadros da classe respectiva e se estes quadros estão ou não totalmente preenchidos, dependem das idades fixadas para passagem à reserva nos diferentes postos e também da arquitectura dos postos por carreira. 

Dependem ainda dos Ministros da Defesa que não percebem isto e insistem no improviso de provocar a alimentação dos quadros em cada ano com gente a mais ou a menos. 
Abastardam as carreiras e depois queixam-se que não têm gente suficiente.

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