FRANÇA, EUROPA. . . e . . . PORTUGAL ?
Olhemos um bocadinho à história.
Basicamente dez anos, 5 Maio 1789 a 9 Novembro 1799, é/ foi o período a que habitualmente se chama a Revolução Francesa, o período onde ocorreram um sem número de acontecimentos, e que transformaram a sociedade.
De sociedade imperando privilégios para certos grupos sociais passou-se para sociedade de pessoas iguais perante a lei. À monarquia absoluta sucedeu o modelo de governo representativo.
O designado antigo regime, sociedade com Monarquia absoluta (justificada pelo direito divino), com estrutura social hierarquizada, tinha três "estados" ou "ordens": clero, nobreza e povo!
No século XVIII a economia francesa está fraca, a agricultura continua a ser actividade dominante. As freguesias francesas de rendimento médio são as que crescem mais em população, factor que virá a ter importância decisiva na revolução por vir.
Uns anos antes da revolução as colheitas foram muitas vezes irregulares, a viticultura normalmente muito atingida, e quanto à indústria uma França diminuída em contraste por exemplo com a indústria e maquinaria inglesas.
A filosofia iluminista foi decisiva. O racionalismo, a liberdade, a base de que todos são dotados de razão e nada pode anular esse direito. Voltaire, Montesquieu, Rousseau, a Enciclopédia finalizada em 1776, D'Alembert, Condorcet, Turgot.
Por volta de 1779/ 1780 não é mais possível ignorar as posições filosóficas questionando quase tudo e designadamente a fé religiosa e monárquica. A crise política passa a ser constante. O abade Siéyès é um dos mais determinantes.
Os chamados estados gerais iniciam-se a 5 Maio 1789.
A 17 Junho declara-se a Assembleia Nacional.
A 9 Julho a Assembleia passa a Assembleia Nacional Constituinte.
A 14 Julho é tomada a Bastilha.
A revolução de Paris é seguida por revolução camponesa onde surge uma explosão anti-senhorial, e surge o período do Grande Medo ou Grande Terror. Pânico geral em toda a França.
A 4 Agosto suprimidos todos os privilégios, desaparece o princípio da hereditariedade para acesso a cargos públicos.
Estrutura social do feudalismo rural e a organização administrativa do poder absoluto ficam destruídos.
A 27 Agosto proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
A maior parte da nobreza francesa sai do país.
A 13 fevereiro 1790 não mais reconhecidos os votos religiosos, são suprimidas as ordens religiosas, os bens do clero nacionalizados, surge em 12 Julho a Constituição Civil do Clero.
Prossegue e aumenta o agravamento das dificuldades financeiras por toda a França.
De 20 para 21 Junho 1791 o rei e família tentam fugir mas são capturados.
Estando a Constituição em vigor entra em funções em Outubro de 1791 uma nova Assembleia.
Em 1792 declarada guerra por exemplo à Boémia, à Hungria, tal como a Prússia declara guerra à França, e a Áustria também aparecerá na confusão.
Setembro de 1792 assiste ao início da primeira fase do Terror.
A 20 Setembro 1792 essa fase termina e inicia-se a Convenção.
A 22 Setembro é proclamada a República.
Na Convenção distinguem-se dois grupos: à direita Girondinos, à esquerda Jacobinos.
A 21 Janeiro 1793 Luís XVI é decapitado
A Convenção assume-se como um governo ditatorial.
Entre 31 Maio e 2 Junho de 1793 os Girondinos são afastados. A conjuntura política radicaliza-se crescentemente.
A 13 Julho 1793 Marat é assassinado.
A 27 de Julho Robespierre impõe-se; a 7 Setembro inaugura-se uma segunda fase de aplicação sistemática do Terror, que durará até 27 Julho de 1794.
A 29 Setembro 1793, o tabelamento compulsivo de bens e salários.
Em Junho 1794 e em parte na sequência de vitórias militares das forças francesas Robespierre é eleito presidente da Convenção.
Mas em 27 Julho juntamente com vários dos seus partidários, Robespierre é guilhotinado.
Final de 1794 primeiro semestre de 1795 verifica-se uma gradual implantação de moderados nas estruturas políticas.
Do chamado Termidor sai a Constituição do ano III, votada a 22 Agosto de 1795.
De 1797 a 1799 há uma segunda fase do Directório. Bonaparte vai programando as suas acções.
Directório, Conselho dos Quinhentos, Conselho dos anciãos.
Principalmente com o abade Siéyès elabora-se a Constituição do Ano VIII. A ditadura de Bonaparte vai ficar institucionalizada. Mas amplia-se a separação de poderes. Bonaparte é 1º Cônsul.
Começa o Império que irá até 1814.
Bonaparte culminou um período revolucionário de vinte e cinco anos de instabilidade. Normalizou a vida política e administrativa em França, reorganizou o Estado, relançou condições para melhor economia e estabilidade monetária.
Uma das maiores realizações de Bonaparte foi sem dúvida o "Código Civil de 1804 que vigorou quase dois séculos.
Olhando a esta rápida recordação de alguns aspectos da história Francesa, e olhando ao que se vem passando por cá desde há uns dias, apetece-me perguntar a certas criaturas que,
- com o ar mais patético (opinião pessoal naturalmente) aparecem nas TV a sorrir e falar "é a revolução",
- ou a outras que chegaram exaustas dos seus empregos em Estrasburgo,
- ou ainda às escolhidas a dedo e indicadas como líderes e vivendo num quarto, quem assume ser:
Marat, Danton, Robespierre, La Fayette, Rouget de Lisle, Kellerman, Maria Antonieta, Lavoisier, André Charnier, Saint-Juste, Ducos, Bonaparte.
AC
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