Eduardo Dâmaso, CM
16 de outubro de 2026
O processo de Manuel Pinho é um daqueles em que a prova fumegava. Ficou provado que o ex-ministro foi um avençado de Ricardo Salgado nos Governos de Sócrates.
Recebeu 4,9 milhões de euros, incluindo uma mensalidade de cerca de 15 mil euros, entre 2005 e 2009, para favorecer os interesses do BES e de ‘la famiglia’.
O Supremo Tribunal de Justiça confirma agora que Pinho foi um ministro da República corrupto. Com todas as letras.
Mas isso não só não deve comover como, pelo contrário, desatará alguma indignação entre a nata do regime.
Pinho tem dinheiro para recorrer até à Lua. Está há uma década no exercício das suas garantias, mas é visto como um perseguido pelos malvados do Ministério Público.
O facto de Pinho, a par de Salgado, ser mais um criminoso de colarinho branco que jamais entrará numa prisão, é um pormenor ou, de outro modo, um traço do ‘humanismo’ seletivo dominante. Tem cinco anos de domiciliária, no chalé minhoto em que vive, para descontar. Quando chegar ao trânsito em julgado, passaram os dois terços da pena. O ministro corrupto abraçará, então, a liberdade e dele poder-se-á dizer que criou uma nova forma de execução de penas: uma prisão em forma de chalé à moda de Pinho.
Está tudo dito.
É a Tugolândia, não saímos disto.
Porque isto é muito mais do que "humanismo selectivo dominante".
AC
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