segunda-feira, 17 de abril de 2023

TERCEIRO MUNDO, GÉNIOS, FARSANTES
Caso EDP. Manuel Pinho condena instrução de 49 dias como "própria de terceiro mundo".
Ex-governante considera que "nem um génio é capaz de estudar e tomar uma decisão em 49 dias sobre um processo de elevada complexidade", assinalando as 574 páginas da acusação do MP e os quase 100 volumes e apensos deste processo. Manuel Pinho vai a julgamento pelos crimes de corrupção passiva, branqueamento e fraude fiscal
.

Este "pequeno génio" considera a instrução de 49 dias uma coisa própria do terceiro mundo. Não faço ideia de como é que um juiz avalia o que o ministério público lhe coloca para apreciação e decisão.

Não faço ideia se as inúmeras peças dos tais citados 100 volumes e apensos do processo são apresentados ao juiz de instrução por resumos que se leem em poucas semanas, em que cada resumo tem indicações remetendo para a folha X do volume ou do apenso Y, permitindo ao juiz esclarecer-se e se tiver dúvidas ir vasculhar a papelada. Mas, sem ser jurista, parecer-me-ia uma coisa razoável.

Não sou jurista mas, parece-me óbvio que nenhum juiz lerá integralmente dezenas ou centenas de volumes de um dado processo.

De qualquer maneira, o que acho curioso é esta "pequenina prenda" considerar uma dada coisa do terceiro mundo, mas 12 anos ou mais de investigação ser uma coisa perfeitamente natural. A "pequena peça" podia ter feito algum comentário comparativo com os EUA, ou a Alemanha, ou a Holanda, sei lá.

Uma coisa é certa para mim e de há muito, se me dissessem que havia um país em que tudo isto, todas as broncas se arrastam 12 ou mais anos, em que quase tudo prescreve, no mapa ia procurar esse país na América do Sul, ou Ásia, ou África. 

País por onde saltitam uma série infame de aldrabões, uma série de farsantes que nem no Chapitô terão lugar.

AC

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